domingo, novembro 29, 2015

Gangsterismo do poder!

Adelson Elias Vasconcellos

Em muitas ocasiões, Lula quis comparar-se a Getúlio Vargas. Quanta prepotência! Ao menos Getúlio saiu da vida pública com um tiro, mas tão pobre quanto nela entrou. Lula, ao contrário, não apenas continua assombrando a vida pública com suas  patifarias e enriquecendo fruto delas, como para manter-se  na vida pública empenhou a alma ao demônio. VADE RETRO!!!!



Dilma resolveu assumir um enfrentamento contra o bom senso, contra a boa gestão, contra a população, contra os empresários. Enfim, a senhora presidente resolveu mostrar mais uma vez seus dentes afiados. Não contente em fraudar as eleições com dinheiro da corrupção, em praticar o maior estelionato eleitoral da história republicana, não satisfeita em se tornar a mais ridícula, incompetente, medíocre presidente da história brasileira, decidiu levantar a bandeira da CPMF, tratando,  com  seu dizer esquizofrênico, como única solução para os males que ela mesma praticou contra a economia do Brasil. 

Não é nem  pelos 0,38% - ou outra alíquota que se tente impor - que seria cobrado em todas as transações financeiras. E, sim, pela simbologia de um governo desajustado com a realidade do povo brasileiro, já por demais castigado por uma carga tributária que representa uma das piores chagas que atormenta a vida dos brasileiros. 

A carga de impostos que pesam sobre os ombros de todos nós, há muito deixou de representar a reciprocidade por aquilo que o Estado deveria nos devolver ou nos entregar.   Tornou-se um assalto,  um pesadelo, um calvário que precisamos trilhar diariamente para sustentar um poder público apodrecido, inepto, corrupto, a verdadeira peste negra da nossa desgraça.    

Não é a única solução. Aliás, se solução há para endireitar as contas públicas ela não está nas mãos desta mente insana que nos desgoverna.  Cadê a demissão dos 3.000 comissionados anunciados com pompa e até hoje adiada? Por que a senhora Dilma Rousseff, além de hipócrita, consegue ser tão covarde? Para quem estufa o peito e enche a boca para salivar sua luta contra a ditadura militar – e nem era por redemocratização - a soberana demonstra completa deserção. 

O que não faltam são gastos inúteis, indecorosos, de ostentação. Dilma terá, se nada lhe acontecer, pelo menos três anos de mandato para continuar trapaceando os brasileiros, para continuar degradando os deveres do Estado para com a população, assaltando a todos para  entregar  nada em troca. Há muito tempo que a  ação dos governos mudou  o nome da carga tributária.  Tornou-se produto de pilhagem.  A cobrança de impostos pressupõe remuneração ao Estado pelos serviços que presta. O governo da senhora Rousseff passou da cobrança de impostos para a ação de rapinagem, de fraude, trata-se de um engodo de proporções gigantescas.

A o querer impor,  a fórceps, a cobrança de mais impostos, Dilma empurra para a sociedade pagar a conta de sua irresponsabilidade, de sua má gestão,  de seu descontrole como administradora maior dos recursos públicos, torrou milhões para reeleger-se banhada na mentira, na mistificação, na delinquência financeira. Agora, impõe-nos com mãos de ferro,  lambuzada na sua luxúria e extravagância, a fatura de quatro anos de imoralidades. Permitiu, como ministra e presidente do Conselho de Administração, o assalto bilionário e os negócios desastrosos que levaram a Petrobrás  a condição em que se encontra hoje.  Como presidente da República, abusou da arrogância, do destempero, da perturbação mental, da idolatria por modelos fracassados, praticando um retrocesso de 25 anos ao país. 

Que a senhora Rousseff aplique a tesoura em si mesma e na estrutura insustentável que criou em torno de sua cadeira presidencial. O Brasil, o povo brasileiro não merece tamanho castigo. E não poderá consentir em ser mais uma vez achacado por governantes medíocres.   

Quadrilhas, ditas sociais, se levantam, às vezes de modo truculento,  para defender a legalidade do mandato da senhora Rousseff. Ora, e quem disse que seu mandato é ilegal? Porém, a condição de “impeachment”  é dispositivo constitucional, já aplicado pelo próprio PT contra Collor. Se pedir o impedimento de Dilma, dentro da legalidade, é golpe, então o petismo e Lula são golpistas desde 1992. Outros há, incluam-se aí a própria Dilma e Lula que berram de forma histriônica,  que não permitirão retrocessos. 

Ora, que maior retrocesso pode haver do que o cometido pela atual presidente? Desde 2011, ela comanda um dos maiores retrocessos econômicos que o Brasil já sofreu em sua história! Ou será “progressismo” conduzir a economia para o período pré-plano Real? Quem é responsável pela queda de  4 anos consecutivos na indústria? Quem é a pioneira  a presidir o país com três anos consecutivos de recessão? Quem tem comandado a demissão em massa de trabalhadores nos últimos doze meses? Em quais governos aconteceram os assaltos aos cofres públicos, via ministérios – Planejamento, Saúde, Transportes – além de levarem a Petrobrás a uma condição quase falimentar? Quais os dirigentes partidários e a que partido pertencem os coordenadores do mensalão e petrolão? 

Afirmar de forma leviana e canalha, como fez Lula, que as dificuldades do atual governo se devem à oposição e à parte da imprensa, não é só falta de escrúpulos e de mau caráter: é achar que todos os brasileiros são rematados idiotas que não sabem o se passa no país nestes últimos anos. Ou será piada que mais de 90% da população brasileira reprovam o governo Dilma Rousseff?

Não foi a oposição que comandou a roubalheira na Petrobrás! Não é a oposição que, desde o início do ano, tenta derrubar o ministro da Fazenda! Não é a imprensa quem critica e impede a votação do pacote de ajuste fiscal! Não foram instituições da oposição, tampouco dos órgãos de imprensa, quem divulgaram documentos condenando o ajuste fiscal além da ação de sabotagem nas votações pelo Congresso!  

Dilma e Lula, este especialmente, podem mentir para sua turma a vontade, podem enganar os incautos  das formas mais cafajestes possíveis, podem iludir as esquerdas e os bandos de quadrilheiros, delinquentes, achacadores e milicianos sustentados pelo dinheiro público (porque do trabalho esta gente quer é distância)! Mas não conseguirão mais iludir o país, a sociedade, as pessoas honestas que, ao contrário deles, trabalham  e estudam, estudam  e trabalham.  Estas conhecem o califa do dinheiro sujo,  o sultão vestido de santo enquanto vende medidas provisórias para favorecer o clube de empresários que lhe pagam as dívidas e enriquecem seu patrimônio com doações. Ou o palestrante sem palestras que desvia dinheiro do contribuinte brasileiro para favorecer ditadores e caudilhos totalitários mundo afora. 

Em muitas ocasiões, Lula quis comparar-se a Getúlio Vargas. Quanta prepotência! Ao menos Getúlio saiu da vida pública com um tiro, mas tão pobre quanto nela entrou. Lula, ao contrário, não apenas continua assombrando r vampirizando a vida pública com suas  patifarias e enriquecendo fruto delas, como para manter-se  nela empenhou a alma ao demônio. VADE RETRO!!!!

O último absurdo produzido pelo governo Dilma é reconhecer que a queda do PIB será superior a 3%, mas ele se nega em cortar despesas. Para este governo pobre e podre a salvação da lavoura é acrescentar mais impostos no lombo do povo para ele continuar gastando mais e muito mal! Vão se catar, cambada de irresponsáveis e incompetentes!!!!

Instituições contaminadas
O diabo é que a torpeza do pensamento fascista da esquerda já contaminou muitas das nossas instituições. Já  não me refiro ao Legislativo porque este se afunda em suas próprias iniquidades e deficiências de valores. Dirijo-me ao Judiciário onde a lei está subordinada aos caprichos de juízes despidos de sua função de proteção à sociedade. Nem no tempo da ditadura militar nossas instituições estiveram tão apodrecidas como hoje se encontram. Corrigir esta rota exigirá de todos os homens, mulheres e jovens decentes deste país – a grande maioria - uma enorme dose de determinação e sacrifício. 

O Estado está ocupado hoje, com raríssimas exceções – por um antro de pervertidos  e delinquentes.  Sua depuração não será fácil, mas não haverá outro jeito de colocar o Brasil no rumo da decência, da civilização e da moralidade. Sem que se  faça esta depuração,  o Brasil não passará de um amontoado de canalhas comandando e explorando milhões de escravos e ignorantes.  Prostituíram o Estado em favor de um grupelho e contrário aos interesses da maioria. E isto, senhores, me desculpem, já não é mais democracia. É baguncismo, e nele quem apenas sai lucrando são bandidos, bem ou mal remunerados, com ou sem formação de “doutor”. Mas, ainda assim, bandidos. 

Remendos e improvisos

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O país está à beira do colapso fiscal. A presidente Dilma Rousseff, que embarcou para Paris, tanto fez que conseguiu levar o governo à paralisia. Sem meta fiscal para este ano, o Tesouro Nacional será obrigado a suspender, a partir de 1º de dezembro, uma série de pagamentos. Apenas o que é considerado essencial para o funcionamento da máquina será honrado. O chamado shutdown seria um problema menor se Dilma e o Congresso tivessem entendido a dimensão do caos que pode se instalar no Brasil. Infelizmente, a petista e a maior parcela de parlamentares só estão preocupadas em garantir os mandatos.

