quinta-feira, outubro 22, 2015

A grande farsa lulopetista

Editorial 
O Estado de São Paulo

A quem o PT pensa que engana quando tenta agradar a gregos e troianos fingindo que faz oposição ao governo que elegeu? A única coisa que o presidente nacional do partido, Rui Falcão, conseguiu ao declarar, a mando de Lula, que a “política econômica” do governo está errada e o ministro Joaquim Levy deve ser demitido foi desmoralizar ainda mais a presidente Dilma Rousseff, que, em desespero de causa, está tentando colocar em ordem as contas do governo que ela mesma bagunçou, condição indispensável à retomada do crescimento econômico. Em visita oficial à Suécia, Dilma retrucou: “O presidente do PT pode ter a opinião que quiser. Mas não é a opinião do governo”. E arrematou, categórica: “Ele (Levy) não está saindo do governo. Ponto”. Se ela diz...

Nunca é demais repetir: até 2014, quando então fez “o diabo” para reeleger Dilma, o petismo insistiu em apregoar e aplicar uma “nova matriz econômica” que priorizou os investimentos de alto retorno eleitoral – como programas sociais que efetivamente ajudaram a tirar milhões de brasileiros momentaneamente da miséria, mas sem nenhuma garantia de efetiva inserção na atividade econômica – aliados a uma agressiva política de renúncia fiscal, para estimular a produção, e de “flexibilização” do crédito popular, para estimular o acesso a bens de consumo. O populismo lulopetista optou por investir no retorno eleitoral imediato, relegando a plano secundário os programas de investimento de maturação mais lenta em bens sociais como educação, saúde, saneamento, mobilidade urbana, segurança, etc.

De acordo com a constatação insuspeita de Frei Betto, nas favelas que se multiplicam por todo o País se encontram hoje barracos devidamente equipados com geladeira, eletrodomésticos, televisores moderníssimos, às vezes até mesmo carros populares e outros objetos de consumo, mas quando saem porta afora as pessoas não encontram escolas, postos de saúde e hospitais decentes, transporte público eficiente e barato, segurança adequada, enfim, os bens sociais que são muito mais essenciais a um padrão de vida digno do que os bens de consumo que lhes oferecem a ilusória sensação de prosperidade.

Essa política econômica populista e intervencionista, que, como hoje se constata, não tinha possibilidade de se sustentar sobre pés de barro, provocou a grave crise que reduziu a pó a popularidade de Dilma, de Lula e do PT, levando a presidente da República a, como último e constrangido recurso, dar um tempo na gastança irresponsável e tentar colocar as contas do governo em ordem, tarefa atribuída a uma equipe comandada pelo “liberal” Joaquim Levy.

Divididos entre a necessidade de o governo adotar medidas impopulares de austeridade e a inconformidade com essas medidas compreensivelmente manifestada pelas “bases”, as entidades e organizações filopetistas, Lula e o PT não tiveram dúvidas: para salvar a própria pele fingem que abandonaram à própria sorte uma presidente da República impopular e sustentam o tradicional discurso populista e irresponsável, segundo o qual o governo tudo pode. Basta querer, quando se trata de “ficar do lado dos pobres”.

O que pedem Lula e o PT? Entre outras medidas ditadas pelo voluntarismo populista, nada menos do que o restabelecimento da política de crédito fácil e abundante que fez a festa do lulopetismo até o ano passado. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Rui Falcão foi direto ao ponto: “É importante mudar a política econômica. É preciso que se libere crédito para investimento, para consumo. É uma forma de fazer a economia rodar”. Como se a economia não estivesse “rodando” por pura implicância do ministro da Fazenda. Faltou apenas Falcão explicar de onde o governo vai tirar dinheiro suficiente para “liberar” o crédito para consumo.

O patrão de Rui Falcão não se cansa de repetir que o governo precisa de uma “agenda positiva”, de parar de falar em ajuste fiscal e outras coisas desagradáveis e tratar de dar “esperança” ao povo. Resta saber quem teria alguma credibilidade para levar na conversa o brasileiro que está sofrendo na pele e no bolso o enorme fracasso do “projeto de felicidade” de Lula. Mais do que nunca, é uma grande farsa.

Uma crise sem segredos.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

De Dilma, sobre a pressão para que afaste seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy: "Quando digo não, não há outra opção, é não e acabou". Beleza: a presidente que não sabe se fica sustenta o ministro que não sabe se aguenta ficar. Defende a política econômica que atacou na campanha e que é condenada não só por seu partido, mas por Lula, seu padrinho político. Lula quer porque quer trocar Levy por Henrique Meirelles, presidente do grupo Friboi, não se sabe bem por que, já que a política econômica não mudaria tanto de um para outro.

Então a solução é a oposição? Há controvérsias: a oposição concorda com a atual política econômica de Joaquim Levy, mas vota contra, derrubando até as normas que criou quando estava no Governo. 

E pode ser complicado decretar que a crise é moral e exigir providências legais para resolvê-la. O substituto natural de Dilma é o vice Michel Temer - mas irregularidades nas contas da campanha o atingem tanto quanto a Dilma, já que foram companheiros de chapa. O segundo é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O terceiro é o presidente do Senado, Renan Calheiros. Cunha e Renan estão na lista de alvos de delação premiada, e Cunha enfrenta o problema das contas suíças que jura que não tem. Certamente são contas de mau caráter, dissimuladas, que disfarçam tão bem que, puxa, seria possível acreditar que são dele sim.

Mas há ainda outra opção. O quarto substituto é o presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandowski. 

É simples entender o tamanho da crise.

Mamando na crise
O Governo Federal tem hoje 103.313 funcionários comissionados - nomeados sem concurso, geralmente em função de seu QI (Quem Indica). Destes, 22.019 ocupam cargos de Direção de Assessoramento Superior, DAS, com salários de até R$ 31.700 mensais. O empreguismo existe desde sempre no Brasil: o poder emprega, o cidadão paga. Mas se acelerou ultimamente: Lula, em oito anos, criou 18.300 cargos de confiança; Dilma, em quatro, 16.300. No total, 34.600.

Por isso se pensa tanto em novos impostos. Não há arrecadação que chegue.

A guerra continua
A CPI do BNDES ordenou que o banco lhe envie todos os contratos de financiamento acima de R$ 50 milhões - o que inclui as obras financiadas no Exterior e boa parte dos financiamentos aos "campeões nacionais", grupos escolhidos pelo Governo para crescer. O prazo máximo previsto é segunda-feira que vem. Se não houver imprevistos, se o BNDES obedecer, se a CPI exigir que a ordem seja cumprida, finalmente o país saberá a resposta à pergunta da repórter Consuelo Diéguez, em excelente reportagem na revista "Piauí" de outubro: "Desde 2008, o BNDES emprestou o equivalente a 10% do PIB para empresas escolhidas pelo governo acelerarem o crescimento. Onde foi parar este dinheiro?"

Como diria Caetano, "ou não" 
De qualquer forma, o Governo já tomou providências para reduzir os danos. Quase 800 documentos referentes às relações governamentais com a Odebrecht - cujo presidente, Marcelo Odebrecht, está preso por ordem do juiz Sérgio Moro - foram classificados como "secretos" ou "reservados". Alguns só poderão ser revelados em 2030. Como dizia o ministro Ricúpero, o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde. 

No caso, o Governo optou por esconder.

O Mudo, de novo
O Exército passou anos em silêncio - silêncio bem-vindo, silêncio apropriado para a instituição conhecida como O Grande Mudo. Mas, há poucos dias, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, falou, considerando preocupante a situação. Também há poucos dias, o general Antônio Mourão, chefe do Comando Militar do Sul, nosso mais poderoso efetivo militar, criticou os políticos. "(...) parecem privados de atributos intelectuais próprios e de ideologias, enquanto dominam a técnica de apresentar grandes ilusões (...)", e disse que "mudar é preciso". 

Nada diferente do que nós, civis, falamos sempre - mas o general não é civil. Mourão falou para um grupo fechado, o CPOR, em palestra fechada, descoberta pelo colunista Túlio Milman, de "Zero Hora". Não era para o público. Mas também rompeu o silêncio. Que é que está levando o Grande Mudo a falar?

O porta-voz da morte
O cavalheiro é professor universitário, com mestrado e doutorado pela USP, foi do PT, hoje integra o PCB (não o tradicional Partido Comunista, hoje chamado de PPS, mas outro que usa o mesmo nome), foi candidato a presidente da República, tendo 0,05% dos votos. Para expor suas teses de radicalização, sem diálogo, citou em assembleia um poema de Bertolt Brecht e sugeriu o fuzilamento de quem for contra o comunismo. Sua frase: ''Nós sabemos que você é nosso inimigo, mas considerando que você, como afirma, é uma boa pessoa, nós estamos dispostos a oferecer o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala. E vamos oferecer, depois de uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo nenhum diálogo, luta.'' (https://www.youtube.com/watch?v=hQVHzFxMakw)

Como disse o rei Juan Carlos a Hugo Chávez, ¿Por qué no te callas?


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PT está brincando com fogo ao defender a saída de Levy

Editorial 
Valor Econômico 

O governo não consegue se entender com seus aliados e essa tem sido uma fonte inesgotável de problemas, mais do que a ação da oposição. Depois de obter uma vitória relativa contra o impeachment com decisões liminares do Supremo Tribunal Federal e ver seu principal adversário na Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afundar sob o peso de provas contundentes de que possui dinheiro não declarado em contas na Suíça, tinha tudo para aproveitar a trégua e colocar ordem em casa. Engano: partiu do PT uma nova onda de pressões para desalojar do governo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. À insatisfação crônica do PT com a política de Levy acrescentam-se agora reclamações públicas do ex-presidente Lula. Mais enfática do que em situações semelhantes no passado, a presidente Dilma Rousseff aparou as estocadas contra Levy, dizendo em Estocolmo que ele permanece no cargo e lá ficará porque concorda com a política econômica traçada. E fez uma distinção clara: a opinião do PT sobre o destino do ministro é do partido, "não a opinião do governo".

Como já ocorreu durante a votação das medidas de ajuste fiscal, nem mesmo no PT o governo encontrou apoio total e chegou a ver a legenda aderir a pautas-bomba, ao sufragar o fim do fator previdenciário. Agora, em que uma desabusada oferta de cargos busca recompor a aliança governista, o PT deveria fazer menos marolas para que um governo seu, que mal para em pé e corre riscos de todos os lados, ganhe algum fôlego e possa recobrar a iniciativa.

Grande parte do PT vê Levy como o tucano "infiltrado" no governo e critica suas posições ortodoxas, que seriam as da oposição derrotada nas urnas. Os petistas que o atacam querem mudar a política econômica e têm como política alternativa a mesma que levou o país ao atual desastre econômico. O presidente do partido, Rui Falcão, por exemplo, acha que é hora de liberar mais crédito para o consumo e investimentos e baixar as taxas de juros (Folha de S. Paulo, 18 de outubro). Foi o que a presidente Dilma, até certo ponto, fez com gosto em seu primeiro mandato, com os resultados que se vê.

