domingo, outubro 04, 2015

Virou circo

Adelson Elias Vasconcellos



No auge do clamor do Congresso pela redução na quantidade de ministérios, Dilma prometeu que cortaria dez, fundiria algumas secretaria e dispensaria mil dos mais de 24 mil  cargos de confiança. Ou seja, timidamente, Dilma adota, tardiamente, medida que deveria anteceder ao primeiro pacote do ministro Levy. 

Tivesse começado pelo corte de ministérios, secretaria e cargos de confiança e, muito provavelmente, teria tido maior capital político para que sua base no Congresso não a ameaçasse com pautas-bomba. 

De adiamento em adiamento chegamos ao tão esperado dia do anúncio da tal “reforma” que de reforma não é nada, uma vez que nada será economizado e, pelos nomes anunciados, Dilma tornará pior o ministério que já era ruim ao buscar no baixo clero gente sem nenhum perfil que possa contribuir para melhorar a gestão governamental. 

O objetivo acabou sendo mesmo uma reforma anti-impeachment. Se as mudanças beneficiarão o país, isto é  algo que ficou em plano secundário.  Dilma já não governa, age pelo instinto de sobrevivência no poder. Quem governa ´e Lula (que nunca de exercer o poder) e alguns caciques do PMDB. Em resumo, as crises vieram para ficar e vão ficando enquanto a presidente faz-de-conta  que governa alguma coisa e se agarra à cadeira presidencial.

Uma das  muitas  misérias deste governo  pode ser constatada no Ministério da Educação. Tentem lembrar quantos nomes já desfilaram como ministros no MEC em 13 anos de PT. E, como se percebe, o ministério mais tem servido como moeda de troca para atender apelos políticos do que para reformar e modernizar o ensino público.  Renato Janine durou cinco meses, e quando foi anunciada sua nomeação, grande parte do país festejou a escolha de uma autoridade ligada à área, com conhecimento e capacidade  suficientes para tornar o Brasil menos analfabeto. Nesta edição texto do Estadão o quanto a Educação é maltratada com cortes de verbas!

Em cinco meses, muito pouco é possível fazer. Agora volta Mercadante, de quem Dilma não abre mão, e com ele enterra-se de vez o desejo da Pátria Educadora. Mercadante não é ramo, gosta muito mais do jogo de intriga. 

Quanto mais o tempo passa com o PT no comando do país, maior é retrocesso que vamos experimentando em todas as áreas. 

Diz-se que  com a reforminha Dilma ganhou governabilidade. Até pode ser, muito embora os processos que podem apeá-la do poder ainda estejam correndo soltos. A questão de fundo é: quando e quem governará o Brasil doravante e tratará de resolver a crise econômica que anda infelicitando milhões de brasileiros?

A eleita para o cargo foi Dilma, mas ela não governa mais. Seu mexe-mexe ministerial foi todo costurado por Lula. A única “coisa” que o ex-presidente em exercício não conseguiu remover foi Mercadante que foi empurrado para a Educação. Com ele, não há perigo da educação brasileira melhorar sua péssima qualidade. 

Para debelar a crise econômica, Lula queria Henrique Meirelles, mas Dilma não topou. A presidente quer distância dele. E Joaquim Levy acabou, coitado, sendo crucifixado sem ter culpa nenhuma. É o único dentre todos os personagens que pode bater no peito para reclamar de herança maldita.  Nas costas do ministro da Fazenda foram jogadas todas culpas do desastre econômico. O PT tem a característica de culpar inocentes pelos males que pratica. 

O jeito é torcer para que o Brasil passe a ser tratado como prioridade por Dilma e seu rebanho. Já se foram nove meses em que sua única preocupação foi tentar salvar o próprio pescoço. Tenta conter os votos que podem despejá-la do Planalto, muito embora a reforminha não lhe assegure coisa alguma.   Com este ministério que ela montou,  quem perdeu foi o Brasil, que terá de suportar tamanho monumento à incompetência. Não há um ali que se salve.

Assim, o que o país estarrecido assistiu foi apenas uma leve dança de cadeiras, já que economicamente o desperdício e a gastança vão continuar. Dentre mais de 100 mil comissionados, o corte de 3 mil não representa coisa alguma. Existe estatais demais, grande parte inútil, onde  se  alojarão  os dispensados.

E lá se foi mais uma oportunidade perdida para dar, ao poder público, a eficiência que o Brasil precisa e espera. Este gigante dispendioso, que sufoca com seu peso maléfico a sociedade que o sustenta, vai continuar sugando a riqueza produzida pelo trabalho da população, impedindo que as riquezas geradas se transformem em frutos de desenvolvimento. 

Exemplo desta estupidez foram as primeiras palavras do novo ministro da Saúde, Marcelo Castro,  não contente em defender a volta da CPMF, agora incentiva sua inconstitucionalidade. Quer o mancebo que a contribuição incida duplamente, por exemplo, sobre os salários que seriam taxados no pagamento e também no recebimento, como se já não bastasse o imposto de renda na fonte. 

Dada a movimentação destes últimos dias para atender as promessas de corte na carne, e olhando-se para o resultado final, não há dúvidas que Dilma e sua manada transformaram o governo brasileiro num enorme circo. Adivinhem quem será o palhaço desta pantomima?

E fiquem certos de uma coisa: a movimentação nos bastidores para impedir o impeachment está sendo intensa, tanto pela bandas  do Congresso – a reforma é exemplo acabado disto -, como pelas bandas do Judiciário, onde não faltam simpatizantes da causa, gente que, num país sério com juízes com vergonha na cara, se declarariam impedidos de julgar atos de presidentes para os quais advogaram em passado recente, e aí tanto faz ser no Supremo ou na Justiça Eleitoral.  E estes ex-advogados estão atuando tanto no caso do impedimento quanto para tentar barrar e minar a Operação Lava Jato. A propósito: quem serão os políticos e de quais siglas o STF julgará e condenará, é que será a marca definitiva do amadurecimento e independência ou não das instituições democráticas.  Como em todo o espetáculo circense, o show não pode parar... 

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