A crise fiscal não vem de hoje. Veio sendo construída com disposição, como se não houvesse amanhã. De olho na reeleição da presidente Dilma e no projeto de poder do PT, o Tesouro Nacional deu início a uma farra com o dinheiro público, que levou o país a um salto espetacular no seu endividamento. Para esconder a gastança, o Ministério da Fazenda usou de todos os tipos de artifícios a fim de maquiar as contas. Pedalou tanto as despesas, que criou um passivo com os bancos públicos de mais de R$ 50 bilhões, que não se sabe como e quando será pago.

Apesar dos alertas de que a situação fiscal poderia sair do controle, inclusive do Tribunal de Contas da União (TCU), que recomendou a rejeição das contas de 2014 e abriu precedente para o impeachment de Dilma, nem o governo nem o Congresso tiveram a preocupação de conter os estragos. Não à toa, hoje, em vez de o país estar discutindo medidas para a retomada do crescimento econômico, teme-se o risco de o governo decretar calote na dívida pública e de a praga da hiperinflação voltar. “Estamos diante de um quadro dramático”, admite Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos.

Depressão econômica
A fatura da desconfiança provocada pelo desajuste fiscal é assustadora. Na avaliação de Zeina, já não se pode mais falar em recessão, mas, sim, em depressão econômica. Enquanto o mundo crescerá entre 3% e 3,5% neste ano e nos próximos, o Brasil terá quedas superiores a 3% em 2015 e em 2016. Dependendo do que está por vir, também 2017 poderá ser dado como perdido. Com esse encolhimento da atividade, o desemprego vai disparar e conflitos sociais poderão tomar as ruas. Para ela, o Brasil perdeu a oportunidade de fazer o mais fácil, uma ajuste rápido e profundo, pois tinha o ministro certo para a missão, Joaquim Levy, que, infelizmente, só colecionou derrotas.

O que mais perturba diante da incapacidade do governo de arrumar as finanças do país é a trajetória da dívida pública. Quando Dilma chegou ao Palácio do Planalto, em 2011, o endividamento correspondia a 53% do Produto Interno Bruto (PIB). Dado o que se viu até agora — o rombo nas contas de outubro passou de R$ 12 bilhões —, é possível esperar que a relação entre a dívida e o PIB crave os 68 em dezembro%. Ao fim de 2016, encostará nos 75%, pois não se acredita que Levy conseguirá entrega a meta de superávit primário de 0,7% do PIB. O mais provável é que o próximo ano seja o terceiro seguido com déficit fiscal.

No entender de Zeina, não é exagero falar que o Brasil caminha para a desorganização macroeconômica, ficando cada vez mais parecido com a Argentina. “Esse discurso de que não há como nos assemelharmos ao país vizinho porque temos instituições sólidas não se sustenta. As instituições não estão fazendo o que precisa ser feito para evitar o pior”, acrescenta. Enquanto isso, a inflação está ganhando musculatura, o PIB, derretendo, e a dívida pública, a caminho da explosão. Nesse contexto, de nada adiantará o Banco Central elevar os juros. Só agravará o quadro fiscal.

Pressão da sociedade 
A saída para o país desatar nó fiscal seria a sociedade pressionar governo e Congresso a enfrentar os desafios que estão colocados. A liderança desse processo teria de ser ocupada pela presidente da República. Mas, infelizmente, ela não demonstra a menor capacidade para isso. Dilma não consegue aglutinar uma base parlamentar. Parte dos que poderiam dar suporte a ela estão enredados pelas denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava-Jato. O líder do governo, Delcídio do Amaral, que deveria estar quebrando resistências no Legislativo ao ajuste fiscal, está preso.

O resultado disso, avalia a economista da XP Investimentos, será uma demora maior para o país se recuperar. “Não se está falando aqui da volta do crescimento sustentado. Mas de uma recuperação cíclica, normal depois de uma recessão profunda. Não veremos nem isso tão cedo”, assinala. Pior para a população, que terá de arcar com todo o ônus provocado pelo colapso fiscal. Dilma, como de praxe, vai tentar minimizar os problemas. O certo, porém, é que o Brasil está sem governo, vivendo de remendos e improvisos.

Não há salvação 
» A gestora de recursos Franklin Templeton está prevendo queda de 3,5% para o PIB deste ano e retração de 4,3% em 2016. Com esses resultados, a economia voltará aos níveis de 2011, o primeiro ano de mandato de Dilma. Nos cálculos da Templeton, somente a absorção doméstica recuará 6% em 2015. Investimentos e consumo das famílias serão decisivos para o tombo da atividade. Não há perspectiva de recuperação à vista.

PIB do desastre 
» A próxima semana dará o tom do que realmente será o PIB deste ano. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará, na terça-feira, o resultado do terceiro trimestre. Pelos cálculos do economista-chefe do banco Santander, Maurício Molan, a retração da atividade foi de 1,4% ante os três meses imediatamente anteriores. Em relação ao mesmo trimestre de 2014, o tombo chegou a 4,4%.

Viva a Lava Jato

Carlos Alberto Sardenberg 
O Globo

Dizem que as crises políticas e econômicas, num dado momento, geram os líderes necessários para sua solução. Dizem também que é muito difícil antecipar quando esse momento está se aproximando, mas que a gente percebe quando chegou. Pois no Brasil de hoje, parece o contrário. O momento já está passando. O senador Delcídio Amaral e o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, foram presos, por determinação do Supremo Tribunal Federal, sob a acusação de obstrução da Justiça. Mas as peças do processo mostram que essa denúncia, embora muito grave, é até menor diante dos casos que são ali mencionados.

Vamos reparar: o BTG Pactual não é um banco qualquer. É o maior banco de investimentos do país, tem projeção internacional e, nessa condição, está conectado a grandes negócios — a começar pela exposição na área de petróleo e gás — nos quais aparece associado a outros grandes bancos e grandes companhias nacionais e estrangeiras. O envolvimento de seu controlador nos meandros do petrolão oferece, sim, um risco sistêmico. E ameaça arrastar outras instituições financeiras e não financeiras.

Ponto importante: se confirmado o modo de atuação de André Esteves nesse episódio — a operação nos bastidores da polícia, da Justiça e do governo, cujos indícios são avassaladores — a Lava Jato terá apanhado um caso extremo de “capitalismo de amigos, dos negócios arranjados nas mesas políticas”.

Sim, a Lava Jato já apanhou muitos casos assim. Empresários que fizeram delação premiada, como Ricardo Pessoa, contaram que ou entravam no esquema de corrupção da Petrobras/PT ou não tinham obras.

Mas o banqueiro André Esteves é muito mais que isso. Tem peso, talvez, até maior que o de Marcelo Odebrecht. E, para falar francamente, não é de hoje que os mercados olham com certa restrição para o modo de operação de Esteves. Se ele foi efetivamente apanhado, vão muita gente e muito negócio atrás.

Que a política está toda comprometida, já se sabia. Piorou, é verdade. A prisão do senador líder do governo, determinada pelo STF, jogou a crise um degrau acima. Mais exatamente, jogou a crise para a praça ao lado, do prédio do Congresso para o Palácio do Planalto — onde, aliás, já estava parcialmente, conduzida pelos membros do PT apanhados na Lava Jato.

Ou seja, já havia aí um ambiente de perplexidade política. Como se chegou a esse ponto? Repararam que todos os envolvidos na Lava Jato já foram acusados, denunciados e… liberados em inúmeros outros casos? Como é possível que um Congresso funcione com tantos dirigentes envolvidos em casos graves de corrupção? E como foi possível que esses personagens estejam tanto tempo por aí?

Pois o fato novo de ontem é que se pode levar essa perplexidade para o mundo econômico, público e privado. Como foi possível que o país tenha suportado por tanto tempo esse modo de negócios nos quais há um assalto do setor privado sobre o público?

O pior de tudo é que, pensando bem, não há com o que se espantar. Há uma cultura anticapitalista no país, difundida nos meios políticos, intelectuais e acadêmicos, nas escolas, na verdade, na sociedade toda. Empresários e banqueiros, estes principalmente, são todos uns ladrões — tal é a opinião rasa.

E parece que essa opinião é tão difundida que os próprios capitalistas nacionais aderiram a ela. Ok, vamos para a ressalva. Parte dos capitalistas nacionais parece ter pensado: se é tudo roubalheira, por que não? Ou seja, a cultura anticapitalista acaba produzindo um capitalismo de negócios escusos, que, ao final, confirma aquela cultura.

Temos, portanto, uma perfeita crise de valores, que paralisa a política e ameaça paralisar a macroeconomia. Só não paralisa os milhões e milhões de brasileiros que continuam comparecendo ao trabalho, cumprindo suas tarefas e tentando ganhar a vida honestamente. Para que estes não façam o papel de trouxas, está mais do que na hora de uma mudança radical na política — um novo governo, uma nova força, uma nova composição, o que seja — mas que seja capaz de tocar o país.

