domingo, novembro 08, 2015

Produção industrial encolhe 1,3% em setembro

Fábio Teixeira
O Globo

Frente ao mesmo mês de 2014, queda é de 10,9%. Em 2015, recuo acumulado é de 7,4%, diz IBGE

Paulo Fridman / Bloomberg News/15-9-2015
 Fábrica da Case New Holland em Curitiba  

RIO - A produção industrial encolheu 1,3% em setembro frente a agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. O resultado ficou abaixo do previsto por analistas, que projetavam queda de 1,5% na mesma comparação. Em todo 2015, apenas os meses de janeiro e maio não apresentaram retração. No confronto com igual mês do ano anterior, a indústria apontou queda de 10,9% em setembro. Já no acumulado do ano, a atividade no setor recuou 7,4%. Em 12 meses, a baixa é de 6,5% — a perda mais intensa desde dezembro de 2009 (-7,1%), mantendo a trajetória de queda iniciada em março de 2014 (2,1%).

Essa foi a quarta queda consecutiva na comparação com o mês anterior, acumulando nesse período perda de 4,8%. No confronto com igual mês do ano anterior, a produção da indústria registrou queda de 10,9% em setembro — pior resultado nessa comparação para o mês de setembro desde 2003. Essa também foi a 19ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de análise e a mais acentuada desde abril de 2009 (-14,1%).

O IBGE também fez uma revisão em relação aos dados de agosto. A produção industrial encolheu 0,9%, em vez de 1,2%, frente a julho. Já no confronto com igual mês de 2014, a queda passou de 9% para 8,8%.

Segundo André Luiz Macedo, gerente de indústria do IBGE, o mês de setembro, conhecido como o Natal da indústria, por causa das encomendas de final de ano, não pôde ser identificado neste ano.

— Normalmente, há sempre um ponto alto de produção em setembro por causa das encomendas para o final do ano. Não conseguimos identificar isso neste ano. Esse movimento de setembro é um padrão, mas depende da conjuntura. Esse padrão não aparece neste ano de 2015, até porque temos um recuo generalizado. Somente o setor extrativo apresenta melhora no janeiro a setembro de 2015.

Das quatro categorias pesquisadas, três apresentaram queda em setembro relação ao mês anterior. O dado positivo foi na categoria de bens de capital, com melhora de 1% em relação ao mês de agosto. A de bens intermediários caiu 1,3%, a de bens de consumo encolheu 1,2%. A produção de bens duráveis recuou 5,3% e a de bens semiduráveis apresentou melhora de 0,5%.

Ao recuar 5,3%, a produção de bens duráveis mostrou a redução mais acentuada em setembro de 2015 e intensificou o ritmo de queda frente ao mês anterior (-4%). Houve influência da menor produção de automóveis, ainda afetada pela concessão de férias coletivas em várias unidades produtivas.

QUEDA DE 31,7%
Na comparação com igual mês do ano anterior, as quatro principais categorias apresentaram queda. O recuo mais forte se deu entre bens de capital (-31,7%) e bens de consumo duráveis (-27,8%). Os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-7,4%) e de bens intermediários (-7,2%) também mostraram resultados negativos nesse mês, mas ambos com recuos abaixo da média nacional (-10,9%).

A queda se deu de forma disseminada. Além de alcançar as quatro categorias econômicas, atingiu 24 dos 26 ramos, 68 dos 79 grupos e 76,8% dos 805 produtos pesquisados. O IBGE aponta, porém, que setembro de 2015 teve 21 dias úteis um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior.

Entre as atividades, a de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 39,3%, exerceu a maior influência negativa na formação da média da indústria. Outras contribuições negativas relevantes vieram de máquinas e equipamentos (-20,2%), metalurgia (-14,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-27,9%), produtos de metal (-17,3%), produtos de borracha e de material plástico (-15,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-19,5%), produtos de minerais não-metálicos (-12,1%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,4%), produtos têxteis (-22,5%), produtos alimentícios (-2,2%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-13,6%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,8%), outros produtos químicos (-5,0%) e móveis (-22,4%).

Por outro lado, ainda na comparação com setembro de 2014, entre as duas atividades que aumentaram a produção, o principal impacto foi observado em indústrias extrativas (2,6%), impulsionado pelos avanços nos itens minérios de ferro em bruto e pelotizados.

De acordo com o último boletim Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira, a produção industrial deve encerrar o ano com queda de 7%.

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