quarta-feira, dezembro 02, 2015

Registrados 1.248 casos suspeitos de microcefalia em 13 estados

André De Souza
O Globo

Ministério confirmou a relação entre o vírus Zika e a epidemia da doença


BRASÍLIA - O Brasil já registrou 1.248 casos suspeitos de microcefalia, distribuídos por 311 cidades de 13 estados mais o Distrito Federal. Na terça-feira da semana passada, quando foi divulgado o último boletim do Ministério da Saúde, havia 739 casos suspeitos em nove estados. No sábado, o ministério confirmou a relação entre o vírus Zika e a epidemia de microcefalia.

A microcefalia é uma malformação em que os bebês nascem com a cabeça menor que o normal e que, em 90% dos casos, leva ao retardo mental. Em 2014, foram 147 em todo o país. Já o zika vírus causa uma doença com sintomas parecidos com a dengue. Antes da epidemia de microcefalia, a febre zika era considerada de menor gravidade. As duas doenças, mais a febre chikungunya, são transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti.

Segundo o Ministério, também foi confirmado que um recém-nascido com microcefalia morto no Ceará teve resultado positivo para zika vírus. Outras cinco mortes no Rio Grande do Norte e uma no Piauí estão sendo investigadas.

O estado com maior número de casos continua sendo Pernambuco: 646, ante 487 na semana passada. Em seguida aparecem Paraíba (248), Rio Grande do Norte (79), Sergipe (77), Alagoas (59), Bahia (37), Piauí (36), Ceará (25), Rio de Janeiro (13), Maranhão (12), Tocantins (12), Goiás (2), Distrito Federal (1) e Mato Grosso do Sul (1). Os dados foram coletados até o último sábado.

— Vivermos com esse problema por algum tempo. Não há medida que permita interromper abruptamente a presença do Aedes aegypti — disse diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch.

— O único meio eficaz de controlar a dengue, de combater o mosquito é não deixá-lo nascer — afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Antônio Nardi.

Na última terça, ainda não havia casos suspeitos no Maranhão, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

Maierovitch disse que não faltarão recursos para combater a doença. Já há técnicos da pasta em Pernambuco e Rio Grande do Norte. Outros chegarão a Sergipe e Paraíba ainda nesta segunda-feira. Maierovitch também afirmou que é seguro para as grávidas usar os repelentes disponíveis no mercado brasileiro.

— Recebemos informações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) confirmando que os repelentes no mercado brasileiro podem ser usados pelas gestantes — afirmou Maierovitch.

A confirmação da relação entre zika vírus e microcefalia não interrompe as pesquisas sobre o tema. Segundo o Ministério da Saúde, é preciso ainda esclarecer questões como o vírus atua no organismo, como infecta o feto e qual o período de maior vulnerabilidade para a mulher grávida. A pasta crê que isso ocorra nos primeiros três meses de gestação.

Além das mortes de bebês com microcefalia, o Instituto Evandro Chagas, de Belém (PA), confirmou outros dois óbitos: um homem de São Luís, e uma adolescente de 16 anos de Benevides (PA).

Para combater a doença, a presidente Dilma Rousseff convocou o Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional (GEI-ESPII), que tem a participação de 19 órgãos e entidades públicas. O Ministério da Saúde informou também que, a convite do governo federal, representantes de Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC na sigla em inglês) vão ajudar nas análises laboratoriais feitas no Brasil.

Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou o resultado do Levantamento Rápido de Índice Aedes Aegypti (LIRAa), feito em 1.792 cidades. Segundo o LIRAa, 199 municípios brasileiros estão em situação de risco de surto para as três doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, chikungunya e zika. Isso porque mais de 4% das casas visitadas nesses locais continham larvas do mosquito. Outros 665 municípios tiveram entre 1% e 3,9% dos imóveis com focos do Aedes aegypti e, por isso, estão em alerta. As outras 928 cidades estão em situação satisfatória.

O Ministério da Saúde também lançou na semana passada a nova campanha contra a dengue, que alerta: "Se o mosquito da dengue pode matar, ele não pode nascer. Ele agora transmite também chikungunya e zika". Ela será veiculada na televisão, rádios, internet e por meio de painéis eletrônicos.

Nesta segunda, o Ministério da Saúde voltou a orientar as grávidas a fazer o pré-natal e a realizar os exames recomendados pelo médico, além de não consumir bebidas alcoólicas, drogas ou medicamentos sem orientação médica. Recomenda ainda a evitar contato com pessoas com febres ou infecções. Outra orientação é procurar o médico se tiver sintomas como febre, coceira, manchas avermelhadas e dor de cabeça, nas articulações ou atrás dos olhos, uma vez que podem indicar que a pessoa tem uma das três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Há um tipo de microcefalia que não tem causa infecciosa e por isso não está aumentando sua incidência. Ela se chama sinostose craniana e pode ser até mesmo corrigida por cirurgia. Nos casos ligados ao zika vírus, é possível adotar medidas desde os primeiros anos de vida para melhorar o desenvolvimento e a qualidade de vida.

A entrevista coletiva no Ministério da Saúde foi interrompida para que Maierovitch e Nardi não perdessem o voo para o Recife. Os dois, mais o ministro da Saúde, Marcelo Castro, vão a Pernambuco discutir ações para a epidemia de microcefalia e medidas de combate ao Aedes aegypti.

Nenhum comentário: