quinta-feira, novembro 05, 2015

UM POVO ENTREGUE AO MOSQUITO: apenas um quarto da verba para prevenção à dengue saiu do papel

Dyelle Menezes
Contas Abertas


O governo federal reservou R$ 13,4 milhões neste ano para a iniciativa “Coordenação Nacional da Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue”. No entanto, até setembro apenas 23% dos recursos foram efetivamente utilizados. A verba, de responsabilidade do Ministério da Saúde, deveria ser empregada no financiamento de estudos, pesquisas e na capacitação profissional para o combate à dengue.

Os recursos ainda deveriam ser empregados no auxílio ao aperfeiçoamento do programa de controle da dengue, realização de termo de cooperação e aquisição de veículos e equipamentos para doação a estados e municípios. Os recursos já diminuíram ao longo deste ano. A dotação inicial previa R$ 14,3 milhões para essas finalidades.

Esse valor não corresponde ao total desembolsado pelo Ministério para ações que envolvam a dengue. Cerca de R$ 1 bilhão anuais são destinados aos estados e municípios, por meio do Piso Fixo de Vigilância e Promoção à Saúde. Porém, não é possível afirmar quanto do total é utilizado especificamente para a dengue.

Os recursos do piso são repassados para que os gestores locais adotem medidas de prevenção e controle de outras doenças além da dengue, como a malária e a doenças de chagas. Cabe ao gestor aplicar a verba de acordo com a realidade de cada localidade.

Segundo estimativa do Ministério da Saúde cerca de 70% da verba do Piso é aplicada no combate à dengue. No entanto, a escolha do uso dos recursos é realizada por cada estado e município, o que dificulta o controle sobre a utilização efetiva da verba.

Conforme reportagem do Bom Dia Brasil, os casos de dengue triplicaram este ano no Brasil, e foi registrado recorde no número de mortes. Já foram 693 mortos, 70% mais que no mesmo período do ano passado.

Goiás é o estado brasileiro com maior incidência de dengue: são 2.100 casos de dengue para cada 100 mil habitantes. Em decorrência da doença, 70 pessoas já morreram este ano no estado goiano. Acre e São Paulo também intensificaram o combate à doença antes da chegada do verão.

De acordo com explicação do Ministério da Saúde, o calor acima da média que assolou todo o país neste ano também explica o aumento de casos. O mosquito da dengue se reproduz mais em temperaturas altas. Com a mudança do clima, a temporada de dengue também se altera. Antes a concentração da doença ia de fevereiro a junho. Agora a dengue acontece o ano inteiro.

Apesar do levantamento do Contas Abertas e do aumento do número de casos, o Ministério da Saúde afirma que a política de combate à doença está no caminho certo. “Os recursos federais tem sido executados integralmente”, afirmou Claúdio Maierovitch, do departamento de Doenças Transmissíveis da Pasta.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

A desculpa de “calor acima da média” é porca, fedorenta e demonstra a incompetência e  o descaso do poder público para com o povo que o sustenta. Ano após ano, a incidência da dengue vem aumentando sem que, em contrapartida, se perceba ações por parte dos governos de um mínimo de atenção para evitar que mais brasileiros sejam vitimados. As vítimas fatais aumentam progressivamente, sem que algum responsável (ou seria irresponsável?) do Ministério da Saúde se sensibilize.  Em conforme o desenho do orçamento fajuto enviado ao Congresso por este desgoverno, as verbas da saúde para 2016 continuarão sendo podadas. 

A população já não pode contar com um sistema de saúde pública minimamente decente, e o governo ainda teima em desviar dos serviços de prevenção recursos que acabam alocados em luxúria e ostentação da madame. Em visto deste descalabro, que atinge todas as áreas afetas à administração federal,   não há como não se pedir e exigir seu impedimento.  Para não fazer nada, que vá prá casa viver de aposentadoria.  

Nenhum comentário: