quinta-feira, novembro 19, 2015

Fitch pode reduzir nota de crédito do Brasil antes do previsto

Da redação
Veja online

Agência vê piora adicional da economia e das contas públicas e dificuldades mais acentuadas no quadro político, o que pressiona o rating do país

(Lucas Jackson/Reuters)
 Shelly Shetty, diretora de ratings soberanos
 para a América Latina da agência Fitch 

A nota de crédito do Brasil dada pela agência de classificação de risco Fitch, segundo indicação dada por Shelly Shetty, diretora sênior da empresa para a América Latina. Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, a executiva afirmou que a piora adicional da economia, a deterioração mais acentuada das contas fiscais a escalada da dívida bruta e dificuldades extras na governabilidade podem colocar pressão adicional para o rebaixamento da nota.

"A Fitch mantém a perspectiva negativa para o rating porque acredita que o desempenho fraco da economia e das contas fiscais vai continuar", diz a diretora no vídeo, como informa o jornal O Estado de S. Paulo. "O cenário econômico brasileiro está se tornando mais desafiador. As perspectivas de crescimento de médio prazo também são fracas se comparadas com outros grandes mercados emergentes.

No dia 2 de setembro, por causa da piora das contas públicas, do cenário político problemático para o governo e da retração da economia, a agência Standard & Poor's tirou o Brasil da lista dos considerados bons pagadores. Fitch e Moody's, as outras duas agências de referência internacional, ainda mantêm o Brasil na lista dos bons pagadores. Em ambas, no entanto, a nota brasileira está com perspectiva negativa, o que indica que ela pode ser reduzida nos próximos dezoito meses.

Se o Brasil perder o selo de bom pagador na escala de mais uma agência, o país deve perder enormes volumes de recursos hoje aplicados na economia brasileira por grandes investidores institucionais estrangeiros, como fundos de pensão. Isso ocorre porque o estatuto da maior parte desses fundos só permite aplicar recursos em ativos (ou países) que recebam o selo de bom pagador de pelo menos duas agências de referência.

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