quinta-feira, novembro 19, 2015

Indústria brasileira perde espaço no mercado internacional

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, país caiu dois degraus no ranking de exportação de produtos industriais

(Cristiano Mariz/VEJA) 
Fatia das exportações brasileiras
 no mercado internacional também caiu, segundo o Iedi 

O Brasil voltou a perder espaço no mercado internacional de produtos manufaturados. Um levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), feito com base em dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), colocou o país no 32º lugar entre as economias que mais exportaram produtos industriais em 2014. No ano anterior, o Brasil foi o 30º.

Pelo estudo, a parcela do Brasil no comércio internacional de manufaturas foi de apenas 0,61%. A perda de participação da indústria brasileira no comércio internacional tem sido constante ao longo dos últimos anos, segundo o levantamento. Em 2005, o Brasil ocupava a 26ª posição, e a fatia internacional era de 0,85%.

As manufaturas brasileiras têm sido menos demandadas globalmente por uma conjunção de fatores. Nos últimos anos, o real valorizado em relação ao dólar tirou a competitividade dos produtos brasileiros. O chamando Custo Brasil - que envolve desde uma carga tributária complexa aos problemas de logística do país - também impediu um aumento das exportações da indústria.

"Os fatores que impedem um aumento das exportações já são conhecidos de longa data e continuam o mesmo: uma tributação em cascata, que onera demais o setor produtivo. Há um problema sério de logística com os gargalos de infraestrutura. E, a taxa de câmbio apreciada nos últimos anos, fez com que a estrutura produtiva perdesse ainda mais espaço", diz Rafael Fernandes Cagnin, economista do Iedi. "Hoje, a taxa de câmbio está melhor, mas a reação leva um pouco de tempo", afirma Cagnin.

A perda do mercado internacional fez com que a pauta de exportação brasileira se invertesse nos últimos dez anos. Em 2005, os manufaturados correspondiam a 53% das vendas do país. No ano passado, a fatia diminuiu para 34%. No caso dos produtos agrícolas, houve um processo contrário. A participação aumentou de 30% para 40% no período analisado.

Economia fechada – 
O estudo mostra que a economia brasileira também permaneceu bastante fechada para o comércio global quando se leva em conta a exportação total. No ano passado, o Brasil foi o 25º maior exportador, três posições abaixo do apurado em 2013. O país foi ultrapassado por Suíça, Malásia e Tailândia, nações com uma economia bem menor que a brasileira.

No ranking das importações, a economia do Brasil se manteve na 22ª colocação. Em 2014, as vendas brasileiras ao exterior somaram 225 bilhões de dólares, uma queda de 7% em relação a 2013. As importações, por sua vez, foram de 239 bilhões de dólares, um recuo de 5% no período.

Nenhum comentário: