domingo, novembro 29, 2015

Raul Velloso:‘Situação atual é uma sequência de fracassos’

Bárbara Nascimento 
O Globo

Para economista, descontrole já prejudica imagem do país

Ana Branco / Agência O Globo
 Raul Velloso 

BRASÍLIA - Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, a situação atual é uma sequência de erros e problemas que não foram atacados na hora certa e do jeito certo.

— Houve uma meta salvadora quando o ministro Joaquim Levy entrou. Essa meta rapidamente se mostrou inviável. Refizeram a meta, que em pouco tempo se mostrou inviável também. É uma sequência de fracassos que as pessoas acham que podem ocorrer sem maiores problemas. Mas, quando chega no fim do ano, tem a exigência legal de o governo alterar a meta no Congresso.

O economista observa ainda que se o governo está mal, sem governabilidade, ele não consegue seu objetivo.

— Isso caracteriza crime de responsabilidade fiscal. E, para evitá-lo, tem que adotar medidas radicais, como suspender pagamentos, o que não vai resolver nada, só vai dar um fôlego até o governo conseguir a votação.

Velloso alerta que não há garantia de que o Congresso aprovará a nova meta, nem se sabe quando isso vai acontecer.

— Ninguém consegue apostar quanto tempo vai levar para o Congresso aprovar essa mudança. Nós estamos vendo apenas a manifestação de mais uma face de uma situação muito caótica, que é a que nós temos vivido na área fiscal desde o ano passado. Cada dia se agrava mais, tudo se mistura com essas questões na área jurídica, policial e legal. Cada vez que você tem uma prisão, uma denúncia, isso mina a credibilidade. O capítulo que está lá na frente começa a ficar mais difícil.

Para o economista, é difícil imaginar quais são os próximos episódios e isso já está prejudicando a imagem do país.

— Infelizmente é uma situação crítica. As pessoas estão olhando para o Brasil como um país descontrolado. É como um cavalo que estava seguro nas rédeas e de repente se soltou. Temos que atacar principalmente o problema político, criar condições para que o controle seja retomado, mas pôr isso em prática sem mudar a cúpula do governo é muito difícil. Tem que retomar o controle político da situação, mas isso envolve mudanças que ninguém quer fazer porque quem está no poder não quer sair.

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