quarta-feira, setembro 02, 2015

Atestado de incompetência

Editorial
O Estado de S. Paulo

Continuar maquiando as contas públicas com novas pedaladas fiscais e recursos do gênero só faria aumentar o desastre provocado pela gastança desenfreada que teve seu ápice no ano eleitoral de 2014. Por falta de opção politicamente viável e pretextando a intenção de ser “transparente”, Dilma Rousseff acabou tomando a decisão de apresentar ao Congresso, pela primeira vez na história, uma proposta de orçamento deficitária. E acabou passando o atestado definitivo de sua incompetência como presidente da República – se é que ainda existia no País, inclusive no governo, alguém que disso duvidasse de boa-fé.

Como não têm mais nada a perder, pois já estão no fundo do poço da credibilidade política e popular, a presidente Dilma Rousseff e o PT vão continuar tentando jogar sobre ombros alheios a responsabilidade principal pelo vexame de ter que admitir pública e oficialmente que o governo não tem dinheiro para pagar suas contas.

À conjuntura internacional adversa, recentemente agravada pelos problemas da China, certamente será atribuída boa parte da culpa pela inflação fora de controle, o desemprego que não para de aumentar, os juros altos, a crescente falta de competitividade da indústria nacional – enfim, pelo fato de a economia brasileira estar em recessão. O dedo acusador será apontado também para a oposição e para as “pautas-bomba” que desfiguraram a proposta de ajuste fiscal. E certamente não faltarão referências à falta de chuvas.

Em resumo, a grande responsável pela crise brasileira é uma trinca do mal que no momento conspira contra as boas intenções do lulopetismo: a China, a Câmara dos Deputados e El Niño.

Os brasileiros, porém, já se deram conta de que ninguém melhor do que Dilma Rousseff personifica a crise política, econômica e social – agravada pela completa falência moral – que infelicita o País. É claro que não se pode esquecer a parte que cabe nesse latifúndio ao populismo irresponsável de Luiz Inácio Lula da Silva. Ninguém mais do que ele tem culpa pelo fato de a incompetência de Dilma estar hoje instalada no Palácio do Planalto.

Haverá quem diga, com maldosa esperteza, que essa responsabilidade deve ser compartilhada com os milhões de brasileiros que elegeram e reelegeram o flagelo que hoje nos preside. Mas à imensa maioria dos que votaram em Dilma socorre a justificativa de que agiram de boa-fé e hoje estão arrependidos. Já Lula pode até ter descoberto também que colocar a pupila no Palácio não foi uma boa ideia. Mas jamais admitirá isso publicamente e para manter a pose de super-herói ameaça candidatar-se de novo em 2018.

O fato é que o País enfrenta uma crise de desenlace imprevisível na área política e de consequências previsivelmente assustadoras no campo econômico. O fato é, ainda, que tudo começou a dar errado quando, do alto da soberba e da empáfia entranhadas em seu DNA, os petistas no poder, ainda no segundo mandato de Lula, entenderam que era chegada a hora de parar de fazer concessões ao “liberalismo” e impor ao País suas convicções estatistas e uma “nova matriz econômica”.

Felizmente, até como consequência da amarga experiência brasileira em duas décadas de regime autocrático militar, nossas instituições republicanas se têm revelado suficientemente fortes para impedir que o Brasil se deixe contaminar por aventuras “bolivarianas” como as que hoje são responsáveis pelo retrocesso, sob todos os aspectos, de vários países do Continente que sintomaticamente o desgoverno brasileiro tem como aliados. Mas o Brasil paga o preço de ser dominado por um sistema político de representatividade quase nula, pois o paternalismo petista é quando muito uma panaceia, jamais a solução para coisa alguma.

Neste momento de vergonha nacional cabe propor uma reflexão aos brasileiros que, de boa-fé, ainda defendem Dilma Rousseff: o que se pode esperar de um governo que é incapaz de cumprir aquilo que se exige de qualquer cidadão – a capacidade de pagar suas próprias contas?

O velho e o novo

Marco Antonio Villa 
O Globo

Por que as crises política e econômica se estendem? Porque não foi encontrada uma saída segura para a classe dirigente

No Brasil, a construção da democracia e de suas instituições é um longo processo. Isto porque o passado patrimonialista ainda nos aprisiona. Qualquer avanço é fruto de muita luta e de pequenas vitórias. Como não temos tradição de rupturas, a tendência é sempre incorporar o derrotado na nova ordem. Que, obviamente, deixa de ser plenamente nova; pois, ora mais, ora menos, rearranja o poder político mantendo frações do passado no presente. Esta permanência não só dificulta a plena constituição do Estado Democrático de Direito, como impede até que o pensamento crítico se incorpore à vida política nacional.

A tendência histórica à conciliação transformou o aparelho de Estado numa esfera onde os antigos vícios da gestão da coisa pública permaneceram petrificados. O entorno era modificado mas a essência mantinha-se a mesma. Como se a História não se movimentasse. Pior, como até se o processo eleitoral de nada adiantasse, restringindo-se à mera substituição dos gestores, sem alterar seus fundamentos.

Virou lugar-comum afirmar que as instituições de Estado brasileiro estão em pleno funcionamento. As ações de combate à corrupção são demonstrações que reforçam a afirmativa. Contudo, cabe perguntar se a permanência da corrupção em todos os níveis e em todos os poderes da República não representa justamente o contrário. Ou seja, que as instituições funcionam mal, muito mal. Se há tanta corrupção, é porque é fácil instalar uma organização criminosa, político-partidária ou não, no interior dos órgãos estatais. E com a garantia da impunidade ou, no máximo, de suaves punições que estimulam, em um segundo momento, novos atos contrários ao interesse público, como no binômio mensalão-petrolão, onde o núcleo duro é o mesmo, mas em uma magnitude — em termos financeiros e temporais — muito maior.

Identificar a permanência e apontar a necessidade urgente de enfrentá-la não é bem visto no país das Polianas. E haja Poliana. Se a análise se concentrar em Brasília, como símbolo do poder, é possível detectar que, apesar de vivermos uma das mais graves crises da história republicana, não há nenhuma possibilidade de mudança, mudança efetiva. A atual paralisia política é resultado da dificuldade de construir uma saída mantendo os velhos interesses no aparelho de Estado. O resto é pura fraseologia vazia. Como diria o titio Joel Santana: cock-and-bull story.

O petismo, no auge, contou com apoio entusiástico da elite brasileira. Mesmo após as denúncias do mensalão, publicizadas na CPMI dos Correios. Para as classes dirigentes, o projeto criminoso de poder foi visto, apenas, como uma forma de governança, nada mais que isso. Quando Dilma Rousseff iniciou seu primeiro mandato, foi muito elogiada pela forma como administrava o governo e pelo combate — ah, Polianas — aos malfeitos, forma singela como definia a corrupção, marca indelével do seu período presidencial. Quem apontava as mazelas era visto como rancoroso, um pessimista contumaz.

No momento que Fernando Collor renunciou à Presidência da República, já tinha ocorrido uma recomposição de forças, desde o mês anterior à autorização para a abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, a 29 de setembro de 1992. Ou seja, a movimentação em torno de Itamar Franco, vice-presidente, permitiu que o bloco político-empresarial estabelecesse e garantisse as condições de governabilidade, que tinham sido afetadas desde o início do mandato, um ponto fora da curva entre os períodos presidenciais desde 1945. A queda de Collor — sem nenhuma sustentação social ou no Congresso Nacional — pode ser compreendida, então, mais como um rearranjo do bloco político-empresarial, redefinindo interesses no interior do aparelho de Estado, do que uma vitória das ruas, dos caras-pintadas. As ruas — mesmo sem o querer — acabaram permitindo uma saída confiável no interior de uma ordem política intrinsecamente antirrepublicana.

As acusações que pesam contra Dilma Rousseff são incomparavelmente mais graves do que aquelas imputadas a Fernando Collor. Os atos de corrupção, a desastrosa gestão econômica e o controle da máquina estatal por uma organização criminosa com tentáculos nos Três Poderes não têm paralelo na nossa História. Mas por que a crise política se estende? Por que a crise econômica parece não ter fim? Porque não foi encontrada uma saída segura para a classe dirigente, porque Michel Temer não é Itamar Franco, porque Dilma Rousseff não é Fernando Collor, porque o Partido dos Trabalhadores não é o Partido da Reconstrução Nacional e porque as crises político-econômica de 2015 é mais complexa que a de 1992.

A principal dificuldade para ser encontrada uma saída política nos moldes da (triste) tradição brasileira deve-se principalmente à sociedade civil. Hoje, com todas as limitações, ela vem se organizando e se mobilizando de forma independente do Estado e de seus braços, como os partidos políticos. As três grandes manifestações — de 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto — não têm paralelo na História do Brasil. Um acordo pelo alto, costurado pelos velhos interesses, é muito difícil — e pode ter vida curta. É necessário ir mais fundo. Não basta a simples troca de presidente. O receio maior de Brasília é ter de enfrentar o Brasil real. Aquele que não quer mais ver a corrupção impregnando as ações de Estado, tenebroso método de gestão e de desqualificar a política, “fazendo-a descer ao plano subalterno da delinquência institucional”, como bem escreveu o ministro Celso de Mello.

