terça-feira, novembro 17, 2015

Adeus às conquistas

Tiago Dantas, Renata Mariz e Silvia Amorim 
O Globo

No Norte e Nordeste, reduto do lulismo, eleitores lamentam retrocesso e culpam políticos

Jorge William / Agência O Globo  
Veida Maria Monteiro, moradora de Jurunas: 
"Acabou negócio de danone" 

BELÉM (PA), PETROLINA (PE), SÃO RAIMUNDO NONATO (PI), JUAZEIRO (BA) e SÃO PAULO - Eles viram a vida melhorar nas últimas décadas. Na era Lula, experimentaram um inédito aumento do poder de compra. Adquiriram TVs, geladeiras, motos, carros, casa própria. Mas, agora, brasileiros que ascenderam socialmente sentem os efeitos da crise econômica e temem que a bonança tenha ficado para trás. Nos últimos dias, O GLOBO visitou dez cidades do Norte e do Nordeste do país e constatou como o desemprego e a inflação têm afetado a vida dessas pessoas.

Crise provoca efeito nos eleitores


Pedro Kirilos/ Agência O Globo
O pedreiro Dilton Ferreira dos Santos, de 50 anos, 
viu reduzir os trabalhos na construção civil 

A crise provoca um efeito político que fica evidente na conversa com eleitores. Representantes do lulismo e eleitores de Dilma Rousseff em cidades do interior de Pernambuco, Bahia e Piauí, onde a petista teve mais de 80% dos votos, dizem-se insatisfeitos com a presidente, embora alguns atribuam o agravamento do quadro à classe política como um todo.

Eles criticam o aumento dos preços e as mudanças nas regras de aposentadoria, e mencionam boatos sobre cortes no Bolsa Família — os cortes, até agora, só afetaram a verba de gestão do programa. A porcentagem de pessoas que avaliam o mandato de Dilma como ótimo ou bom na região caiu de 53%, no fim de 2014, para 10%, em agosto deste ano, segundo o Datafolha.

As regiões Nordeste e Norte devem registrar nos próximos dois anos ritmo maior de crescimento das classes D/E, segundo pesquisa da Tendências Consultoria. O estudo mostra que, até 2017, em todo o país, 3,1 milhões de famílias devem entrar para esse grupo, formado por quem tem renda média familiar mensal de até R$ 1.957. A maioria retorna da festejada classe C, que volta a minguar após a perda de bens e benefícios conquistados nos últimos anos.

— De 2004 a 2013 a gente teve um padrão de crescimento fortemente puxado pelos setores de varejo e serviços, conhecidos por empregarem a mão de obra de baixa qualificação. Só que a festa do consumo acabou, e esses setores estão puxando a derrocada para baixo agora — disse o coordenador da pesquisa, Adriano Pitoli.

Morador de São Raimundo Nonato, no interior do Piauí, o pedreiro Dilton Ferreira dos Santos, de 50 anos, viu reduzir os trabalhos na construção civil que antes sobravam na região. Pela primeira vez desde 2012, está desempregado há mais de três meses. A trajetória de Santos se confunde com a de muitos nordestinos: depois de passar boa parte da juventude trabalhando na lavoura sem salário fixo, conseguiu empregos que pagavam até R$ 1.000 mensais a partir de 2010. Construiu casa, comprou TV, geladeira e uma moto, que guarda na sala, já que o imóvel não foi projetado para ter garagem.

Na Grande Belém (PA), drama parecido é enfrentado pelo também pedreiro Antonio Furtado Costa, de 44 anos. Morador de Ananindeua, ele adotou o seu próprio “ajuste fiscal”: aposentou o ventilador e trocou as lâmpadas. Mesmo assim, a conta de luz passou de R$ 35,78 em setembro para R$ 57,92 em outubro. Seus ganhos semanais, que chegavam a R$ 1,8 mil até o início deste ano, caíram para cerca de R$ 800.

— Antes, eu passava serviço para colegas para não deixar o cliente esperando. Agora, faço orçamentos, espero o cliente ligar, e nada.

Com ensino fundamental, Antonio fala com desenvoltura sobre o momento político. Diz que, desde o impeachment de Collor, só vota nulo, por “falta de credibilidade” dos candidatos. Apesar de o filho ser beneficiário do Bolsa Família, critica o governo e outros políticos, como Eduardo Cunha, presidente da Câmara:

— A gente é simples, mas não é besta.

Jorge William / Agência O Globo
Antonio Furtado Costa, 44 anos, questiona como é possível a despesa 
com energia passar de R$ 35,78 em setembro para R$ 57,92 em outubro 

'Acabou negócio de Danone'
Veida Maria Monteiro, que recebeu das mãos do ex-presidente Lula o primeiro cartão do Fome Zero em Belém, ponto de partida do programa entre as capitais do país, lembra que ficou “famosa na época”. Era 2003. O benefício, já na forma do Bolsa Família, derivado do Fome Zero, estendeu-se até 2009 e ajudou a elevar o padrão de vida de sua família. O tanquinho deu lugar a uma máquina de lavar. Fogão e geladeira foram renovados. O micro-ondas completou a cozinha. A casa, antes de madeira, ganhou uma nova estrutura de alvenaria.

Ela conta que as dificuldades começaram mesmo há cerca de um ano, quando os serviços que o marido faz, como ajudante de obras, passaram a ficar mais escassos. A família vive dos poucos bicos que ele vem conseguindo, dos bolos e lasanhas que ela tenta vender na porta de casa e de um salário-mínimo que recebe de benefício assistencial pela filha do meio, que tem paralisia cerebral e só fica acamada.

Diante do aperto, hábitos adquiridos nos últimos anos já estão virando coisa do passado, conta Veida:
— Acabou negócio de Danone, tomamos menos refrigerante agora. Também reduzimos o material de limpeza. Antes eu comprava marcas melhores, agora só o necessário e das marcas mais baratas.

Na manhã da última sexta, Veida lembrou de como ficou “alegre demais” em pegar na mão de Lula, e resgatou o passado recente de conquistas. Depois que os três filhos cresceram, parou de receber o Bolsa Família.

— Fiquei triste quando disseram que eu não tinha mais direito, porque qualquer dinheirinho é bem-vindo. Mas minha filha, que tem três filhos, conseguiu o benefício. Já ajuda na criação dos meus netos — conforma-se Veida.

A última aquisição é a nova geladeira. Para isso, passou quase um ano acumulando moedas. Porquinho quebrado, era o suficiente para dar a entrada. O restante foi parcelado no nome de uma amiga, que tem emprego fixo e acesso a crediário. Na semana do vencimento do boleto, “deixo até de comer”, brinca Veida, sorrindo, para “honrar o compromisso”.

Ela ainda admira Lula. Afirma que ele “veio de baixo”, “conhece as dificuldades do pobre” e, por isso, votaria de novo nele. Para ela, as coisas “começaram a andar para trás” no governo Dilma.

— O governo dele (Lula) foi melhor. Eu não votei na Dilma.

 ‘Mala na cabeça para não pegar táxi’

 Jorge William / Agência O Globo
O taxista Sandoval de Jesus Mesquita Nascimento acumula dívidas 

Em 2004, Sandoval de Jesus Mesquita Nascimento decidiu abandonar a rotina estressante e mal remunerada de motorista de ônibus, profissão que exerceu durante 22 anos, para ser taxista. O mercado estava propício. Vantagens para adquirir o carro. Clientela em alta. Mudou de casa, comprou bens. Passados 10 anos, acumula dívidas.

— Tinha canal fechado, foi cortado. A internet está cortada há três meses. Se preciso fazer uma consulta, vou ao “cyber”. Estamos tirando o supérfluo — diz o taxista. — O governo Lula foi bom, abriu muitas portas. O primeiro da Dilma também foi positivo. Mas este segundo governo não está dando para aguentar.

Item importante, a luz chegou a ser cortada, mas uma das três filhas pagou a conta. A prova de que a crise chegou, para o paraense de 58 anos, foi o faturamento no mês de outubro, quando Belém recebe o Círio de Nazaré, festa que arrasta milhares de fieis pela cidade.

— Costumava fazer R$ 7 mil em outubro. Consegui R$ 4 mil e pouco no mês passado. As pessoas carregavam a mala na cabeça, iam se arrastando, mas não pegavam táxi.

Denise Cunha Maia, de 53 anos, mulher do taxista, animou-se em 2014 a abrir uma lojinha de roupas, depois de anos de bons negócios como informal, vendendo a amigos e conhecidos. Blusas, calças e vestidos ficaram encalhados. Atualmente, até crédito de recarga de celular ficou estagnado. No final da tarde do último sábado, ela contabilizava dois créditos vendidos, contra uma média de 12 a 15 diariamente num passado não muito distante.

— Cortei manicure, que ia toda semana.

A prioridade de Denise é manter o plano de saúde que, com muito custo, consegue pagar desde 2010, com o aluguel de duas quitinetes no bairro do Tapanã.

Medo de ter que vender veículos

 Agência O Globo 
Paulo Cesar Rodrigues cogita vender o carro ou
 a motocaso não arrume emprego até o fim do ano 

Entre 2010 e 2013, o emprego em uma empresa de cerâmica rendeu um salário que Paulo Cesar Rodrigues, de 27 anos, considerava razoável. Ganhando em torno de R$ 1,2 mil por mês, ele pôde comprar uma casa em Afrânio, no interior de Pernambuco, onde ainda vive com a mulher e os dois filhos. Na sala, recentemente pintada, há sofá, TV a cabo, computador e uma moto vermelha.

A casa foi construída em um tempo em que guardar veículos não era uma necessidade dos moradores da cidade. Como na moto não cabem as duas crianças, Paulo Cesar também comprou um carro. Embora admita que possa ter que vender um dos veículos caso não arrume emprego até o fim do ano, ele espera não ter que se desfazer do que conquistou nos tempos de bonança.

— A coisa vinha vindo bem até 2012, 2013, mas aí foi ficando mais complicado. De uns meses para cá, tudo o que a gente vê é o povo reclamando dos preços das coisas, do desemprego, do governo, de tudo.

O ceramista diz estar insatisfeito com o segundo mandato da presidente Dilma, embora ainda não tenha muita certeza sobre como vai votar nas próximas eleições:

— Lula fez muita coisa no começo, ajudou muito aqui no Nordeste. Mas neste ano, com a Dilma, as coisas estão diferentes. Ela vai ter que arrumar as coisas, ou então vai aparecer um outro que resolva. Mas ruim do jeito que está, não pode ficar.

Sem se desfazer da moto e do carro, o ceramista vai tentar fazer economias e continuar procurando emprego. Mas, ao conversar com colegas que trabalham em outras empresas, tem notado que demissão não é o único problema causado pela crise:

— O que as pessoas dizem é que aumentou o serviço e caiu o salário.

'Coisas têm um preço a cada dia’

Agência O Globo 
Única fonte de renda da família de Antonio Jose de Souza 
são os cerca de R$ 280 que recebem do Bolsa Família  

Nos últimos anos, a pesca e a plantação de grãos deram à família de Antônio José de Souza, de 50 anos, uma casa, telefones celulares com internet, TV com antena parabólica e uma moto, que substituiu o antigo burrinho que o pescador utilizava para buscar água na lagoa de Pavussu, no interior do Piauí. Enquanto o trabalho do patriarca garantia a renda da família, os filhos puderam estudar sem se preocupar com a lavoura.

Em boa parte do Nordeste a crise econômica veio acompanhada de uma seca que já dura pelo menos cinco anos. A lagoa da cidade, considerada uma das maiores do estado, secou completamente há dois meses. Sem chuva, Antônio não consegue plantar nem pescar. Como os produtos agrícolas são poucos, o comércio local está desaquecido e também faltam empregos na construção civil.

