segunda-feira, outubro 19, 2015

Toffoli reage a manobra e desiste de enviar observadores à eleição na Venezuela

Redação
Diário do Poder

Toffoli não confia na independência do grupo de observadores

(FOTO: NELSON JR)
 Toffoli foi convidado para observar as eleições no Canadá, 
mas pagou do próprio bolso as despesas da viagem. 

O ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu que o Brasil não mais enviará técnicos para acompanhar, inclusive na condição de observadores, a eleição legislativa na Venezuela, prevista para 6 de dezembro.

Ele pretendia que o jurista Nelson Jobim, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, respeitado e ex-ministro da Justiça, chefiasse a missão de observadores internacionais, até para garantir a independência do grupo diante das habituais pressões do regime venezuelano chefiado por Nicolás Maduro.

O ministro Toffoli ficou muito desapontado ao ser informado de que o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, simpático ao regime chavista, indicou Jorge Taiana, ex-terrorista do grupo Montoneros e ex-chanceler da Argentina, para chefiar essa missão internacional. Como Samper, Taiana é francamente comprometido com o governo autoritário da Venezuela.

Como não tem razões para confiar na independência da missão chefiada por Taiana, Dias Toffoli decidiu que o TSE não vai enviar representante, até para não coonestar eventuais irregularidades na eleição. Em nota oficial, a ser divulgada ainda neste sábado (17), o ministro oficializará e explicará sua decisão.


O chavista Samper e sua amiga Dilma.

Interferência inadequada
Em Brasília, nesta sexta-feira, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, cancelou reunião com Samper após o estrangeiro dar palpites sobre assuntos internos do Brasil, criticando as propostas de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Samper repetiu interferências igualmente inadequadas dos presidentes Cristina Kirchner (Argentina), Ariel Ortega (Nicarágua), Evo Morales (Bolívia) e Maduro (Venezuela). Aloysio Nunes protestou contra a interferência estrangeira: "Vêm nos dar lição de democracia quando não abrem a boca pra falar sobre a tirania venezuelana".

A não-interferência em assuntos internos dos países é um dos dogmas da diplomacia em todo o mundo, sempre ignorado pelos regimes autoritários simpáticos ao chavismo ou dependentes dos favores do petróleo venezuelano.

Viagem por conta própria
Toffoli resolveu não mais enviar observadores às eleições na Venezuela ao desembarcar nesta sexta-feira (16) em Otawa, no Canadá, para uma visita oficial.

O presidente do TSE foi convidado pelo organismo eleitoral canadense para atuar como observador qualificado das próximas eleições gerais do País, que se realizarão nesta terça-feira (19).

O ministro viajou ao Canadá às próprias custas, pagando passagens e hospedagem, recusando-se inclusive a receber diárias.

Na terça, deverão ser eleitos 338 deputados, correspondentes a 338 distritos.

A eleição está apertadíssima. Segundo todas as pesquisas de opinião, provavelmente nenhum dos três grandes partidos – Conservador, Liberal e NDP (Novo Partido Democrático) – conseguirá a maioria absoluta de 170 deputados.

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