Populismo agonizante

Editorial
O Estado de S. Paulo

É da natureza do populismo partir do princípio de que o povo é ignorante e acrítico, incapaz de discernir o falso do verdadeiro em matéria de política. O populismo prospera onde a ignorância impera. Os populistas, portanto, cultivam a ignorância. Um de seus truques é repetir mentiras incansavelmente até que sejam aceitas como verdades. É o que estão fazendo Lula, Dilma e o PT, no desespero de sobreviverem no fundo do poço em que foram colocados pelo descrédito popular. Para eles, tudo o que não convém ao populismo petista é “golpe”. Principalmente fazer oposição ao governo.

Diante de uma plateia de mais de 2 mil pessoas em Montes Claros, Minas Gerais, Luiz Inácio Lula da Silva não fez cerimônia: “Eu gostaria que todos aqueles que todo santo dia inventam um golpe para tirar Dilma aprendessem a respeitar a democracia (...). Se eles querem o poder, que esperem 2018. Mas não venham com golpe”. A presidente Dilma foi mais sutil – imaginem só – falando a atletas em solenidade no Palácio do Planalto: “É possível sofrer derrotas, dificuldades no caminho, mas todo atleta levanta e segue em frente. Muitas vezes não ganha na primeira, na segunda ou na terceira. E segue lutando para ganhar. E respeita o resultado do outro atleta, que é o vencedor”. Por sua vez, o presidente do PT, Rui Falcão, em reunião com lideranças petistas em São Paulo, queixou-se de que a oposição tenta “enfraquecer a presidente”. Esperava o quê?

A regra de ouro que o lulopetismo quer ver aplicada – aos outros, é claro – é a seguinte: quem perde uma eleição, como aconteceu com Aécio Neves e Marina Silva em outubro do ano passado, tem de se recolher à condição de derrotado e “respeitar a democracia”. Qualquer iniciativa para “enfraquecer a presidente” é tentativa de promover “terceiro turno”. Exigir que eventuais ilicitudes cometidas na campanha presidencial de Dilma sejam investigadas é “golpe”. Falar em impeachment da chefe do governo – recurso constitucional que o PT defendeu contra seu hoje aliado Fernando Collor – é “atentado à democracia”. Em resumo: está proibido fazer oposição.

A soberba é desde sempre uma forte característica do PT. O partido nasceu predestinado a mudar “tudo isso que está aí” e ainda hoje muitos petistas se consideram ungidos para essa missão divina. Como autoproclamados salvadores da pátria, sempre olharam os não petistas com enorme desdém. Dividiram o País entre “nós” e “eles” e decidiram que na luta sem tréguas contra a perversa “elite” não existem adversários, mas inimigos. Finalmente descobriram que, quando não se consegue derrotar o inimigo, a solução é aliar-se a ele. Assim, aqueles que eram antes os mais legítimos representantes da perversa “elite”, os grandes banqueiros e homens de negócio, passaram a ser cortejados para que apoiassem o PT, dando a seu governo “estabilidade política” e “equilíbrio institucional”.

A partir do momento em que chegaram ao poder, os petistas se deram conta de que seu grande problema passava a ser como nele se manter. A solução era óbvia: fazer alianças, não importa com quem nem a que custo. É verdade que nos primeiros anos o panorama social melhorou. E não se deve desmerecer essa importante conquista. Mas, se nessa questão há mérito, sobra demérito na igualmente fundamental questão moral. A crônica policial e forense dos últimos anos demonstra que a corrupção tomou conta da política e da administração pública em níveis sem precedentes. Como temos repetido neste espaço, Lula e o PT não inventaram a corrupção, mas tornaram-na prática generalizada, endêmica. E beneficiaram-se disso, tanto no plano político quanto no material, como se constata pelo elenco de endinheirados petistas encarcerados – ou ainda em liberdade.

Sobraram para o PT o discurso – o que não representa nenhuma dificuldade para políticos que, como Lula, nunca desceram do palanque – e a esperança de que, por força da repetição, suas patranhas se tornem verdades. Mas é uma esperança vã. O brasileiro não é idiota. Nem um competente encantador de multidões como Lula consegue enganar todo mundo, todo o tempo. O “terceiro turno” das pesquisas de opinião demonstra que o Brasil repudia categoricamente o populismo lulopetista.


Dilma no teatro do absurdo

Fernando Gabeira
O Globo

Não sei o que é pior: fingir que não viu ou levar tanto tempo para descobrir

RIO - Quando Dilma assumiu pela segunda vez, alguns analistas afirmaram que enfrentaria uma tempestade perfeita, tal a configuração de fatores negativos que a cercavam. Esses analistas não contavam ainda com a desaceleração chinesa nem com a tempestade das tempestades: o El Niño, que deve ser intenso este ano. Hoje, é possível dizer que Dilma enfrenta uma tempestade mais que perfeita. Além dos fatores habituais, economia e política, ela terá de se preparar para grandes queimadas no Norte e inundações no Sul do Brasil.

Como deputado, trabalhei no tema El Niño em 1998. Não se consegue impedir as consequências do aquecimento do Pacífico Sul. Com alguma preparação adequada é possível atenuá-las. Usando a velha tática petista, quando o El Niño chegar, o governo vai sair gritando: “toma que o filho é teu”.

Ela decidiu agora que seu próprio secretario pessoal será o articulador político. Isso me lembra uma peça de Harold Pinter: dois andarilhos entram numa cozinha de restaurante e, de repente, começam a surgir pedidos de pratos suculentos. Na magra mochila de viagem, tentam achar algo que possa pelo menos atenuar a pressão dos pedidos.

Dilma está tirando da sua mochila um secretário pessoal para ser a interface com as raposas do Congresso. Certamente vão devorá-lo, com o mesmo apetite dos índios que comeram o bispo Dom Pero Sardinha no litoral brasileiro. Dilma e o PT estão fazendo um aprendizado doloroso com as palavras. Em certos momentos criam uma nova língua; em outros, limitam-se a cortar as frases a machadadas. Dizem, por exemplo: “nunca um governo investigou tanto a corrupção”. Mas hesitam horrorizados diante da conclusão lógica: descobrimos que somos nós os culpados.

Pela primeira vez, Dilma mencionou o assalto à Petrobras, lamentando o envolvimento de algumas pessoas do PT. O tesoureiro do partido está preso. Tantos anos de assalto. Dilma custou a reconhecê-lo. Meses depois, está desapontada porque havia gente do PT. Não sei o que é pior: fingir que não viu ou levar tanto tempo para descobrir.

Dilma disse que não pode garantir que 2016 será maravilhoso. Claro que não pode. Primeiro porque os fatos econômicos apontam para um ano difícil. Segundo, porque em 2016 ninguém sabe onde ela estará. “Demorei a me dar conta da gravidade da crise”, disse ela. Era um governo de idiotas ou de mistificadores? Como não se dar conta de uma realidade ululante?

Valeria entrevistar agora aquela assessora do Santander que descreveu a crise. Perseguida pela campanha de Dilma e pelo próprio governo, acabou sendo demitida pelo banco. Como será que ela reagiu à desculpa esfarrapada? Naquele momento, Dilma não apenas demorava a se dar conta da crise. Considerava descrevê-la como um ato de terrorismo eleitoral.

Dilma recusou-se a reduzir ministérios. Agora, aparece um ministro dizendo que vão cortar dez, mas não menciona quais nem quando. O discurso do governo é apenas cascata. A própria Dilma é uma cascata, inventada por Lula. Dirigiu o setor de energia no Brasil, com fama de gerentona. Deu quase tudo errado, do preço da conta de luz à ruína da Petrobras.

Essa história de coração valente é um mito destinado a proteger a roubalheira de agora com o manto de uma luta pretérita. É uma versão atenuada dos braços erguidos de Dirceu ao ser preso pela primeira vez. Há varias razões para se respeitar o passado. Uma delas é realçar a necessidade da luta contra o governo militar, reconhecendo, no entanto, na luta armada um equivoco histórico. E no seu objetivo estratégico, a ditadura do proletariado, uma aberração que os tempos modernos desnudaram com absoluta nitidez.

Como um personagem do teatro do absurdo, Dilma vai continuar buscando na mochila vazia respostas patéticas para as demandas complexas que o momento coloca.

Muita gente acha que não há motivo para impeachment. Mas o Ministro Gilmar Mendes, pelo menos ele, teve o cuidado de examinar as irregularidades de campanha e propor um cruzamento com os dados da Lava-Jato.

O Brasil é dirigido por um governo que transformou a política numa delinquência institucional. O país acaba de descobrir o maior escândalo de corrupção da História. Gilmar Mendes apenas colocou o ovo de pé: houve um grande escândalo de corrupção que beneficiou o PT. Dilma fez uma campanha milionária. Depoimentos do Petrolão indicam que o dinheiro foi para a campanha. Empresas fantasmas já apareceram. Por que não investigar o elo entre a campanha de Dilma e as revelações da Lava-Jato?

Não se trata de ser contra ou a favor. Trata-se apenas de não sentar nos fatos, Como velho jornalista, sei que os fatos são como baioneta: sentando neles, espetam.