O PT acredita que o aperto fiscal e monetário só agravam os problemas de uma economia em desaceleração. Isto é, não o recomendam em nenhuma situação, pois quando o ciclo é de expansão ele é desnecessário. Após 10 anos ininterruptos de crescimento do emprego e dos salários, enxergam na falta de demanda a fonte dos males presentes, que não seria combatida apropriadamente com juros altos e contenção dos gastos públicos. E parecem crer que bastará repetir à exaustão a fórmula anticíclica que deu certo em 2008 que as coisas se resolverão. Mais ainda, atribuem ao ajuste a recessão, quando ela começou bem antes, no início de 2014, exatamente pelos efeitos cada vez menores de doses exageradas de estímulos, que frearam o crescimento, jogaram a inflação para cima e aumentaram brutalmente o endividamento público.

O ajuste fiscal é o ponto de partida para a recuperação da economia em bases sólidas. A agenda óbvia de Levy contempla o crescimento. A insistência monocórdica no corte de gastos, que irrita os petistas, ocorre porque os ajustes não foram realizados a contento e há muita gente que não compreende sua necessidade ou duvide de sua eficácia, no Congresso e no próprio governo. Com a descoordenação política e a baixa popularidade da presidente, não é possível ao ministro atacar vários problemas e distintas agendas ao mesmo tempo, porque um dos resultados da perda de força política do governo é que sem base sólida no Congresso só se é possível vencer (ou perder) uma batalha de cada vez.

O ex-presidente Lula toca um estranho acorde ao bombardear Levy e propor substitutos como Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. Meirelles não teria uma política substantivamente diferente da atual. Em sua gestão no BC dirigiu uma equipe de "falcões" e achar que ele hoje julgaria adequado baixar juros chega a ser engraçado.

O PT está subestimando os efeitos de uma saída de Levy. Se ela vier acompanhada de mudança de política na direção que o partido gostaria, uma nova onda de instabilidade tomará a economia, aprofundando uma recessão que já é maior em 25 anos. Quando chegou à presidência, Lula não brincou em serviço e obteve superávits primários de fazer inveja a qualquer tucano. Sua experiência bem-sucedida deveria lhe dizer alguma coisa.

E o Lula?

Gil Castelo Branco
O Globo 

Como todos sabem, a Justiça é representada pela estátua de uma mulher, de olhos vendados, segurando em uma das mãos a balança e, na outra, a espada. A balança pesa o Direito que cabe às partes, enquanto a espada significa a defesa do que é justo. A venda nos olhos é o símbolo da imparcialidade.

Na Grécia Antiga, porém, na representação da Justiça, a deusa Diké aparecia com os olhos descobertos. A venda surgiu por iniciativa de artistas da Idade Média para denunciar a parcialidade dos juízes e criticar a dissociação do Direito em relação à Justiça.

Como na Justiça pau que bate em Cunha bate em Luiz, na semana passada o lobista Fernando Baiano, em delação premiada, citou o nome do ex-presidente e afirmou ter repassado R$ 2 milhões para uma nora do petista, por meio de contratos falsos que envolvem José Carlos Bumlai, um dos amigos íntimos de Lula.

E não é a primeira vez que suspeitas são levantadas sobre seus familiares. Um dos seus filhos, Fábio Luís Lula da Silva, trabalhava como monitor em um zoológico de São Paulo. Após a eleição do pai, Lulinha tornou-se sócio de uma empresa de games, posteriormente contemplada pela Telemar com aporte de aproximadamente 15 milhões de reais. Lula explicou o sucesso do filho dizendo tratar-se do "Ronaldinho dos negócios'! A curiosidade, porém, é saber o porque de o craque só ter despontado a partir de 2003.

O filho caçula do ex-presidente, Luís Cláudio Lula da Silva, formado em Educação Física, tornou-se empresário de marketing esportivo. Segundo o jornal "O Estado de S.Paulo", sua empresa recebeu 2,4 milhões de reais de conhecida entidade de lobby que defendia interesses da indústria automotiva junto ao governo federal. E o que tem a ver o marketing esportivo com o lobby da indústria automotiva? O sobrinho da primeira mulher do ex-presidente, Taiguara Rodrigues, pequeno empresário que realizava reformas em varandas de apartamentos em Santos, conseguiu que a sua empresa fosse contratada pela Odebrecht como parceira de obras na África e em Cuba. Indagado na CPI do BNDES sobre como conseguiu sair de Santos para o mundo, Taiguara não deu resposta convincente. Deve ser o Neymar das reformas....

Outro negócio estranho diz respeito a um triplex, em Santos, de 297 metros quadrados, avaliado em 2,5 milhões de reais. Depois que a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, controlada pelo PT, quebrou, milhares de famílias ficaram sem receber seus apartamentos. Algumas obras paradas foram assumidas pela construtora OAS, entre elas o edifício do triplex. Na papelada, o imóvel está em nome da OAS, mas a obra foi acompanhada pela dona Marisa. Ela, Lula e Lulinha foram vistos no imóvel algumas vezes. Segundo a revista "Veja" que ouviu funcionários da empreiteira, o apartamento pertence à família, e a reforma foi um agrado da construtora, envolvida até o último tijolo com a Operação Lava Jato. Aliás, a OAS já tinha reformado um sítio em Atibaia, registrado em nome de um dos sócios do Lulinha, onde Lula costumava passar fins de semana.

Na quinta-feira passada, Lula depôs em inquérito do Ministério Público do Distrito Federal que o investiga por suposto tráfico de influência, previsto no Artigo 332 do Código Penal: "Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função"..

