domingo, julho 05, 2015

Mandato de Dilma chega ao ocaso em 6 meses

Josias de Souza

Um presidente da República é um cotidiano de poses. Faz pose da hora em que escova os dentes ao momento em que se enfia sob o cobertor. Ainda que não controle nem os quatro andares do Palácio do Planalto, precisa passar a ideia de que faz e acontece. Mas é indispensável que exista uma noção qualquer de honra e direção por trás das poses. Com a popularidade no volume morto de um dígito e com a base congressual estilhaçada, Dilma Rousseff já não consegue projetar as aparências mínimas do poder.

O segundo mandato de Dilma acaba de fazer aniversário de seis meses. É um bebe disforme e malcheiroso. Tem cara de pão dormido. E cheira a naftalina. A ficha da presidente ainda não lhe caiu. Quem esteve com Dilma nas últimas horas espantou-se com o grau de alheamento da personagem. Mas a realidade acaba se impondo. Dilma logo perceberá que preside um governo em apuros. E talvez constate que terá de se dar por satisfeita se conseguir alcançar dois objetivos: não cair e continuar passando a impressão de que manda.

A margem de manobra de Dilma estreita-se rapidamente. O vice-presidente Michel Temer manteve-se na articulação política por responsabilidade, não por gosto. Tenta retardar a precipitação de um movimento que o governo parece fraco demais para evitar. Setores do PMDB de Temer conversam com a oposição abaixo da linha d’água. Discute-se a hipótese de construir uma saída política para a crise. Sem arranhões institucionais. E sem Dilma.

O PT já não exibe a capacidade de reação que ostentava em 2005, ano em que Roberto Jefferson jogou o mensalão no ventilador. Isolado, o partido arrasta no Congresso a bola de ferro de 13 anos de perversão. Depois de usufruírem de todas as benesses que o poder compartilhado pode oferecer, alguns aliados tramam desembarcar da parceria com o PT em grande estilo, como navios que abandonam os ratos.

Já não há no governo tantos apologistas de Dilma. Quem consegue manter a cabeça no lugar enquanto todos ao redor perdem as suas, provavelmente está mal informado. Movimentos como os que ocorrem em Brasília evoluem no ritmo dos transatlânticos, não na velocidade dos carros de Fórmula 1. Mas os prazos de Dilma encurtam-se à medida que o governo dela vai penetrando o caos.
No momento, conspira contra a celeridade das embrionárias articulações a falta de unidade. Há, por ora, duas fórmulas na praça. Numa Dilma é substituída por Temer. Noutra, Temer vai de roldão e convocam-se novas eleições. Se as articulações chegarem a algum lugar, Dilma vai mais cedo para casa. Se fracassarem, a presidente viverá um ocaso do tamanho dos 1.275 dias que faltam para ela ir embora.

O CERCO SE FECHA: As provas que Ricardo Pessoa entregou à Justiça

Robson Bonin
Revista VEJA

VEJA desta semana apresenta os documentos e planilhas em que o empreiteiro Ricardo Pessoa registrava as transações do petrolão – entre elas o dinheiro entregue à campanha de Dilma

(Ueslei Marcelino/Reuters)
 O petista Edinho Silva:
 achaque muito educado, segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa

O engenheiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, é famoso por sua grande capacidade de organização - característica imprescindível para alguém que exercia uma função vital no chamado "clube do bilhão". Ele foi apontado pelos investigadores como o chefe do grupo que durante a última década operou o maior esquema de desvio de dinheiro público da história do país. O empreiteiro entregou à Justiça dezenas de planilhas com movimentações financeiras, manuscritos de reuniões e agendas que fazem do seu acordo de delação um dos mais contundentes e importantes da Operação Lava-Jato. O material constitui um verdadeiro inventário da corrupção. Em uma série de depoimentos aos investigadores do Ministério Público, Pessoa detalhou o que fez, viu e ouviu como personagem central do escândalo da Petrobras. Na sequência, apresentou os documentos que, segundo ele, provam tudo o que disse.


(VEJA/VEJA)
 Manoel de Araújo: 
um “funcionário da Presidência” em busca de “doações”

VEJA teve acesso ao arquivo do empreiteiro. Um dos alvos é a campanha de Dilma de 2014 e seu tesoureiro, Edinho Silva, o atual ministro da Comunicação Social. Segundo o delator, ele doou 7,5 milhões de reais à campanha depois de ser convencido por Edinho Silva. "O senhor tem obras no governo e na Petrobras, então o senhor tem que contribuir. O senhor quer continuar tendo?", disse o tesoureiro em uma reunião. O empreiteiro contou que não interpretou como ameaça, mas como uma "persuasão bastante elegante". Na dúvida, "para evitar entraves" nos seus negócios com a Petrobras, decidiu colaborar para que o "sistema vigente" continuasse funcionando - um achaque educado. Mas há outro complicador para Edinho: quem apareceu em nome dele para fechar os detalhes da "doação", segundo Pessoa, foi Manoel de Araujo Sobrinho, o atual chefe de gabinete do ministro. Em plena atividade eleitoral, Manoel se apresentava aos empresários como funcionário da Presidência da República. Era outro recado elegante para que o alvo da "persuasão" soubesse com quem realmente estava falando.

(VEJA.com/VEJA)

 O documento em que Ricardo Pessoa registrou a 'doação legal' à campanha
de Dilma e os nomes do tesoureiro Edinho Silva e seu braço-direito Manoel de Araujo

João Vaccari e a ‘conta corrente’ do pixuleco

Robson Bonin
Revista VEJA

(VEJA.com/VEJA)
 Na República do Pixuleco, o tesoureiro do PT, João Vaccari, 
tinha uma conta administrada pela empreiteira UTC

O dono da UTC entregou muito dinheiro em espécie nas mãos de João Vaccari Neto. Precisamente 3,9 milhões de "pixulecos" - como o ex-tesoureiro do PT chamava as propinas que recebia. Os detalhes estão na planilha identificada como "JVN-PT", na qual o empreiteiro registrou as datas e os valores de onze repasses feitos ao tesoureiro entre 2008 e 2013. Ricardo Pessoa contou aos investigadores que começou a pagar propina a Vaccari depois que a Petrobras iniciou uma série de grandes investimentos no setor de óleo e gás. 

"A partir daí (2007), todas as obras licitadas na Petrobras passaram a representar 'motivo' para novas e grandes contribuições políticas ao PT e ao PP, partidos diretamente ligados às nomeações das diretorias", informou Pessoa. O delator fez ainda uma anotação de próprio punho que não deixa dúvida sobre a natureza do documento: "caixa 2". Ou seja, Vaccari mantinha um caixa dois dentro do caixa dois do PT.

A JVN-PT era a conta que o tesoureiro tinha na UTC para bancar suas despesas de varejo. Preso há quase três meses em Curitiba, João Vaccari, o Moch, referência à sua inseparável mochila preta, mantinha negócios escusos com vários empresários, mas com Ricardo Pessoa as relações beiravam a camaradagem. O empreiteiro contou que repassou 15 milhões de reais ao tesoureiro. 

O pagamento foi condição para que a UTC ingressasse no consórcio escolhido pela Petrobras para construir o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Pessoa narrou aos investigadores que pagava propina ao PT "de modo contínuo", por meio de doações oficiais e também de repasses clandestinos. Era tanto dinheiro que o delator mantinha em seu computador uma planilha exclusiva para registrar o fluxo dos recursos. Dessa conta-propina também saíam os "pixulecos" para manter o luxo de alguns dirigentes do partido, como se verá a seguir.

(VEJA.com/VEJA)


 As planilhas apresentadas à Justiça pelo empresário Ricardo Pessoa mostram transferências no valor de 3,9 milhões de reais a João Vaccari. Mas havia mais...

À Justiça Eleitoral, Youssef lança suspeita sobre campanha de Dilma

Veja online

Delator do petrolão afirmou que foi procurado por emissário que lhe pediu que repatriasse 20 milhões de reais no pleito do ano passado, segundo jornal

(Rodolfo Buhrer/Reuters) 
O doleiro Alberto Youssef: procurado por emissário do PT

O doleiro Alberto Youssef voltou a lançar suspeitas sobre o dinheiro que abasteceu a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição no ano passado. Em depoimento prestado à Justiça Eleitoral, um dos principais delatores do esquema do petrolão afirmou que foi procurado por um homem, identificado por ele apenas como "Felipe", integrante da cúpula de campanha do PT. Como revelou VEJA em outubro do ano passado, o emissário queria os serviços de Youssef para repatriar 20 milhões de reais que seriam usados no caixa eleitoral. O depoimento do doleiro à Justiça Eleitoral foi prestado em 9 de junho e tornado público em reportagem desta sexta-feira do jornal Folha de S. Paulo.

A ação de investigação eleitoral foi proposta pela coligação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas eleições presidenciais, e pelo diretório do PSDB no final do ano passado, antes da diplomação da presidente. Os tucanos cobram a investigação do que consideram abuso de poder econômico e político por parte da presidente Dilma e do vice-presidente Michel Temer na campanha do ano passado, com cassação do registro dos candidatos.