As duas mortes de Berro dágua.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

É um excelente conto, uma das melhores obras do grande Jorge Amado: A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua. Sim, Berro Dágua. Reza a lenda que um dia, pensando que o copo estava cheio de boas ideias, ele o emborcou de uma vez. E seu grito gigantesco, desesperado, assustou até os companheiros de sempre: "Áaaaaaaaagua!!!!!" E ficou mais famoso pelo apelido do que pelo nome.

Berro Dágua morreu num lugar pra lá de suspeito e alguém foi buscar seus parentes. E, enquanto a família providencia o enterro, deixou-o com os companheiros de bebedeira, os ladrões, as amantes, seus colegas de copo e de cruz, como diria Chico Buarque. Os companheiros, enquanto bebem industrialmente em homenagem ao morto, acreditam que ele sorri; portanto, vivo está. 

Carregam o defunto e vão com ele beber nos bares que habitualmente frequentam, buscam a companhia das mulheres de sempre, dão-lhe cachaça, como de costume, e acreditam que ele a derrubou na roupa imunda porque estava bêbado demais. A horas tantas, resolvem passear de barco. E, num descuido - que os companheiros interpretaram como uma tentativa desesperada de fugir ao destino de ser enterrado em vida, e ainda por cima preso num caixão - Berro Dágua cai do barco desgovernado e desaparece para sempre entre as ondas e as marolas. 

Para a família e amigos do tempo em que tinha emprego e batia ponto, ele já estava morto: a viagem enlouquecida só serviu para que não o prendessem num caixão. Para os companheiros, os bêbados, foi sua segunda morte. 

A definitiva. 

Foi numa casca de banana... 
Há duas definições possíveis para o Governo Dilma, parte 2:

1) À falta de oposição, o Governo decidiu se opor a si mesmo (e com êxito). 

2) Se há uma casca de banana na outra calçada, Dilma vai lá para escorregar.

A aprovação da presidente vai mal. Aí o Governo anuncia que, contrariando a tradição, não vai pagar em agosto a metade do 13º dos aposentados, por falta de dinheiro. Cai o mundo - e o Governo dá um jeito de pagar em setembro. O preço do desgaste já foi pago; e o dinheiro que queriam poupar foi gasto assim mesmo.

É pouco? O Governo anuncia a volta do Imposto do Cheque, a CPMF, com o nome-fantasia de CIS. Cai o mundo - e o Governo desiste da tunga. O preço do desgaste já foi pago. E o Governo continua sem o imposto que queria atochar.

O super-Pixuleco
Era um boneco inflável engraçado, para ser exposto em meia dúzia de manifestações e ser devidamente arquivado. Mas os petistas mais alucinados o encararam como manifestação de lesa-majestade, e já o perfuraram duas vezes, uma delas a facadas. Resultado: o boneco inflável de Lula vestido de presidiário, com os números 13 (do PT) e 171 (artigo do Código Penal que trata de estelionato), virou símbolo dos movimentos Fora PT. 

É a primeira vez, ao que se lembre este colunista, em que um Governo e um partido polemizam com um boneco inflável. O prefeito Fernando Haddad, uma usina de factoides inúteis, quer proibir o Pixuleco em São Paulo por violação da Lei da Cidade Limpa (que proíbe outdoors, painéis publicitários, etc.)

Resultado: já foi apelido de Mixureco. Tem lógica.

Essa moça tá diferente
Chico Buarque é um grande compositor. E também o autor do melhor conselho aos governantes petistas: numa entrevista de 2004, sugeriu a criação de um novo Ministério, cujo nome seria, digamos, "Ministério do Vai Dar Errado". Alguém de bom-senso, sem aquela devoção religiosa aos governantes, examinaria cada medida proposta pelo Governo, e conforme o caso diria: "Vai dar errado". A medida seria enterrada antes de se tornar pública. 

Este colunista, fã incondicional do Chico músico, descrente incondicional do Chico ideológico, se rende: só o Ministério que ele propôs pode salvar o Governo, se der tempo. Aliás, o nome do Ministério não seria "vai dar errado". 

Seria mais popular e contundente.

Mora na filosofia
Do blogueiro Josias de Souza (http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/): 

"Os vices são como os ciprestes: só crescem à beira dos túmulos".

Volta por cima
O jurista Hélio Bicudo, duro opositor da ditadura (como promotor, foi, ao lado de Djalma Barreto, quem mais combateu a tortura e o Esquadrão da Morte), fundador do PT, entra na Câmara com pedido de impeachment da presidente Dilma. O pedido é assinado também pela advogada Janaína Paschoal. A sustentação do pedido de Hélio Bicudo envolve as pedaladas fiscais e o desvio de dinheiro na Petrobras. Segundo Bicudo, Dilma atentou contra a probidade administrativa ao "não tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados". 

Pra dizer adeus
Apresentada a proposta, cabe ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, do PMDB do Rio, aceitá-la ou não. Se a aceitar, inicia-se o processo de impeachment. Se a rejeitar, o plenário da Câmara pode retomar o pedido e aprová-lo por maioria simples, colocando os mecanismos do impeachment em ação. Neste momento, não há votos suficientes na Câmara para aprovar o impeachment. 

Mas, mantendo-se o desgaste do Governo, amanhã pode ser outro dia.

carlos@brickmann.com.br
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Da megalomania à insignificância

Percival Puggina
Tribuna da Internet

Certa feita, no ano de 2004, em um dos tantos debates que já mantive com lideranças do PT, ironizei a continuidade que o governo Lula vinha dando às políticas tucanas que combatera tão intensamente e com tanto sucesso eleitoral. Mostrei, uma a uma, as contradições. O abominável Plano Real estava mantido com inteiro rigor. O superávit fiscal, tão execrado pelo petismo, havia atingido, com Lula, o maior valor dentro da série histórica. Os programas de renda mínima, que Lula acusara de serem uma forma de fazer votos graças à fome de quem vota com a barriga, haviam mudado de nome e recebido mais recursos.

E por aí fui, até ser interrompido por meu interlocutor que me disse exatamente o seguinte: “Puggina, não se muda a direção de um transatlântico com guinada brusca” e ilustrou o que dizia com o braço desenhando um longo arco. A mudança de rumos estava em curso e seria gradual.

Ele pertencia à alta hierarquia de seu partido e estava bem informado. O tempo o comprovou. O PT destruiu os fundamentos macroeconômicos então vigentes (responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e meta de inflação). Exibiu, pouco a pouco, sua vocação para o totalitarismo. Empenhou-se na armação da luta de classes, forçando o divisionismo dentro da sociedade. Ensaiou várias tentativas de controlar a mídia. Levou o revanchismo até onde pode. Concebeu várias agendas socialistas. Aliou-se aos piores vilões da política nacional e internacional. Não lhe faltaram tentativas de impor absurdos, mediante decretos felizmente rejeitados pela opinião pública e pelo Congresso. Tais foram os casos do PNDH-3, que fazia gato e sapato em nome dos direitos humanos, e do decreto Nº 8.243 (decreto dos sovietes), que pretendia uma desabilitação do poder legislativo. O partido viria, como de fato veio, contaminar e aparelhar o Estado em conformidade com um desígnio totalitário. Tudo para alterar a trajetória do transatlântico.

DE VENTO EM POPA
Na política, tudo ia bem. Os corruptos prosperavam. Não faltava dinheiro à mídia chapa branca, nem capitanias hereditárias aos partidos e aos políticos da base. O crescimento chinês empurrava a economia para a frente, mais ou menos como as elevações da taxa de juros engordam os lucros dos bancos sem que os banqueiros precisem sair da poltrona. O petróleo a mais de US$ 100 viabilizava qualquer estripulia na Petrobras e o pré-sal era portentosa mina, a ser drenada ainda antes de gotejar. A megalomania, os delírios de poder e de riqueza, os projetos faraônicos, o messianismo característico dos partidos e movimentos totalitários recebiam injeções de adrenalina na veia. No limite das aparências, Lula era um Midas. Além das aparências, uma bomba de efeito retardado.

Só agora, concluída aquela curva descrita pelo meu interlocutor no debate acima referido, veem-se todas as dimensões do estrago. O desvio de rota jogou o país contra os rochedos, de modo desastroso. Lula e Dilma, que sequer se animam a aparecer em público, fazem lembrar o rápido e furtivo desembarque do comandante Francesco Schettino após jogar o Costa Concórdia contra os arrecifes junto à ilha de Giglio.

A direção pretendida quando a grande curva foi desenhada chegou onde inevitavelmente haveria de chegar, porque nunca foi diferente o resultado de tais políticas. E se há muita incerteza, hoje, sobre o futuro do país, se os comandantes se escondem mas não desembarcam, ninguém duvida de que o desvio de rota e a megalomania os condenaram à insignificância.

Ajuste fraqueja

Samuel Pessoa 
Folha de S. Paulo

Sempre que os ajustes são postergados, quando chega o futuro, ele é pior do que poderia ser

Há duas semanas foi anunciado plano de financiamento da Caixa Econômica Federal para a indústria automobilística, condicionado a que não haja dispensa de funcionários. Os recursos serão para linhas de capital de giro e investimento a taxas nominais de aproximadamente 10% anuais, praticamente a inflação deste ano.

A medida terá pouco impacto prático, pois o problema da indústria automobilística é de baixa demanda doméstica. Nos últimos anos foi adotada toda uma política de proteção, como o programa Inovar-Auto, que aumentou em 30 pontos percentuais o IPI para a importação de veículos das empresas que não montam no Brasil com 65% de conteúdo nacional.

