quarta-feira, dezembro 02, 2015

As mentiras escandalosas em Paris

Adelson Elias Vasconcellos


Dilma Rousseff acostumou-se a mentir. Acha que todos são rematados idiotas, que ninguém tem cérebro e, se acaso os tiver, é incapaz de juntar A com B? Considera que nada teve demais o estelionato que aplicou nas eleições passadas e, como saiu-se vencedora, passou a adotar a mentira como ferramenta de trabalho. Diria até que mentir para ela é tão natural quanto respirar.

Assim, foi a COP-21, em Paris cercada de uma monumental comitiva de 180 convidados, claro, todo o custo bancado por nós, enquanto seu governo vai suspender investimentos, e até deixará de pagar contas de luz, telefone, água, etc., em razão da meta fiscal furada, que agora atira nos ombros do Congresso para aprovar seu déficit colossal.  Nesta viagem, como em todas as demais feitas ao exterior, a madame não vai dispensar hospedar-se no hotel de mais alto luxo e diárias mais caras do mundo. A isto chamamos de “irresponsabilidade fiscal criminosa”.

Pois bem,  Dilma não se dispensou de, em Paris, mentir para quantos a pudessem ouvir.  A começar por acusar apenas uma empresa pelo desastre da barragem de Mariana, tachando de “tremenda irresponsabilidade”, além de afirmar com a cara mais cínica do mundo que o seu governo já está punindo a empresa com rigor. A rigor, não se viu até agora ninguém punido, a não serem as vítimas. Ninguém está preso, a licença não foi cassada, os fiscais (poucos) da área de meio ambiente continuam todos empregados, regiamente pagos.  

Contudo, Dilma se esqueceu de dizer em seu discurso de faz-de-conta que, boa parte das razões que provocaram o maior desastre ambiental da nossa história, um dos maiores do mundo, pertence às ações – ou à sua falta - de seu próprio governo, como ficam demonstrados os relatórios do site Contas Abertas, reproduzidos nesta edição. 

Num primeiro texto,  o Contas Abertas nos informa que a “falta de pessoal e contingenciamento de recursos afetam fiscalização da mineração”. Com efeito, como se pode imaginar uma fiscalização rigorosa em cerca de 750 barragens, apenas em Minas Gerais, dispondo de apenas 4 fiscais? O texto prossegue informando que  “...  O Relatório de Gestão do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) relativo a 2014 apontou problemas orçamentários e de pessoal na unidade. Neste ano, a situação não deve melhorar já que o orçamento previsto é ainda menor. Enquanto R$ 574,3 milhões foram autorizados para 2014, este ano os recursos somam R$ 484,2 milhões, montante 16% menor...”.

Neste sentido, como se nota, fica patente a responsabilidade, ou a falta dela por parte do poder público.

Num segundo texto, o Contas Abertas nos informa que “...Só R$ 4,8 milhões estão previstos para fiscalização de atividades minerárias em 2016...”. E que, na proposta orçamentária encaminhada pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional “...O orçamento ainda poderia ter sido incrementado por emendas parlamentares, porém, o parlamento não realizou emenda para a ação...”.

Não estamos aqui isentando a Samarco, responsável pela barragem, de sua enorme parcela de culpa. Nada disso. Apenas estamos mostrando que a empresa não é a única culpada como afirmou a senhora Rousseff.  O poder público sempre tratou os serviços de fiscalização com absoluto desdém, e não apenas no campo ambiental. Em todas as áreas de atuação, fiscalização no Brasil sempre foi o patinho feio dos serviços públicos. Basta ver o esvaziamento a que vem sendo submetido a própria Corregedoria Geral da União-CGU, pelo próprio governo da madame. 

Ainda em seu discurso, Dilma teve a petulância de afirmar que o desmatamento da Amazônia vem caindo nos últimos 13 anos.   Deveria ter sido mais honesta. Poderia ter informado à plateia ouvinte que,  em seus cinco anos de governo, o desmatamento da nossa floresta aumentou, não houve redução.

Sendo assim, fica difícil dar algum crédito às promessas de redução prometidos pela senhora Dilma. Esta senhora, dada a frequência com que falta com a verdade, e a rotina de prometer o que não pode e não consegue  cumprir, melhor faria se não prometesse nada e ficasse de bico fechado. Pelo menos não seria motivo de piada e grossa vergonha para 204 milhões de brasileiros perante o mundo. 

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