O PSDB alega que o TSE deve examinar a possível captação de recursos de forma ilícita de empresas com contratos firmados com a Petrobras, repassados posteriormente aos partidos que formaram a coligação de Dilma Rousseff, a Com a Força do Povo, formada por PT, PMDB, PDT, PCdoB, PSD, PP, PR, PROS e PRB.

À Justiça Eleitoral, Youssef não identificou com precisão quem seria o emissário que o procurou. "Uma pessoa de nome Felipe me procurou para trazer um dinheiro de fora e depois não me procurou mais. Aí aconteceu a questão da prisão, e eu nunca mais o vi'', afirmou o doleiro, segundo o jornal. Ainda de acordo com a reportagem, Youssef disse que conheceu Felipe por intermédio de um amigo chamado Charles, dono de uma rede de restaurantes em São Paulo. E afirmou que não se lembrava do sobrenome do emissário. "Se não me engano, o pai dele tinha uma empreiteira", disse.

O doleiro teria dito a Felipe que poderia realizar a operação sem problemas. Mas não o fez porque se tornou hóspede da carceragem da PF em Curitiba dois meses depois. Questionado se o dinheiro era para a campanha de Dilma, o delator respondeu: "Sim, mas não aconteceu".

Procurado pelo jornal, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva, afirmou que desconhece os fatos mencionados. "A campanha arrecadou recursos apenas dentro da legalidade e, portanto, no país". Edinho foi tesoureiro da campanha de Dilma e é um dos citados por outro delator do escândalo, o empreiteiro Ricardo Pessoa, conforme revelou VEJA. Segundo Pessoa, Edinho o pressionou a fazer doações à campanha da petista.

(Da redação)

Conta secreta na Suíça abasteceu campanha de Lula em 2006

Robson Bonin
Veja online


(Cristiano Mariz/VEJA) 
DINHEIRO SUJO - 
O empreiteiro apresentou extratos de movimentação de uma conta
 criada na Suíça para pagar propina. De lá, segundo ele, 
saíram 2,4 milhões de reais para a campanha de Lula

O documento abaixo reproduz a movimentação de uma conta secreta na Suíça aberta pelos empreiteiros para pagar propina. Segundo Ricardo Pessoa, foi dela que saíram 2,4 milhões de reais que reforçaram o caixa da campanha do ex-presidente Lula em 2006 - dinheiro desviado dos cofres da Petrobras que chegou ao Brasil em uma operação financeira totalmente clandestina e ilegal. 

O delator contou que a UTC, a Iesa, a Queiroz Galvão e a Camargo Corrêa formavam o consórcio que venceu a licitação para construir três plataformas de petróleo. Como era regra na estatal, um porcentual do contrato era obrigatoriamente reservado para subornos. A conta foi criada para o "pagamento de comissionamentos devidos a agentes públicos em razão das obras da Petrobras, ou seja, o pagamento de propinas", disse Pessoa. Ela também ajuda a dificultar o rastreamento de corruptos e corruptores. Foi dessa fonte clandestina que saiu o dinheiro que ajudou Lula a se reeleger.

 (VEJA.com/VEJA)



Para comprovar a existência da conta secreta, o empreiteiro apresentou ao Ministério Público extratos com as movimentações. Batizada de "Controle RJ 53 - US$", a planilha registra operações envolvendo 5 milhões de dólares em pagamentos de propina. Além de financiar o caixa dois de Lula, a conta suíça foi utilizada para pagar os operadores do PT na Petrobras. Entre as movimentações listadas pelo empreiteiro estão pagamentos ao ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, um dos responsáveis pela coleta das propinas destinadas ao PT. 

Os repasses à campanha de Lula foram acertados entre Ricardo Pessoa e o então tesoureiro petista, José de Filippi. Era o próprio empreiteiro que levava os pacotes de dinheiro ao comitê da campanha em São Paulo. A entrega, como VEJA revelou em sua edição passada, era cercada de medidas de segurança típicas de organizações criminosas. Ao chegar à porta do comitê, o empreiteiro dizia a senha "tulipa". Se ele ouvia como resposta a palavra "caneco", seguia direto para a tesouraria. Se confirmados pela Justiça, os pagamentos via caixa dois são a primeira prova de que o ex-presi¬dente Lula também foi beneficiado diretamente pelo petrolão.

Dinheiro para pagar Dirceu saiu de ‘conta-propina’ do PT

Robson Bonin
Veja online

Documentos apresentados à Justiça por Ricardo Pessoa em sua delação premiada trazem indícios de que as consultorias de José Dirceu eram fachada para o dinheiro desviado da Petrobras

(Dida Sampaio/Estadão Conteúdo) 
DISFARCE – José Dirceu faturou 39 milhões de reais supostamente 
prestando serviços de consultoria. Os documentos de Pessoa mostram 
que o dinheiro usado para pagar o ex-ministro saiu da conta-propina 
do PT, abastecida com dinheiro desviado da Petrobras

O petista José Dirceu ganhou muito dinheiro. Desde que deixou a Casa Civil abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, o ex-ministro recebeu cerca de 39 milhões de reais oficialmente fazendo consultorias para o setor privado. As investigações da Operação Lava-Jato, no entanto, desvendaram a verdadeira natureza dos serviços do mensaleiro. Em sua delação premiada, o empreiteiro Ricardo Pessoa apresenta documentos que mostram que as consultorias nada mais eram do que fachada para o recebimento de dinheiro desviado da Petrobras. O dono da UTC contou aos investigadores que foi procurado pelo ex-ministro em meados de 2012. 

Dirceu, que exercia forte influência sobre os diretores da Petrobras, ofereceu ao empreiteiro os seus serviços de consultor. Assim como no caso do pedido de Edinho Silva, negar dinheiro a Dirceu poderia ser sinônimo de problemas. Melhor não arriscar. Afinal de contas, os negócios iam muito bem. O empreiteiro fechou um acordo para pagar 1,4 milhão de reais ao mensaleiro. O objeto do contrato: prospectar negócios no exterior.

A única coisa que José Dirceu prospectou foram aditivos ao contrato. Sem nenhum tipo de serviço prestado, o consultor conseguiu mais 906 000 reais da UTC no ano seguinte. Quando a última parcela desse segundo contrato venceu, Dirceu já fazia parte da população carcerária do presídio da Papuda, em Brasília. Mas nem a prisão foi capaz de atrapalhar os negócios do ex-ministro. Ricardo Pessoa contou aos investigadores que, a pedido do próprio Dirceu, assinou um segundo aditivo, de 840 000 reais. 

O contrato foi firmado quando o mensaleiro já estava no terceiro mês de prisão. "Apenas e tão somente em razão de se tratar de José Dirceu e da sua grande influência no PT é que, mesmo sabendo da impossibilidade de ele trabalhar no contrato firmado, porque estava preso, o aditamento foi feito e as parcelas continuaram a ser pagas", disse o dono da UTC aos procuradores. O mais impressionante: como a tabela acima comprova, metade do dinheiro pago pela UTC a Dirceu foi debitada com autorização de Vaccari da conta-corrente que a empreiteira administrava para o PT. Ou seja, o ex-ministro foi pago com propina da Petrobras.



 (VEJA.com/VEJA)

Já existem condições para o impeachment

Sérgio Pardellas, Claudio Dantas Sequeira e Josie Jeronimo
Revista ISTOÉ

A luz vermelha de alerta foi acesa no Planalto. Pela primeira vez, desde o início da crise política, o governo admite que a situação da presidente Dilma Rousseff beira o insustentável. Ninguém mais esconde a gravidade do momento. Isolada, registrando o pior índice de popularidade da redemocratização – míseros 9% -, com sua base política e social em frangalhos, e sob o risco de ser abandonada pelo próprio vice-presidente e por ministros estratégicos do governo, Dilma se depara com o caos à sua volta. Percebe-se fragilizada em quase todas as frentes políticas. Nunca, como agora, as condições para um possível impeachment da presidente da República estiveram tão nitidamente postas.

No TCU, encerra-se na próxima semana o prazo para a presidente se explicar no episódio conhecido como pedaladas fiscais, artifício usado pelo governo para maquiar as contas públicas e simular um resultado fiscal diferente da realidade. O entendimento no tribunal é que dificilmente as contas de 2014 de Dilma serão aprovadas dado o grau de devastação da contabilidade do governo. Fatalmente, a presidente será responsabilizada num processo que pode, se avalizado pelo Congresso, culminar com o seu afastamento por 180 dias para responder por crime de responsabilidade.

CRIME ELEITORAL
No TSE, o cenário é ainda mais sombrio para Dilma, o PT e o Planalto. O tribunal investiga a existência de irregularidades na campanha cujo desfecho pode ser a cassação do diploma de Dilma por abuso de poder político e econômico. Na última semana, os ministros do TSE impuseram uma derrota ao governo por unanimidade numa ação em que o PT tentava barrar a convocação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, pedida pelo PSDB. Graças a esse infortúnio, que expõe a fraqueza do governo num foro decisivo para o destino da presidente da República, no dia 14 de julho, Pessoa irá repetir no TSE o explosivo depoimento dado à Justiça em regime de delação premiada.