A investigação quer descobrir se o ex-presidente - que até hoje manda e desmanda no governo - influenciou na gestão Dilma em prol de determinadas empresas, como na concessão de financiamentos subsidiados para que as empreiteiras realizassem obras mundo afora.

De fato, já passou da hora de apurar se as viagens do "Brahma" como garoto-propaganda de algumas empresas escolhidas - a maioria envolvida na Lava-Jato, cliente do BNDES e financiadora de campanhas eleitorais - tem relação com o sucesso dos familiares, com as gentilezas das empreiteiras, com as milionárias palestras e, ainda, com as fartas doações ao Instituto Lula. Um dos fundadores do PT, Hélio Bicudo, disse que Lula enriqueceu de forma ilícita e tem, hoje, uma das maiores fortunas do país.

No Brasil, a representação da Justiça mais conhecida é a de Alfredo Ceschiatti. A escultura, no Supremo Tribunal Federal, mostra uma mulher sentada, com a espada sobre as pernas, sem a balança e com os olhos vendados. Com todo o respeito que o artista merece, prefiro a imagem grega, em que a Justiça está ereta, com a espada, a balança e os olhos bem abertos.

(*) Gil Castello Branco é economista e fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas

A serpente e seus ovos

Ruy Fabiano
Blog do Noblat

Com ou sem impeachment, uma coisa é certa: a Era PT chegou ao fim. O partido não dispõe de quadros para seguir no comando do país. Seus principais líderes ou estão na cadeia ou empenhados em dela escapar, a começar por quem o simboliza, o ex-presidente Lula, de quem Dilma é apenas marionete.

Não quer isso dizer que a estrutura – CUT, MST, UNE, ONGs  etc. - e as ideias que se apossaram da máquina estatal, e a lesaram como nunca dantes neste país, largarão o osso com tanta facilidade.

A serpente PT botou ovos. Os partidos-satélites, como PSOL, PSTU, PCdoB e mesmo a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva – o maior silêncio da crise -, aí estão para receber os sobreviventes.
O próprio PT, ciente de sua impotência eleitoral, concebe a estratégia de compor uma frente partidária de esquerda para as eleições municipais do ano que vem. Rui Falcão, presidente do partido, já explicou como isso funcionaria.

Quer ocultar a estrela da legenda, hoje amaldiçoada, dissolvendo-a em meio a uma frente “progressista”, que tentará levar adiante as “conquistas sociais” que os petistas juram ter estabelecido, embora a crise econômica, decorrente das políticas que o partido concebeu, se encarregue de desfazê-las uma a uma.

A clientela do Bolsa Família é de mais de 45 milhões de pessoas, que há 17 meses não têm reajuste, o que dispensa comentários. Os “mais de 30 milhões que ascenderam à classe média” – e esses números compõem um discurso, não uma demonstração -, se lá chegaram, já fizeram o caminho de volta, segundo as estatísticas de desemprego.

As pesquisas de opinião mostram o desgaste petista nas classes mais carentes, de que foram gigolôs nas últimas décadas. Enfim, o partido que levou o país à falência econômica, política, social e moral precisa salvar-se do naufrágio nos botes salva-vidas que cuidou de providenciar. E não é difícil identificá-los.

Basta ver o empenho, por exemplo, do PSOL em valer-se de Eduardo Cunha como cortina de fumaça para desviar a atenção de infratores bem mais pesados, alguns deles, como os ministros Edinho Silva e Aloizio Mercadante, dentro do próprio Palácio do Planalto. Se Cunha justifica a indignação – e não há dúvida de que sim -, por que Edinho e Mercadante, e a própria Dilma (citada por seis delatores, enquanto Cunha o foi por dois), não?

A indignação seletiva compõe a tecnologia de sobrevivência da esquerda, hoje ancorada em milhares de ONGs que dependem de verbas do Estado para sustentar a vasta militância, inimiga de uma burguesia fictícia, que ela melhor que ninguém representa.

O silêncio de Marina Silva, que em momento algum exibiu qualquer indignação com a roubalheira da Petrobras – até aqui orçada em R$ 20 bilhões -, e só veio a público para opor-se ao impeachment, não surpreende. Tem coerência biográfica.

Ela já se manifestou reiteradas vezes nostálgica do PT, abraçada à tese de que a proposta original era boa, mas foi distorcida – e Lula teria sido arrastado sem o perceber.

A proposta original, no entanto, era essa mesma – e Lula jamais foi outro. Quando se faz um retrospecto da ação do partido antes de chegar à presidência da República, quando agia apenas no âmbito dos municípios, já estava tudo lá.

O que aconteceu, por exemplo, em Campinas, com o assassinato do prefeito Toninho do PT, e em Santo André, com o de Celso Daniel, ao tempo em que o PT era oposição, dá uma mostra dos métodos que seriam expandidos e aperfeiçoados em Brasília.

Marina é fã de Lula – e Lula é quem hoje sabemos. Não o critica, nem a Dilma, ainda que tenha sido ofendida por ambos, em níveis cruéis, na campanha. Prefere silenciar e recolher a militância sobrevivente em sua Rede. É uma pescaria silenciosa, mas não invisível. Pretende herdar a organicidade e a estrutura de uma máquina que se empenha em dar sequência, em grau menos truculento, a um projeto de poder que estava na gênese do PT.

O impeachment, ainda que não saia – e, dada a crise econômica, é difícil imaginar essa hipótese, mesmo com a visível  cumplicidade nos três poderes -, permite que se vislumbre os riscos embutidos no futuro, onde a fênix esquerdista aspira ao renascimento.

Quem manda?