E que seja capaz, entre outras coisas, de reformar o capitalismo nacional.

Quanto ao Judiciário, se havia alguma dúvida sobre sua conduta, parece que não há mais. Viva a Lava Jato, que criou a oportunidade para que se lave tudo isso.

Não, as instituições não vão bem

Mary Zaidan
Blog Noblat


Motivo de loas ao vigor das instituições, a ordem de prisão do petista e líder do governo Delcídio do Amaral, expedida pelo Supremo, escancarou exatamente o inverso: o avanço da deterioração do Estado brasileiro. Rouba-se, saqueia-se, extorque-se em todo lugar. Nada funciona, exceto o poder de polícia - ações pontuais da Justiça, do Ministério Público e da PF.

Como praga, a degradação alastrou-se pelo Executivo em cada canto, cada ato, cada palavra. Nas mentiras ditas pela presidente Dilma Rousseff e pelo ex Lula, em cada negociata que ambos afirmam desconhecer. Multiplicou-se nos ministérios, nas autarquias e nas estatais, nas joias da coroa como Petrobras e Eletrobras, no Banco do Brasil, enrolado no mensalão, no BNDES, e sabe-se lá onde mais.

Corroeu o Parlamento. Fez com que a política se tornasse ambiente impróprio para gente de bem. Maleficio dos malefícios, até porque a política é a única saída para qualquer e todas as crises. E há gente de bem que a ela se dedica.

O Judiciário também tem lá suas fraquezas. Ao mandar prender poderosos, recebe efusivos aplausos por fazer valer o princípio básico de que a justiça é igual para todos. Ainda assim, não consegue inseticida suficiente para exterminar todos os insetos contaminam algumas de suas partes. E mais: o mesmo Supremo que dá orgulho exige aumentos abusivos sem lastro na economia do país, briga por regalias no topo e pouco distribui à base. As varas judiciais que recebem bilhares de demandas do cidadão comum continuam entupidas, não raro sem recursos para fazer o mínimo. Isso sem contabilizar denúncias de malversação que pairam sobre vários tribunais.

Ao contrário do que seria saudável e lógico em uma democracia, tanto nos poderes Executivo quanto no Legislativo – e até no Judiciário - pessoas falam mais alto do que as instituições.

Durante o julgamento do Mensalão, o então presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, se fez maior do que a Corte. Hoje, muitos acham que a Lava-Jato não existiria sem a obstinação do juiz Sérgio Moro. Ou seja, o crédito e a confiança estão em pessoas, não nas instituições.

Mesmo flagrado com contas na Suíça e explicações fajutas para o inexplicável, Eduardo Cunha continua comandando a Câmara dos Deputados. E o reincidente presidente do Senado, Renan Calheiros, também investigado pela Lava-Jato, se mantém em alta. No governo e junto aos colegas, que não pouparam reverências a ele na condução da sessão em que se apreciou a manutenção da prisão de Delcídio.

Fiel ao governo, à interpretação que fez da Constituição e do regimento interno e, principalmente, ao seu pescoço, Renan decidiu que a votação seria secreta. Mas teve de se render. Antes de revelar o placar final e já ciente de qual seria o resultado, direcionou suas baterias contra a intervenção do STF, que acabara de deferir liminar pró-voto aberto.

No alvoroço do final da sessão, quando todos exigiam a exibição dos resultados, a fala da senadora Rose de Freitas resumiu, de forma dramática, o estado das coisas. “Hoje, em todo momento, em qualquer lugar, sentado aqui, sentado ali, nós nos deparamos com alguém que está sendo indiciado, exatamente por usar o poder a seu favor ou de uma circunstância que lhe favoreça.”

Ao lembrar que o Senado não cumpre com as suas tarefas mínimas, a parlamentar disse o que ninguém na República diz: “a culpa é nossa”. E prosseguiu: “O que estamos fazemos agora, sem a menor preocupação de como sair dessa crise, de como ajudar o povo brasileiro, votando quando achamos que devemos votar, empurrando a pauta prioritária quando queremos empurrar. Nós estamos errados!”.

O discurso da senadora não frequentou os noticiários da internet, do rádio e da TV, nem as páginas dos jornais, obviamente ocupadas pelos detalhes do escândalo Delcídio. Mas dar consequência a ele faria bem às instituições, à democracia, ao país.

E não há como consertar qualquer coisa sem reconhecer que ela está quebrada ou estragada. Sem assumir erros. 

O PT contaminado

Ruth Aquino
Revista ÉPOCA

A única bancada que fechou questão pelo voto secreto foi a do PT, para esconder a posição sobre Delcídio

Foi o maior rompimento de barragem de lama na Nova República. As palavras turvas que jorraram da boca do líder do governo Dilma no Senado inundaram o Congresso e o país, mas, especialmente, o PT e suas bases, soterrando esperanças e convicções. O partido está mais dividido que nunca. Quantos anos serão necessários para recuperar a bacia das almas desse acidente ou crime? Onde a lama vai parar? Boias de contenção me parecem em vão.

Os bons petistas, idealistas, não sabem mais em quem acreditar. Eles se contorcem para ficar à margem, para não ser atingidos e contaminados pelos rejeitos tóxicos da bandidagem institucionalizada. O protagonista desse último filme B pertence à “cúpula da turma do Lula”. Lula foi cabo eleitoral de Delcídio do “Amoral”, ops, Amaral. Lula saiu em carro aberto em Mato Grosso do Sul, pediu o voto dos companheiros para o governador, suou a camisa. 

Mais um traidor, ex-presidente? Ou, como o senhor disse, “um idiota” que fez “uma trapalhada”, uma “coisa de imbecil”? Será que, como os já condenados – o ideólogo Zé Dirceu e o tesoureiro João Vaccari Neto –, Delcídio figurará como guerreiro do PT na história revisitada do partido? Ou será sumariamente expulso, como querem os camaradas linha-dura? A expulsão de Delcídio impedirá que a lama tinja de laranja o lago do Palácio do Planalto?

Um guerreiro, quase um terrorista suicida, que não hesitou em tentar calar a todo custo, pelo suborno e pelo tráfico de influência, um delator preso. Com o nobre objetivo de livrar sua cara, a cara do partido e a cara da presidente na compra da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos em 2006, Delcídio planejou fugas mirabolantes do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró pelo Paraguai com destino à Espanha. Delcídio se gabou de pressionar juízes do STF. Delcídio prometeu melar a Lava Jato, anular sentenças.

Ah, mas, segundo o PT, Delcídio “agia por conta própria” e não “a mando do partido”, embora fosse o principal articulador de Dilma na mais alta casa de nosso Parlamento. Delcídio não merece compaixão nem solidariedade – ou merece? Nem o PT se decide. 

Na sessão no Senado, a maioria dos senadores do PT quis a volta do obscurantismo e apoiou o voto secreto para que eleitores não soubessem sua posição sobre a prisão de Delcídio. A única bancada que fechou questão a favor do voto secreto foi a do PT. E, mesmo assim, não conseguiu a fidelidade de todos os seus. 

Também entre os poucos que votaram a favor de soltar Delcídio, o PT foi maioria: nove dos 13. Tudo acompanhado ao vivo pelas redes sociais e pela TV Senado. Era um velório, no qual foi enfim desafiada a expressão dúbia “imunidade parlamentar” – usada no Brasil para garantir impunidade para crimes comuns, e não para proteger o direito constitucional do legislador. 

Ganhou a compostura. Ganharam as instituições. Mas, para os senadores, foi “um dia trágico”. De nervos expostos, de vísceras reviradas. E de clara divisão no PT e no PMDB. O presidente do Senado, Renan Calheiros, o grande aliado de Dilma e representante do vice Michel Temer, perdeu em tudo o que votou. Falou indignado contra “o Poder (Judiciário) que prendeu um senador em exercício de mandato sem culpa formada”. O Supremo respondeu, pela emocionada ministra Cármen Lúcia: “Criminosos não passarão sobre juízes”.

No fim, restou a Renan submeter-se ao plenário e atacar o PT por negar qualquer solidariedade a Delcídio. “A nota do PT sobre esse episódio, além de intempestiva, é oportunista e covarde”, disse Renan. Para onde foi o código de ética entre mafiosos? O senador Delcídio está preso. Por crime inafiançável, flagrante e permanente. Não era um dos “nossos”?

Para variar, Dilma não sabe o que faz. Uma hora, a presidente se rende à ala de Rui Falcão e apoia a nota. Outra hora, Dilma se rende a assessores que recomendam cautela. Não vamos abandonar nem isolar nosso querido Delcídio. E se ele também se torna delator premiado? Que “solidariedade” ele mostrará ao PT se for jogado às traças? Nenhuma.

Calou fundo no coração de muitos petistas o que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, disse na véspera do rompimento da barragem de Delcídio. Uma fala cândida e premonitória.

“Quando você tem um sonho de transformar a sociedade em favor da igualdade e você se desvia para se apropriar de recursos ou para beneficiar quem quer que seja, você está cometendo dois crimes: o primeiro é colocar a mão em recurso público, o segundo, você está matando um projeto político (...) Não tenho nada contra quem quer ganhar dinheiro, mas não venha para a política (...Se vier,) garanta que você não vai matar o sonho das outras pessoas.” O sonho de Haddad virou pesadelo. O prefeito de São Paulo não está sozinho. Tem uma multidão com ele.

Inércia do Planalto agrava crises política e econômica

Editorial 
O Globo

Nas cordas, com o impacto da conspiração para calar Nestor Cerveró, governo precisa reagir e tratar da pauta econômica que deve ser aprovada no Congresso

Reeleita em outubro do ano passado, a presidente Dilma, a esta altura em 2014, já sinalizava que não iria cumprir promessas de palanque, pois se sabia que estava prestes a anunciar Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. O que de fato aconteceu: Levy foi nomeado e houve a guinada do governo real em relação àquele virtual, apresentado na propaganda petista.

A popularidade de Dilma começou a desabar, e a presidente se fechou em Palácio. A situação se repete, enquanto repercute a devastadora gravação feita por Bernardo, filho do ex-diretor Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, de conversas entre ele e o senador Delcídio Amaral (PT-MS), o chefe de gabinete do parlamentar, Diogo Ferreira, e o advogado Edson Ribeiro, sobre um esquema para silenciar o pai, em tratativas para testemunhar na Operação Lava-Jato.

Em troca, o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) financiaria a fuga de Cerveró e sustentaria o ex-diretor e família.

A prisão do grupo, na quarta-feira, parece ter jogado o Planalto nas cordas — como aconteceu no início do mandato. Há motivos para o desnorteamento. Cerveró teria citado Dilma em depoimento, no caso da refinaria de Pasadena, e, na questão legislativa, Delcídio era peça-chave na defesa dos projetos do ajuste fiscal no Senado.

Além de presidir a Comissão de Assuntos Econômicos da Casa, ele é o relator do projeto de legalização de recursos não declarados remetidos por brasileiros para o exterior, uma fonte potencial de receita num governo em extrema penúria.

O Planalto, porém, precisa reagir, junto com o que resta da base parlamentar, porque estão em aberto, no Congresso, questões sérias em torno do Orçamento do ano que vem e mesmo metas fiscais ainda de 2015.

No início do ano, havia alguma margem de tempo para o Planalto se adaptar à realidade — parecia que a própria presidente acreditara no enredo de ficção da campanha.

Mas agora, não. A existência de uma conspiração mafiosa para calar e tirar do país testemunha relevante no petrolão, com a participação de um senador petista, por si só degrada a atmosfera tensa no Congresso.

Em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem sobre a cabeça a espada do Ministério Público Federal e usa o poder de dar andamento a um processo de pedido de impeachment de Dilma como escudo. Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é outro citado na Operação Lava-Jato.

O quadro político ruim piora o cenário deteriorado da economia. E se o Planalto voltar a cair em estado de depressão, tudo piorará ainda mais. Dentro do governo, também é preciso resolver logo as divergências sobre a meta do superávit primário de 0,7% do PIB para o ano que vem.

E quanto à meta fiscal deste ano, não esquecer que este governo não tem qualquer margem de credibilidade para falsear nas contas públicas. O crédito acabou faz tempo, e continuam em questão novos rebaixamentos na nota de risco do país.

O nome da crise

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

A prisão do senador Delcídio chamou a atenção. Mas outra prisão, realizada ao mesmo tempo, envolve um personagem muito mais importante: o banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual. Banqueiro - e acionista do UOL, da área de Comunicações; banqueiro - e sócio da Petrobras na exploração de petróleo na África; banqueiro - e dono de uma imensa rede nacional de farmácias, a Brasil Farma; banqueiro - e sócio de uma grande empresa que fornece plataformas à Petrobras. Banqueiro - e, principalmente, dono de um moderno jatinho intercontinental Falcon, da francesa Dassault, bem do tipo sugerido por Delcídio para que Nestor Cerveró voasse sem escalas, direto, refugiando-se em Madri.

Esteves se move nos mais diversos setores da economia. E transita bem na política. Doou para Dilma e Aécio, cimentou amizades em todos os partidos. Essa rede de bons relacionamentos, narra o ex-presidente da Federação do Comércio de São Paulo (e hoje seu presidente emérito), José Papa Jr., o ajudou a tornar-se controlador do Banco Panamericano, aquele de Sílvio Santos. O Fundo Garantidor de Crédito - cuja função é garantir as contas de pequenos depositantes de bancos quebrados - colocou uns sete bilhões no Panamericano. E Esteves, que investiu uns 500 milhões, ficou com o banco, tendo a Caixa como minoritária. 

Esteves tem estilo agressivo de negociar. Já teve de fazer acordo com a CVM, e pagar R$ 8 milhões, para evitar problemas quando se descobriu que transferia lucros do banco para a Romanche Investment. Uma empresa suíça.

As palavras do sábio
André Esteves é um empresário ágil, esperto. Como dizia Tancredo Neves, que conhecia o mundo, a esperteza, quando é muita, acaba comendo o esperto.

The way they are
Para entender o que se lê sobre o BTG Pactual, banco comandado por André Esteves, é preciso conhecer idiomas. Segundo as informações oficiais, ele é Chief Executive Officer do BTG Pactual, que atua em investment banking, sales & trading, corporate lending, wealth management, asset management e debt underwriting.

E BTG quer dizer "back to game", volta ao jogo. Esteves, que tinha saído do Pactual, voltou triunfalmente, e colocou o BTG no nome do banco.

Acredite: mexeram-se!
Nesta sexta, dia 27, três semanas após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, o Governo Federal deu um sinal de vida: a presidente Dilma Rousseff convocou os governadores de Minas, Fernando Pimentel, do PT, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, do PMDB, para uma reunião. Objetivo: saber como está a região após o desastre ecológico e econômico. 

Mas, caro leitor, tenha calma: não se precipite. Não é, obviamente, para tomar alguma providência em favor dos atingidos. É para montar a apresentação que a presidente fará em Paris durante a reunião da cúpula da comissão internacional de mudanças climáticas. A população nacional que se vire. O importante é fingir bem para os gringos.

Março é agora
Antes da prisão do senador Delcídio, os cálculos políticos indicavam que a crise teria uma parada gradativa: Renan e Cunha iriam sufocando devagar as CPIs, viriam as festas, o recesso (inclusive do Judiciário), o Carnaval. No ano que vem há eleições municipais, há os Jogos Olímpicos. Mas março seria um mês perigoso: depois do Carnaval, antes das temporadas olímpica e eleitoral. 

Com a prisão de Delcídio, março já começou. A crise se mantém, e viçosa. O Governo tem de matar um leão por dia (agora, por exemplo, votar o ajuste do orçamento, para não reentrar nas pedaladas fiscais). E se Delcídio falar?

Pagou e não levou
O problema de Dilma é que, para enfrentar essa crise, não tem base parlamentar. Ganhou algumas votações na Câmara, nestes dias, mas não por ter maioria: apenas porque a oposição não alcançou a maioria suficiente, de metade mais um, para derrubar seus vetos. Isso depois que deu aos partidos que, supõe, a apoiam, todos os cargos que pediram, buscando atender a cada uma das alas que os compõem - e existem exatamente para poder pedir mais boquinhas. 

A oposição tem maioria, embora não tenha um projeto conjunto, nem lideranças competentes, o que facilitaria o trabalho dos governistas, se trabalho houvesse. Com essa base parlamentar, Dilma terá de enfrentar dias ruins daqui para a frente. E, repetindo uma frase anterior, o trabalho será muito pior se Delcídio falar. Ele sabe.

Ninguém sabe, ninguém viu
Delcídio Amaral sempre ganhou bem: engenheiro eletricista, trabalhou para a Shell na Europa por dois anos, foi diretor da Eletrosul, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, ministro de Minas e Energia, diretor de Gás e Energia da Petrobras, secretário da Infraestrutura do Governo de Mato Grosso; é senador desde 2002. 

Sempre ganhou bem, mas sempre viveu de salário. Por mais que ganhasse, não seria suficiente para ter a casa que tem em Campo Grande - lá, no aniversário de 15 anos de sua filha, couberam 700 convidados, atendidos por seis chefs de cuisine, com divisões para comidas típicas de diversos países (http://wp.me/pO798-96r). 

Ninguém notou - nem políticos, nem jornalistas?

carlos@brickmann.com.br
Twitter: @CarlosBrickmann
www.brickmann.com.br

Além da imaginação

Míriam Leitão
O Globo

A decisão de congelar R$ 10 bilhões, parar a máquina pública, fazer o shutdown da administração é tardia e insuficiente porque o rombo do país é 10 vezes maior. O governo deveria ter tomado providências há mais tempo para aprovar uma meta fiscal realista. Mas deixou para o fim do ano e aí aconteceu o terremoto de quarta-feira que paralisou o Congresso Nacional.

O país chega ao último mês do ano em situação lastimável, em grande parte por culpa de quem nos governa. Tudo o que pesa sobre esta administração é resultado dos seus atos passados e das escolhas que fez. O governo Dilma se transformou em um morto-vivo que pesa sobre o país. Ele ainda tem três anos pela frente e nenhuma perspectiva de melhora.

O governo desgovernou na largada deste segundo mandato. O espanto que nos acompanhou durante todo o ano chegou ao auge na quarta-feira, com a prisão do líder do governo no Senado. A sessão histórica da Casa foi um retrato da tensão institucional. O país acompanhou cada minuto da sessão que começou com tudo preparado para ser uma votação secreta que relaxaria a prisão preventiva e terminou sendo aberta e mantendo o senador preso.

A ficção não seria tão caprichosa. Pareceria inverossímil para um roteirista de série ter tantos investigados no mesmo processo naquele plenário, inclusive um ex-presidente da República que já sofrera impeachment. Nem colocaria na presidência daquela sessão um dos investigados. E o senador Renan Calheiros equilibrou-se entre seu desejo explícito de votação secreta e relaxamento da prisão e a maioria que foi se formando, no balanço das horas, pela votação aberta e manutenção da prisão.

Durante a maior parte do ano a base parlamentar ficou à deriva, tendo apenas alguns momentos de aglutinação. A presidente Dilma mostrou toda a sua incapacidade de liderar os políticos da coalizão. O líder do Senado era um dos poucos pontos de apoio. Sua prisão deixou o governo diante do fato de que perdeu o último prazo para a aprovação da meta fiscal de 2015 e isso cria um impasse institucional. O governo entrou em segundo desrespeito às leis orçamentárias. A primeira foi com as pedaladas de 2014 e agora com o descumprimento do prazo de aprovar a autorização para ter um déficit de R$ 120 bilhões.

No primeiro mandato, a presidente Dilma gastou demais, concedeu subsídios a empresários, erodiu as finanças públicas e manipulou as estatísticas fiscais através das pedaladas que levaram o TCU a recomendar a rejeição das contas de 2014. Como isso virou um risco político ao seu mandato, a presidente precisa quitar as dívidas com os bancos estatais e evitar, a qualquer custo, ficar novamente em conflito com a lei orçamentária. Se o risco era tão alto, por que a presidente não fez esforços mais cedo e mais enérgicos pela aprovação? Foi assim que se chegou ao último mês do primeiro ano deste mandato: com a administração podendo fechar para balanço.

O primeiro governo Dilma começou com a fantasia de que ela faria uma faxina ética. Depois das demissões de sete ministros, a presidente desistiu do projeto limpeza. Tudo voltou a acontecer como sempre ocorrera nos governos petistas, mesmo após o julgamento dos acusados do Mensalão ter dado o sinal de que poderosos podem ir para a cadeia.

O mais revelador da impressionante conversa gravada por Bernardo Cerveró é a confirmação de como se conspira, dentro dos poderes da República, contra a Operação Lava-Jato. O planejamento da fuga de Nestor Cerveró e a tentativa de interferir nas investigações, suprimindo partes da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, foram os fatos que os levaram à prisão. Mas o que ainda ecoa é o momento em que Delcídio Amaral revela que teria falado com ministros do STF e que, se recebesse o habeas corpus, outros também conseguiriam. E assim se desmontaria a operação em andamento. A prisão do senador foi tão forte que saiu do foco a prisão do amigo do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai.

Se tudo isso fosse ficção, algum crítico diria que é exagero. E nós, que no Brasil vivemos, concordamos: os acontecimentos deste ano, que ainda não terminou, estão além da imaginação.

Três tópicos para desabafar

Percival Puggina 

1. E agora, mídia chapa branca?
 Os leitores certamente leram os debochados textos com que alguns colunistas procuraram identificar os defensores do impeachment não apenas com o presidente da Câmara, mas com o caráter do presidente da Câmara. Sim, não lhes falta coragem para tanto. A estratégia era a seguinte: "Você defende o impeachment? Então você é um safado como o Cunha".

O petismo e o dinheiro do governo promovem estratégias assim. Tentam apagar da memória das pessoas o fato de que a presidente tem apoio de apenas 7% dos brasileiros. Fazem de conta que o impeachment é "coisa do Cunha" e não uma exigência do povo brasileiro. Saltam por cima dos R$ 49 bilhões saqueados da Petrobras, e fingem calafrios éticos com os R$ 4 milhões do Cunha (um décimo de milésimo do montante roubado da Petrobras).

É claro que Cunha não pode continuar como presidente da Câmara, nem como deputado. Pé no traseiro e porta da rua a ele e a todos como ele. No entanto, e foi isso que sujou ainda mais a barra da mídia chapa branca, a oposição pediu a cabeça do Cunha. E o PT, imediatamente, passou a protegê-lo!

Agora, os artistas da dissimulação, da falácia e do sofisma, obrigados a engolir tudo que escreveram, e a dirigir a si mesmos todo o mal que de outros disseram, entram num silêncio que dói nos meus ouvidos.

2. Para Dilma, impostos alavancam a economia. Pinóquio concorda.
A presidente da república, durante a reunião do G-20, na Turquia, afirmou que a criação da CPMF seria um estímulo à economia e não um tributo para elevar as despesas. "Não é para gastar mais; é para crescer mais" esclareceu. Pinóquio concorda. "E o grilo falante, não diz coisa alguma?" perguntará o leitor. Ora, meu caro, o grilo morreu, vai para mais de 12 anos.

Ao ler a notícia lembrei-me daquela confusão envolvendo o currículo da presidente durante sua primeira campanha eleitoral. Ao fim das contas, ela não tinha, como economista, as titulações que lhe eram atribuídas, como mestre e doutora porque não concluíra, nos dois cursos, as teses necessárias para apresentação, defesa e, posterior, adjudicação dos respectivos títulos.

Ouvir-se de uma economista que um novo imposto vai produzir desenvolvimento é disparate que não se diz nem mesmo diante de crianças sem produzir risadinhas. Se fosse boa essa estratégia "desenvolvimentista", que suprimirá da sociedade recursos no montante de R$ 38 bilhões, melhor ainda seria elevar bastante a alíquota, para obter muito mais desenvolvimento.

O que o governo pretende com a CPMF é buscar, no bolso e na capacidade de consumo dos cidadãos, o dinheiro que jogou fora em demagogias para eleger-se em 2014. A CPMF é dinheiro para tapar buraco, cobrir despesas já feitas, diminuir o déficit. Os pacientes que se danem. E os impacientes, também.

3. A matriz do anticristianismo
O anticristianismo ocidental tem matriz conhecida: materialismo histórico, inerente ao marxismo cultural e a seus fins políticos. Ele é parceiro estratégico, quanto aos objetivos, do islamismo. Ambos querem demolir a cultura ocidental. Ela é o freio para o relativismo (que avança), para a destruição da instituição familiar (tarefa que está bem encaminhada) e para a crescente intromissão do Estado na esfera da vida privada. Essa tarefa destruidora serve, por um lado, ao totalitarismo; por outro, à sharia.

Se duvida, observe as posições dos partidos de esquerda em relação ao terrorismo islâmico e aos valores do Ocidente. Saltará aos olhos o que afirmei acima. Procure a chama do mal e lá estarão os mesmos, sempre. soprando oxigênio. Então, o anacronismo que se manifestou em alguns dos comentários aos meus artigos sobre os episódios de Paris, não veio à baila como argumento, mas como mera retórica com vistas a um fim bem diferente do que se expressa nas palavras.

O cristianismo não é só cultura. É religião. Mas ainda que fosse apenas cultura, seria a mais benéfica forma de resistência aos males do materialismo, do hedonismo, do egoísmo individual e coletivo, e dos totalitarismos.

Dr. Bellezza e a aritmética

Alexandre Schwartsman  
Folha de S.Paulo

Fui irônico, claro, ao mencionar o desrespeito do Dr. Bellezza pela aritmética, mas me enganei: ele realmente nada sabe do assunto. Não me espanta, pois, que associe matemática à tortura. Imagino sua infância aterrorizada pela matéria, a ponto de encarar com evidente temor cálculos que um egresso do ensino fundamental não teria dificuldade de entender.

Meu argumento é simples. A relação dívida-PIB é uma fração na qual o numerador, a dívida, cresce em linha com a taxa de juros, na ausência de um saldo primário. Já o denominador, o PIB, cresce pela combinação do aumento real da atividade e dos preços, este segundo conhecido como inflação.

É óbvio que a fração só aumenta se o numerador crescer mais rápido que o denominador, ou seja, se a taxa de juros for maior do que a combinação entre inflação e crescimento real do PIB. Posto de outra forma, na ausência de um saldo primário, a razão dívida-PIB só cresce se a taxa real de juros (isto é, a diferença entre a taxa nominal de juros e a inflação) for maior que o crescimento real do PIB.

A evolução da dívida-PIB, portanto, depende da taxa real de juros, conclusão que só escapa a quem não distingue numerador de denominador. Isto dito, vamos aos números.

Nos 12 meses até setembro, o custo da dívida ficou em 12,1% (próximo à taxa Selic acumulada no período, 12,6%), enquanto a inflação (IPCA) atingiu 9,5%. Isso significa que a taxa real de juros foi 2,4% (1,121÷1,095-1. A conta é geométrica: chamem a Anistia Internacional!). Aplicada a uma relação dívida-PIB de 57,6% em setembro de 2014, implica custo real da dívida de 1,3% do PIB (0,024×0,576) naquele período.

Como prometido, são contas simples, passíveis de reprodução por qualquer um que domine as quatro operações, mas que, para quem tem pouca afinidade com elas, devem soar como feitiçaria.

Aliás, falando em dificuldade com as quatro operações, é notável a peculiar matemática do Dr. Bellezza. Segundo ele, se somarmos o “efeito da inflação sobre a dívida”, R$ 188 bilhões em 2014, ao deficit primário, R$ 20,7 bilhões, obteremos um “superavit operacional” de R$ 167 bilhões (3,2% do PIB) referente ao ano passado. Nunca se viram tantas asneiras em tão pouco espaço.

A começar porque os números de 2014 estão todos errados. O deficit primário atingiu R$ 32,5 bilhões, não R$ 20,7 bilhões. Segundo, o efeito da inflação deve ser calculado sobre a dívida do final de 2013, não no final de 2014. Terceiro, a inflação foi 6,41%, não 6,14%. Esses erros, porém, são modestos perto da atrocidade perpetrada.

Com efeito, a definição de resultado operacional é saldo primário (-R$ 32,5 bilhões) menos o juro real sobre a dívida (R$ 110 bilhões), ou seja, deficit de R$ 143 bilhões (2,6% do PIB) no ano passado. Já o Dr. Bellezza comete o seguinte “cálculo”: saldo primário menos sua estimativa (errada!) do efeito da inflação. Obtém assim um resultado totalmente desprovido de significado para concluir que teríamos “superavit operacional” em 2014. E ousa me acusar de maus-tratos aos números…

Podem, porém, ter certeza de que não assumirá a culpa pelos erros grosseiros, assim como evita a responsabilidade por sua gestão desastrosa no Palmeiras e pretende nos convencer de que foi crítico da “Nova Matriz Macroeconômica” desde 2010. Baita coragem…

Raul Velloso:‘Situação atual é uma sequência de fracassos’

Bárbara Nascimento 
O Globo

Para economista, descontrole já prejudica imagem do país

Ana Branco / Agência O Globo
 Raul Velloso 

BRASÍLIA - Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, a situação atual é uma sequência de erros e problemas que não foram atacados na hora certa e do jeito certo.

— Houve uma meta salvadora quando o ministro Joaquim Levy entrou. Essa meta rapidamente se mostrou inviável. Refizeram a meta, que em pouco tempo se mostrou inviável também. É uma sequência de fracassos que as pessoas acham que podem ocorrer sem maiores problemas. Mas, quando chega no fim do ano, tem a exigência legal de o governo alterar a meta no Congresso.

O economista observa ainda que se o governo está mal, sem governabilidade, ele não consegue seu objetivo.

— Isso caracteriza crime de responsabilidade fiscal. E, para evitá-lo, tem que adotar medidas radicais, como suspender pagamentos, o que não vai resolver nada, só vai dar um fôlego até o governo conseguir a votação.

Velloso alerta que não há garantia de que o Congresso aprovará a nova meta, nem se sabe quando isso vai acontecer.

— Ninguém consegue apostar quanto tempo vai levar para o Congresso aprovar essa mudança. Nós estamos vendo apenas a manifestação de mais uma face de uma situação muito caótica, que é a que nós temos vivido na área fiscal desde o ano passado. Cada dia se agrava mais, tudo se mistura com essas questões na área jurídica, policial e legal. Cada vez que você tem uma prisão, uma denúncia, isso mina a credibilidade. O capítulo que está lá na frente começa a ficar mais difícil.

Para o economista, é difícil imaginar quais são os próximos episódios e isso já está prejudicando a imagem do país.

— Infelizmente é uma situação crítica. As pessoas estão olhando para o Brasil como um país descontrolado. É como um cavalo que estava seguro nas rédeas e de repente se soltou. Temos que atacar principalmente o problema político, criar condições para que o controle seja retomado, mas pôr isso em prática sem mudar a cúpula do governo é muito difícil. Tem que retomar o controle político da situação, mas isso envolve mudanças que ninguém quer fazer porque quem está no poder não quer sair.

Ação da União contra Samarco é medida de governo escroque e bundão

Jorge Béja
Tribuna da Internet


Ação contra a Samarco só vai acabar no próximo século

O anúncio feito ontem por Izabella Teixeira (ministra do Meio Ambiente) e Luis Inácio Adams (Advogado-Geral da União), informando que na próxima segunda-feira a governo federal dará entrada na Justiça Federal de Brasília com uma Ação Civil Pública contra a Samarco, para conseguir, daqui a 10 anos, constituir um fundo de R$ 20 bilhões a fim de “suavizar a bacia do Rio Doce” é de uma pusilanimidade que não tem mais tamanho. Merece a repulsa de todo o povo. Estão fazendo encenação amarga e de péssima qualidade. Tripudiam da tragédia e do sofrimento alheio. Estão enganando as vítimas. É tapeação para mostrar que estão agindo. E a mando de Dilma, é claro. Quando a ação é do governo federal, é sempre o presidente da República quem está à frente. Dele é de quem partem as ordens.

NO MÍNIMO, ATÉ O SÉCULO XXII
Ação Civil Pública não tem prazo para acabar. Criada em 1985 (Lei nº 7.347) qualquer Ação Civil Pública, mormente tendo como causa uma tragédia do tamanho da de Mariana, atravessa gerações e mais gerações, até que seja concluída. E quando a ação terminar, e se dinheiro conseguir mesmo arrecadar, a quantia reverterá para um fundo gerido por um conselho com a participação do Ministério Público e da comunidade, “sendo seus recursos destinados à reconstituição dos bens lesados” (Artigo 13 da referida lei).

Para o leitor entender: lá pelos anos 2070/2080, o dinheiro arrecadado por essa desavergonhada Ação Civil Pública que Dilma determinou fosse feita servirá para reparar os danos que a tragédia causou. Todos os danos. Mas aí começarão outras demandas. Cada sobrevivente, ou seus herdeiros e sucessores, vai precisar submeter à apreciação judicial a relação e estimativa dos prejuízos que seus antepassados suportaram. Serão outros processos, chamados de Liquidação de Sentença por Artigos, com contraditório, sentenças e muitos recursos. Serão mais 10 a 20 anos de demora. Aí estaremos no Século XXII.

Leio no O Globo de hoje, sábado (página 14): “Segundo o advogado-geral da União, Luis Inácio Admas, a proposta é que o fundo seja controlado pelas próprias empresas (no caso, Samarco, Vale e BHP), que repassariam os valores conforme seus faturamentos”. Se entendi, gestores do tal fundo serão os próprios réus da ação, os réus condenados, e o dinheiro das indenizações seriam por eles entregue às vítimas na medida do faturamento das empresas. Se for isso mesmo, deixo de fazer qualquer consideração, uma vez que a proposta é indecente, desonrada e fraudatória. Se não compactuo com malandragem, menos ainda com propostas escroques e escrotas.

FALTOU CASSAR A CONCESSÃO
Sim, desavergonhada. Não que a Ação Civil Pública mereça tal adjetivação. A falta de vergonha e de pudor está no fato de o governo federal optar apenas pela propositura da ação, sem, paralela e concomitantemente, cassar a concessão que a própria União concedeu à Samarco e, no mesmo ato (decreto ou Medida Provisória), abrir nova licitação para que o serviço de exploração de minério não sofra solução de continuidade e os trabalhadores não fiquem desempregados. E nem o município de Mariana perca os quase 90% de sua receita, que procede dos impostos pagos pela mineradora.

A encampação ou reversão da Samarco (concessionária) pelo governo federal (concedente) foi exigida e reclamada aqui na Tribuna da Internet no artigo “O que Dilma espera para cassar a concessão da Samarco e abrir nova licitação?”, publicado dia 22 passado e que pode ser relido no “link”. No artigo estão as justificativas de fato e de direito para a imediata cassação da concessão. Muitos outros blogs republicaram o artigo. Para citar apenas dois: pensandovocê.blogspot de José Carlos Cataldi e debatesculturais, de Alessandro Lyra Braga.

Mas que a verdade seja dita: tudo acontece e caminha na mais absoluta normalidade. Não se pode exigir ou esperar de um governo desmoralizado, ridicularizado, sem credibilidade interna e externa, marcado pela corrupção, sem gente de razoável saber e mínima compostura… Não se pode exigir de um governo bundão atitudes, medidas e gestos de energia, sobriedade e altivez que o governo desconhece e não tem independência e força para tomar. (“Bundão  – sm 1. Bunda Grande. 2. Fig. Pessoa covarde, ou desanimada”).  Aurélio, Dicionário.

Dilma, a falácia da crise externa e a recessão no Brasil

José Fucs
Revista ÉPOCA

Ao contrário do que fala Dilma, os dados do FMI mostram que não há crise lá fora e que as principais economias vão fechar o ano em crescimento

Desde o seu primeiro mandato, a presidente Dilma, com apoio de Lula e dos caciques do PT, usa sempre a mesma justificativa para explicar a crise econômica no Brasil. Contra todas as evidências de que a crise é consequência direta da má gestão da economia desde o final do governo Lula, eles continuam até hoje a negar qualquer responsabilidade nos acontecimentos. Afirmam sem cerimônia que a crise no país nada mais é que um reflexo da crise internacional, que afetou as principais economias do planeta desde a derrocada do mercado imobiliário americano, em 2008.

Trata-se de um argumento mais que conveniente para quem não tem a coragem dos grandes líderes de assumir os próprios erros e de aprender com eles. Também é uma explicação oportuna para iludir os incautos que ainda acreditam no blablabá de Brasília e do PT. Eles contam com a ignorância do público – ou de boa parte dele -- para emplacar as versões fantasiosas que fabricam para mascarar os seus tropeços. Só que, nos últimos anos, a economia global vem se recuperando da crise, ora de forma mais vigorosa, ora menos, enquanto o Brasil vem descendo a ladeira em ritmo acelerado com incômoda consistência.

Como revelam os números do quadro abaixo, a ideia de que a recessão no Brasil é decorrente da crise global não passa de uma falácia. De acordo com previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Rússia é a única entre as principais economias do planeta, além do Brasil, que vai fechar 2015 em recessão. Só que a Rússia sofreu duras sanções das economias desenvolvidas por seu envolvimento na Ucrânia, que afetaram dramaticamente seu crescimento, e o Brasil, não.

Os principais países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França, vão encerrar o ano com a economia em crescimento, assim como o México, a Colômbia, o Chile, o Peru e até a Argentina, na América Latina. Até o Japão, cuja economia patina há anos, deverá crescer 0,6% em 2015, segundo o FMI. Diante desses dados, não dá para deixar de perguntar que crise internacional é essa a que o governo tanto se refere.

Para superar a crise e tentar recuperar a confiança do setor privado, que é algo quase impossível nesta altura do campeonato, o primeiro passo deveria ser o governo reconhecer os sérios equívocos cometidos por Dilma e também por Lula, na gestão da economia, e não negá-los e escamoteá-los como eles têm feito até agora.

Isso, porém, talvez seja pedir de mais para quem montou “industrializou” a corrupção no país, com o objetivo de perpetuar-se no poder e  -- de quebra – garantir uns pixulecos para engrossar o próprio patrimônio.

Infográfico: ÉPOCA


S&P não vê tendência de estabilização no Brasil

Exame.com
Daniela Amorim, Idiana Tomazelli e Mariana Durão, do Estadão Conteúdo

Scott Eells/Bloomberg 
Sede da Standard & Poor's: "Não temos (prazo para reavaliar). Se for a
 nossa opinião que algo mudou isso vai acontecer. Os ratings estão sendo
 atualizados todo dia", disse Regina Nunes

Rio - A manutenção da perspectiva negativa da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor's (S&P) reflete, além da deterioração de indicadores econômicos do País, a falta de uma perspectiva de estabilização que dê previsibilidade para o futuro.

Em setembro a agência tirou o grau de investimento do País, que passou para grau especulativo.

"Mesmo que hoje você não tivesse com números estáveis, mas a tendência fosse de tal, isso já poderia estar embutido na avaliação. Não existe hoje uma visão do ponto de vista da S&P de que isso vá ser modificado no curto prazo, por isso o negativo", disse a representante de agência de classificação de risco no Brasil, Regina Nunes.

"A gente não vê a estabilização dos vetores que trouxeram o Brasil para o grau especulativo", afirmou.

Regina mencionou a ausência de uma dinâmica de dívida estável, de previsibilidade do custo dessa dívida e de como ela vai se comportar em termos de alongamento ou não desses prazos.

A falta de previsibilidade, avalia a agência, impõe custos para todos os setores da economia. Um dos principais exemplos citados foi o setor financeiro, que para a executiva da S&P, sofre as consequências da redução do nível de emprego e na capacidade de pagamento das famílias.

"Isso tem uma consequência muito grande. Tem um lado positivo no crédito ter crescido tanto, porém no ajuste impõe um risco que é a empregabilidade do profissional que tomou os recursos", explicou a jornalistas.

Ela participou do Seminário "Reavaliação do Risco Brasil", promovido pelo Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em entrevista após o evento, a líder da S&P no Brasil não descartou uma nova revisão do rating do País ainda em 2015, mas reafirmou que a agência não tem um prazo definido para tanto.

"Não temos (prazo para reavaliar). Se for a nossa opinião que algo mudou isso vai acontecer. Os ratings estão sendo atualizados todo dia", disse.

Na visão de Regina, o fechamento de 2015 ainda não está 100% definido diante do quadro de instabilidade política e econômica.

"Ainda há uma expectativa para o fechamento de 2015 e isso vai determinar 2016 e 2017", frisou, lembrando que assim como se deterioraram mais rápido que o esperado os indicadores brasileiros necessitam de uma correção também ágil e de reformas para reconquistar a confiança do investidor.

Questionada sobre recentes vitórias do governo no Congresso e sobre a hipótese de haver uma capitalização da Petrobras pelo governo por meio de um instrumento híbrido de capital e dívida, Regina Nunes preferiu deixar qualquer comentário para os analistas da S&P.

No entanto, afirmou que certamente todos os eventos no entorno da Petrobras têm um peso nos ratings do País, da indústria de óleo e gás, do setor de construção civil e até nos cenários traçados pela S&P para estados e municípios.

PIB do Brasil segue em queda livre no 3º tri, diz pesquisa

Exame.com
Silvio Cascione, Agência Reuters

Thinkstock 
Indústria: a produção deve ter encolhido 
em praticamente toda a economia no terceiro trimestre

Brasília - A recessão no Brasil provavelmente aprofundou ainda mais no terceiro trimestre, com a queda anual da economia alcançando o maior ritmo já visto em meio à crise política e econômica, segundo pesquisa da Reuters publicada nesta sexta-feira.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve ter caído 1,2 por cento no terceiro trimestre ante o segundo, com ajuste sazonal, após baixa de 1,9 por cento entre abril e junho, segundo a mediana de 33 estimativas na pesquisa que foram de queda de 2,4 a 0,5 por cento.

Em relação ao terceiro trimestre de 2014, o PIB deve ter contraído 4,1 por cento, maior queda interanual desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1996. Neste caso, as contas foram de recuo de 5,1 a 2,1 por cento.

Mais de um milhão de pessoas já perderam o emprego formal nos últimos 12 meses, no início do que deve ser a recessão mais longa do Brasil desde os anos 1930.

Com a confiança em mínimas recordes e os investimentos praticamente paralisados, os economistas continuam revisando para baixo as suas projeções. E muitos alertam que o pior ainda pode estar por vir.

"É difícil visualizar melhora nos fundamentos da economia brasileira, mesmo com o uso de binóculos poderosos", economistas da MCM Consultores afirmaram em relatório.

"A dívida cresce e vai romper o limite psicológico de 70 por cento do PIB; as agências de risco provavelmente vão continuar rebaixando o país, o que acelera a piora da dinâmica da dívida; e o governo enfrenta dificuldades hercúleas para gerar superávits primários. E todos esses fatores se retroalimentam num perigoso círculo vicioso", acrescentaram.

A produção deve ter encolhido em praticamente toda a economia no terceiro trimestre, segundo economistas ouvidos na pesquisa.

Os investimentos devem ter caído pelo nono trimestre seguido e o consumo das famílias pode ter recuado mais de 1 por cento ante o segundo trimestre, segundo o economista do Itaú Unibanco Rodrigo Miyamoto.

A disparada do dólar sobre o real --de cerca de 40 por cento neste ano-- pode ter ajudado ao reduzir as importações, mas provavelmente não muito, segundo Miyamoto. Ele estimou contribuição externa positiva de cerca de 0,7 ponto percentual no período, quando o dólar subia a níveis recordes.

Outros países emergentes como a África do Sul também têm passado por dificuldades em 2015 com a perspectiva de juros maiores nos Estados Unidos e a desaceleração gradual da economia chinesa.

Nenhum, porém, tiveram uma queda tão dramática quanto o Brasil, a ponto de perder o grau de investimento e com várias de suas principais empresas e partidos em sérios problemas.

Petrobras, BTG Pactual e Odebrecht, por exemplo, são algumas das empresas citadas no escândalo da Lava-Jato. Enquanto isso, a mineradora Vale enfrenta as conseqüências do desastre ambiental de Marianas.

O cenário de contração econômica vem também em meio à inflação elevada, com perspectivas de que suba tanto que estoure a meta do governo --de 4,5 por cento pelo PICA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos-- tanto em 2015 quanto em 2016.

Diante disso, o Banco Central já deu sinais que deve elevar a taxa básica de juros do país, hoje em 14,25 por cento ao ano, em breve para conter a escalada nos preços. Porém, ao limitar o consumo por meio do encarecimento do crédito, o movimento pode impactar ainda mais a atividade.

O IBGE divulga o resultado do PIB brasileiro do terceiro trimestre no próximo dia 1º de dezembro.

A volta do monstro de dois dígitos

Ludmilla Amaral
Revista ISTOÉ

Erros na política econômica fazem com que a inflação supere a barreira dos 10%. O que fazer para evitar que os preços subam ainda mais?