Aos procuradores da Lava Jato, Pessoa revelou ter doado à campanha de Dilma à reeleição R$ 7,5 milhões em dinheiro desviado de contratos da Petrobras, depois de pressionado pelo então tesoureiro Edinho Silva, hoje ministro da Comunicação Social. O empreiteiro ainda entregou aos procuradores uma planilha com título autoexplicativo: “Pagamentos ao PT por caixa dois”, numa referência ao repasse ilegal de R$ 15 milhões ao então tesoureiro petista, João Vaccari Neto, e de R$ 750 mil a José Filippi, responsável pelas contas de campanha da presidente em 2010.

SARNEY ACHA QUE DILMA CAI
Em reuniões internas do PMDB, José Sarney, experiente cacique político e interlocutor de Lula durante seus dois mandatos, avaliou, sem meias palavras: “A possibilidade da queda de Dilma é cada vez mais real”. Para Sarney, a escalada de más notícias para o governo não cessa e o cerco se fecha no momento em que a base de sustentação de Dilma no Congresso desaba como um castelo de cartas.
O temor no Planalto é reforçado pelo fato de o doleiro Alberto Yousseff ter feito uma revelação tão grave quanto a de Ricardo Pessoa no mesmo processo no TSE, onde o governo demonstra não dispor de apoios sólidos. Yousseff disse ter sido procurado por um emissário da campanha da presidente Dilma no ano passado para repatriar cerca de R$ 20 milhões depositados no exterior. Ele só não executou a operação porque foi preso em março com a eclosão da Operação Lava Jato.

“Uma pessoa de nome Felipe me procurou para trazer um dinheiro de fora e depois não me procurou mais. Aí aconteceu a questão de prisão e eu nunca mais o vi. Se não me engano, o pai dele tinha uma empreiteira”, disse o doleiro. Questionado se o dinheiro teria como destino a campanha de Dilma, Yousseff foi taxativo: “Sim, mas não aconteceu”. A conversa teria ocorrido 60 dias antes de sua prisão.

OCULTANDO DADOS…
Além de Yousseff, foi ouvido pelo ministro-relator João Otávio Noronha do TSE o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e um personagem pouco conhecido do grande público, mas com potencial para levar ainda mais complicações a presidente. Segundo apurou ISTOÉ, em depoimento sigiloso à Justiça Eleitoral, o ex-diretor de estudos e políticas sociais do IPEA Herton Ellery Araújo contou que foi pressionado pelo governo para não divulgar, durante a campanha, dados que pudessem prejudicar a reeleição da petista. Um desses dados dizia que o número de miseráveis no Brasil havia aumentado entre 2012 e 2013, contrastando com o discurso entoado por Dilma em peças publicitárias na TV e no rádio, e em comícios País afora. Araújo não suportou a interferência e pediu exoneração do cargo.

“Nós não pudemos divulgar os dados da extrema pobreza da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios”, confirmou o ex-diretor em entrevista à ISTOÉ. Para ele, o “governo errou a mão, fez besteira”. “A pessoa não pode fazer o que quer para ganhar eleição”, disse. Além de abuso de poder político, ao impedir a divulgação de dados oficiais negativos, Dilma pode responder por falsidade ideológica. O depoimento de Araújo levou o TSE a convocar Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, a prestar esclarecimentos. O ex-ministro terá de dizer de quem partiu a ordem no Palácio do Planalto para impedir a divulgação da pesquisa.

O turbante e o camisolão

Sebastião Nery
Tribuna da Internet


Na frente, um árabe com seu turbante. Atrás, um africano com seu camisolão. No meio, eu e a namorada com nosso medo. Impossível não ter medo aéreo naquele final da década de 1980. Os aeroportos da Europa tinham virado campos humanos minados.Todos desconfiando de todos.Cada um imaginando onde o outro estava escondendo a bomba, a granada, que daí a pouco poderia explodir, lá no céu, o avião e todos.

Nós na fila do voo da Alitália para Atenas e, ao lado, a fila para a Tunísia, homens com turbantes, barbas cerradas e caras fechadas e mulheres de longos vestidos negros e negros véus na cabeça. A fila deles começou a andar, ficamos olhando, calados. O pensamento coletivo boiava indisfarçado no ar. Quantos iranianos haveria ali? E se um fosse terrorista? A centopeia do medo foi andando devagar, desapareceu.

Era nossa vez. O policial do controle pega o passaporte do árabe do turbante que está à nossa frente, olha, esmiúça, confere, desconfiado. Vai ao computador, dedilha, espera, nada consta, deixa passar. Os nossos passaportes ele mal olhou. Só perguntou: – Brasile? Carimbou e passamos.

O africano do camisolão, atrás de nós, empacou. O mesmo rito da desconfiança. Conferem tudo, digitam o computador, nada consta. Olham agressivamente para o rosto negro, árido, escalavrado, do africano tenso, mandam sair da fila, chamam um chefe, saiu com ele. E a fila medrosa.

Depois do passaporte, outro obstáculo: o controle de bagagens, bolsas, objetos pessoais, o corpo. Vem o detector de metais, que apita quando flagra. O árabe do turbante passa tranquilo. Não tinha um ninho de metralhadora ali dentro. O africano do camisolão ficara lá com o chefe.

E vem um apito fino, estirado, “piiiii”! Todo mundo olha. É ela, a terrorista. E bem disfarçada. Alta, elegante, cara de italiana, chapéu italiano, óculos italianos, botas italianas. Aparecem três policiais femininas, olhos aflitos, levam-na ao lado como se já estivessem acusando: – “Abra o jogo e a arma!” Não era. Apenas o isqueiro. Entregou, passou. Sem apito.

O medo do terrorismo tinha virado racismo e paranoia.

A BOMBA
Afinal, estávamos na sala de embarque. Chamam. Vamos de ônibus para o avião, um “Airbus” da Alitalia, lá longe no campo úmido, na manhã de 10 graus. O ônibus pára, mas ninguém salta, ninguém entra. Vamos esperar. “Houve um pequeno problema”, explicam os funcionários. Era ela. Só podia ser ela. A bomba. Estariam tentando desativar?

Embarcamos. Um leve, lindo, macio voo sobre o azulado Adriático. A aeromoça, com enormes óculos redondos, servia vinho para o almoço, quando o comandante pede atenção:

– “A partir deste instante é proibido fumar. Apaguem seus cigarros, até que o sinal de proibição também se apague. É uma pequena emergência. Espero que dentro de quinze minutos já voltemos à normalidade”.

Só podia ser ela, a bomba terrorista, afinal flagrada e acuada pelos comissários, como uma onça enlouquecida. Acender cigarro era acender a bomba e voar tudo pelos ares. Iam desativar. O murmúrio foi crescendo e absolutamente nada aconteceu. Não havia bomba nenhuma.

A aeromoça de óculos redondos deixou comigo uma oportuna garrafinha de vinho e logo comecei a ver, lá embaixo, as escarpadas colinas da Grécia, como o chão crespo do céu.

MARQUETEIROS
O advogado Airton Soares foi um grande deputado. Dias atrás, no jornal da TV-Cultura, de São Paulo, onde debate assuntos nacionais com o também brilhante historiador Marco Antonio Villa, mostrava que o “marketing político” transformou as eleições em autentica farsa. O debate público foi substituído pelos textos escritos pelos marqueteiros, com os candidatos lendo nos “teleprompter”, como “bonecos falantes”,

É preciso restaurar o sentido verdadeiro do horário político, eliminando a maquiagem eletrônica que consagra a mentira e o despreparo. O “marketing político” só pensa em enganar o eleitor.O “marketing público” pensa no cidadão e debate as políticas públicas, começando por enquadrar o “marketing político” no Código de Defesa do Consumidor, que no artigo 37 diz que “é proibida toda publicidade enganosa ou abusiva”.O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária define:
– “Todo anuncio deve ser honesto e verdadeiro e respeitar as leis”.

Os marqueteiros políticos atropelam a Lei, com a conivência do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais. Continuam iludindo multidões, como fizeram nas últimas eleições presidenciais , com os truques do marqueteiro João Santana.

Na Velha Grécia, Sócrates já alertava com ironia:

– Para construir uma casa ou um navio as pessoas escolhem gente competente, já o Estado, pode ser entregue a qualquer um?

O PT e suas falácias

O Estado de S. Paulo 
Editorial 

Após a homologação pelo STF da delação premiada de Ricardo Pessoa, dono das construtoras UTC e Constran e apontado como articulador do cartel de empreiteiras acusado de atuar no escândalo da Petrobrás, o PT tenta se defender com todos os recursos disponíveis das suspeitas que recaem mais pesadamente do que nunca sobre a rapaziada. Mobiliza uma ampla rede de militantes na internet, desmente tudo com hipócrita indignação e, no último fim de semana, escalou para falar ministros acusados de se beneficiarem da roubalheira. O repertório petista, quase sempre baseado no princípio de que a melhor defesa é o ataque, torna-se mais falacioso à medida que a pressão sobre o partido aumenta.

Um recurso recorrente da contraofensiva petista é a tentativa de desqualificar o instituto da delação premiada, colocando os denunciados na posição de vítimas de malvados fora da lei que pretendem apenas aliviar a própria culpa. Quem concorda em fazer um acordo de delação tem a intenção de, em troca, ver reduzida a pena a que vier a ser condenado. É o caso do próprio Ricardo Pessoa, que já se beneficia da prisão preventiva domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica. O que os petistas não contam é que uma delação premiada só é homologada pela Justiça – como o fez o ministro Teori Zavascki com o depoimento de Pessoa – após a comprovação de uma base factual que dê credibilidade às denúncias. Se o juiz entender que as denúncias são improcedentes, o acordo é anulado. Quer dizer: delator mentiroso não ganha nada com isso.

Outra esperteza petista, incorporada a seu discurso desde que o PT chegou ao poder e passou de estilingue a vidraça, é tentar se eximir de culpas com o argumento descarado de que seus adversários cometem exatamente os mesmos malfeitos que lhe estão sendo atribuídos. É a isonomia às avessas, segundo a qual todos são iguais não perante a lei, mas perante o crime: se meu adversário pode roubar, eu também posso.

Foi partindo exatamente desse raciocínio – de que roubar não faz mal porque todo mundo rouba – que o presidente Lula impôs, em nome da governabilidade, o peculiar “presidencialismo de coalização”, que justificou o PT ter renegado toda sua pregação histórica pela probidade na vida pública para se aliar aos mais notórios corruptos da política brasileira. De outra maneira, argumentam até os petistas bem-intencionados, “é impossível governar”. Deu no que está aí.

Outro truque a que os petistas – como, de resto, os políticos em geral – recorrem na maior caradura é garantir, invariavelmente, que todo o dinheiro recebido de empresas privadas constitui “doação legal” e “devidamente registrada” na Justiça eleitoral. Ora, o fato de uma doação estar registrada na contabilidade oficial do partido nada prova em relação a sua origem. É sabido, por óbvio, que nas relações com o poder público os empresários não fazem doação, mas um investimento que esperam recuperar com boa margem de lucro. E esse investimento pode ser o produto de chantagem ou das “regras do jogo”, como alegam os cínicos. Investigações como as que estão sendo realizadas com rigor e empenho pela Operação Lava Jato estão servindo para esclarecer de onde vieram as “doações legais” que alimentam os cofres partidários.

É óbvio também, quando se trata de receber “doações”, que quem está no governo leva enorme vantagem sobre quem não está e, portanto, pouco ou nada tem a oferecer em troca. Não é por outra razão que, na mamata da Petrobrás, o propinoduto estava montado para jorrar “doações” e “recursos não contabilizados” – para usar a expressão consagrada pelo primeiro tesoureiro petista a ir para a cadeia – nos cofres do PT e de seus dois principais aliados no governo, o PMDB e o PP.

Acusado por Ricardo Pessoa, o ministro Edinho Silva, chefe da Comunicação Social da Presidência, fez um bom resumo de todos os argumentos falaciosos do PT, ao protestar contra as “mentiras divulgadas pela imprensa”: “Causa-me indignação a tese de criminalização seletiva das doações da nossa campanha (de Dilma, em 2014). E acho estranho suspeitas colocadas apenas sobre as doações legais da campanha da presidente Dilma, enquanto outros partidos também receberam”. Se a defesa da elite do PT ficar nisso, as cadeias vão lotar.

A extinção da mulher sapiens

Guilherme Fiuza 
O Globo

Pela teoria de domínio do fato, Lula e Dilma estariam sendo investigados. Procura-se um homo sapiens capaz de fazer isso acontecer

Dilma chegou lá. Conseguiu enfim bater a popularidade de Collor na época do impeachment. Alcançou um dígito de aprovação (9%), segundo o Ibope, e 68% de rejeição. A façanha se deu logo após a confissão de Ricardo Pessoa, o homem-bomba das empreiteiras. Ele confirmou que financiou a campanha de Dilma em 2014 com dinheiro roubado da Petrobras. É o flagrante definitivo do nacionalismo companheiro. O que faz uma mulher sapiens diante de tal obscenidade?

Faz o de sempre: joga areia nos olhos da plateia, como diagnosticou Fernando Gabeira. Mas a tática de embaralhar e confundir, quando utilizada por uma pessoa embaralhada e confusa, produz um resultado esquisito. “Não confio em delator”, rebateu Dilma, atirando no mensageiro. A presidente explicou que a ditadura tentou fazê-la delatar seus companheiros, e ela não aceitou. Até Joaquim Barbosa surgiu de seu exílio para dizer que Dilma feriu o instituto da delação premiada com esse paralelo estapafúrdio. Mas Joaquim não entende nada da lógica companheira.

Lula da Silva já justificou massacres impostos pelo seu amigo ditador do Irã como “briga normal entre flamenguistas e vascaínos”. Agora ele admitiu que Dilma mentiu na eleição, conforme revelou o GLOBO, ao dizer que ajuste fiscal era coisa do seu adversário. Mas durante a campanha, quando o adversário denunciava as mentiras de Dilma — o ajuste de Armínio Fraga ia esvaziar o prato do povo —, a infantaria petista gritava que era agressão contra a mulher. Mulher sapiens, vítima da ditadura, coitada profissional. Haja areia.

A Operação Lava-Jato, que não deixa em paz esse governo sofrido e discriminado, prendeu donos de empreiteiras. Entre eles o presidente da Odebrecht, cujo lobista levou Lula para passear pelo mundo. As prisões foram feitas sob a teoria de domínio do fato, isto é, autoria indireta dos crimes. Ricardo Pessoa, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef já inundaram o processo do petrolão com evidências de que o esquema prosperou à sombra do Palácio do Planalto. Pela teoria de domínio do fato, Lula e Dilma estariam no centro das investigações. Procura-se um homo sapiens capaz de fazer isso acontecer.

Aí vem o Tribunal de Contas da União mandar a presidente justificar as pedaladas fiscais. Só pode ser uma conspiração da direita. Como a orgia nas contas públicas não é justificável, a plateia aguarda com a respiração presa o próximo truque para livrar Dilma do crime de responsabilidade. Cuidado com os olhos, porque lá vem areia. Já mandaram o ex-secretário do Tesouro dizer que a culpa foi dele — mais um aloprado desses que fazem o diabo por conta própria e não obedecem a ninguém. Como não há estoque de álibis que chegue para tanta fraude, o governo do PT está por um fio.

E quem segura esse fio é um elenco admirável. Há jornalistas importantes (com e sem mesada), intelectuais respeitáveis, expoentes da cultura. Eles formam a tropa de choque da Dilma — mais ou menos como aquela liderada por Roberto Jefferson na via crúcis de Collor. Esses bem-pensantes não se importam com o estelionato petista, que em nome da justiça social depenou o país, porque estão com os olhos enfiados na Bíblia. Luiz Inácio é seu pastor e nada lhe faltará (se cortejares o partido certo). Se vires milhões nas ruas contra a impostura do PT, enxergarás apenas a faixa pedindo intervenção militar — e gritarás contra a “onda conservadora”. Caminhando e cantando e seguindo o cifrão.

Evidentemente chegará o dia em que esses dogmas de 1,99 vão se esfarelar, e a mulher sapiens irá para o museu de história natural. Nesse dia, os gladiadores progressistas da Dilma dormirão como heróis dos oprimidos raciais, sociais e sexuais, e acordarão como avalistas da maior picaretagem do Brasil contemporâneo. Gente, é sério: isso vai dar uma ressaca danada.

Lula foi fazer comício para os petroleiros e gritou (quanto menos ouvem, mais ele grita) contra a perseguição “das esquerdas”. Ele está falando com vocês, seguidores do livro sagrado dos maniqueísmos. O povo não está nem aí para esse papo de esquerda. O que o povo sabe é que o emprego está indo embora e a inflação está voltando, por obra de um governo que destruiu as finanças públicas com sua gana parasitária. Isso é ser de esquerda? Resolvam aí entre vocês, antes que seja tarde.

A explicação do governo bonzinho para as doações confessadas pelos presos da Lava-Jato é que tudo foi recebido de maneira absolutamente legal. Ou seja: o dinheiro era sujo enquanto era propina, mas ao entrar legalmente no caixa do PT ficou limpinho. Como resumiu Renata Lo Prete: no mensalão, a estratégia petista era alegar caixa dois; no petrolão, a estratégia é alegar caixa um.

Quem pode acreditar que essa má fé compulsiva provém de um projeto humanitário de poder? Atualizem logo o seu selo de bondade, prezados cidadãos conscientes. Largar a mão da mulher sapiens quando ela estiver sendo varrida pelo dilúvio não vai pegar bem.

Cardozo não tem mais condições de continuar ministro

Jorge Béja
Tribuna da Internet


José Eduardo Cardozo tem obrigação de se demitir

A notícia que o Dr. José Carlos Werneck nos traz é grave: o ministro da Justiça, autoridade máxima da Polícia Federal, pretendia deixar a pasta em razão da pressão do PT e dos empreiteiros envolvidos na Operação Lava Jato para interferir nas investigações da Polícia Federal. Pretendia, não pretende mais e vai continuar ministro.

Isso é bastante grave, Dr. José Carlos Werneck. O ministro revela que sofre pressão do PT e dos empreiteiros para interferir na ação da Polícia Federal que ele próprio comanda. É evidente que não se trata de pressão para agir com isenção e energia, e sim com parcialidade e frouxidão, a fim de beneficiar o PT, os empreiteiros e dificultar o trabalho da Justiça, mais precisamente do Juiz Sérgio Moro. Não há outro significado, outro entendimento, outra tradução. Pela notícia, Cardozo foi até explícito. Nem precisava e nem precisou dizer mais nada. O que disse é suficiente até demais.

PREVARICANDO…
Ainda assim, sem tomar as medidas legais que lhe competiam contra os que tentam corrompê-lo (tráfico de influência, direta ou indireta e assédio para perverter autoridade são crimes ), Cardozo decide continuar ministro!!! Cardozo torna público o crime contra ele tentado, aponta os criminosos (PT e empreiteiros), ameaça deixar o cargo, volta atrás, continua ministro e prevarica por omissão, por não comunicar ao Ministério Público Federal o assédio que diz sofrer por parte do PT e dos empreiteiros.

Constato que Cardozo não tem mais condição de continuar ministro. Essa agora foi longe demais. Tudo isso é muito cínico. Fico a imaginar que reação teria o Juiz Sérgio Moro, se Sua Excelência sofresse a mais leve pressão para afrouxar a condução das ações penais que preside. Ameaçaria deixar a presidência? É claro que não. Continuaria juiz de todos esses feitos e oficiaria à Promotoria Pública Federal para abrir inquérito ou mesmo ações penais contra os que tentaram corrompê-lo? É claro que sim. Estamos falando de um Juiz de verdade, de envergadura, independente, sábio e forte.

Caindo na real

Ruth de Aquino
Revista ÉPOCA

Grande parte da população quer hoje pena de morte, armas, ditadura – e se lixa para os direitos humanos

Chego ao Brasil. Pego táxi de cooperativa no Aeroporto Internacional Tom Jobim, nosso sempre velhusco Galeão, no Rio de Janeiro. Puxo conversa com o taxista. Seu nome não é revelado, por motivos óbvios. Ele não sabe que sou jornalista. O desabafo dura a corrida inteira.

“A economia tá parada, só um ou outro avião vem cheio. Nossa economia vive da corrupção. Sem propina, paralisa. Meu faturamento caiu 40%. Tínhamos na cooperativa um contrato com a Odebrecht. Foi cancelado agora. Tudo aqui neste país você precisa dar 10% a mais. Eu tinha de pagar também para a Odebrecht. Nossas corridas eram todas superfaturadas para o diretor que pegava o táxi levar o dele.”

“E a violência? Tá aqui em cima, olha (indicando o painel do carro, junto à janela), bem à vista, meu celular falso, para eu dar pra vagabundo. Todo dia tem algum arrastão na Linha Vermelha. Na minha casa, no Méier, não posso esperar o portão da garagem abrir para eu entrar. Já tive três carros roubados assim, à mão armada. Três.”

“Recuperei os carros roubados, mas tudo depenado. E não são os bandidos que depenam não. É a polícia. Eles tiram, antes de devolver, o tal kit PM. Rodas, rádio, tudo o que der para tirar. E a gente, para recuperar, precisa pagar à polícia a taxa de resgate. E a mídia não fala nada disso. Só sabe mesmo quem tá na rua, trabalhando.”

“Depois as autoridades vêm me falar das UPPs. Isso aí ninguém quer. Nem os bandidos nem os policiais. Tenho um sobrinho que saiu do Exército e não quer ficar em UPP. O que ele diz é: ‘Tio, nós somos humilhados ali. Jogam água, jogam mijo na gente. Não podemos dar um tiro que a gente vai preso. Ficamos ali só gastando combustível e enxugando gelo’.” 

“Isto aqui, se não ficar igual à China, não vai dar certo. Tem de ter uma ditadura rígida, pena perpétua, morte. Se os caras não ficarem com medo, vão continuar. Tem corrupção em tudo que é lugar. No Detran, nas delegacias, nos batalhões, nos hospitais. E o governo leva também o seu, por trás de toda essa engrenagem. Isso não vai acabar nunca. A não ser que a gente adote a seguinte regra para todo mundo: escreveu, não leu, o pau comeu.”

O taxista está revoltado. Com a Odebrecht, com a PM, com os governos, com os bandidos. É duro ouvir. Nem falo nada. Não adianta.

Lá de fora, acompanhamos a novela atual de maior audiência, o petrolão. Mais ex-diretores da Petrobras no xilindró. Prejuízo da corrupção sobe aos píncaros, R$ 19 bilhões. Surgem golpes simplórios contra quem mais necessita: promessas falsas de emprego, tirando R$ 20 de um, R$ 50 de outro. Os sanguessugas pagam fiança e respondem em liberdade. Assaltos a banco, tiroteios nas favelas, falência de empresas, novos aumentos de combustível e luz.

Lula atordoado, atacando Dilma. Dilma atordoada, atacando delatores. Congresso atordoado, vaivém na redução da maioridade penal. E toma mais provocação do Senado – aprovado o reajuste de 59% a 78% para os servidores do Judiciário, com impacto de R$ 25,7 bilhões nos cofres públicos. Eduardo Cunha e Renan Calheiros, os populistas cavaleiros do apocalipse, se unem por um único credo: hay gobierno, soy contra. Veta, Dilma, veta.

Enquanto isso, a mãe dos pobres resolve economizar R$ 8 bilhões em cima do abono salarial, devido neste semestre a quem ganha até dois salários mínimos. Devo, não nego, pago quando puder. Tudo pelo ajuste, para fechar as contas em 2015. Injusto.

Continua a esquizofrenia do país duplo. De um lado, ferro na iniciativa privada, desestímulo a quem quer abrir um negócio, burocracia enlouquecedora, impostos altíssimos cobrados de quem produz e sem beneficiar o povo. Do outro lado, benesses para servidores públicos, que já dispõem de aposentadoria integral e vitalícia.

O que mais choca, no entanto, é a miséria de nossa Educação. O relatório do Movimento Todos pela Educação é desolador. Mais de 2 milhões de crianças ainda estão fora das escolas. Em regiões carentes, as escolas são precárias, e o ensino de baixa qualidade. Entre 15 e 17 anos, 1,6 milhão abandonam os estudos. Só 9,3% dos que concluem o ensino médio sabem matemática. Só 27,2% dominam o português. Na outra ponta do ensino, a maior universidade federal do país, a UFRJ, com greve e obras paradas por corte de verbas, ameaça fechar em setembro, sem condições de pagar por limpeza, segurança, portaria.

Só confiarei num presidente que mude essa tragédia, de verdade. Uma maciça parcela da população (e não é a elite) quer hoje pena de morte, armas, ditadura e se lixa para direitos humanos. Também é resultado de falta de Educação. Cair na real não precisa ser cair no abismo. Acorda, Brasil. 

Em busca do eixo perdido

Sandro Vaia
Blog do Noblat

O candidato do PT ao governo de São Paulo Eduardo Suplicy desapareceu misteriosamente no meio da campanha eleitoral de 1986 e depois anunciou que tinha se refugiado na serra da Cantareira para reencontrar o “eixo" que tinha perdido.

Não importam aqui os motivos que levaram o candidato a isolar-se em busca do eixo perdido.

O que importa é que, três décadas depois, o partido de Suplicy parece estar sofrendo de uma variante do  mesmo mal -a perda de eixo- e está se comportando como biruta de aeroporto, que se move de acordo com a direção do vento.

Nas campanhas eleitorais e nos discursos replicados pela militância nas redes sociais, o PT esforçou-se para vender a ideia de que nunca antes apareceram na imprensa tantos escândalos de corrupção porque “nunca antes na história este país” a corrupção foi tão investigada. Graças a quem? Graças ao PT, claro.

O fato de que os órgãos que investigam a corrupção-MP, Policia Federal, Justiça Federal - são constitucionalmente independentes nunca foi levado em consideração para os efeitos propagandísticos que o PT pretende auferir da balela de que “nunca se investigou tanto”.

Quanto mais as investigações se aprofundam e quanto mais ficam evidentes as ligações entre o saque aos cofres da Petrobras e o caixa do PT, mais o discurso do “combate rigoroso à corrupção" vai perdendo sentido.

A presidente, que na campanha eleitoral, entre promessas falsas e outros surtos de ficção, teve tempo de se vangloriar de sua intolerância à corrupção, fez um desatinado pronunciamento nos Estados Unidos contra o instituto da delação premiada, misturando alhos com bugalhos, como se houvesse algum tipo de paralelo possível entre a delação de companheiros de clandestinidade numa luta política armada e delação de métodos de assalto aos cofres públicos.