O resultado da política de proteção foi gerar sobreinvestimento no setor: capacidade instalada de 5 milhões de unidades por ano para um mercado que dificilmente absorve mais do que 3 milhões.

Apesar de provavelmente inócuo, o plano de financiamento da Caixa vai frontalmente contra tudo o que o ministro Joaquim Levy disse desde que assumiu a Fazenda.

Há outros sinais de fraqueza do ministro. Além de se ter revisado para valores muito menores as metas de superavit primário, tem sido noticiado que diversos setores da base de sustentação do governo, inclusive a bancada do PMDB no Senado, não hipotecam apoio ao ministro. Aparentemente ele não sabe negociar direito. Aparentemente não cumpre os acordos com o Congresso. Aparentemente o ministro acredita que os gastos precisam ser cortados.

Temos assistido à dificuldade da sociedade e do Congresso Nacional em reconhecer e pagar o custo necessário do ajuste, dados os enormes desequilíbrios que construímos meticulosa e sistematicamente entre 2009 e 2014, período de vigência da nova matriz econômica.

Surgem sinais de fratura do comprometimento da base de sustentação política com o ajuste econômico.

Há outro caminho? O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pede imediata redução da taxa Selic, apesar de a inflação de preços livres estar acima de 6% ao ano. Colocamos novamente os bancos públicos subsidiando crédito ao setor produtivo. O outro caminho é exatamente o que fizemos de 2009 a 2014 – e que nos colocou nesse buraco!

Sempre que os ajustes são postergados, quando chega o futuro, ele é pior do que poderia ser. É sempre possível empurrar o futuro um pouco mais à frente. E, quando ele caprichosamente chegar de novo, será caprichosamente um pouco pior.

De negação em negação, vamos construindo nosso inferno. A inflação na Argentina passa dos 30% ao ano. Na Venezuela, o órgão oficial aparentemente desistiu de medi-la. Todas as avaliações sugerem algo muito acima de 100% ao ano. É para lá que nós vamos?

Sugestão de leitura: “Inflação, estagnação e ruptura, 1961-1967”, capítulo 9, de Mário Mesquita, em “A ordem do progresso”, a clássica coletânea de história econômica do Brasil organizada por Marcelo de Paiva Abreu, editado pela Campus. Governo fraco herdou economia desarranjada do governo anterior. De negação em negação, deu no que deu.

Crônica do desastre

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O silêncio ensurdecedor do governo sobre o terrível resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano — queda de 1,9% ante os três meses anteriores — dá a dimensão dos erros cometidos pela presidente Dilma Rousseff na economia. A perversa combinação de inflação alta, juros elevados, contas públicas em frangalhos, crédito escasso, corrosão da renda, desconfiança, desemprego e crise política não apenas destruiu o presente como comprometeu o futuro do país. Para sair do atoleiro em que se encontra, o Brasil precisará de pelo menos três anos de políticas econômicas responsáveis. O difícil é acreditar que Dilma será capaz de fazê-lo.

O resultado do PIB é um desastre de qualquer ponto de vista que seja analisado. Motor do crescimento nos últimos anos, o consumo das famílias foi dilacerado pela carestia. Os consumidores foram obrigados a tirar itens essenciais do carrinho de supermercado porque o orçamento não comportava mais. Parte da renda foi comprometida com o aumento das tarifas públicas, em especial, as da energia elétrica, que, na média, subiram mais de 50% neste ano. A corrosão do poder de compra está levando ao calote, que tende a se intensificar nos próximos meses, à medida que o desemprego for crescendo.

Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo das famílias caiu pelo segundo trimestre consecutivo — 1,5% e 2,1%, respectivamente —, fato que não se via há mais de uma década. Como a inflação continuará rodando acima de 9% no acumulado de 12 meses até pelo menos abril do próximo ano, não há como acreditar em recuperação da demanda. Por isso, os analistas ampliaram as projeções de retração do PIB para 2015 e 2016. Consumo fraco das famílias significa menos vendas do varejo e encomendas menores à indústria.

É esse ciclo vicioso que explica a brutal queda dos investimentos — somente entre abril e junho, o tombo chegou a 8,1%. Já são oito os trimestres seguidos de contração nos desembolsos das empresas. Os agentes econômicos não investem porque, quando olham para a frente, não veem perspectivas de melhoras. Muito pelo contrário. Assim, diante da gravidade da crise política, que aprofunda os problemas da economia, preferem manter o dinheiro em caixa do que arcar com prejuízos por causa da fragilidade do consumo. Sem investimentos, não há como se falar em retomada do crescimento.

Em meio ao caos provocado por Dilma, nem o setor de serviços, que reponde por mais de 71% do PIB do lado da oferta, conseguiu se manter de pé. Apesar de o nível de atividade vir se desacelerando desde meados de 2013, tal segmento vinha funcionando como um amortecedor, sobretudo na questão do emprego. Muitos trabalhadores demitidos pela indústria acabaram sendo absorvidos pelo setor de serviços, o que ajuda a explicar o fato de as taxas de desocupação ficarem tão baixas por tanto tempo, a despeito de a economia estar afundando. Agora, a situação desandou por completo.

Enganação
Os dados do IBGE remetem para as declarações de Dilma de que ela foi surpreendida pela crise que devastou a economia. Nos últimos oito trimestres, em quatro deles, o PIB registrou queda. Em outros dois, o indicador teve variação zero. Na média, a economia registrou contração trimestral de 0,38%, ou seja, não há como a presidente não ter percebido que a política que ela executava, a nova matriz econômica, estava afundando o país e contratando o desemprego, que se tornou o maior fantasma para as famílias.

Esperava-se que, depois de tantos erros, Dilma recuperasse o bom senso. Ledo engano. Agora, ela resolveu ressuscitar a CMPF, o imposto sobre movimentação financeira, para tentar fechar o caixa em 2016 e, depois de dois anos consecutivos de rombo nas contas públicas, finalmente cumprir a meta de superavit primário, de 0,7% do PIB, prometida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O governo, com sua mania de enganação, lançou a proposta de recriação do tributo com outro nome, Contribuição Interfederativa da Saúde CIS), prometendo rateá-lo com estados e municípios. Mas acabou admitindo que 98% dos recursos arrecadados ficarão com a União.

A proposta de ressurgimento da CPMF só alimenta a onda de desconfiança que está travando a economia. Implantado, o tributo retirará renda das famílias e encarecerá o custo de produção das empresas. Nesse contexto, o imposto será mais um empecilho para a recuperação da economia. Metendo os pés pelas mãos, a presidente só estimula as incertezas. E a fatura, todos nós sabemos, cairá no colo do lado mais fraco, a população, sobretudo da mais pobre, que, até Dilma ser reeleita, acreditava piamente que dias melhores estavam por vir.

Potencial e loucura
» Nos cálculos da Rosenberg Associados, na melhor das hipóteses, o Brasil só voltará a crescer próximo de seu potencial, de 2%, a partir de 2018. Isso, se o governo não cometer mais nenhuma loucura na economia.

Dilma, a pior do pior
» Realmente, Dilma entrará para a história como a pior presidente dos últimos 85 anos. Ela fará a proeza de acumular dois anos de queda do PIB. Não por acaso, até o criador dela, Lula, já vê com bons olhos a renúncia da petista.

Desejo e realidade
» Para o governo, o Banco Central deve ser bem claro na sua comunicação ao mercado após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. Terá que dizer que, definitivamente, não subirá mais os juros.

Torcida para recuperação
» A torcida dentro do Planalto é para que o BC comece a cortar a taxa básica de juros (Selic) no primeiro trimestre de 2016. Será um fato positivo para convencer os empresários de que a recuperação da economia está mais próxima.

É este governo que saberá liderar o país para que vençamos as crises? Esqueçam!

Ricardo Noblat

Quanta falta de vergonha: até outubro último vivíamos no país das maravilhas. Era o que dizia Dilma. A farsa acabou

(Foto: Divulgação)
Dilma Rousseff 

Cabe ao governo compatibilizar despesas e receitas ao confeccionar o Orçamento da União. Não o fez. Algo inédito. Um espanto!

Terceirizou o serviço ao propor ao Congresso um orçamento com um buraco de 30 bilhões de reais para 2016.

Ou o Congresso descasca o abacaxi que não é dele ou devolve o abacaxi ao governo.

O que o buraco no orçamento significa?

Que o Brasil quebrou. O governo gastou muito além do que podia para garantir a reeleição de Dilma e a permanência do PT no poder.

Quem não enxerga ou quer enganar os outros diz que o governo foi transparente ao deixar o buraco no orçamento.

Que nada! Foi incompetente. Ou então quis bancar o esperto. Simples assim.

Quanta falta de vergonha: até outubro último vivíamos no país das maravilhas. Era o que dizia Dilma. A farsa acabou.

Se o governo não consegue sequer fazer um orçamento direito por que saberá liderar o país para sairmos da crise?

Não foi FHC que quebrou o país, segundo o PT? Agora, foram o PT e Dilma. Estão quites.

Perdão, mas este governo só faz merda.

Pagamento de dívida?