Míriam Leitão
O Globo 

A presidente Dilma fez um favor a si mesma ao desautorizar o presidente do PT, Rui Falcão. Depois das atitudes do ex-presidente Lula, só faltava mesmo uma entrevista como a de Falcão para enfraquecer mais o governo. Ele disse que Levy pode ir embora caso não aceite mudar a política econômica. Se Dilma nada falasse, estaria fora da Presidência. Teria terceirizado o governo à dupla Lula-Falcão.

O presidente do PT faria um favor a si mesmo se estudasse um pouco mais os temas sobre os quais quer opinar. Ele deu, na entrevista à "Folha de S. Paulo" dois exemplos de mudanças que o ministro Levy teria que aceitar: redução da taxa de juros e liberação do compulsório dos "bancos privados" 

Juros e compulsório são temas exclusivos do Banco Central. Se quiser exigi-los, o PT deve se dirigir ao BC e não à Fazenda. Falcão quer impor a Levy o que está na alçada de Alexandre Tombini. Outra informação para ajudar Falcão na próxima vez que quiser ditar os rumos da política econômica: não existe "compulsório de banco privado". Existe compulsório. De todos os bancos. É o percentual dos depósitos em conta-corrente e em aplicações que deve ser recolhido ao BC. Não se estabelece níveis diferentes para bancos públicos e privados. Não teria cabimento.

A presidente, ao desautorizar Falcão, e assim salvaguardar a prerrogativa dela, estava preenchendo uma lacuna que ficou aberta na sexta-feira e atravessou todo o fim de semana. Após a boataria sobre a queda do Levy, ele negou que estivesse de saída, mas do Palácio do Planalto não se ouviu qualquer defesa. Como sempre acontece com Levy, ele tem que defender a si mesmo, porque o governo não o defende. Isso costuma ser entendido como sinal de desprestígio. E é.

Tudo continua mal parado, e, mesmo com o desmentido da presidente, a situação do ministro da Fazenda permanece frágil. O ex-presidente Lula continua operando pela substituição dele por outro. Um dos nomes que circula é o do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, hoje na direção do grupo J&S, holding do JBS Friboi, o controvertido grupo que tanta ajuda recebeu do BNDES para o seu crescimento nos anos petistas. Meirelles fez um bom trabalho no Banco Central, e Lula agora sonha em chamá-lo de volta. O problema é que Henrique Meirelles não aceitou interferência na política monetária. No cargo de ministro da Fazenda, ele tende a ter o mesmo comportamento. Caso altere drasticamente sua forma de pensar e agir, perderá a credibilidade que conquistou.

O PT continua com sua cruzada. O problema é que ela parece sem rumo. No fim de semana, o presidente do partido se reuniu com o ministro Nelson Barbosa. E, ontem, respondendo à presidente, refez suas críticas à política econômica. O encontro com Barbosa no meio da saraivada de críticas fica mal. Para o ministro do Planejamento.

A presidente, que está bem falante desde que chegou em terras escandinavas, repetiu que o Brasil tem apenas problemas conjunturais e não estruturais. Antes fosse. É natural que ao falar para potenciais investidores a presidente queira infundir confiança. Mas adianta pouco tapar o sol com a peneira. O Brasil tem tamanho e importância suficientes para ser um caso conhecido. Nossos indicadores não são ignorados por bancos ou instituição multilateral. E os dados mostram deterioração forte de todos os fundamentos. O superávit primário despencou, a dívida disparou, o déficit nominal está em nível insustentável, o governo não consegue aprovar no Congresso nenhuma medida que aponte para melhoras nos dados do país no médio prazo.

Se a presidente estivesse dizendo isso apenas para sueco ver, tudo bem. Mas ela já falou no Brasil que nossos problemas são apenas conjunturais. Infelizmente, temos problemas estruturais gravíssimos. Um governo que cobra dos contribuintes 36% do PIB ao ano em impostos e que, mesmo assim, está com 9% de déficit nominal tem problemas sérios. E a solução proposta é mais imposto. E aí há um raro ponto de concordância de Rui Falcão com a política econômica. Disse que a CPMF é o plano A, B e C do governo. A presidente Dilma deve pensar rapidamente no plano D, porque o Congresso, pelo visto, não aceita o novo imposto.

Os imorais

Mary Zaidan
Blog Noblat


Moral. Prática em desuso na política, a palavra reinou no discurso da presidente Dilma Rousseff durante o 12º Congresso da CUT, que recebeu também o ex Lula e toda a sua beligerância contra quem não reza por sua cartilha. Pelo histórico de ambos e as demonstrações feitas a rodo na semana passada, nem um nem outro conhece o significado do verbete.

Dilma apontou o dedo para a oposição vociferando contra “moralistas sem moral”. Sem gaguejar – o que é raro em suas falas –, garantiu que nunca fez “da atividade política e da vida pública meios para obter vantagem pessoal de qualquer tipo”.

É mais uma adepta do conceito torto de moral difundido por Lula e o PT.

No código moral do petismo, tudo valia – mentir, barganhar, vender a alma e até roubar -, desde que em nome do projeto do partido, o único capaz de salvar os pobres e desassistidos das garras dos liberais, dos ricos. Hoje, essa é premissa superada.  Vale tudo e muito mais.

A desfaçatez e a roubalheira grassam em todos os cantos. Cobram-se comissões e desvia-se dinheiro público para encher os bolsos. Engorda-se a conta bancária interna e externa de gente do PT e de aliados para continuar no poder, segurar cargos e privilégios e tentar blindar companheiros metidos em sucessivos escândalos. Lula, seus filhos e até uma nora são alguns dos protagonistas.