E o que é pior: a presidente se esqueceu de que o instituto de delação premiada foi instituído por uma lei sancionada em seu governo que ela mesmo exaltou durante um debate na TV contra o candidato da oposição: "Quero lembrar que duas leis, aprovadas no meu governo, no ano passado, dão base para esse processo de investigação da Petrobras”, jactou-se Dilma. “A primeira: a lei 12.830, que garante a independência do delegado. […] A outra, que regulamentou justamente a delação premiada, a 12.850.”

Uma declaração própria de quem perdeu o eixo.

O ex-presidente Lula, que uma semana antes havia surpreendido seus próprios seguidores ao afirmar que ele e Dilma estavam num “volume morto”, referindo-se ao atual estágio da popularidade de ambos e de seu partido, aproveitou a ausência da presidente do País para fazer uma incursão por meandros do poder em Brasília.

Lula reuniu-se com parlamentares do PT e lideranças do PMDB para praticar seu esporte preferido no momento: reencontrar o eixo de sua candidatura para 2018 descolando-se o máximo possível do naufrágio da imagem da presidente mas sem dar a impressão de estar abandonando o barco que ele mesmo colocou no mar.

Ser ao mesmo tempo o criador de Dilma e o líder da oposição a ela é uma tarefa árdua demais mesmo para um demiurgo e um ilusionista como ele.

Assim como ser a favor do “combate à corrupção" e ao mesmo tempo criticar o ministro Cardozo por sua “falta de pulso” com a Polícia Federal quando suas investigações se aproximam demais dele.

Por isso Cardozo já confidenciou a amigos que está querendo abandonar o governo, desgastado pela “fadiga de material”; não deve ser fácil prestar-se às sessões de petismo explícito em pronunciamentos ministeriais e ao mesmo tempo ser alvo do fogo amigo de seu partido.

Ao contrário de Suplicy, que preferiu o recolhimento para refletir sobre o eixo perdido, o PT exibe sua crise escandalosamente em público.

O uso de senhas como ‘tulipa’ e ‘caneco’ informa que os devotos do ‘Brahma’ inventaram a cautela de altíssimo risco

Augusto Nunes
Veja online


É sempre assim. Tão logo se descobre que outra reportagem de VEJA vai reiterar que sábado é o mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, recomeça a apresentação da ária mais enfadonha da Ópera dos Malandros. É aquele em que o que há de mais repulsivo no elenco da peça produzida, dirigida e estrelada por Lula volta ao palco para ensinar à plateia que verdade é mentira.

Tem sido assim desde a descoberta do Mensalão em meados de 2005. De lá para cá, os canastrões em cena capricham na pose de vítima e repetem as mesmas falas. Os culpados são inocentes. O xerife é o vilão. É tudo invencionice da imprensa reacionária a serviço da elite golpista. O que parece comissão é uma contribuição financeira espontânea e legal. Os responsáveis pela infâmia serão imediatamente processados. E tome conversa de 171.

Não poderia ser diferente neste fim de semana especialmente pressago para celebrantes de missa negra. Apavorado com a reportagem de capa de VEJA, que enfileirou em 12 páginas a essência dos depoimentos prestados pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, o rebanho que acompanha o sinuelo sem rumo nem esperou pela chegada às bancas da presente edição da revista para balir em coro que está em curso mais uma trama sórdida contra o PT.

Como confiar na palavra de um bandido confesso, e ainda por cima delator?, recitam os filiados ao partido que virou bando. Para a companheirada, só é criminoso um parceiro de maracutaias que, em troca dos benefícios reservados aos que aceitam colaborar com a Justiça, decide contar o que fez, revelar o que sabe e identificar os comparsas. É o caso de Pessoa. Até recentemente um generoso amigo de Lula, agora é o inimigo número 1 dos embusteiros no poder.

Coerentemente, os lulopetistas insones com o ruído do camburão enxergam  guerreiros do povo brasileiro em todos os delinquentes que se mantêm de boca fechada — só abrem o bico para mentir. Nada fizeram de errado. Como não aconteceram os crimes que cometeram a mando e sob a proteção dos chefões, não há nada a confessar.

Quem opta pelo silêncio mafioso, como Delúbio Soares no caso do Mensalão ou João Vaccari Neto agora, tem vaga na confraria dos heróis de chanchada, composta por inocentes difamados e ofendidos por direitistas tão inimigos do povo que caem fora do avião ainda na pista quando um ex-pobre se instala na poltrona ao lado.

Além da desqualificação do acusador, o manual da esperteza companheira ordena o sepultamento da prova testemunhal. Se não estiver amparada em provas materiais, toda acusação deve ser rebaixada a fofoca. Para azar dos cleptocratas liberticidas, Ricardo Pessoa juntou aos depoimentos uma pilha de documentos e planilhas com extraordinário teor explosivo. E nem precisava, avisa a consistência das declarações do empreiteiro.

Os depoimentos de Pessoa confirmam que o poder de fogo da prova testemunhal é determinado pelo volume e pela qualidade dos detalhes. Neles é que mora o perigo. Afirmar que João Vaccari Neto recolhia pessoalmente a parte do PT no produto do roubo põe o acusado nas cercanias do tribunal. O banco dos réus fica bem mais próximo quando se acrescenta que a alcunha do coletor de propinas — Moch — foi sugerida pela mochila permanentemente pendurada no ombro. Saber que o tesoureiro gatuno chamava propina de “pixuleco” fecha o círculo que lembra o de uma algema.

Detalhes do mesmo calibre também demoliram a piada do chefe que se mete em tudo mas nunca sabe de nada se o caso de polícia envolve parentes, amigos, ministros de confiança e outros meliantes de estimação. “Segundo Ricardo Pessoa”, lê-se na reportagem de VEJA, “a UTC deu 2,4 milhões de reais em dinheiro vivo para a campanha à reeleição de Lula, numa operação combinada diretamente com José de Filippi Júnior, que era o tesoureiro da campanha e hoje é secretário de Saúde da cidade de São Paulo”.

As minúcias seguintes atestam que os saqueadores da Petrobras se valiam de métodos que fundiam cuidado e descuido. Ficou estabelecido que os pacotes de dinheiro seriam levados ao comitê da campanha de Lula por Pessoa, por Walmir Pinheiro, executivo da UTC, ou por um emissário ungido por ambos. “Para não chamar a atenção de outros petistas que trabalhavam no local”, prossegue o relato, “a entrega da encomenda era precedida de uma troca de senhas entre o pagador e o beneficiário”.

Ao chegar à cena do crime, o homem da mala deveria sacar da garganta três consoantes e três vogais: “Tulipa”, dizia. E só subia depois de ouvir a contra-senha que também agrupava uma trinca de consoantes e outra de vogais: “Caneco”. As duas palavras remetem a chope e cerveja. Chope e cerveja têm tudo a ver com “Brahma”. “Brahma” era o codinome que uma ala da quadrilha usou para referir-se ao ex-presidente em emails capturados pela Lava-Jato. O resultado da soma da senha, da contra-senha e do codinome é a traseira de um camburão.

No Brasil Maravilha que Lula pariu e Dilma amamenta, surtos de criatividade cretina são cada vez mais frequentes. Não se deve estranhar que, entre um assalto e uma lavagem de dinheiro, os larápios do Petrolão tenham inventado o que se pode chamar de imprudência cuidadosa. Ou cautela de altíssimo risco.

A quem interessa derrubar Dilma? À oposição ou a Lula e ao PT?

Ricardo Noblat

Admitir, ela não pode. Mas Dilma sente apertar o cerco em torno dela. De um lado, Lula. Do outro, a Operação Lava Jato, que investiga a roubalheira na Petrobras.

Por que não digo de um lado Lula e do outro o juiz Sérgio Moro?

Simples. A Polícia Federal investiga. O Ministério Público também. Moro prende e depois solta àqueles sujeitos à sua jurisdição.

Manda os outros que gozam de fórum privilegiado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Que confere vistas ao Procurador Geral da República. Que se pronuncia a respeito.

Então cabe ao STF abrir inquérito ou não.

Assim, não se pode responsabilizar unicamente Moro pelo perigo que bate à porta de Dilma. É risível dizer que ele está a serviço do PSDB. E que avança por aqui a construção de um Estado policial.

A maioria dos ministros do STF foi nomeada por Lula e Dilma. Os mensaleiros foram condenados por eles.

É do presidente da República a indicação do Procurador Geral da República. Ao ministro da Justiça subordina-se a Polícia Federal.

De resto, foi Lula que nomeou os diretores da Petrobras envolvidos com corrupção. A um deles chamava de “Paulinho”. Tão eficiente quanto "o nosso Delúbio". Ou "Palocci, meu irmão".

Como se pode falar em Estado policial contra o PT enquanto o PT por meio do governo controlar de alguma forma o aparelho do Estado? Piada! E sem graça. Ou desespero.

São os desacertos do PT, de Lula e de Dilma que explicam o que eles sofrem no momento. E é o oportunismo descarado de Lula que explica também o sufoco a Dilma.

De olho na sucessão dela em 2018, Lula empurra Dilma para uma encruzilhada: ou ela escolhe o caminho da resignação às vontades dele ou o caminho que a levará a perder o poder antes do tempo, pelo bem ou pelo mal.

