domingo, novembro 08, 2015

Brasil tem que restaurar reputação anterior, diz OCDE

Exame.com
Lorenna Rodrigues e Bernardo Caram, Estadão Conteúdo

Ruben Sprich/Reuters 
Secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría: "É importante atingir 
metas de ajuste fiscal para restaurar a confiança e evitar
 novos rebaixamentos por agência de risco"

Brasília - O secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, Angel Gurría, afirmou que o Brasil precisa restaurar a reputação que tinha anteriormente de que segue políticas macroeconômicas robustas e sólidas, que foi "conquistada a duras penas".

"É importante atingir metas de ajuste fiscal para restaurar a confiança e evitar novos rebaixamentos por agência de risco", destacou, em evento no Ministério da Fazenda, junto com o ministro Joaquim Levy.

O secretário-geral ressaltou que a economia brasileira tem muitos desafios neste ano de recessão, e que o organismo espera uma contração também no próximo ano, apesar de menor.

Ele destacou a questão do déficit orçamentário brasileiro neste e no próximo ano e que ele pode ser explicado pelos pagamento expressivo de juros da dívida pública.

"A questão é a (falta de)sustentabilidade fiscal que leva os credores a exigirem juros superiores a 14% ao ano. A pressão dos juros aumenta e tudo complica-se", afirmou.

Outro desafio citado por ele é o envelhecimento da população brasileira e a sustentabilidade da Previdência Social.

Gurría sugeriu que o Brasil aumente a idade mínima para a aposentadoria e mude os mecanismos de indexação dos benefícios mínimos.

"As políticas macro são a base importante, mas reformas estruturais são a chave", completou.

O secretário-geral da OCDE disse ainda que o Brasil precisa desenvolver mais seu papel no comércio internacional e listou deficiências da economia local, como o fato de os mercados financeiros continuarem pouco profundos, deficiências de infraestrutura e carência de mão de obra que impede aumento de produtividade.

"As reformas vão ajudar a diminuir significativamente os custos da indústria brasileira. Estamos no momento de reformas e podemos começar por simplificar, simplificar, simplificar, mas não necessariamente nessa ordem", brincou.

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