terça-feira, novembro 10, 2015

LOBISTA NO JUDICIÁRIO: Nelson Jobim vira estrategista de Lula e de empreiteiras

Exame.com
Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau, Estadão Conteúdo

Gustavo Lima/Agência Câmara 
Desde o agravamento da atual crise, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim
 tem desempenhado papéis amplos e múltiplos em frentes distintas

São Paulo - Conselheiro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para questões jurídicas e políticas, advogado e consultor das maiores empreiteiras do País, interlocutor frequente de alguns dos principais nomes do PSDB e PMDB, amigo de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Desde o agravamento da atual crise, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim tem desempenhado papéis tão amplos e múltiplos em frentes distintas, como a Operação Lava Jato, a CPI do BNDES e a ameaça de impeachment à presidente Dilma Rousseff, que alguns atores políticos já o comparam ao ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Morto em novembro do ano passado, MTB, como Thomaz Bastos era conhecido, foi um dos artífices da famosa tese do caixa dois com a qual Lula se defendeu no caso do mensalão.

No governo federal, ele ajudou a nomear ministros do Supremo que julgaram a ação em 2012 e comandou a Polícia Federal durante as investigações.

Fora do ministério, assumiu a defesa de alguns réus e ajudou a orientar a estratégia dos demais. Porém morreu no decorrer da Operação Lava Jato.

Mantidas as devidas proporções, Jobim hoje exerce papel semelhante. Segundo fontes do Instituto Lula, ele atualmente é um dos mais próximos conselheiros do ex-presidente, com quem costuma falar pelo menos uma vez por semana, e tem dado opiniões relevantes na estratégia de defesa contra as ameaças de impeachment.

Jobim foi o relator da Comissão Especial da Câmara que levou ao afastamento do então presidente Fernando Collor, em 1992. Segundo fontes, partiu dele a ideia de contestar no STF o rito para o impeachment definido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Impeachment
A ajuda a Dilma Rousseff, no entanto, ocorre mais dever de ofício e proximidade com Lula. A relação de Jobim com Dilma é ruim desde que ambos integravam o ministério de Lula.

As diferenças entre os dois ficaram claras no dia 20 de outubro, quando o ex-ministro deu uma palestra a magistrados da Associação dos Juízes Federais de São Paulo (Ajufesp). "O melhor cenário para Lula é o impeachment", disse ele, segundo relatos de três magistrados.

Para Jobim, com a queda de Dilma, Lula poderia chegar à eleição de 2018 como candidato de "oposição". No caso de permanência da presidente, o petista teria que arcar com o desgaste do governo,

Pesa também a favor de Jobim o fato de ter bom trânsito tanto com Lula quanto com o PSDB e o PMDB, partido pelo qual foi eleito duas vezes deputado federal. Ele foi ministro da Justiça entre 1995 e 1997, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, que o indicou a uma vaga no STF; é próximo do senador José Serra (PSDB) e tem trânsito livre junto ao vice-presidente

Michel Temer (PMDB). "Ele reúne todos os predicados para fazer a ponte entre todos os partidos", disse o presidente em exercício do PMDB, senador Valdir Raupp (RO).

Meio de campo
Além disso, Jobim circula com desenvoltura no STF, que integrou entre 1997 e 2006, e demais tribunais superiores. Isso o credenciou ao papel de articulador entre os universos político e jurídico, antes desempenhado por Thomaz Bastos.

"Estamos advogando juntos na CPI do BNDES. Ele é uma pessoa que tem trânsito fácil nos tribunais e meios políticos, além de ser um grande advogado", afirmou o advogado Pierpaolo Bottini.

Assim como Thomaz Bastos, Jobim também atua no campo empresarial. Desde o início da Lava Jato ele foi contratado pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e Camargo Corrêa para elaborar pareceres não necessariamente vinculados à operação. Esta característica foi reforçada depois que ele se mudou para São Paulo, no ano passado.

Para completar o perfil versátil de Jobim, ele mantém fortes laços com alguns de seus ex-companheiros de STF e alguns novos ministros, entre eles Teori Zavascki, gaúcho como o ex-ministro, relator da Lava Jato no Supremo.

Nos meios jurídicos e políticos é atribuído a influência de Jobim o habeas corpus concedido a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, em dezembro do ano passado e que mais tarde acabaria derrubado.

Diferenças
Apesar das semelhanças, muitos advogados dizem que Jobim não tem como ocupar o vácuo deixado pela morte de Thomaz Bastos. O principal motivo é a falta de ascendência sobre a comunidade jurídica de São Paulo.

Ao contrário do ex-ministro da Justiça de Lula, que foi forjado nos tribunais e formou ao menos duas gerações de grandes advogados criminalistas, Jobim sempre evitou a linha de frente.

Segundo advogados ouvidos pelo Estado, os criminalistas paulistas preferem se aconselhar com colegas como o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira.

Outra crítica frequente é quanto ao temperamento de Jobim, considerado autoritário por alguns, em contraponto com o estilo suave de Thomaz Bastos. "É difícil alguém ocupar o lugar que o Márcio ocupava. Era um advogado completo, com larga experiência", disse Bottini.

Jobim foi procurado por meio de seu escritório mas não respondeu aos telefonemas e e-mail da reportagem.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Estrategista uma ova. O papel que Jobim vai cumprir é o de lobista junto ao Judiciário para aliviar a barra de Lula e sua quadrilha. Imaginam que Jobim vai atuar junto aos magistrados de diferentes instâncias do Judiciário para que Lula não seja julgado e, caso não seja possível, que seja inocentado de qualquer crime. Quando ele diz que não tem medo de ser preso é pura balela.  O ex  em exercício atua em diferentes frentes para impedir que os tentáculos das investigações o Alcan cem e os responsabilizem por seus atos que permitiram a instalação de um governo devotado ao crime organizado. 

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