terça-feira, novembro 10, 2015

Inflação no ano chega a 8,52%, a mais alta desde 1996

Andrea Freitas 
O Globo

Combustíveis foram o principal responsável pela alta de 0,82% do IPCA em outubro, diz IBGE

Fábio Guimarães / Agência O Globo   

RIO - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,82% em outubro, acelerando frente ao 0,54% registrado em setembro, quando ficou em 0,54%. É a maior taxa para meses de outubro desde 2002 (1,31%). O resultado divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE também ficou acima do 0,42% registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, chegou a 9,93%, o mais alto desde 2003. E, no ano, soma 8,52%, o maior patamar desde 1996, quando o índice ficou em 8,70%.

O resultado ficou acima das expectativas. O Bradesco, por exemplo, esperava avanço de 0,80%, puxado pela elevação dos preços de alimentação e pelo reajuste dos combustíveis.

Os combustíveis foram o principal responsável pela alta de 0,82% do IPCA em outubro, com um impacto de 0,30 ponto percentual, sendo responsável por 37% do índice. A gasolina subiu em média 5,5%, com impacto de 0,19 ponto percentual na taxa. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 17,93%.

O etanol subiu ainda mais: 12,29%, mas como tem participação menor no orçamento familiar, contribuiu com 0,10 ponto percentual. O diesel registrou alta de 0,15%, com elevação de 3,26% nos preços.

O reajuste do preços dos combustíveis fez o segmento transportes ter o maior resultado de grupo em outubro, com alta de 1,72%. Passagens aéreas (4,01%), pneu (0,94%), ônibus intermunicipal (0,84%), conserto de automóvel (0,69%) e acessórios e peças (0,46%) também puxaram o resultado para cima.

O grupo alimentação e bebidas registrou a segunda maior alta no IPCA de outubro, com 0,77%. Enquanto Belém registrou a maior variação, de 1,61%, o Rio de Janeiro teve a menor, de 0,28%. A alimentação fora de casa variou 0,93%, acima dos alimentos consumidos em domicílio, com 0,68%. Assim, nos últimos 12 meses, esse grupo acumula elevação de 10,39%.

No mês, a maior alta em alimentos foi do frango inteiro, que acelerou de 1,45% em setembro para 5,98% em outubro. Em 12 meses, a elevação já chega a 9,33%. O açúcar subiu 4,43% e o alho, 4,12% - no ano, este tempero acumula elevação de 41,83%, A cerveja registrou alta de 4,06% no mês, enquanto o arroz subiu 3,77%.

No grupo habitação, que variou 0,75%, o botijão de gás foi o destaque, com alta de 3,27% mesmo após ter subido 12,98% em setembro. Em dois meses, a elevação é de 16,67% devido ao reajuste de 15%nas refinarias autorizado pela Petrobras a partir de 1 de setembro.

ENERGIA ELÉTRICA
Já a energia elétrica, que também compõe o grupo habitação, registrou alta de 0,87%, seguida por mão de obra para pequenos reparos (0,58%), aluguel (0,57%) e artigos de limpeza (0,41%).

Nos demais grupos pesquisados pelo IBGE, os destaques de alta ficaram com excursão (2,70%), plano de saúde (1,06%), empregado doméstico (1,30%), telefone fixo (0,86%) e celular (0,50%).

Das 13 regiões analisadas pelo IBGE, seis registraram variação em outubro acima da média nacional de 0,82%. A mais alta ficou com Brasília (1,24%). O Rio de Janeiro registrou a menor taxa, de 0,49%, No acumulado em 12 meses, cinco locais já superam os dois dígitos, sendo que Curitiba (11,52%) e Goiânia (11,19%) passaram da casa dos 11%. Em São Paulo, o IPCA nesse período é de 10,45, enquanto no Rio é de 9,90%.

O IPCA-15 de outubro, considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,66% — a maior taxa para o mês desde 2002, quando ficou em 0,90%. A taxa acumulada de janeiro a outubro, de 8,49%, foi a mais alta para o período desde 2003 (9,17%). Já a inflação acumuladas nos últimos 12 meses, de 9,77%, foi a maior já registrada desde dezembro de 2003 (9,86%).

A meta de inflação do governo é de 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo. Mas economistas ouvidos pela pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central acreditam que o índice de preços só vai voltar ao centro da meta após 2018. A expectativa, de acordo com a sondagem divulgada na última segunda-feira, é que 2015 termine com uma inflação de 9,81%. Em 2016, o IPCA ficaria um pouco acima do teto, em 6,58%, e encerraria 2017, em 5,16%. Em 2018, a taxa seria de 4,90%.

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