Antônio vive na casa que construiu com a mulher, uma filha e dois netos. A única fonte de renda da família são os cerca de R$ 280 que recebem do Bolsa Família. Como o dinheiro do programa chega todo mês, o benefício funciona como fonte de crédito para fazer compras fiado.

Embora viva em uma das cinco cidades que mais dependem do Bolsa Família no Brasil, Antônio se declara insatisfeito com o segundo mandato da presidente Dilma. O pedreiro lembra, porém, que a situação era mais difícil antes dos anos 2000:

— Sempre fui com Dilma. No começo via ela com outros olhos. Ela disse que não ia fazer as coisas de Aécio (Neves), mas está cortando tudo. O salário não aumenta, mas as coisas têm um preço a cada dia.

O pescador pondera que a presidente tem que “fazer alguma coisa”.

Roupa da família lavada na mão

 Jorge William / Agência O Globo
Antonia Cristina Pinheiro da Conceição vive da extração do açaí 

A cultura do açaí, da qual dependem milhares de famílias do país, especialmente no Norte, já teve dias melhores, segundo as populações ribeirinhas. Na comunidade que vive na Ilha do Combu, a poucos quilômetros de barco do porto de Belém, o comentário se repete, com pequenas variações:

— A gente vive do açaí, graças a Deus. Mas tudo aumenta, menos o preço que o batedor quer pagar — reclama Antônia Cristina Pinheiro da Conceição, referindo-se ao atravessador que transforma o fruto sólido em preparo pastoso.

Ribeirinha de 47 anos, que há 8 migrou da Ilha do Marajó para Belém, fugindo da fome e da falta de oportunidades, Antônia viu em coisas triviais, para grande parte da população, os maiores saltos de qualidade de vida que já experimentou. Primeiro a energia elétrica, que chegou há cerca de cinco anos onde mora. Os eletrodomésticos são poucos e antigos. Uma máquina de lavar velha pifou faz alguns meses. Enquanto não sobra dinheiro para consertar, ela lava na mão as roupas da família, que inclui marido, dois filhos que moram no mesmo terreno e netos.

A diminuição da renda, que oscila de menos de R$ 100 na semana a cerca de R$ 200, também levou Antônia a usar mais lenha para cozinhar, do lado de fora da casa feita de madeira em tons vermelho e rosa. O fogão passou a ser ligado apenas para preparos rápidos ou alguma necessidade de higiene do neto de apenas 6 dias de vida.

— O gás está caro demais. A gente tem que garantir o dinheirinho de comprar nossa água para beber e cozinhar, porque essa aqui é suja, só dá pra lavar roupa e limpar a casa — diz ela, apontando para o rio na porta de casa. — O resto, a gente vai se virando.

'Remédio é caro'

 Pedro Kirilos / Agência O Globo
A vida do pedreiro Genivaldo Alves Pereira, de 45 anos, mudou a partir 2010 

A vida do pedreiro Genivaldo Alves Pereira, de 45 anos, mudou muito a partir 2010. Foi nessa época que nasceram seus dois filhos. Construiu sua casa, em um terreno doado pela prefeitura de Petrolina (PE), e comprou os primeiros móveis, parcelados. 

Teve que trabalhar de domingo a domingo na construção civil para alcançar seus objetivos. Não faltava emprego na cidade e, para ele, o esforço alia a pena para dar uma vida melhor para sua mulher e as crianças.

Genivaldo está sem emprego há três meses, e nem bico consegue fazer. Com a crise, até pequenas reformas, que poderiam render R$ 50 por dia, deixaram de aparecer. Na opinião do pedreiro, a situação tende a piorar nos próximos meses:

- Você vai no mercado hoje é um preço; amanhã é outro. Remédio é caro. Você vai no posto e não tem.

Embora não tenha nenhuma fonte de renda e tenha duas crianças pequenas, Genivaldo teve o pedido do Bolsa Família negado. Segundo ele, nunca explicaram o porquê. Talvez daí venha a crítica aos políticos, de uma forma geral:

- Em vez de eles ajudarem a gente a dar um ganha-pão para poder dar para as crianças, ficam só pensando neles, colocam um monte de vereador para ganhar salário alto e não fazer nada.

Atualmente, os gastos da família são pagos com carretos que Genivaldo faz numa carroça amarrada a seu burrinho, que é também o único veículo que possui.

'Bolsa Família ajuda muito'

 Pedro Kirilos / Agência O Globo
Valdimar Miranda, de 49 anos, cria leitões, ovelhas e galinhas 

Quando os leitões, ovelhas e galinhas que o agricultor Valdimar Miranda, de 49 anos, cria não estão no seu quintal, eles ocupam um prédio abandonado na vizinhança. É um posto de saúde que estava sendo construído pelo governo federal em Pavussu, no interior do Piauí. As obras pararam há cinco meses, segundo Valdimar, e o boato na cidade é que só serão retomadas em 2016.

A criação de animais garante o sustento de Valdimar, a mulher e os dois filhos. Manter os animais, no entanto, está cada vez mais difícil. Como o estado enfrenta uma seca há pelo menos cinco anos, os animais não podem comer grãos plantados ali, e o agricultor precisa comprar ração pronta em outra cidade.

A prosperidade de Valdimar foi acompanhada pelo aumento do crédito durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A compra e venda de animais a partir de 2006 rendeu casa mobiliada e uma moto para Valdimar. O veículo substituiu a bicicleta e o burrinho, antigos meios de transporte da família.

- Do tempo de Lula para cá as coisas melhoraram. A gente pôde fazer empréstimo. Ia no banco, pegava uns R$ 2 mil emprestado e comprava em cabrito. Dava uns 10 cabritos. Daí criava e vendia por um precinho maior. E assim ia indo.

Na avaliação de Valdimar, o governo de Dilma "não está muito bem", mas tem uma vantagem: a manutenção do Bolsa Família:

- Bolsa Família ajuda muito, mas sozinho não dá para viver. Tem muitos que esperam só o dinheiro do Bolsa Família chegar, mas a maioria não é assim.

'Antes a gente comia filezinho'

 Jorge William / Agência O Globo 
Crise afeta a vida dos brasileiros. Patricia Correa Gonçalves
 e Mayke Correa Gonçalves 

Os tempos de venda via catálogo, como representantes autônomos, muitas vezes rodando o interior, ficaram para trás. Hoje, são os clientes que procuram os irmãos Patrícia e Mayke Correa Gonçalves, de 34 e 32 anos, respectivamente, na loja modesta de pisos e revestimentos que abriram no bairro Jurunas, na periferia de Belém. Depois de um período de bons negócios, eles decidiram formalizar a empresa, em 2012. As vendas bombaram até o início deste ano, quando o faturamento passou a cair de forma inesperada. O jeito foi demitir quatro dos cinco funcionários que tinham. E apertar o cinto em despesas que, até alguns anos atrás, eles nem pensavam em ter.

Antes, conta Patrícia, ela morava com os dois filhos de favor nos fundos do lote da mãe, numa casa de dois cômodos. Agora, no apartamento amplo que construiu em cima do terreno que a família adquiriu para abrir a loja, cada filho tem seu quarto, com televisão. O mais velho passou a fazer inglês. Videogames e viagens, como uma recente a Caldas Novas, em Goiás, tornaram-se possíveis.

Mayke também enumera o que conseguiu nos últimos anos. Além de ter saído do aluguel, pois também construiu seu apartamento em cima da loja, conta como foi importante ter proporcionado para a família acesso à internet, tevê por assinatura. Mudou as crianças de uma “escola particular só que popular para uma bem melhor este ano”. Mas, cauteloso, já começou a fazer cortes.

- Antes a gente comia aquele filezinho, agora não dá mais. Tem que economizar porque as vendas caíram muito, foi impressionante, até agora não sei como explicar - diz ele.

Na casa de Patrícia, os passeios com os filhos também têm sido alvo de ajustes:

- Temos ido ao cinema menos. Não podemos mais ir a tudo. Falo para eles escolherem entre uma programação e outra. Jantar e almoçar fora também passamos a escolher com mais critério.

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