terça-feira, novembro 03, 2015

Enriquecimento de políticos exibe as falhas da fiscalização

Carlos Newton
Tribuna da Internet

Lula, Palocci, Erenice e Pimentel têm em comum o enriquecimento

Em memória do genial jornalista e humorista Aparicio Torelly, que se autoproclamou Barão de Itararé (a batalha que não houve), podemos dizer que há algo de novo no ar, além dos aviões de carreira e da poluição ambiental. A novidade é que a explosiva e oportuna reportagem publicada pela revista “Época” não exibiu apenas o relatório do órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda afirmando que o ex-presidente Lula, os ex-ministros Antonio Palocci, Erenice Guerra e Fernando Pimentel movimentaram recursos milionários após deixar o governo, de forma incompatível com suas atividades, com flagrante ocorrência de enriquecimento ilícito. Além disso, a impressionante denúncia do repórter Thiago Bronzatto mostrou também que a fiscalização financeira a cargo do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) simplesmente não funciona.

Como é que as “empresas” de Lula, Palocci e Erenice movimentaram em suas contas R$ 294,6 milhões e nada aconteceu, durante anos e anos não foi aberto nenhum inquérito, a Polícia Federal, e Receita e o Ministério não foram acionados, nada, nada?

NINGUÉM É PUNIDO
A reportagem revelou que, de acordo com o Coaf, a empresa criada por Lula em 2011 para contratar suas palestras faturou R$ 27 milhões até maio deste ano e transferiu R$ 25,3 milhões para outras contas, movimentando ao todo R$ 52,3 milhões. Fica demonstrado que a Coaf é até competente na tarefa de levantar enriquecimento ilícito, mas a verdade é que nada acontece em termos de punição e retomada dos bens adquiridos via corrupção.

Vamos ser francos. Nos últimos anos, tivemos uma evolução positiva do trabalho conjunto da Polícia Federal e do Ministério Público. Algumas operações, com a Banestado e a Satiagraha, levantaram gravíssimas irregularidades, mas praticamente ninguém foi punido. As coisas realmente só começaram a acontecer depois do Mensalão, e o país vai ficar devendo ao ex-deputado Roberto Jefferson, que não é nenhuma vestal, foi preso, ainda está cumprindo pena, mas é preciso reconhecer que encerrou com fecho de ouro sua carreira política, ao denunciar o esquema criminoso do qual era participante.

DAQUI PARA FRENTE..
Como dizia Roberto Carlos, daqui para frente tudo pode ser diferente, conforme já está demonstrado pelas condenações já feitas pelo juiz federal Sérgio Moro, excelente candidato à Presidência em 2018, se o magistrado nos concedesse esta honra.

Se realmente as coisas mudarem, pode ser que haja uma renovação na política, com esta meritória atividade deixando de ser simplesmente um caminho para o enriquecimento ilícito de parlamentares, governantes e autoridades corruptas por eles nomeadas com aval de seus partidos, ressalvando-se as honrosas exceções, porque ainda existem políticos brasileiros honestos, da mesma forma como existiam juízes em Berlim.

E as coisas podem melhorar até rapidamente, se o deputado Eduardo Cunha seguir o exemplo de Roberto Jefferson e providenciar um “grand finale” para sua carreira política, aceitando logo a abertura do processo de impeachment de uma governante eleita por um dos partidos mais sujos da história de nossa república, cujo governo é um fracasso e está levando a nação à ruína. Depois, recorrendo à delação premiada e mostrando como se faz (ou fazia) política no Brasil.

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PS – Ontem, publiquei um artigo sobre um tema polêmico (a derrocada das ideologias e o fim da dicotomia esquerda/direita), mas alguns leitores se irritaram e não tiveram a paciência de lê-lo até fim, ficaram sem entender. Por isso, vou republicar abaixo os dois últimos parágrafos, que não deixam margem a dúvidas:

“SOMOS TODOS IGUAIS – As paralelas sempre hão de se encontrar, nem que seja no infinito da miséria humana, porque os rótulos políticos-ideológicos já de nada servem. Atualmente, a única função deles é separar pessoas que na verdade são iguais e têm os mesmos objetivos.

PS – Escrevi este artigo, porque as supostas discussões ideológicas que ocorrem na Tribuna me intrigam e desagradam. Os debatedores parecem estar no início do século passado e usam argumentos daquela época, como se o mundo não tivesse mudado tanto neste decorrer. É lamentável que esta incompreensão continue e as pessoas insistam em se dividir entre esquerdistas e direitistas, quando a única divisão hoje possível é entre quem é do bem e quem é do mal.” 

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