terça-feira, novembro 17, 2015

Aumentam os sinais de mudança na Argentina

 Editorial
O Globo

Macri, da oposição, aparece na frente nas pesquisas de intenções de voto, reforçando indicações de que o eleitor deseja mudar o país após 12 anos de kirchnerismo

Pesquisa de intenção de voto divulgada no domingo coloca Mauricio Macri, candidato do Cambiemos (Mudemos) à eleição presidencial argentina, à frente na corrida contra Daniel Scioli, o escolhido de Cristina Kirchner para dar prosseguimento a seu legado político. Segundo levantamento da Management & Fit, Macri tem 51,8% das intenções de voto contra 43,6%, do candidato do governo.

O prognóstico eleitoral, porém, continua em aberto, uma vez que 10% dos 32 milhões de eleitores estão indecisos. No primeiro turno, Scioli obteve 37,1%, contra 34,2%, de Macri.

Apesar da indefinição, a vitória apertada de Scioli no primeiro turno e, agora, a liderança de Macri nas intenções de voto a duas semanas do pleito decisivo reforçam percepções explicitadas por analistas de que o eleitorado argentino deseja mudança de rumo no país. O candidato oposicionista tem expressado de forma clara seu projeto de acabar com as políticas monetárias protecionistas e de controle comercial. O objetivo de Macri é abrir a economia e tirar a Argentina do isolamento, após 12 anos de gestão kirchnerista, que, por razões pragmáticas, preferiu se aliar a parceiros bolivarianos, como a Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Apesar de ter feito uma campanha distanciando-se o máximo possível de Cristina K. e, ao mesmo tempo, ter sofrido restrições própria presidente, Scioli vem reforçando o discurso peronista, que ressoa nostalgicamente sobre parte considerável do eleitorado argentino. O candidato oficial tenta atrair os cinco milhões de votos recebidos por Sérgio Massa, dissidente do peronismo e terceiro colocado no primeiro turno.

Scioli prometeu aumento de pensões, redução de impostos nas exportações de alguns setores estratégicos, como o de milho e trigo, além de um aperto na política de segurança contra o narcotráfico, uma bandeira de Massa.

Se o apelo histórico do peronismo é forte, há um aspecto concreto da realidade que confronta o eleitor: a situação econômica do país. Sem crescer desde 2012, o país convive hoje com uma inflação entre 25% e 30% — segundo estimativas de consultorias privadas, uma vez que o governo interveio no Indec (o IBGE argentino), responsável por medir os dados macroeconômicos do país. O peso encontra-se desvalorizado, e o déficit fiscal está em 8% do PIB, quando o teto limite recomendável pela prudência é de 3%, sobretudo num cenário de baixas reservas internacionais, como é o caso argentino.

O segundo turno recoloca ao país o dilema entre voltar a crescer e se integrar à comunidade internacional ou continuar trilhando o caminho de um populismo perigoso, que fez da Argentina o único caso no Ocidente de uma nação rica e próspera, que ao longo de um século se transformou num país pobre.

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