A essa altura, derrubar Dilma, a teimosa, a criatura ameaçada pelo criador, interessa mais a Lula do que à oposição.

O que de pior poderá acontecer a Lula é chegar à próxima eleição presidencial amarrado a um governo impopular que carrega sua impressão digital. Será derrota na certa. Ele nem se arriscará.

No desespero, Lula pede socorro ao marqueteiro João Santana

Tribuna da Internet
Andréia Sadi e Marina Dias, Folha de São Paulo


Santana veio da Argentina para se reunir com Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra nesta segunda-feira com o marqueteiro João Santana e a direção do PT, em Brasília, em meio às acusações de corrupção envolvendo a cúpula do Planalto. A reunião ocorre enquanto a presidente Dilma Rousseff está em viagem oficial aos Estados Unidos.

O marqueteiro tem passado os últimos meses na Argentina para tocar a campanha de José Manuel de la Sota. A vinda de Santana ao Brasil já estava marcada com Rui Falcão, presidente do PT, para falar sobre o programa do partido que irá ao ar em agosto. Petistas querem convencer Santana a fazer o programa, mas o marqueteiro estará na reta final do trabalho no país vizinho e ainda resiste.

REAÇÃO AO ATAQUE
Agora, após a delação premiada de Ricardo Pessoa no âmbito da Operação Lava Jato, divulgada sexta-feira (26), envolvendo os ministros petistas Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secom), a cúpula do PT e Lula querem discutir com Santana uma reação casada ao que chamam de “ataque” e “campanha” contra o partido e o governo.

Pessoa confessou que pagou propina para fazer negócios com a Petrobras e relatou encontros em que discutiu contribuições políticas com Mercadante e Edinho.

A UTC deu R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma em 2014. Pessoa diz que fez a doação porque Edinho, então tesoureiro da campanha, sugeriu que ele poderia ter problemas na Petrobras se não colaborasse, o que Edinho nega.

O empreiteiro disse ter dado R$ 250 mil de caixa dois para a campanha de Mercadante ao governo paulista em 2010. O ministro diz ter recebido R$ 500 mil em duas doações de empresas de Pessoa, ambas legais e registradas.

Flip: Boris Fausto diz que cúpula do PT é 'formada por corruptos que trabalham num esquema mafioso'

André Miranda
O Globo

Historiador paulistano foi bastante aplaudido ao fazer críticas ao governo e à oposição

Daniel Augusto Júnior 
O historiador Boris Fausto  

PARATY - Do luto à desolação, da morte de sua mulher à descrença com os rumos da política brasileira: a mesa com o historiador paulistano Boris Fausto, a primeira desta sexta-feira da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) primeiro emocionou a plateia pelo tom intimista e depois resultou em fortes aplausos pelos comentários políticos críticos a governo e oposição. Entrevistado pelo jornalista Paulo Roberto Pires, o momento mais marcante da fala de Fausto foi sua análise sobre a mudança de rumo no governo e no Partido dos Trabalhadores (PT). Fausto afirmou que a cúpula do PT é formada por "gente corrupta que trabalha num esquema mafioso". A plateia aplaudiu.

— Há uma coisa muito triste, que é a transformação da cúpula do Partido dos Trabalhadores; e não estou dizendo que não há pessoas honestas, claro que há; mas há uma transformação numa cúpula de gente corrupta que trabalha num esquema mafioso e de gangue — afirmou.

Fausto também criticou a oposição atual no Brasil, lembrando a votação do fator previdenciário, em que o PSDB se posicionou contra o governo. E, por isso, foi novamente muito aplaudido. O historiador ainda defendeu a presidente Dilma Rousseff:

— O governo Dilma é mais ideológico, e isso contraditoriamente conta a favor dela. Eu acho que ela não se envolveu nesses esquemas, ela tentou combater, ficar à margem desses esquemas — disse Fausto. — Já a oposição vai mal, obrigado. É muito comum as pessoas dizerem que a oposição tem que ir para frente, brigar pelo impeachment. Não é esse o fato. Não acho que o impeachment é uma brincadeira, mas ele pode se impor, a situação está se complicando muito rapidamente. Mas o problema da oposição é não ter sabido ser oposição, não ter tido a coragem de ser oposição e ter coerência em suas atitudes. Por exemplo, um partido que introduziu o fator previdenciário na época de Fernando Henrique Cardoso deveria votar a favor da manutenção do fator previdenciário mesmo que o PT estivesse votando a favor. Essa coerência é que a gente cobra da oposição. Passaram-se muitos anos, e agora é difícil construir uma alternativa séria e responsável de oposição. Isso seria vital neste momento, mas infelizmente nós não temos.

Com uma vasta carreira acadêmica na USP, autor de livros como "A revolução de 1930", "Fazer a América" e "O crime do restaurante chinês: Carnaval, futebol e justiça na São Paulo dos anos 30", Fausto, de 84 anos, é um dos mais respeitados historiadores do Brasil, mas participa pela primeira vez da Flip. Em sua mesa, ele começou abordando o luto pela morte de sua mulher, Cynira Stocco Fausto, com quem foi casado por 49 anos: a educadora morreu em 2010, depois de sete anos lutando contra um câncer.

No fim do ano passado, Fausto publicou o livro "O brilho do bronze", em que trata do sentimento do luto e relembra histórias sobre Cynira. Ele citou como influência a obra "O brilho do pensamento mágico", em que a escritora americana Joan Didion abordou a morte de seu marido.

— A Cynira era uma mulher com muita determinação, muito séria, e com baixo nível de retórica. Num tempo em que queríamos mudar o mundo, ela, que era de uma vertente católica de esquerda, resolveu não apenas falar, mas fazer. Foi morar na periferia de São Paulo e ajudou a desenvolver um núcleo que desse abertura para meninos pobres da periferia — afirmou.

Fausto também recordou quando conseguiu superar o luto pela morte da mulher, citando inclusive que se permitiu abrir para a possibilidade de outras relações amorosas.

— Ela foi cremada, e eu resolvi que queria ficar com as cinzas. Identifiquei as cinzas como um lugar familiar da memória — disse. — Em algum momento, depois, consegui encaixar as memórias das Cynira num lugar tranquilo, e me abri para outras histórias. Daí o luto se encerrou. Tanto que hoje sou capaz de falar sobre a Cynira sem chorar.

Depois de analisar alguns momentos da história do Brasil (ele lembrou, por exemplo, que o Golpe de 64 serviu para nos ensinar que a democracia é essencial para a sociedade brasileira), apenas na parte final da mesa, nos últimos 10 minutos, é que Fausto passou a analisar a conjuntura atual do país.

— Houve momentos a partir da entrada do PT no poder de razoável equilíbrio financeiro combinado com a possibilidade realizar uma política social efetiva. Ninguém nega isso. Mas eu diria que, a partir do segundo governo Lula, e não estou fazendo propaganda, houve uma inflexão a favor de uma política econômica absolutamente inadequada, ideológica.

A pedido de Paulo Roberto Pires, o historiador também traçou um paralelo entre as manifestações de 2013 e os recentes protestos contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT):

— O movimento de 2013 foi realmente surpreendente, mas era claro que se tratava de um movimento e não de uma mudança política que levasse a alguma coisa. Estava integrado a um movimento geral de desencanto. Mas como eu vejo a situação hoje? A situação mudou velozmente de 2013 para 2015. Em 2013, embora os sinais da depressão e o processo do Mensalão estivessem em marcha, tudo isso não tinha a dimensão que tem hoje, de um país que entrou numa crise muito grande. Em substituição ao otimismo daquela época surgiu um desencanto muito grande. O que há hoje é a emergência de um movimento de classe média que foi às ruas por razões especificamente políticas, mas é um movimento que também chegou a um impasse. É um movimento contra, que não propõe como sair desse quadro espantoso, e que não é natural. Foram forças bem definidas que nos levaram a essa situação. Isso precisa ficar bem claro.

Delator liga doações eleitorais ao PT a contratos com a Petrobras

O Globo

Ex-tesoureiro do partido, Vaccari recebeu R$ 3,9 milhões ‘em decorrência das obras com Petrobras’

Reprodução
 Empreiteiro da UTC Ricardo Pessoa 

BRASÍLIA - Documentos entregues pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, dono das construtoras UTC e Constran, ligam as doações eleitorais para o PT aos contratos das empreiteiras com a Petrobras. Os papéis mostram registros de duas “contas correntes” da UTC, uma para o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e outra para o próprio PT. O partido teria recebido, ao todo, R$ 20,1 milhões. Para Vaccari, o documento relata um repasse de R$ 3,9 milhões “em decorrência das obras com a Petrobras”. Para a conta do PT, os repasses foram de R$ 16,6 milhões entre 2006 e 2014.