Não existe nada mais pernicioso para a economia de um país do que uma inflação sem controle. A escalada de preços corrói salários, elimina empregos, aniquila o consumo, desequilibra as finanças das empresas, destrói as contas do governo. Com o agravamento da crise em 2015, o brasileiro voltou a enfrentar um monstro que parecia adormecido. Projeta-se para este ano um estouro inflacionário de 10,33%. Se a estimativa se confirmar, será a primeira vez em 13 anos que o índice chegará a dois dígitos. A última foi em 2002, quando a iminente eleição de Lula para a presidência deixava o mercado estressado. Para um País que possui um histórico de inflação alta, romper a barreira dos dois dígitos causa enorme preocupação. “A inflação está chegando a níveis perigosos”, diz o professor de administração da ESPM, Orlando Assunção. Mais assustador ainda: o cenário pode se agravar, diante de um provável aumento dos combustíveis ainda em 2015.


JUROS ALTOS
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini disse
que o País vai manter a política monetária

Inflação alta não surge do nada. Ela é resultado principalmente de políticas econômicas equivocadas. Em 2014, o governo represou os preços da gasolina, da energia elétrica e dos serviços de transporte. No ano seguinte, com as empresas e agências do setor enfrentando dificuldades de caixa, foi precisou abrir a porteira – e as contas vieram pesadas demais. Só a AES Eletropaulo subiu em 74% a tarifa em São Paulo. “O aumento no preço da energia contaminou toda a cadeia de produção”, diz Roberto Dumas Damas, professor do Insper. Outro agravante é que, no Brasil, ainda há mecanismos de indexação que provocam a multiplicação dos reajustes, inclusive dos salários. “Esses reajustes automáticos fazem a inflação se tornar mais complexa e difícil de ceder depois”, afirma o professor Orlando Assunção. A disparada do dólar – que também se deve à instabilidade política dos últimos meses – pressionou ainda mais os preços. Assim nasceu o cenário perfeito para a retomada inflacionária. A má notícia é que reverter o quadro dá mais trabalho do que evitar que ele apareça.

As projeções para 2016 também pioraram. O objetivo inicial do governo era trazer a inflação para o centro da meta (4,5%) no ano que vem. Mas a equipe econômica sabe que será impossível atingir esse patamar. Projeções indicam que o índice pode superar 6,5% no próximo ano, o que deverá fazer com que a recuperação econômica demore ainda mais. Na quarta-feira 25, o Banco Central manteve pela terceira vez consecutiva a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Ao contrário das outras ocasiões, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) não foi unânime. Dois dos seis diretores do Banco Central votaram pela elevação da Selic em 0,50% ponto percentual. O motivo alegado por eles é evitar que a inflação ultrapasse o limite de 6,5% em 2016. Em entrevista recente, Alexandre Tombini, presidente do BC, declarou que o governo manterá sua política monetária, mesmo se o cenário econômico piorar.




O ano de 2015 ficará marcado pelas enormes dificuldades enfrentadas pelos brasileiros. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua), o País já em nove milhões de desempregados. No terceiro trimestre, o número de desocupados cresceu 34% ante igual período do ano passado. No setor privado, 1,2 milhão de vagas com carteira assinada desapareceram entre o terceiro trimestre de 2014 e o terceiro trimestre de 2015. Na região Sudeste, uma das mais atingidas pela crise e que responde por 44% da força de trabalho do País, a taxa de desemprego subiu de 8,3% para 9% nos últimos três meses. Nem a proximidade do fim de ano, que costuma abrir inúmeros postos de trabalho temporários, foi capaz de reverter a tendência negativa. Para os economistas, o mercado de trabalho só vai se recuperar em 2017, quando, espera-se, o caos financeiro tenha ficado para trás. As projeções do PIB também só caem. A mais recente aponta para uma queda de 3,1% em 2015 e de 2% em 2016. Nesse cenário difícil, a inflação tem um papel central. Enquanto ela não for debelada, os brasileiros continuarão sofrendo.

Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil 

Mercado prevê inflação acima do teto da meta também em 2016

Da redação
Veja online

Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostra que projeção para o IPCA em 2016 passou de 6,50% para 6,54%; este ano, expectativa está em 10,33%

(Mario Rodrigues/VEJA)
Mercado prevê inflação acima do teto da meta do governo no ano que vem 

O mercado financeiro piorou suas estimativas para a inflação e para o crescimento econômico, tanto este ano, como para 2016. No Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, a expectativa para o IPCA em 2015 passou de 10,04% para 10,33% e para 2016, de 6,50% para 6,54% -- número, pela primeira vez, acima do teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,50%.

No caso do PIB, a projeção piorou de retração de 3,10% este ano para baixa de 3,15%, e de queda de 2% no ano que vem para retração de 2,01%. Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. No início do mês que vem, o Instituto trará o resultado da economia no terceiro trimestre de 2015.

Na semana da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o mercado também aumentou a expectativa para a Selic de 2016 de 13,25% para 13,75% ao ano, o que indica uma trajetória ainda mais conservadora para a taxa básica. Um mês antes, a mediana das projeções no boletim Focus para a Selic do mesmo período era de 13,00% ao ano. Para este ano, as projeções ficaram inalteradas: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% ao ano.

No caso do câmbio, o relatório trouxe mais um ajuste para baixo das previsões para a cotação do dólar. De acordo com o boletim, a moeda deve chegar ao final deste ano comercializada a 3,95 reais, e não mais em 3,96 reais como era o esperado até a semana passada. Para o encerramento de 2016, a mediana das estimativas para o dólar seguiu em 4,20 reais pela quarta semana seguida.

Corte atual equivale a cerca de 10% do que foi previsto

Exame.com
João VILLAVERDE, Estadão Conteúdo

Thinkstock


Se o governo tivesse que alcançar, hoje, a meta original de superávit fiscal estipulada por Dilma, o corte de gastos teria de ser de R$ 107,1 bilhões nas despesas discricionárias. Esse dinheiro, no entanto, não existe mais. Até o dia 10 de novembro, o governo já tinha empenhado R$ 99,3 bilhões. Com isso, o saldo disponível para cortes é de R$ 14,5 bilhões. Desse limite, as despesas com o mínimo constitucional para a Saúde e com emendas impositivas de parlamentares representam R$ 2,9 bilhões.

Ao final, a base máxima que resta para ser cortada era de R$ 10,7 bilhões. Considerando os empenhos feitos nos últimos 20 dias, o universo de gastos previstos pelo governo até 31 de dezembro e que pode ser cortado é pouco superior a R$ 10 bilhões. A meta original, anunciada há exatamente um ano pelos futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, previa um superávit de R$ 66,3 bilhões nas contas públicas. O cenário, agora, é completamente distinto: o governo prevê um déficit para este ano que será o maior rombo já registrado nas contas públicas. 

Governo vai cortar mais R$ 10 bi do orçamento; medida pode 'paralisar o país'

Veja online
Com informações Agência Reuters

Segundo a agência Reuters, decreto será editado até segunda-feira

(Ueslei Marcelino/Reuters)
 A presidente Dilma Rousseff 

O governo federal vai editar até segunda-feira um decreto contingenciando 10 bilhões de reais do orçamento deste ano, disse à agência Reuters uma fonte do Palácio do Planalto com conhecimento do assunto. A medida é necessária porque o Congresso ainda não votou a alteração da meta de resultado primário para este ano, passando de superávit para déficit, explicou a fonte nesta sexta-feira, acrescentando que esse montante é o "possível" de ser cortado.

Por lei, o governo deve publicar o decreto de contingenciamento até segunda-feira para não infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal, após ter assumido em relatório de receitas e despesas do quinto bimestre queda expressiva nas receitas. No documento, publicado há uma semana, o governo já tinha assinalado que, para alcançar a meta que ainda está valendo, deveria contingenciar despesas discricionárias em 107,1 bilhões de reais, o que seria impossível pois só contava com um saldo para contingenciamento de 10,7 bilhões de reais, excluídos os gastos mínimos obrigatórios de saúde e as emendas impositivas.

O próprio governo ressaltou que o corte de 10,7 bilhões de reais paralisaria a máquina pública, com "interrupção das atividades essenciais em todos os órgãos federais e da execução de investimentos necessários à manutenção da infraestrutura do país e à retomada do crescimento econômico".

A meta de resultado primário que ainda está valendo determina que o setor público consolidado faça superávit de 66,3 bilhões de reais, sendo que só o governo central (governo federal, Banco Central e INSS) de 55,3 bilhões de reais em 2015. Mas o governo solicitou ao Congresso revisão da meta, diante da economia em recessão e queda nas receitas, prevendo déficit do setor entre 48,9 bilhões e 117 bilhões de reais. Para o governo central, o rombo poderia ir a 119,9 bilhões de reais, contando, no pior dos cenários, com o pagamento das chamadas pedaladas fiscais e com frustração de ingresso de receitas neste ano com o leilão de hidrelétricas.

Preocupada com a situação fiscal, a presidente Dima Rousseff decidiu encurtar uma viagem que faria para o exterior nesta semana. A votação do texto, que estava prevista para quarta-feira, foi afetada pela prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado, por suspeita de obstrução no andamento da operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras. A sessão acabou sendo adiada para terça-feira.