É fato que, diferentemente do que ocorre com gente até do primeiro escalão petista, não paira sobre Dilma a suspeita de que ela tenha surrupiado um único tostão. Mas o seu comportamento, o que fez e faz, tudo está longe da dignidade reclamada por ela, anos-luz de distância da moralidade.

No código que tomou de empréstimo do seu patrono, ela não considera imoral mentir deslavadamente para aniquilar adversários, como fez com Marina Silva. Nem ludibriar o eleitor vendendo o país cor-de-rosa e prometendo o impossível, como o trem-bala, a construção de seis mil creches ou 800 aeroportos regionais.

Não é imoral nem aética a barganha sórdida urdida em parceria com Lula para frear seu impedimento, entregando ministérios a quem não tem qualquer competência para conduzi-los; permutando fartos nacos do Estado pela garantia de seu mandato. Reveste-se de moral o ato de voltar atrás no compromisso de acabar com três mil cargos comissionados, agora necessários para que os aliados votem pela permanência da presidente rejeitada por mais 70% do país. 

É também moralmente defensável negociar e proteger o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enrolado até o último fio do cabelo em milhões inexplicáveis e não declarados. Nesse caso, diga-se, boa parte da oposição comete imoralidade idêntica.

Não há qualquer indício de que Dilma tenha desviado recursos para a sua conta. Mas é difícil crer em sua inocência. Ainda que como cúmplice, estava lá com poder de mando, como ministra das Minas e Energia e presidente do Conselho, quando se institucionalizou a bilionária ladroagem na Petrobras.

Era a candidata à reeleição quando mentiu sabendo que mentia. Foi desonesta, imoral.

Moral é um conjunto de princípios e virtudes que norteiam o comportamento. Não é blablablá para agradar plateias. Moral não inclui bravatas nem tergiversação. Muito menos permite leituras singulares como o petismo adora fazer e Dilma repete.

Moral da história: serão os brasileiros com moral que pagarão a conta dos sem-moral. Daqueles que se acham acima de qualquer moral, que protegem e compram imorais. 




O show não terminou

Vinicius Torres Freire
Folha de São Paulo

As vitórias provisórias no Supremo Tribunal Federal animaram o governo de Dilma Rousseff. Caso um endemoniado Eduardo Cunha aceite um novo pedido de impeachment, a gente do Planalto acha que no mínimo pode emperrar a tramitação do processo por via judicial.

Pode ser. O problema está longe de parar aí, ainda que o impeachment não prossiga. O novo rolo diz respeito ao que será das contas do governo em 2015 e 2016 e, indiretamente, ao que será feito do pacote fiscal emperrado no Congresso.

Embora quase todo mundo que acompanhe tais coisas dê de barato que o pacote foi, no geral, para o vinagre, se não era mesmo irrelevante, parte dos donos do dinheiro grosso pode se agitar com a confirmação de buraco ampliado nas contas públicas em 2016. Assim, o crédito do país desceria mais um degrau (tudo mais constante, isso significa que dólar e juros subiriam).

Hoje, a oposição, por meio dos advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, leva ao Congresso um novo argumento para a deposição de Dilma (a presidente teria repetido neste ano o crime fiscal que cometeu em 2014, segundo o TCU). Seja caso para impeachment ou não, a tese da pedalada em 2015 deve no mínimo causar tumulto adicional na previsão do Orçamento de 2016.

Não deve haver decisão tão cedo, dizem conhecedores de Eduardo Cunha (PMDB), que aliás continua a nos insultar com sua permanência na vida pública. O presidente da Câmara não ganharia nada gastando desde logo o último tiro maior no combate contra sua cassação e, pois, provável prisão. Pelo menos era ontem este o argumento de quem vive no meio dessas mumunhas.

Cunha, porém, pode dar tiros menores em um terreno bastante minado, atrapalhando ainda mais a tramitação do segundo remendo fiscal de Dilma 2.

Na semana que vem, o TCU pode tomar alguma decisão a respeito das "pedaladas" de 2014 (débitos que o governo pendurou em tese ilegalmente). Pode ser que constranja o governo a liquidar já tais compromissos. O governo já prevê deficit primário para este ano; se tiver de pagar os papagaios, a conta vai para um buraco de 1% do PIB.

A limpeza imediata das contas, a eliminação de esqueletos e caveirinhas, pode até não ser tão má ideia, mas ao menos por um tempo vai desorganizar todas as previsões de balanço das contas públicas para 2015, principalmente 2016 e talvez até 2017. No mínimo, seria preciso refazer parte dos Orçamentos, ainda inconclusos e a espera de votações mesmo sem esse novo rolo.

Não bastasse o fato de Cunha estar solto, há o risco de boa parte da cúpula do PMDB, quiçá do ora mais pacífico Senado, começar a debater-se loucamente no lodo da Lava Jato, dados os novos vazamentos.

Por último, o PMDB está se estranhando um pouco a respeito do que fazer do Congresso marcado em tese para meados de novembro, no qual o partido desembarcaria do governo. Parece que não vai fazer tal coisa, até porque precisa faturar a honra de administrar ministérios daqui a pelo menos o início do ano que vem, acumulando capital político, digamos, para alavancar alguns projetos eleitorais de 2016.

Mas há confusão por todos os lados no Congresso onde está atolado o pacote fiscal.

Prejuízos da ideologia estatizante

Editorial 
Gazeta Do Povo

Fiasco de leilão da ANP semana passada comprova a falência do modelo ideológico imposto pelo governo à exploração do petróleo

O governo brasileiro, contaminado por ideologias superadas e que estão levando ao caos onde ainda são praticadas – como é o caso da Venezuela e da Coreia do Norte –, não tem sido capaz de aprender com a realidade. Mesmo com suas finanças estouradas e suas estatais descapitalizadas – ou destruídas por corrupção, como é o caso da Petrobras –, o governo federal atrasa o crescimento do país com medidas de restrição ao investimento de empresas privadas nacionais e estrangeiras em setores essenciais, como energia, portos, transportes e petróleo.