Carlos Chagas
Tribuna da Internet


Procurador Janot agora ficou na berlinda

Não se dirá ter sido acerto de contas em pagamento à sua recondução como Procurador Geral da República, mas ficou estranha a decisão de Rodrigo Janot, anunciada domingo, de engavetar pedido de investigação no Tribunal Superior Eleitoral a respeito da presença de dinheiro podre na campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2014. Afinal, trata-se de sepultar a iniciativa do ministro Gilmar Mendes, sequioso da apuração de denúncias capazes de levar à anulação do pleito que reelegeu Madame.

Poderá a mais alta instância da Justiça Eleitoral rejeitar o parecer do Procurador Geral e dar andamento à apuração referente a ilícitos na recente campanha, mas a decisão agradou o palácio do Planalto e levou as oposições à desconfiança. Gilmar Mendes ficou uma fera e promete retrucar ainda esta semana.

Jamais o Tribunal Superior Eleitoral anulou uma escolha de presidente da República, sentença que levaria à realização de nova eleição ou ao reconhecimento da vitoria do segundo colocado, no caso, Aécio Neves. As duas hipóteses determinariam um trauma institucional, pois de uma forma ou de outra, Dilma foi reeleita.

Novas eleições seriam diretas, se a decisão do tribunal viesse ainda na primeira metade do mandato da presidente da República, mas poderiam dar-se pelo Congresso, na segunda metade. A reação do eleitorado que apoiou a vitória da chefe do governo seria fator de crise nas instituições, conturbando ainda mais a esfrangalhada situação econômica.

EXPECTATIVA
Por tudo isso, voltam-se as atenções para as próximas reuniões do TSE. E para Rodrigo Janot, atacado de frente por Gilmar Mendes, capaz de receber a solidariedade da maioria de seus colegas do Supremo Tribunal Federal.

QUEM SAI E QUEM FICA
Caberá ao chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, conduzir as negociações a respeito dos dez ministérios que deixarão de ser ministérios, em prazo não superior ao último dia do mês hoje iniciado. A briga está sendo de foice entre o PT e o PMDB, ainda que partidos menores com lugar na equipe de governo também se articulem para não perder espaço. Pior momento não existiria para a presidente Dilma mandar anunciar a redução ministerial. Mesmo assim, algumas gavetas da Esplanada dos Ministérios já começam a ser esvaziadas.

Fundador do PT, Hélio Bicudo pede impeachment de Dilma

Felipe Frazão
Veja online

Em petição que será apresentada no Congresso, jurista cita indícios de crime de responsabilidade que teriam sido cometidos pela presidente

(Editora Abril/Dedoc)
 Hélio Bicudo

"Se se conduzisse com probidade e respeitasse o orçamento, a presidente da República não precisaria fazer empréstimos vedados dos bancos públicos, bem como maquiar as contas públicas, como fizera e, por tudo isso, há de ser impedida de continuar em tão elevado cargo"


O jurista Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, preparou um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff que será apresentado no Congresso Nacional. Rompido com o partido desde a eclosão do escândalo do mensalão, em 2005, Bicudo concluiu uma petição em que aponta a "crise moral" no país, afirma que a Operação Lava Jato revelou um "descalabro" na Petrobras e dá indícios de crimes de responsabilidade que teriam sido praticados por Dilma, como as pedaladas fiscais, e por não ter demitido subordinados envolvidos no petrolão e no eletrolão.

"À Câmara dos Deputados Federais rogamos que coloque um fim nesta situação, autorizando que a Presidente da República seja processada pelos delitos perpetrados, encaminhando-se, por conseguinte, os autos ao Senado Federal, onde será julgada para, ao final, ser condenada à perda do mandato, bem como à inabilitação para exercer cargo público pelo prazo de oito anos, nos termos do artigo 52, parágrafo único, da Constituição Federal. É o que ora se requer!", afirma.

Bicudo sugere que sejam ouvidos como testemunhas dos atos ilícitos personagens centrais do petrolão como os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, o doleiro Alberto Youssef, o empreiteiro Ricardo Pessoa e o lobista Milton Pascowitch. A petição também é assinada pela professora de Direito Janaina Conceição Paschoal, da Universidade de São Paulo (USP). Eles citam no documento trecho da delação premiada de Youssef, revelado por VEJA, em que o doleiro sustenta que Lula e Dilma "sabiam de tudo" no esquema do petrolão.

Bicudo argumenta que a presidente Dilma deve ser processada por dolo e não apenas de maneira culposa, conforme entendem outros juristas, "pois a reiteração dos fatos, sua magnitude e o comportamento adotado, mesmo depois de avisada por várias fontes, não são compatíveis com mera negligência, estando-se diante de uma verdadeira continuidade delitiva". "Impossível crer que a Presidente da República não soubesse o que estava passando a sua volta", afirma.

"À luz da legislação vigente, entende-se que a Presidente da República atentou contra a probidade administrativa, primeiro, por "não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados" e, em segundo lugar, por "proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo".

Bicudo enumera em trinta páginas uma série de irregularidades descobertas pela Lava Jato e de má administração, como a compra da Refinaria de Pasadena, quando Dilma era do Conselho da estatal. Ele cita a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de reavaliar as contas de campanha de 2014 e os apontamentos do Tribunal de Contas da União sobre violações à Lei de Responsabilidade Fiscal.

"A presidente, que sempre se apresentou como valorosa economista, pessoalmente responsável pelas finanças públicas, deixou de contabilizar empréstimos tomados de instituições financeiras públicas (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), contrariando, a um só tempo, a proibição de fazer referidos empréstimos e o dever de transparência quanto à situação financeira do país. Em suma, houve uma maquiagem deliberadamente orientada a passar para a nação (e também aos investidores internacionais) a sensação de que o Brasil estaria economicamente saudável e, portanto, teria condições de manter os programas em favor das classes mais vulneráveis", diz o documento. "O expediente conhecido por pedaladas seria mais do que suficiente para ensejar o impedimento da presidente da República. No entanto, a sucessão de escândalos e o comportamento por ela reiteradamente adotado revelam dolo, consubstanciado na adoção, no mínimo, da chamada cegueira deliberada."

Ele também questiona a falta de transparência em contratos firmados pelo BNDES para financiar obras em países como Cuba e Angola, realizadas por empreiteiras brasileiras implicadas na Lava Jato. Segundo o ex-petista, a insistência de Dilma em manter o sigilo sobre as operações "permite inferir que ela conhecia o esquema sofisticadamente criado para drenar os recursos do país, tudo com o fim de perpetuar seu grupo no poder".

Lula - 
O procurador de Justiça aposentado, função na qual combateu crimes cometidos pelo Esquadrão da Morte na ditadura militar, e ex-presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos também se insurge contra o ex-presidente Lula e afirma que ele sempre agiu em prol da Odebrecht no exterior. Ele aponta que Lula e Dilma afirmam que nunca se dissociaram um do outro, o que evidencia a influência de Lula no Palácio do Planalto. "A relação íntima entre a denunciada e Lula e entre este e a principal construtora envolvida no esquema, indica que a presidente sempre soube. Ainda que assim não fosse, a probidade teria restado lesada por meio de seu comportamento condescendente para com aqueles que eram (e continuam sendo) alcançados pela Lava Jato e seus desdobramentos."

"Durante muitos anos, todos os brasileiros foram iludidos com o discurso de que Lula seria um verdadeiro promotor do Brasil, no exterior, um propagandista que estaria prospectando negócios para as empresas nacionais. No entanto, conforme foram se descortinando os achados da Lava Jato, restou nítido que todo esse cenário serviu, única e exclusivamente, para sangrar os cofres públicos. A Lava Jato jogou luz sobre a promíscua relação havida entre Lula e a maior empreiteira envolvida no escândalo, cujo presidente já está preso. Não há mais como negar que o ex-presidente se transformou em verdadeiro operador da empreiteira, intermediando seus negócios junto a órgãos públicos, em troca de pagamentos milionários por supostas palestras, dentre outras vantagens econômicas".

Bicudo também combate o discurso falacioso propalado por Lula e pelo PT, que insistem em classificar as investigações como um golpe em curso para prejudicar a Petrobras e uma perseguição orquestrada pela oposição e pela elite brasileira contra o partido. "Somos negros e brancos, jovens e idosos, homens e mulheres de várias orientações sexuais, nordestinos e sulistas, somos brasileiros querendo resgatar a honra que ainda resta para este país. Os tiranos que dele se apoderaram construíram um discurso de cisão, objetivando nos enfraquecer, para se perpetuarem."

Quem causou o dano que indenize. Todos são culpados, até prova em contrário

Jorge Béja
Tribuna da Internet

Sem o menor pudor e sem nenhum constrangimento, Levy (ministro da Fazenda) e Barbosa (ministro do Planejamento) anunciaram ontem a proposta orçamentária para 2016 apontando déficit de 30 bilhões e meio. Esse é o montante que não foi possível encobrir. A perda é de muito maior expressão. Ainda assim, o vice Michel Temer, com júbilo e garbo, veio acrescentar que a divulgação era a prova de “transparência”, querendo com isso dizer que tudo não passou de, digamos, caso fortuito, de força maior, e, portanto, causas alheias e contra a vontade do governo!. Nada mais cínico.