O “Jornal Nacional”, da TV Globo, exibiu nesta sexta-feira reportagem mostrando documentos entregues por Pessoa, entre eles os relativos às doações feitas pela UTC à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. “Controle da conta corrente Vaccari, que contém todas as retiradas em dinheiro feitas por este de sua conta corrente mantida pela UTC em decorrência das obras com a Petrobras no valor total de 3.921.000”, diz um dos documento. “Conta corrente pagamentos ao PT feitos diretamente na conta do partido, desvinculado da época da campanha e que igualmente tinha relação com os pagamentos da Petrobras”, registra outro trecho.

O documento sobre a campanha de Dilma é uma planilha em que constam dados bancários da conta do comitê financeiro. O nome de contato é o de Manoel Araújo, chefe de gabinete do ministro Edinho Silva (Comunicação), tesoureiro da campanha. Pessoa relatou ter se encontrado sete vezes com o ex-presidente Lula. Afirmou que fez repasses de R$ 2,4 milhões para a campanha do ex-presidente em espécie. Disse não ter certeza se Lula sabia da origem ilícita do dinheiro.

Uma das tabelas lista doações a diferentes políticos e partidos. Não há na tabela sobre se as doações são oficiais ou não. Aparecem na planilha DEM, PMDB, PP, PPS, PR, PSC, PSDB, PC do B, PT, PTB, PV, PRTV, PSB e PDT.

 “Tanto dinheiro de forma pulverizada a diversos partidos e políticos tinham uma intenção: fazer com que a engrenasse (sic) andasse perfeitamente, tirando, portanto, todas as pedras que pudessem aparecer no caminho; abertura de portas no Congresso, na Câmara e em todos os órgãos públicos”, diz o documento.

Há o registro também de repasses feitos ao ex-ministro José Dirceu. Foram cerca de R$ 3 milhões. Parte dos recursos foi entregues enquanto ele já estava preso pelo mensalão. “Apenas e tão somente em razão de se tratar de José Dirceu e da sua grande influência no Partido dos Trabalhadores, é que, mesmo sabendo da impossibilidade de ele trabalhar no contrato firmado, porque estava preso, o aditamento foi feito e as parcelas continuaram a ser pagas”.

Pessoa diz que, a pedido do ex-ministro, fez uma doação eleitoral de R$ 100 mil para o filho do ex-ministro, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), em 2010. A prestação de contas de Zeca ao TSE não registra a doação. Há o registro de R$ 665 mil recebidos por meio do diretório nacional do PT. Em 2014, foi através do diretório que Zeca recebeu R$ 95 mil da construtora. Outro político citado foi o presidente do PP, senador Ciro Nogueira. O delator disse que acertou pagamento de R$ 2 milhões entre 2013 e 2014, dos quais R$ 1,4 milhão por meio do doleiro Alberto Youssef.

Dilma pode sofrer impeachment, diz coluna do Financial Times

Exame.com
Fernando Nakagawa., Estadão Conteúdo

REUTERS/François Lenoir
Dilma Rousseff: 
Apesar de mencionar o risco de impeachment, Leahy defende
 que a impopularidade de Dilma não parece inteiramente merecida

Londres - O jornalista do britânico Financial Times no Brasil, Joe Leahy, assina coluna na edição impressa desta sexta-feira, 3, em que afirma que a presidente Dilma Rousseff corre o risco de sofrer impeachment.

"Com a popularidade tão baixa, Dilma está vulnerável ao impeachment particularmente se as investigações sobre a Petrobras encontrarem algo ligando ela ao problema", diz o jornalista na coluna "Global Insight". Leahy diz, porém, que a impopularidade de Dilma "não parece inteiramente merecida".

Ao relatar a forte queda de popularidade de Dilma Rousseff entre os eleitores, o jornalista diz que "a única esperança dela é que o ajuste fiscal de Joaquim Levy estabilize a fraca economia e ganhe tempo para restaurar o crescimento".

Apesar de mencionar o risco de impeachment, Leahy defende que a impopularidade de Dilma "não parece inteiramente merecida, já que outros presidentes presidiram o País em períodos piores, mas mantiveram números melhores nas pesquisas".

"A maior economia da América Latina está caminhando para uma recessão e a taxa de desemprego subiu. A 6,75% em maio, o desemprego se aproxima níveis argentinos, mas certamente não é tão mau como na Grécia ou em outros lugares no sul da Europa", diz o texto.

"Analistas brasileiros falam livremente da 'crise', mas o País não está enfrentando a turbulência que caracteriza crise. Não há nenhuma crise de balanço de pagamentos, por exemplo. O Brasil ainda tem uma das mais altas reservas cambiais do mundo", exemplifica o jornalista.

Leahy reconhece que há motivos para que eleitores estejam insatisfeitos. Ele cita que a campanha para a reeleição de Dilma Rousseff negava problemas na economia, mas, logo após a vitória, o governo começou uma reviravolta com adoção de medidas austeras.

O jornalista também cita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não tem ajudado" e lembra do cenário composto pelo escândalo de corrupção na Petrobras e por maior acesso à informação do eleitorado.

"Talvez a principal razão para os eleitores estarem tão zangados é que as expectativas eram muito elevadas", diz.

Ex-Presidente do STF diz que Dilma está sujeita a crime de responsabilidade

Redação
Diário do Poder

Joaquim critica Dilma por atacar bom funcionamento da justiça

Barbosa disse que Dilma é mal assessorada.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa reagiu à fala da presidente Dilma Rousseff, que disse nos Estados Unidos que "não respeita delator". Sob o argumento que delação premiada "é um instituto penal-processual previsto em lei no Brasil", Barbosa disse que Dilma é mal assessorada e que um presidente não pode "'investir politicamente' contra as leis vigentes, minando-lhes as bases".

"Caberia à assessoria informar a Presidente que: atentar contra o bom funcionamento do Poder Judiciário é crime de responsabilidade!", afirmou na segunda-feira, 29, Joaquim Barbosa em sua conta no Twitter.

Em uma série de nove mensagens Barbosa criticou a presidente e sua equipe, que estão em visita oficial aos Estados Unidos. Lá, Dilma comentou pela primeira vez as acusações contidas na delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, em que seus ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, Comunicação Social, são citados. "Zelar pelo respeito e cumprimento das leis do País: esta é uma das mais importantes missões constitucionais de um presidente da República", alertou Barbosa.

O antigo presidente do STF propõe ainda uma reflexão aos seguidores dele na rede social. "Vocês estão vendo o estrago que a promiscuidade entre dinheiro de empresas e a política provoca nas instituições?", questionou o ex-ministro.

Em palestra em São Paulo no meio de julho, Barbosa falou sobre corrupção e protestou contra a "relação umbilical existente entre empresas e Poder Público no Brasil. "Precisamos romper com esse capitalismo de compadres, essa história de não conseguir empreender sem ter uma 'verbinha' do governo".(AE)

PIADA DO ANO: “A crise não é culpa da Dilma”, afirma Lula

Tribuna da Internet
Deu no Estadão

Diferente da postura crítica que vinha adotando em relação à administração da sucessora e afilhada política, Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu nesta sexta-feira, 03, em defesa da presidente da República em discurso realizado na 5ª Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP). “A crise no País não é responsabilidade da Dilma”, disse Lula, responsabilizando o cenário externo pelas dificuldades que o Brasil enfrenta na área econômica.

Ao falar sobre a economia brasileira, o ex-presidente disse que acompanha “certo pânico das pessoas com a perspectiva da inflação chegar à casa dos 9%” – a inflação corrente de doze meses, até o mês de maio, está em 8,47%, e a expectativa, segundo a última pesquisa Focus, é que o índice feche 2015 em 9%. Para Lula, apesar de muita gente ganhar com a elevação deste índice, a alta da inflação acaba prejudicando quem vive de salário. “Tem gente que ganha muito, mas o trabalhador, não.” E, dirigindo-se à plateia formada por petroleiros, voltou a defender a afilhada política:

“Tenho certeza que Dilma tem obsessão em trazer a inflação para o centro da meta, e ela está tomando as atitudes certas para isso.” E lembrou que, quando assumiu o seu primeiro mandato, depois do governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, herdou uma inflação de 12%.

“MAU HUMOR”
Lula disse que o mau humor que tomou conta do País não é gratuito. “Tem gente que dá a notícia mais negativa possível para tentar desestabilizar o governo e criminalizar o PT e as esquerdas”, afirmou, questionando se no Brasil é mesmo tudo muito ruim. E culpou a oposição por não querer aceitar o resultado das urnas, nas eleições presidenciais de outubro do ano passado.

Além de defender Dilma e conclamar os petroleiros a fazerem o mesmo, Lula disse também que é fundamental defender a própria estatal. “A Petrobras não é só corrupção, é uma empresa respeitada mundialmente e muito importante.”

“Uma empresa que tem o potencial que tem a Petrobras devia ter uma placa de ‘proibido usar a palavra crise’. Essa empresa tem o futuro garantido.”

Ele voltou a argumentar que o lucro da Petrobras cresceu muito durante a gestão petista, dele e de Dilma, no governo federal e exaltou o pré-sal. Lula ressaltou também a estratégia de construção de refinarias – uma das áreas mais investigadas por suspeita de corrupção na operação Lava Jato – como um caminho para o País se desenvolver na cadeia do petróleo.