Os leilões feitos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) não vêm apresentando bons resultados há muito tempo – no mais recente, realizado na semana passada, apenas 14% dos blocos oferecidos foram arrematados –, por várias razões. Primeiro, porque o governo não consegue se livrar do cacoete ideológico de desconfiar do setor privado, fazendo exigências burocráticas absurdas e impondo restrições à taxa interna de retorno do investimento num setor de alto risco como o de petróleo. Segundo, mesmo com a situação quase falimentar da Petrobras – apesar de desfrutar de um monopólio que a livra de ter de ser eficiente e competir –, o governo mantém a decisão de que a estatal seja operadora exclusiva nos campos do pré-sal, com participação mínima de 30% do capital.

Essa exigência foi aprovada em 2010 por uma lei definindo que a estatal deve ser responsável pela condução e execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção. É o conhecido modelo de partilha, que tem se mostrado um fracasso. Um dos absurdos é que, enquanto mantém tal exigência sobre a Petrobras, a presidente Dilma responde por prejuízo à empresa superior a R$ 60 bilhões, derivado do represamento dos preços dos derivados de petróleo para tentar segurar a inflação, agravado pelo sangramento da corrupção que vem sendo revelada na Operação Lava Jato.

Se não bastasse o ônus de a Petrobras ter de dar conta sozinha de todo o suprimento nacional, o governo segue com a obrigação de a empresa colocar 30% do capital necessário à exploração do pré-sal. Essa exigência é prejudicial tanto pela dificuldade financeira da estatal quanto pelo receio dos investidores nacionais e estrangeiros em fazer sociedade com a Petrobras, inclusive pela interferência governamental na gestão da companhia e pela crise moral que ela atravessa. Se a economia brasileira tivesse crescido 5% ao ano em média na última década, o Brasil já teria voltado a ser grande importador de petróleo.

O prejuízo que a ideologia estatizante vem causando ao país, retardando a superação do atraso e da pobreza, continua e não dá mostras de ser modificado. Nos países desenvolvidos, cujo exemplo maior são os Estados Unidos, a exploração de petróleo é feita por empresas privadas normalmente e sem ameaça à segurança nacional, como acreditam os defensores do monopólio estatal do petróleo. O Brasil é um dos poucos países do mundo que julgam ser mais importante aplicar dinheiro dos impostos na produção de petróleo do que em infraestrutura, educação e saúde. Além desse pensamento sem sentido no mundo moderno, o governo não vem aportando dinheiro novo na Petrobras e ainda criou enorme déficit para a empresa ao represar os preços de seus produtos.

Por outro lado, os resultados do modelo de partilha introduzido por lei em 2010 são pífios e revelam o fracasso dessa opção. Apenas um único leilão foi feito desde a descoberta do pré-sal, a produção de petróleo cresceu apenas 12,6% desde 2010 e a situação somente não é muito pior pela estagnação econômica do país. As bravatas nacionalistas, embora travestidas de defesa dos interesses do país, são prejudiciais ao desenvolvimento e ao bem-estar da população, e foram aprofundadas quando Lula resolveu obrigar que a produção de sondas e componentes industriais fosse feita em território nacional. Como resultado, a Petrobras passou a gastar mais para comprar as mesmas coisas em razão da dificuldade de importar bens e componentes melhores e mais baratos.

Em vez de temer o capital estrangeiro e as importações, o que mais o Brasil precisa é de elevar seu coeficiente de comércio exterior, aumentando as duas vias: as exportações e as importações. O tipo de nacionalismo que rejeita capitais, investimentos e comércio é uma rota para o atraso, ao contrário do que pensa o governo quando toma medidas como as que envolvem a questão do petróleo no Brasil.

À espera dos bárbaros

Celso Ming
O Estado de São Paulo

Sinais de invasão dos bárbaros ou de um desastre iminente do Brasil estão sendo repassados pelas agências de classificação de risco

Num dos mais notáveis poemas do século 20 (À espera dos bárbaros), o alexandrino Konstantínos Kavafis descreve a prostração, o conformismo e a incapacidade de reação dos dirigentes de uma cidade diante da ameaça de invasão inevitável.

Sinais de invasão dos bárbaros ou de um desastre iminente do Brasil estão sendo repassados pelas agências de classificação de risco. Nesta quinta-feira, foi a vez da Fitch, uma das três mais importantes, rebaixar a qualidade dos títulos de dívida do Brasil. 


Foi um movimento esperado diante da passividade do governo federal ante a franca deterioração das contas públicas. A dívida bruta vai saltando para acima dos 70% do PIB, não se vê nenhuma iniciativa para coibir o rombo e é natural que, nessas condições, a capacidade do País de honrar os compromissos financeiros vá se evaporando.

Ainda há as reservas externas de US$ 370 bilhões aplicadas em títulos fortes; e há o superávit na balança comercial, que deverá ultrapassar os US$ 15 bilhões. São muralhas que ainda resistem ao cerco da cidadela. Mas por quanto tempo, se o resto vai mal. E piorando.

A retração do PIB não é outra coisa senão a queda da renda e, do ponto de vista do setor público, a quebra da capacidade de arrecadar e de sustentar a dívida. O déficit nominal, que inclui a conta dos juros, avança para os 9% do PIB. 

