domingo, novembro 29, 2015

Empresas do setor de energia atrasam pagamento de R$ 1 bi à Petrobras

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

A crise hídrica fez com que o nível dos reservatórios das hidrelétricas caísse de forma acelerada e afetou estatal, principal credora do mercado de energia

(Reinaldo Canato/VEJA) 
Inadimplência do mercado elétrico brasileiro 
está em mais de R$ 4 bilhões até agora 

A Petrobras é a principal credora do mercado de curto prazo de energia elétrica no Brasil. Com a crise hídrica que atinge o país desde 2013, o nível dos reservatórios das hidrelétricas caiu de forma acelerada, exigiu a entrada em operação de dezenas de térmicas e causou um prejuízo bilionário para as geradoras, que pode variar de 10 a 20 bilhões de reais. Essas perdas viraram motivo de uma grande batalha judicial no mercado elétrico brasileiro, que resultou em uma inadimplência de mais de 4 bilhões de reais até agora.

Cerca de 25% desse montante, ou 1 bilhão de reais, deveria ter entrado no caixa da Petrobras pela produção de energia de suas térmicas. A estatal, que passa por dificuldades financeiras, tem mais de vinte usinas à disposição do Operador Nacional de Energia Elétrica (ONS) para garantir o abastecimento do país. Com os reservatórios em baixa, a maioria dessas térmicas produziu energia elétrica nos últimos meses.

Conhecidas como "usinas merchant", muitas unidades da petroleira - que não quis se pronunciar sobre o assunto - não têm contrato de venda de energia. Nesse caso, toda produção é vendida no mercado de curto prazo e liquidada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) - empresa que faz o acerto de contas das transações no mercado à vista. No ano passado, por exemplo, quando o preço da energia estava em 822 reais o megawatt hora (MWh), a estatal saiu lucrando.

Mas, neste ano, a situação se complicou com o chamado risco hidrológico, que é o déficit na geração de energia (GSF). Com menos água nos reservatórios, as hidrelétricas produziram menos eletricidade do que estava previsto no contrato. A diferença teve de ser recomprada no mercado para atender o contrato - o que provocou a perda bilionária. As geradoras hídricas argumentam que o fato de gerar menos não é sua responsabilidade e, portanto, não podem arcar com os prejuízos.

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