sexta-feira, novembro 13, 2015

Atentados coordenados deixam dezenas de mortos em Paris

O Globo

Explosões assustam área no Stade de France e situação deixa reféns no Bataclan; Hollande anuncia fronteiras fechadas

KENZO TRIBOUILLARD / AFP
Polícia monta cordão de segurança após situação no Bataclan  

PARIS - Paris se viu diante de um intenso ataque terrorista coordenado nesta sexta-feira, deixando pelo menos 43 pessoas mortas (segundo bombeiros), além de um número ainda maior de feridos. Homens armados abriram fogo em vários pontos da capital francesa. Também ocorreram três explosões do lado de fora do Stade de France, onde a seleção de futebol do país jogava um amistoso contra a Alemanha. Três pessoas morreram no entorno do estádio, disse a polícia. Também há ao menos cem reféns dentro do teatro Bataclan. Um outro ataque também foi registrado num shopping em uma área central da cidade, em Les Halles. A França abriu um alerta vermelho. Ao menos dois brasileiros ficaram feridos nos ataques, informou a embaixada.

Um ataque armado com fuzis Kalashnikov no 10º arrondissement de Paris deixou mortos e feridos, segundo a polícia da capital francesa. Pelo menos um homem com a arma automática teria invadido o loca. Segundo a BBC, ao menos dez pessoas morreram no restaurante Le Petit Cambodge.

A área do primeiro tiroteio é próxima à Praça da República, área muito movimentada de Paris. De acordo com testemunhas, os agressores fugiram após disparar mais de cem vezes, e pessoas estavam sendo retiradas às pressas do local — também perto do canal Saint Martin, área muito frequentada às sextas-feiras à noite.

PHILIPPE WOJAZER / REUTERS
Serviços de emergência cobrem corpos de vítimas 
em local de ataque em área movimentada  

SEQUESTRO COM MORTOS E MAIS DE CEM REFÉNS
Um segundo tiroteio teria ocorrido logo depois perto do local, no boulevard Voltaire. Dois homens armados teriam entrado no bar Le Carillon e abriram fogo, de acordo com testemunhas. Um dos atiradores teria gritado "Allahu akbar" (Deus é grande) e "Isso é pela Síria", testemunhas disseram, indicando que eles poderiam ser radicais islâmicos.

A polícia relatou um terceiro tiroteio, com 15 mortos, e reféns no próprio Bataclan, segundo a France24. O episódio ocorreu no meio do show da banda Eagles of Death Metal, do vocalista do Queens of the Stone Age, Josh Homme. Ele não estava na turnê, no entanto.

Testemunhas disseram que pessoas entraram atirando a esmo no local, e funcionários da polícia falaram em cem reféns. Ao menos 30 foram libertados, e um refém pediu pelas redes sociais que a polícia invadisse o local, porque os jihadistas teriam prometido matar "um a um".

Por volta de 21h30m (de Brasília), explosões e tiros foram ouvidos na área. A polícia estaria iniciando uma operação de resgate dos reféns. Dois terroristas foram mortos durante a operação, segundo a polícia.

Um jovem que se identificou como Hervé disse ao "Telegraph" que havia cerca de mil pessoas no local, e que três jovens de pouco mais de 20 anos entraram atirando com kalashnikovs.

A região fica perto do antigo escritório do semanário satírico "Charlie Hebdo", onde 12 pessoas foram mortas por terroristas islâmicos em janeiro.

Reprodução/Instagram
Rua em Paris é bloqueada por policiais e soldados após ataque  

EXPLOSÕES
Após as três explosões dentro do estádio, em Saint-Denis, o presidente François Hollande teria sido retirado do local. A polícia confirmou que os sons eram de explosão, e investiga o episódio. Os acessos ao estádio foram fechados às pressas, mas o jogo prosseguiu. Ao fim do jogo, os alto-falantes pediram calma na saída dos presentes. Muitas pessoas ocuparam o gramado, com medo da situação — eles teriam ficado retidos.

Alguns relatos dão conta de que elas teriam se originado de granadas, mas a polícia fala em atentado suicida. A polícia disse que três pessoas morreram no entorno do local. Durante a manhã, uma ameaça de bomba contra o hotel da seleção alemã forçou a retirada dos presentes no estabelecimento, mas não foram encontrados explosivos.

Um quarto tiroteio aconteceu ainda no principal shopping de Halles, depois dos demais ataques. O local é muito movimentado, e é tido como um dos principais estabelecimentos no coração da cidade.

ALERTA VERMELHO
Hollande já começou a tomar medidas de urgência com seus ministros para avaliar a situação. Ele foi diretamente ao Ministério do Interior para reunir seu gabinete de crise.. Em um anúncio em rede nacional, ele anunciou que as fronteiras foram fechadas e o país está mantendo alerta de vigilância máxima.

— Saberemos vencer mais uma vez o terrorismo — declarou o presidente.

Ao decretar alerta vermelho, o país mobilizou centenas de soldados. Muitos deles retiveram pessoas perto do Stade de France e do Bataclan.

Após os ataques, vários líderes europeus se pronunciaram em solidariedade e expressando consternação.

"Estou chocado com os eventos esta noite em Paris. Nossos pensamentos e orações estão com os franceses. Iremos fazer o que for preciso para ajudar", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

— Uma vez mais vimos uma tentativa de aterrorizar civis. Não é só mais um ataque contra a França, mas estamos preparados para dar qualquer ajuda necessária — disse o presidente Barack Obama. — Sairemos por cima do ódio de alguns.

"Consternada pela barbárie terrorista, expresso meu repúdio à violência e manifesto minha solidariedade ao povo e ao governo francês", afirmou a presidente Dilma Rousseff pelo Twitter.


 Editoria de arte/O Globo
 O mapa dos ataques em Paris 

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