quinta-feira, novembro 19, 2015

FRACASSO: Leilão de linhas de transmissão vende apenas 4 de 12 lotes

Exame.com
Com informações Reuters

Marcello Casal Jr/Agência Brasil 
Transmissão de energia elétrica: 
especialistas haviam adiantado que havia pouco interesse do mercado

São Paulo - O leilão de linhas de transmissão desta quarta-feira recebeu ofertas dos investidores para apenas 4 dos 12 lotes de empreendimentos oferecidos, o que resultará em 3,5 bilhões de reais em investimentos, ou 46 por cento do esperado, em um novo fracasso para o segmento, que já havia atraído pouco interesse em licitação realizada em agosto.

O resultado confirmou expectativa do mercado.

Especialistas ouvidos pela Reuters disseram na terça-feira que haveria pouco interesse pelos empreendimentos de transmissão, em um cenário de recessão econômica e crédito escasso agravado pela situação das empresas do segmento, que estão com muitas obras para tocar ou descapitalizadas.

Levaram lotes na disputa desta quarta-feira o consórcio TCL, das espanholas Cymi e Cobra, e o grupo Firminópolis, formado pela estatal goiana Celg e a CEL Engenharia.

A estatal paranaense Copel e a novata Planova também arremataram lotes, sozinhas, sendo que apenas a disputa que envolveu a Planova apresentou deságio ante a receita teto estabelecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Apesar do resultado, a Aneel garantiu que não estão em estudo novas mudanças na remuneração ou nas regras para atrair mais empresas para as disputas de linhas.

"A questão não é preço, mas a conjuntura do país", disse a jornalistas o diretor da Aneel José Jurhosa, após a licitação.

"Não está fácil construir no Brasil, não pela construção em si, mas sim outros fatores, ambientais, fundiários...", comentou Jurhosa, citando questões de regulação.

O diretor da Aneel disse que os lotes que não receberam propostas voltarão a ser oferecidos, provavelmente já no próximo certame do segmento, de forma a reduzir o atraso na implementação dos empreendimentos.

A agência espera realizar um grande leilão no início de 2016.

Um dos lotes que não despertou interesse, o C, estava sendo oferecido aos investidores pela terceira vez, mas Jurhosa afirmou que não acredita que será necessário elevar a receita desse empreendimento e dos demais que não receberam oferta.

"Entendemos que foi uma questão de conjuntura, e não de atratividade do lote em si."

Vencedores
O consórcio TCL receberá uma receita anual de 448,8 milhões de reais para implantar linhas e subestações em Minas Gerais, que constavam do lote A do leilão, o maior em volume e receita dentre os ofertados. As obras demandarão cerca de 2,5 bilhões de reais, segundo o grupo.

Já a Copel terá uma receita anual de 97,9 milhões de reais para linhas no Paraná e Santa Catarina, do lote E, arrematado sem deságio, enquanto a Planova receberá 60,5 milhões de reais anuais pelos empreendimentos do Lote G, que registrou deságio de 6,14 por cento na disputa.

O consórcio Firminópolis receberá 6,5 milhões de reais por ano para construir e operar linhas em Goiás, arrematado sem deságio.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA

O fracasso era mais do que um desastre anunciado, apesar do otimismo do governo que sonhava com um êxito total.  As tentativas de leilões do governo Dilma para concessões de rodovias, ferrovias, setor elétrico e de petróleo têm se revelado em retumbante desastre não  por razões de mercado, ou pela crise econômica pela qual atravessa o Brasil. A razão é simples: os marcos regulatórios adotados pelo governo são ruins, não atraem ninguém por não oferecer garantias de retorno e segurança jurídica para os investidores, até pela eterna mania da soberana de intervir nos diferentes setores de forma abrupta e destrambelhada. Com uma rotineira mudança das regras do jogo com ele ainda em disputa, ninguém vai apostar em jogo perdido. 

Por melhores que sejam as oportunidades atrativas que o Brasil oferece, e elas são muitas, investir no país, neste momento e com este governo, só para maluco a fim de torrar dinheiro à toa. E, pelo andar da carruagem, teremos que esperar pela troca de comando para sonhar com dias melhores. 

Em seu primeiro mandato, Dilma comprometeu seu segundo período e agora, sem projetos e sem rumos, começa também a comprometer o governo de quem vier sucedê-la.  Esta senhora, em matéria de mediocridade, consegue se superar cada vez mais.

Nenhum comentário: