terça-feira, outubro 20, 2015

Só 8,7% dos brasileiros seriam classe média nos EUA

João Pedro Caleiro
EXAME.com 

Germano Lüders/EXAME 
Centro de Altamira, no Pará: consórcios de motos 
crescem em estados do Norte e do Nordeste

São Paulo - Se estivessem nos Estados Unidos, 8,1% dos brasileiros adultos seriam de classe média e 0,6% estariam acima disso, segundo o último relatório de riqueza do Credit Suisse.

Para ser da classe média, o brasileiro precisa ganhar no mínimo US$ 28 mil por ano. Na Noruega, este valor chega a US$ 58 mil, quatro vezes maior que o da Índia, de US$ 13.700. 

O valor foi definido utilizando o padrão norte-americano com dólares corrigidos por paridade de poder de compra e preços locais. Ou seja, a baixa proporção brasileira não é uma questão de dólar valorizado.

O limite superior é de 10 vezes o respectivo valor de cada país. Nos Estados Unidos, é classe média quem ganha entre US$ 50 mil e US$ 500 mil por ano.

Pelo padrão do banco, poucos países no mundo têm uma maioria da população na classe média ou acima dela. A Austrália é primeiro lugar mundial neste quesito. Veja alguns exemplos:

País
Classe média
Classe média
e acima
Austrália
66,1%
80,3%
Espanha
55,8%
59,6%
Estados Unidos
37,7%
50,0%
Suécia
39,4%
50,9%
Chile
22,3%
23.8%
México
17,1%
18,1%
China
10,7%
11,3%
Brasil
8,1%
8,7%
Rússia
4,1%
4,6%
Argentina
4,0%
4,3%


De acordo com o banco, a classe média global foi de 500 milhões de adultos em 2000 para 664 milhões em 2015, o equivalente a 14% da população. 96 milhões de pessoas, ou 2% da população, está acima disso.

É um patamar próximo da análise feita pelo Pew Research Center até 2011 e que permite inclusive calcular onde você fica na pirâmide.

A classe média é mais prevalente na América do Norte (39% do total), seguida pela Europa, com cerca de um terço.

A proporção cai para 15% na região da Ásia-Pacífico (sem China e Índia), 11% na China e na América Latina e apenas 3% na Índia e na África.

Apesar do menor número proporcional (8,1%), o Brasil é parte de um seleto grupo de países que tem mais de 10 milhões de habitantes na classe média.

A China, inclusive, já tem um número absoluto de pessoas nesta classe (109 milhões) maior do que o dos Estados Unidos (92 milhões). Quando são incluídos os de classes mais altas, a China ainda perde.
No século XXI, a classe média diminuiu de tamanho em cinco países: Argentina, Egito, Grécia, Rússia e Turquia.  

O estudo do Credit Suisse também mostra que a porção de ativos financeiros aumentou como porcentagem do total e que o 1% dos indivíduos mais ricos já possui metade de toda a riqueza do planeta.

Veja um vídeo (em inglês) com algumas conclusões do estudo:


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