sexta-feira, junho 19, 2015

Até quando a presidente Dilma vai consentir em ver o Brasil agredido?

Comentando a Notícia

O texto a seguir não merece nenhum reparo. Representa a indignação que qualquer brasileiro, tenha ele a condição social e econômica que tiver ou defenda esta ou aquela ideologia, diante de mais esta grave agressão, injustificada sob qualquer ponto de vista, ao seu país. Vamos ver  até quando a senhora presidente vai permitir ou se manter calada diante deste grave episódio. Ou será que sua omissão já passou para a condição de cumplicidade explícita com ditaduras apenas por serem de “esquerda”? Para quem se disse torturada pela ditadura militar, convenhamos, é intolerável a atitude cúmplice de apoio ao ditador venezuelano!!!

O texto a seguir é do jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog.

*****

Dilma vai esfregar as mãos do governo brasileiro, sujas do sangue venezuelano, na cara do Congresso Nacional?

Por Reinaldo Azevedo

Vejam esta foto. Volto a ela depois.



O que se deu na Venezuela foi muito grave. O ataque promovido por milícias bolivarianas aos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), José Agripino (DEM-RN), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), José Medeiros (PPS-MT) e Sérgio Petecão (PSD-AC) não agride apenas os parlamentares individualmente ou em grupo. Trata-se de uma agressão ao Brasil.

A comissão desembarcou no aeroporto de Caracas de um avião que traz a inscrição “Força Aérea Brasileira”. Mais: o governo venezuelano havia se comprometido com a segurança do grupo. A presidente Dilma Rousseff deveria ter emitido uma nota de repúdio com a chancela da Presidência da República. Em vez disso, veio a público um discreto muxoxo do Itamaraty. Faz sentido.

Na semana passada, na Bélgica, Dilma resolveu apontar o dedo acusador contra os EUA, ainda que o tenha feito de modo oblíquo, ao afirmar que são inadmissíveis quaisquer sanções à Venezuela. Saía, assim, em defesa da ditadura. No dias 8 e 9, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, esteve no Brasil. Como já informei aqui, encontrou-se com Luiz Inácio Apedeuta Silva. Mas não só com ele: também foi recebido em palácio pela… presidente da República. Vejam a foto lá no alto.

Cabello é investigado nos EUA por tráfico de drogas. O chefe de sua segurança pessoal se exilou e o acusa de ser o homem que centraliza o narcotráfico no país. Nada que assuste Lula. Nada que assuste Dilma.

Os senadores já estão de volta no Brasil. Não conseguiram, e o mesmo aconteceu com outras comissões estrangeiras, acesso aos presos. É preciso ver o que pode ser feito no âmbito do Senado. Tanto o tratado do Mercosul como o da Unasul têm as cláusulas democráticas. A Venezuela as desrespeita de maneira firme e determinada. Pior do que o silêncio da presidente Dilma e do PT, são as manifestações claras de apreço por um regime que conduziu a Venezuela ao caos econômico e social.

O governo brasileiro é, em muitos aspectos, mais do que cúmplice da ditadura. Tornou-se um seu propagandista. Quando Dilma se deixa fotografar ao lado de uma personagem facinorosa como Cabello, está fazendo uma escolha. O encontro de ambos nem estava na agenda oficial da presidente.
Há muitos anos aponto o discurso hipócrita de boa parte das esquerdas que ainda ousam falar em democracia, quando o que querem, está demonstrado mais uma vez, é ditadura. Ora, se Dilma Rousseff tivesse tirado uma lição humanista, de valor universal, das agruras pelas quais diz ter passado na cadeia, deveria ter ojeriza do governo Maduro. Aquele regime tortura e mata, a exemplo do que ocorreu no Brasil nos piores tempos da ditadura. Sim, Dilma pertencia a uma organização terrorista. Uma vez rendida pelo Estado, jamais poderiam ter encostado a mão em um fio do seu cabelo. Os presos políticos da Venezuela nem terroristas são.

Qual o quê! Ao emprestar apoio integral e irrestrito ao governo Maduro, Dilma parece dizer que não é contra a tortura — só contra a tortura de pessoas erradas; isto é, as que pertencem à sua grei ideológica. Ao emprestar apoio integral e irrestrito ao governo Maduro, Dilma parece dizer que não é contra o assassinato político — só contra o assassinato das pessoas erradas. Ao emprestar apoio integral e irrestrito ao governo Maduro, Dilma parece dizer que não é contra milícias armadas e esquadrões da morte — só contra milícias armadas e esquadrões da morte que escolham… alvos errados.

Não fosse assim, o governo já teria usado o peso que tem o Brasil na América Latina para cobrar compostura de Maduro. Em vez disso, faz precisamente o contrário: protege um governo criminoso em nome de idiossincrasias ideológicas.

Como reagirá Dilma? O governo venezuelano fez com que senadores da República Federativa do Brasil caíssem numa armadilha. Sitiou-os em meio a automóveis, de sorte que não podiam nem ir nem voltar, e incitou os cachorros loucos.

É uma agressão aos parlamentares, ao Senado e ao Brasil. O apoio a Maduro suja de sangue as mãos do governo brasileiro. Vamos ver se Dilma pretende esfregá-las na cara do Congresso Nacional, em mais uma manifestação de pouco caso com as regras da democracia e da civilidade.