QUEBRA E PLANO INDECOROSO
O anúncio de ontem, o primeiro na história do país, foi  a confissão, para os brasileiros e para o mundo, da insolvência do Brasil, perto de 13 anos depois que Lula-Dilma-PT & Cia. ascenderam ao poder. O Brasil quebrou. E a confissão veio acompanhada de ridículo plano para tirar o Brasil do buraco econômico em que se encontra. Isso, sem falar no descrédito moral.

A venda do patrimônio imobiliário nacional, um dos itens deste impatriótico e indecoroso plano, não encontra respaldo na lei, na moral e na ética. O artigo 100 do Código Civil diz que os bens públicos são inalienáveis, enquanto servirem ao povo, a quem pertencem.

Mas ainda assim, o imobiliário público poderia até mesmo ser vendido, porém, em situação excepcionalíssima. Para tanto, é necessário que haja, primeiramente, interesse público devidamente demonstrado. Seguem-se a avaliação prévia e licitação por concorrência. E tudo isso não será possível sem autorização legislativa. Ou seja, o Congresso, através de lei, precisa autorizar antes.

SEM EXAGERAR
Mas onde está o “interesse público devidamente justificado”, de que trata o artigo 17 da Lei 8.666 de 1993, se a causa da quebra foi a péssima administração instalada há quase 13 anos?  Não existe o requisito do “interesse público”, muito menos “justificado”, para que imóveis da União (administração direta, autarquias, fundações e paraestatais) sejam alienados, menos ainda para fazer o caixa do Tesouro Nacional. E ainda se corre o sério perigo da venda de parte do território nacional. Sim, não é exagero.

Vejamos: quem compra um imóvel edificado adquire também todo o terreno em que a construção foi erguida. O acessório (a construção) sempre segue o destino do principal (o terreno). E se construção não existir, a terra também poderá será alienada, no tamanho e extensão que o poder público puser à venda. E edificações e terras de imensidão de glebas da União é que não faltam. Sobram em demasia neste continente de nome Brasil.

E se esses loucos decidirem vender parte da Amazônia, seja para quem for o adquirente, nacional ou estrangeiro? Aí teremos um país com área territorial diminuída, porque foi vendida. Sordidamente vendida. E sordidez não falta nessa gente, que vende a alma, vende a honra, e também vende o Brasil.

QUEM CAUSOU O DANO
No Direito Privado, empresa que se encontra na situação em que está o Brasil ou pede a Recuperação Judicial, ou pede a própria falência. E no caso, elege-se um comitê e um gerenciador para estarem à frente da empresa sem lastro, até que ela se recomponha (no caso de recuperação) ou seja extinta judicialmente (no caso de falência) com a apuração dos ativos e passivos, fazendo-se o pagamento aos credores na ordem prevista na Lei de Falência, se tanto for possível.

No caso da quebra ter sido motivada por fraudulenta gestão, a diretoria culpada-responsável responde a processo criminal. E dá cadeia. Mas a República Federativa do Brasil não é uma empresa, mas pessoa jurídica de Direito Público, interno e externo. É uma República. Uma democracia. Não se sujeita à Lei de Falência. Mas está submissa à vontade do povo. E a maioria do povo deseja que essa administração desastrada deixe o poder, porque eles afundaram o país.

TODOS SÃO CULPADOS
Daí porque todos são culpados, até prova em contrário. Por isso devem ser sumariamente afastados, presos preventivamente, processados, julgados e condenados. A propósito: o déficit para 2016, segundo aqueles dois ministros que falaram ontem, é de 30 bilhões e meio. E o rombo na Petrobras-PT?.  Conforme o balanço do último Abril, não foi de 21 bilhões e 600 milhões?. Perto do déficit, portanto.

E agora essa gente ainda quer destruir o patrimônio nacional e arruinar mais ainda a vida do povo brasileiro, com venda de imóveis públicos federais, com impostos e taxações, tudo para cobrir o déficit de 30 bilhões e meio para o próximo ano de 2016? Que os 30,5 bilhões saiam de seus próprios bolsos, de suas contas bancárias, onde estiverem, não é mesmo Meritíssimo Juiz Sérgio Moro?


Joaquim avaliza ataque de Gilmar ao governo

Redação
Diário do Poder

Ele concorda que corrupção no Brasil é método de governança

(FOTOS: AGÊNCIA BRASIL) 
Joaquim Barbosa, ministro aposentado do STF, 
e Gilmar Mendes, também do TSE. 

Ministro aposentado e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa subscreve cada palavra das declarações do ministro Gilmar Mendes, que no fim de semana declarou que a corrupção se transformou em “método de governança do governo que está no poder”. Ministro do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar disse também que mensalão e “petrolão” são “irmãos gêmeos”.

A simpatia de Joaquim Barbosa pelas declarações de Gilmar Mendes ficou clara nas conversas com amigos e colegas advogados.

Referindo-se a Dilma, Gilmar também disse achar difícil aceitar que por sua “posição de responsabilidade” desconhecer “essas práticas”.

Gilmar Mendes desdenhou dos ataques que recebe do PT: “A gente se qualifica pelos amigos que tem e pelos inimigos que cria”…

Gilmar Mendes diz que parecer de Janot em ação contra Dilma é 'ridículo'

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Procurador-geral da República arquivou pedido de apuração sobre eventuais crimes eleitorais cometidos na campanha da presidente

(Dorivan Marinho/SCO/STF/Divulgação)
Vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 
ministro Gilmar Mendes, durante sessão plenária

O ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classificou como "ridículo" o despacho em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou pedido de investigação da campanha que reelegeu a presidente Dilma Rousseff e considerou a fundamentação "de infantil a pueril". O ministro não quis dizer se considera a decisão de Janot motivada por um "acordão" com o governo, como tem acusado a oposição à petista.

No dia último dia 13, Janot decidiu arquivar uma notícia de fato, ou seja, uma investigação preliminar, na qual Mendes pedia a apuração de eventuais crimes cometidos na campanha do PT relacionados à contratação da empresa VTBP. O ministro disse que a conduta da Procuradoria nesse caso foi distinta da adotada em outras questões eleitorais.

"E aí vem com argumentos de pacificação social, até usando um voto meu. Ora, o Ministério Público a toda hora está pedindo cassação de mandato de vereadores, de prefeitos, de governadores, de senadores. Então isto [arquivamento] vale apenas para a campanha da presidente Dilma?", criticou Mendes, para quem haveria "assimetria" em relação à Presidência da República. "Toda a atuação da Procuradoria, no geral, não é no sentido de tirar a Justiça Eleitoral do jogo. Pelo contrário, é de provocá-la", afirmou.

O ministro ironizou o fato de o despacho em que determina o arquivamento ter sido realizado no dia 13, número do PT. "Vem o despacho do procurador determinando o arquivamento, sintomaticamente no dia 13 de agosto. Deve ser mera coincidência."

Para se defender das críticas feitas por Janot no despacho, o ministro disse que solicitou a apuração de ilícitos na esfera criminal. Mendes defende o prosseguimento das investigações inclusive para esclarecer se a própria campanha eleitoral teria sido vítima de algum crime praticado por empresas fornecedoras de produtos e serviços. Para ele, arquivar as investigações agora é "temerário".

"Ele [Janot] fala até no prazo de quinze dias [para impugnação de mandato]. Não tem nada a ver com este tema. O que nós estamos cogitando é de eventuais ilícitos criminais de ordem societária, falsidade e até estelionato contra a própria campanha", contestou.

O ministro explicou ainda que a apuração de eventuais ilicitudes eleitorais está em curso em quatro ações que correm atualmente no TSE. Sobre essas investigações, Mendes afirmou que não serão paralisadas em consequência do arquivamento feito por Janot. "Tudo vai continuar sendo investigado", disse o ministro, acrescentando que as informações também foram enviadas à Polícia Federal (PF).

O ministro esclareceu que, ao encaminhar as informações à Procuradoria e à PF, não pretendia pedir a cassação de mandato, mas "esclarecer fatos". Segundo ele, a decisão de Janot é prejudicial a essa elucidação. "Desde logo não se pode oferecer uma blindagem, sobretudo em nome do prazo de quinze dias para impugnação [de mandato]."

Em nota, a Procuradoria-Geral Eleitoral esclareceu que não foram constatadas irregularidades praticadas pela empresa VTPB, por isso a investigação foi arquivada, e que outras representações continuam em andamento.

Parecer de Janot para blindar Dilma estava pronto há tempos

Carlos Newton
Tribuna da Internet

As notícias dos jornais e sites da grande mídia são imprecisas. Alguns deles anunciam que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, teria mandado arquivar o pedido de investigação da campanha eleitoral do PT, enviado pelo Tribunal Superior Eleitoral, através do ministro Gilmar Mendes. Outros dizem que ele apresentou um parecer a favor do arquivamento.

Pessoalmente, acredito que Janot apenas encaminhou um parecer, por dois motivos: primeiro, não cabe ao representante do Ministério Público Federal arquivar determinação do Tribunal Superior Eleitoral, ele não tem essa competência; e segundo, um homem como Janot, que é xingado cara a cara de “filha da puta” e “crápula”, e não reage, jamais teria coragem para arquivar uma decisão do TSE.

O episódio deixa bastante claro é que Janot se tornou o novo engavetador-geral da União, uma espécie de Geraldo Brindeiro em versão mais rotunda. Já começou a cumprir o grande acordo que o reconduziu à Procuradoria-Geral da União, e o faz com grande dedicação e servilismo, adotando um comportamento sabujo que desonra o Ministério Público Federal, sem a menor dúvida.

PRIMARISMO ASSUMIDO
O engavetador Janot é tão primário que nem tomou cuidados para evitar que ficasse demonstrada sua submissão absoluta ao Planalto. No afã de mostrar serviço ao Planalto, deixou o rabo de fora da toca e foi apanhado pela ratoeira, como se dizia antigamente.

Sua pressa deixou explícito que este parecer pelo arquivamento das investigações estava pronto há tempos e com toda certeza serviu de base à negociação com o Planalto e o Senado, no já famoso acordo que o levou a ser reconduzido à Procuradoria.

Vamos seguir a trilha. O TSE se reúne apenas dois dias por semana, às terças e quintas. O pedido de investigação foi feito pelo relator Gilmar Mendes na sessão de 13 de agosto. No mesmo dia 13, Janot imediatamente encaminhou ao TSE uma mensagem ao ministro, acompanhada do extenso parecer previamente redigido, deixando evidente que há tempos já estava tudo pronto para blindar a presidente Dilma Rousseff na Justiça Eleitoral, através de um arrazoado prévio, do tipo celular pré-pago, que ela certamente adorou.

IRONIZANDO GILMAR MENDES
No ousado parecer, o engavetador Janot chegou a ironizar o ministro-relator.. “É em homenagem à sua excelência [Gilmar Mendes], portanto, que aduzimos outro fundamento para o arquivamento ora promovido: a inconveniência de serem, Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, protagonistas — exagerados — do espetáculo da democracia, para os quais a Constituição trouxe, como atores principais, os candidatos e os eleitores“, escreveu.

Afirmou também ter receio da judicialização exagerada, dizendo que é preciso levar em conta que a Constituição Federal estabeleceu como atores principais do processo eleitoral “os candidatos e os eleitores“. Por fim, defendeu que “os derrotados devem conhecer sua situação e se preparar para o próximo pleito“.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA
Neste “espetáculo da democracia” a que se referiu, Janot tenta se tornar personagem principal, quando é apenas mero coadjuvante. É o ministro Gilmar Mendes que está roteirizando e dirigindo a peça, como relator da prestação de contas da campanha de Dilma à reeleição e da ação criminal do PSDB. Além de acionar a Procuradoria-Geral da República, Mendes determinou também que a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo investiguem as irregularidades na campanha eleitoral do PT, além dos indícios de que recursos desviados no esquema de corrupção da Petrobras também abasteceram o caixa petista. E Janot não manda em nenhuma dessas instituições.

Por fim, é certo que muitos procuradores que votaram a favor da recondução de Janot hoje estejam arrependidos e envergonhados com a atuação deste novo engavetador-geral da República. Não cabe a Janot defender e blindar a locatária do Planalto, esta missão é da Advocacia-Geral da União. A função do procurador-geral da República é de ser o fiscal da lei. Mas certamente o serviçal e bajulador Janot já esqueceu esse pequeno detalhe da doutrina jurídica.

Relator das contas de Dilma diz que país ‘não tem rumo’

Daniela Lima
Folha de São Paulo

Relator do processo que analisa as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, o ministro do TCU ( Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes disse nesta segunda-feira (31) que o Brasil está “sem direcionamento” e usou uma bússola quebrada para indicar que o governo “não tem rumo”.

Ele afirmou ainda que as chamadas pedaladas fiscais não podem mais acontecer e usou seu Estado, o Rio Grande do Sul, para indicar que o mesmo pode ocorrer com o país se o governo continuar gastando mais do que arrecada.

“No meu Estado, a bicicleta já quebrou. Se não fizermos algo no Brasil, o mesmo pode acontecer. Temos que dar um basta”, afirmou.

O governo gaúcho está parcelando o pagamento de servidores públicos por não ter como fechar suas contas.

O ministro disse ainda que deu mais prazo para o governo se defender no processo porque foi comunicado pelo advogado-geral da União, Luis Adams, que, se recusasse, o governo recorreria ao Supremo Tribunal Federal. “Concedi para evitar que o caso fosse para uma instância superior.”

CONSEQUÊNCIAS DRAMÁTICAS
Nardes voltou a afirmar que hoje o TCU questiona o governo sobre questões mais graves do que as pedaladas. Segundo ele, o fato de o governo não ter cumprido o que havia programado para contingenciar no ano passado, se não for explicado, terá consequências mais dramáticas para a presidente Dilma.

Ele explicou que ministros e subordinados podem ser responsabilizados pelas pedaladas, mas o contingenciamento é uma prerrogativa exclusiva da presidente. O governo havia dito que iria contingenciar, ou seja, não gastar R$ 28 bilhões, mas não o fez.

Uma condenação do TCU é uma das principais apostas da oposição para abrir um processo de impeachment contra contra a presidente Dilma. Sem entrar no mérito, Nardes afirmou que para conduzir um governo é preciso ter credibilidade e confiança. “Daí o ponto de ter contas confiáveis”, emendou.

HISTÓRICO
Em junho, o TCU começou a votação das contas de 2014 da presidente, mas o relator considerou que, devido a várias irregularidades constatadas pelo órgão, eram necessários novos esclarecimentos do governo.

A tendência, na época, era que as contas fossem rejeitadas devido às chamadas pedaladas fiscais –manobras do governo para adiar pagamentos e usar bancos públicos para cobrir as dívidas.

O governo alega que as manobras com os gastos públicos são realizadas há muitos anos e que não as considera ilegais.

TCU já sabe como Dilma usou pedaladas para ganhar a eleição

Dimmi Amora
Folha de São Paulo

O procurador do Ministério Público no TCU (Tribunal de Contas da União), Julio Marcelo de Oliveira, afirmou que a presidente Dilma Rousseff se beneficiou eleitoralmente das irregularidades nos gastos públicos identificadas pelo órgão no ano passado.

Oliveira prestou depoimento com outros técnicos do tribunal à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para explicar a decisão de pedir explicações ao governo sobre esses atos, não aprovando assim as contas de gestão da presidente Dilma em 2014.

“O governo deixou livres para execução despesas não obrigatórias, que teria que cortar [devido à queda na arrecadação]. O que ocorre em 2014 é que o governo federal aumenta programas não obrigatórios que têm forte impacto eleitoral”, disse o procurador.

Ele citou que os gastos do Fies, programa de bolsas para universitários, aumentaram de R$ 5 bilhões para R$ 12 bilhões, lembrando que isso só foi possível por causa das irregularidades apontadas, que ficaram conhecidas como “pedaladas fiscais”.

ANO ELEITORAL
O procurador lembrou que a Lei de Responsabilidade Fiscal tem preocupação específica com o ano eleitoral porque foi criada para acabar com a “farra” de gastos públicos que ocorria nesses anos, levando a prejuízos para toda a sociedade.

Segundo ele, o governo já sabia desde o início do ano que não teria recursos para seus programas e, só após o período eleitoral, fez cortes de despesas.

“Até agosto, o governo não se comportou de maneira coerente com a realidade. Viveu uma fantasia. Após a eleição, veio a realidade”, disse Oliveira.

Segundo o procurador, o dolo, que seria a culpa da presidente, “grita nos autos” devido ao fato do governo ter aumentado despesas até agosto e mantido a informação que faria um superavit fiscal de R$ 80 bilhões e, após o fim das eleições, informa que terá um déficit de R$ 20 bilhões.

DOLO EVIDENTE
“Essa mudança de panorama de agosto para outubro, na opinião do ministério público, caracteriza um dolo evidente de manifestar uma situação fiscal irreal no período pré-eleitoral e só trazer a realidade após o período eleitoral”, afirmou o procurador.

Os representantes do TCU explicaram aos senadores quais são as 15 irregularidades que foram apontadas pelo tribunal nas contas de 2014 e que a presidente Dilma terá que apresentar defesa.

Caso os ministros do tribunal entendam que ela não cumpriu itens das leis de Responsabilidade Fiscal e Orçamentária e da Constituição, as contas poderão ser reprovadas, reforçando a corrente que defende o impeachment da presidente no Congresso, que dará a palavra final sobre as contas públicas.

“JUSTIFICATIVAS”
O procurador também fez questão de contestar perguntas do senador Fernando Bezerra (PSB-PE) de que o uso dos bancos públicos para pagar despesas é prática comum e antiga. Segundo ele, jamais os saldos do governo com os bancos públicos para pagar despesas do governo ficaram por praticamente um ano, diariamente, deficitários.

O senador José Pimentel (PT-CE) contestou o procurador e lembrou que o TCU referendou contas de 2012 e 2013 com as mesmas irregularidades apontadas nas contas de 2014. Oliveira informou que, pelo fato de não ter sido contestado antes, não há razão para o TCU não fiscalizar as contas.

Pela lei, despesas precisam de ter previsão de receita

Míriam Leitão
O Globo

A intenção do governo de enviar o orçamento deficitário atinge o coração da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Entre outros pontos, ela determina que só é possível estabelecer despesa se houver receita para cobri-la.

A peça tem que ser equilibrada. Se, no futuro, houver alguma frustração de receitas, o governo pode fazer algum contingenciamento ou tomar outra medida para equilibrar as contas.  

O governo fez a proposta de orçamento prevendo a volta da CPMF. Mas só apresentou o novo tributo na semana passada. O público pagante — nós, contribuintes — reagiu. O governo abandonou a ideia no fim de semana e agora vai enviar ao Congresso um orçamento com rombo. Isso nunca aconteceu desde a implantação da LRF.

É estapafúrdia a teoria de que a peça orçamentária será apresentada com déficit para pressionar o Congresso. Esse argumento foi encontrado após o problema.

O executivo tem a obrigação de apresentar uma proposta equilibrada. Em seguida, os parlamentares mexem na peça e, depois disso, o governo pode vetar as mudanças que criam despesas sem determinar a origem das receitas. Esse é o caminho. Mas desta vez o governo quer mandar uma bola quadrada para o Congresso e mandá-lo se virar, arrumar uma solução para o orçamento com déficit.

O governo se atrapalhou completamente. Por mais que o Congresso tenha sido irresponsável nos últimos meses, criando despesas em pleno ajuste, o governo também se comporta mal com a ideia de enviar uma proposta orçamentária desequilibrada.

Levy tinha um plano para evitar rombo no orçamento – e foi voto vencido

Ana Clara Costa
Veja online

(Ueslei Marcelino/Reuters)
 A proposta de Levy para o orçamento foi para o fim da fila

É sabido que o ministro da Fazenda Joaquim Levy não concordava com o plano do governo de apresentar previsão de déficit orçamentário para 2016. A alternativa do ministro, segundo fontes próximas, era levar adiante um projeto de cortes de gastos obrigatórios, previstos em lei, e a redução drástica de programas como o Fies e o Ciência sem Fronteiras. Benefícios setoriais, como o seguro-defeso para pescadores, que foi reduzido durante o ajuste fiscal aprovado este ano, seriam enxugados ainda mais. O ministro não estudava, por enquanto, cortes no Bolsa Família.

Nas contas de Levy, com os cortes, os gastos passariam a se encaixar na arrecadação, tornando possível a apresentação de uma peça orçamentária no azul. A estratégia continuaria dependente de aprovação no Congresso - ou seja, corria grandes riscos de sofrer ataques. Mas agradaria às agências de classificação de risco. A presidente Dilma preferiu recorrer à ideia desastrada da CPMF, que Levy foi orientado a encampar. Diante do fracasso, deu aval ao plano de Nelson Barbosa, de déficit "transparente". As propostas do ministro foram para o fim da fila. 

PIB só recupera nível de 2013 em 2018

Luiz Guilherme Gerbelli e Cleide Silva
O Estado de S. Paulo

Estimativa de especialista em finanças leva em conta as projeções de analistas de mercado no Boletim Focus e o PIB em dólar


Governo Dilma Rousseff passa por grave crise política e econômica

A recessão apontada pelo mercado para os próximos anos e a ligeira retomada esperada a partir de 2017 vão deixar a economia brasileira menor. A forte intensidade da retração observada vai fazer diminuir o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) do País e fazer com que ele volte ao patamar de 2013 apenas em maio de 2018.

Os cálculos do professor de finanças Alexandre Cabral mostram que o PIB da economia brasileira encerrou 2013 em R$ 5,513 trilhões, número que só será alcançado em maio de 2018. Com a recessão esperada para o atual biênio, o tamanho da economia brasileira deverá diminuir para até R$ 5,394 trilhões ao fim de 2016.

Para elaborar o estudo, Cabral usou como base as previsões do relatório Focus, do Banco Central. Para os analistas, a recessão será de 2,06% em 2015 e de 0,24% em 2016. Em 2017, o crescimento será de 1,50% e, para 2018 a estimativa é de 2%.

Os números que serviram de base para o estudo podem ser considerados conversadores, de acordo com Cabral. Boa parte dos bancos e das consultorias já trabalha com um cenário mais pessimista do que o apontado pelo Focus para 2015, com queda de até 3% no PIB.

O levantamento também contemplou o PIB em dólar do País. Nesse caso, a tendência é de quedas sucessivas por causa da forte desvalorização do real. De 2013 para 2018, o tamanho da economia brasileira passará de US$ 2,387 trilhões para US$ 1,555 trilhão. 

“Para a economia brasileira voltar aos US$ 2 trilhões vai ser muito difícil”, afirma Cabral.

Recuperação. 
A recessão da economia brasileira em 2015 está mais intensa do que o previsto no início do ano, e a recuperação, por ora, parece cada vez mais distante. “Na comparação trimestral, o PIB só deve voltar a subir no segundo trimestre de 2016”, afirma Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada. Para este ano, ela estima uma retração de 2,3%, e estabilidade em 2016.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, espera uma retração na economia em 2016. Além dos fatores internos, ele cita as incertezas com o cenário externo. A economia chinesa dá sinais de desaceleração, e existe a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) aumentar os juros. “O ano de 2017 poderá ser melhor, pois a economia já terá passado por três anos de forte ajuste de custos para as empresas”, diz Vale. 

No dia a dia das empresas, a falta de perspectiva com relação a uma possível melhora do PIB brasileiro também dificulta a retomada dos negócios. O presidente da fabricante de máquinas-ferramenta Ergomat, de São Paulo, Andreas Meister, acredita que uma recuperação da economia só ocorrerá a partir do segundo semestre do próximo ano ou a partir de 2017. Para ele, não há sinais de reversão do quadro atual antes disso para a indústria da transformação. “Muitas empresas estão desinvestindo, parando parte das fábricas por falta de demanda”, diz Meister, que reclama da alta dos juros, dos impostos e da inflação. Parte do problema, diz ele, é “psicológico”, pois falta confiança à população e aos empresários, que estão inseguros. 

Saída. 
Um consenso entre os economistas é que um alívio para o País deverá vir por meio das exportações. A desvalorização do real deve tornar os produtos brasileiros mais atrativos, o que pode ajudar a melhorar a vendas externas.

“Por causa da desvalorização cambial, o produto fica mais competitivo e já se percebe um movimento de recuperação de volumes. Isso deve prosseguir nos próximos trimestres”, afirma Fabio Silveira, diretor de pesquisas econômicas da GO Associados.



Após queda de 1,9% no PIB do segundo tri, economistas pioram projeção para 2015 e 2016

Andrea Freitas
O Globo

Pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central, mostra segunda queda seguida na expectativa para a inflação de 2015; para o ano que vem, nova alta



RIO - Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus mais uma vez reduziram as perspectivas para o PIB. A projeção para o resultado da atividade econômica neste ano caiu pela sétima semana seguida, passando de -2,06% para -2,26%. Para 2016, a previsão piorou pela quarta semana consecutiva: em vez de um recuo de 0,24%, como previsto no último boletim, agora, espera-se uma baixa de 0,40%.

Já a projeção para a inflação de 2015 foi aliviada pela segunda semana seguida, após uma maratona de 17 altas consecutivas. O número, no entanto, ainda é muto alto: 9,28%. A expectativa para o ano que vem, por outro lado, foi elevada pela quarta semana, a 5,51%.

A queda de 1,9% no PIB do segundo trimestre deste ano, divulgada na última sexta-feira pelo IBGE, foi maior do que a prevista por analistas. Economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg estimavam, na média, uma retração de 1,7%. Isso levou a revisões imediatas do resultado para o ano. Logo após a divulgação do instituto, bancos e consultorias anunciaram novos números: o pior deles prevê que a atividade econômica encolherá 2,7% este ano. A piora nas projeções da pesquisa Focus, no entanto, ainda não devem ter capturado o impacto do resultado do PIB. Por isso, tendem a ser ainda piores no relatório que será divulgado na segunda-feira que vem.

A deterioração das projeções para o PIB de 2015 também puxa para baixo a expectativa para o ano que vem. Há apenas quatro semanas, a pesquisa do BC mostrava que a economia encolheria menos de 2% em 2015, com um recuo de 1,80%. O dado referente a 2016 ainda aparecia no azul, com uma projeção de leve expansão da atividade econômica de 0,20%. Quando o número de deste ano ultrapassou a barreira dos 2%, com perspectiva de encolhimento de 2,01%, a projeção do ano seguinte também entrou no vermelho, em -0,15%.

Já a inflação de 2015 deu trégua pela segunda semana seguida. Em vez de 9,29%, a expectativa para este ano é que o IPCA fique em 9,28%. O relatório divulgado na semana passada mostrara, pela primeira vez desde abril, uma redução na expectativa para o índice oficial de preços este ano.



  
Por outro lado, houve piora pela quarta semana seguida na perspectiva para a inflação no ano que vem. Em vez de um IPCA de 5,50%, os economistas apostam que a taxa fique em 5,51% — acima da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo.

Em relação ao dólar, o relatório Focus mostrou a manutenção da taxa de câmbio prevista tanto para o fim de 2015 quanto para 2016. Depois de cinco altas seguidas, os economistas mantiveram em R$ 3,50 o valor esperado para a moeda americana em dezembro deste ano. Já para o ano que vem, a previsão foi mantida pela segunda semana consecutiva em R$ 3,60.

A taxa básica de juros, a Selic, deve ser mantida no atual patamar, de 14,25%, segundo os economistas, que não alteraram essa projeção pela quinta semana seguida. Para o ano que vem a pesquisa mostrou manutenção da expectativa em 12%. O Comitê de Política Monetária (Copom) vai se reunir nesta semana.