quarta-feira, dezembro 02, 2015

Em estado falimentar

Adelson Elias Vasconcellos



O Datafolha fez uma pesquisa para medir a temperatura de desgosto da população brasileira. Pela primeira vez, desde quer se iniciou este tipo de levantamento, corrupção aparece em primeiro lugar.

A gente, que neste conturbado roteiro das questões, acaba não se dando de que algo está mudando na paisagem. Foi preciso o Estado descer e se encharcar ao lamaçal da safadeza para o país se dar conta de que ela, antes de todas as outras, é a razão principal das nossas desgraças.  Por conta da descomunal roubalheira, praticada em todas as áreas públicas de governo federal, estadual e municipal, inclusive Distrito Federal, é que impede que recursos sejam alocados em quantidade suficiente para elevar o péssimo padrão dos serviços públicos.  

E para que este fenômeno ocorresse, foi preciso o país reduzir-se a uma infame recessão, para que as agruras de inflação alta, juros estratosféricos, desemprego em massa, violência descontrolada, saúde na UTI,  para nos déssemos conta do conta pagamos para não recebermos absolutamente nada em troca. E ainda, conviver diariamente com o noticiário da corrupção na nossa cara.  Também, aqui e ali, percebemos movimentos de jovens indignados com o desvario que tomou conta da seara política.  
Não é à toa que a reprovação de nossa presidente continua  em índices históricos. Claro que não é só culpa de Dilma os males que nos afligem. No fundo, é de todos nós, por sermos responsáveis por nossas escolhas eleitorais.  E, muitas vezes o fazemos movidos por razões absolutamente surreais. 

Mas é bom sabermos que a sociedade se move, e para frente o que é mais importante. Mesmo que a passos tímidos,  vamos enveredando rumo a correção de rota. Precisamos ainda aprender a força de pressão que temos para exigir, cobrar, protestar, claro, que sempre de maneira pacífica, mas decidida e firme nas nossas exigências. Precisamos aprender que donos do Brasil somos todos nós, e não apenas as figuras adocicadas do poder, encasteladas em palácios de luxo, cercados de toda a ostentação que sua vaidade permite e tudo isto bancado com o dinheiro de quem mal consegue ter para sobreviver.

Outra grande lição, que precisamos cultivar e desenvolver, é a de que  uma nação próspera, civilizada, mais justa, moderna e progressista,  não é obra de uma geração apenas. É Fruto de muitas, o que enterra de vez a figura dos salvadores da pátria capazes de, num passe de mágica, tirar o país do atraso em que se encontra.  Não existem salvadores e,  sim, trabalhadores e construtores. Estes somos todos nós. 

É bom e saudável perceber que a consciência da sociedade brasileira começa a despertar para sua própria realidade.  Que não já bastam discursos espirituosos,  campanhas de marketing cheia de efeitos especiais para nos faz ver um Brasil que não existe, que mistifica  nossas carências e fantasia nossa percepção. 

Ninguém precisa nos dizer ou ensinar como ver e sentir o Brasil em que vivemos, basta-nos constatar as dificuldades que enfrentamos tão logo apelamos para qualquer serviço essencial.  Nãop são “serviços públicos”, existem apenas para dar abrigo e privilégios para uma casta  estatal que nos assalta e nos rouba não só as riquezas e os ganhos que produzimos, mas minam nossas esperanças e castram nosso desenvolvimento como seres produtivos. 

Que os sentimentos que a pesquisa Datafolha não seja apenas um sopro fugaz de desencanto. Que ele seja permanente. Não só isso: seja, sobretudo, o nascimento de uma nação capaz de impor-se, de exigir que seus direitos mais comezinhos sejam respeitados,  que nossa vontade seja atendida, sobretudo quanto ao obrigatório retorno do Estado em favor da sociedade que o sustenta. 

Passa da hora dos servidores  públicos deste país serem colocados, independente de seu grau ou nível, em seu devido lugar: eles não passam de nossos empregados. São pagos para nos atender e prestar os serviços que as leis do país determinam. 

A reprovação ao governo Dilma não caiu: oscilou dentro da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. Em agosto, no maior número alcançado, 71% consideravam seu governo ruim ou péssimo. Agora o Datafolha diz que são 69%. Também os que dizem ser o governo regular ou ótimo e bom variaram dentro da margem: no primeiro caso, de 20% para 22%; no segundo, de 8% para 10%.

Só para se ter uma noção da trajetória: em março de 2013, há menos de dois anos, só 7% diziam que governo Dilma era ruim ou péssimo; agora, 67%. O índice negativo subiu 60 pontos. Naquele ano, espetaculares 65% achavam a gestão ótima ou boa; agora, apenas 10%: o índice bom caiu 55 pontos.
Pois bem, na época, apresentei algumas inconsistências. Como um governo poderia ter aquela aprovação, se TODOS os itens como saúde, educação, segurança, controle da inflação, impostos, eram 10 ao todo, sequer conseguiam ir além de um regular?  Foi preciso cravar um tremendo estelionato eleitoral acumulado com inflação, juros altos e desemprego para a pesquisa apresentar um cenário mais próximo da realidade?

O Brasil fechou já 18 meses em recessão e caminho célere para fechar os próximos 12 meses também em recessão. Projeta-se para 2016 uma inflação ainda acima do teto, ou seja, acima de 6,5%. O governo corre para que o Congresso aprove em tempo a revisão do resultado de 2015 que, dos previstos inicialmente um superávit de R$ 66 bi, vai fechar o ano com um rombo  superior a R$ 120 bi. Em quase cinco anos de mandato, Dilma conseguiu elevar o déficit nominal de 2,4% do PIB  de quando assumiu para incríveis 9,5% do PIB até outubro passado.  Nos últimos 18 meses, o Brasil encolheu incríveis 5,8%!!!

Convenhamos: é preciso ser tremendamente incompetente e  irresponsável para produzir um resultado tão desastroso. E tudo isto devidamente acompanhado pela deterioração dos serviços em geral e queda no investimento. Mas doloroso é saber  que ainda tem 10% que aprovam como ótimo tamanha desgraça. Além dos petistas e cutistas, devem aplaudir este governo medíocre  as ong’s picaretas que não se fartam de mamar, todos devidamente acumpliciados pela mídia chapa branca. Como dizia meu avô, tem gosto prá tudo, até para o desastre!!!!  E se ainda fosse pouco, segundo o presidente do TSE,  ministro Dias Tóffoli, não haverá grana para bancar as eleições municipais de 2016 via sistema eletrônico. Fosse o Estado brasileiro uma empresa privada, por certo, seria hora de entrar em recuperação judicial. A situação é de pré-falência. 

Não se deixem enganar: a crise política está aí instalada por ser consequência da crise econômica. Porque se o mar da economia e seus indicadores fossem azuis,  a base parlamentar do governo estará mais unida do que nunca. As resistências atuais ocorrem porque muitos já se perceberam a insatisfação da população, e esta rejeição se dá em razão do desemprego, da inflação, dos juros, dos serviços, enfim, da falta de perspectivas para economia brasileira tomar jeito. Há aqueles que preferem tomar o efeito pelo causa. Preferem enterrar a cabeça na areia para não admitirem a verdade. São os que pretendem não reconhecer a mediocridade da presidente que desgoverna o país. 

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