A decisão mais grave da Fitch não foi a de reduzir em um degrau a qualidade dos títulos brasileiros, imediatamente antes da perda do grau de investimento. Foi ter mantido a condição do Brasil “em perspectiva negativa”. Isso significa que a qualquer momento pode vir novo rebaixamento. Quando isso acontecer, será inevitável a saída de respeitável volume de capitais. Isso porque grande número de fundos não pode, por lei ou disposição estatutária, manter em carteira os chamados títulos lixo (junk funds), aqueles que não levam o selo do grau de investimento de pelo menos duas agências de classificação de risco.

As coisas mudariam de figura se ficassem asseguradas condições para obtenção de um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de 1,0% a 2,0% do PIB. Mas já se viu que não há vontade política por parte do governo de derrubar decisivamente as despesas. Nem do Congresso, em aprovar aumento de impostos.

Por aí se vê que, mais decisivo para o rebaixamento do Brasil do que a corrosão das contas públicas, é o impasse político, que bloqueia o processo de tomada de decisões, como aponta o primeiro parágrafo do comunicado com as justificativas para a decisão divulgada nesta quinta-feira pela agência Fitch.

Pior que tudo, não há sinais para virada do jogo. Quando, em março de 2014, veio o primeiro rebaixamento da Standard & Poor’s, ainda não à condição de grau especulativo, as reações do governo Dilma continuavam sendo as de que a economia estava sendo vítima de um inexplicável pessimismo.

Não há mais otimistas por aqui. Há, sim, um clima de modorrento conformismo com a capitulação iminente da cidade, como se os bárbaros pudessem, enfim, trazer a solução.

CONFIRA:


Aí está a evolução da receita nominal dos serviços desde agosto de 2013.

Os serviços e o PIB
Com variações menos importantes, as estatísticas se repetem e refletem a queda da atividade econômica. Os números desta quinta-feira se concentram no setor de serviços, o mais imunizado contra os soluços do câmbio e, no entanto, igualmente prostrado. Sozinho, corresponde a cerca de 70% do PIB. No período de oito meses terminados em agosto o volume caiu 2,6%. É possivelmente também ser esse o tamanho da queda de toda a atividade econômica do País no mesmo período.

Relator da CPI trata o contribuinte como imbecil

Josias de Souza


É dura a vida do brasileiro em dia com suas obrigações tributárias. Sob Lula e Dilma, estruturou-se na Petrobras um bilionário sistema de pilhagem. O assalto é estimado em cerca de R$ 20 bilhões. E o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI da Petrobras, decidiu tratar o contribuinte como imbecil.

Luiz Sérgio apresentou na noite desta segunda-feira seu relatório final. Nele, culpou os empreiteiros e os maus servidores pelo assalto, livrou a cara dos políticos e concluiu que não houve “corrupção institucionalizada” na Petrobras.

“A mais importante conclusão dessa CPI é que a Petrobras foi vítima de um cartel de maus fornecedores”, anotou o relator. Absteve-se de mencionar que o Planalto loteou as diretorias da maior estatal do país entre partidos aliados, dando-lhes salvo-conduto para roubar.

Como se fosse pouco, Luiz Sérgio criticou a força-tarefa da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro pelo “excesso de delações premiadas.” Sugeriu que a lei que trata do tema, sancionada por Dilma, seja alterada para impedir que réus presos se convertam em delatores. Se essa regra já estivesse em vigor, não haveria Lava Jato.

Não é só: o relator tentou tapar com sua peneira a luminosa evidência de que um pedaço das propinas extraídas da Petrobras virou doação oficial de campanha, registada na Justiça Eleitoral pelos partidos e seus candidatos. Para Luiz Sérgio, as conclusões da Polícia Federal e da Procuradoria sobre essa matéria seriam “superficiais”, porque desconsideram o fato de as empreiteiras terem doado dinheiro para candidatos de vários partidos, entre eles PT e PSDB.

Beneficiário de um repasse de R$ 200 mil feito em 2014 pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, coordenador do petrocartel, Luiz Sérgio reincide numa mumunha manjada. Ele generaliza a prática da doação de verbas de má origem não para combatê-la, mas para institucionalizá-la.

Se o dinheiro que o PT e seus aliados lavaram no TSE tivesse saído do bolso do companheiro Luiz Sérgio, tudo bem. O diabo é que toda essa verba tem uma origem única e conhecida: o bolso do contribuinte.

De resto, Luiz Sérgio esboçou em seu relatório uma pantomima típica da era petista: a máfia sem capo. Antes mesmo do término da Lava Jato, sustentou que não há como impor nenhum tipo de responsabilidade aos ex-presidentes da Petrobras. Acha impossível atribuir qualquer tipo de culpa também a Lula e a Dilma. Decerto foi tudo obra de marcianos.

Nada de extraordinário, sobretudo se for considerado o fato de que Luiz Sérgio também não conseguiu enxergar um culpado na figura notória do presidente da Câmara. “Em que pesem as inúmeras notícias veiculadas recentemente sobre contas bancárias no exterior das quais o deputado Eduardo Cunha seria beneficiário, o fato é que esta CPI não recebeu prova alguma destas afirmações, não cabendo a este relator adotar providências'', ele escreveu.

É mesmo dura a vida do contribuinte brasileiro. O sujeito passa oito meses financiando todos os custos de uma CPI —o palco, a iluminação, as imagens, o som, o cafezinho, as viagens, a casa oficial, a comida, o celular, o transporte, os assessores e os salários dos atores— para ser chamado de imbecil no relatório final.

O perigo do 'narcoporto', obra criminosa de Lula

Leonardo Coutinho
Veja online

A Bolívia ganhou o direito de exportar pelo porto de Paranaguá. No Chile, onde o país tem o mesmo benefício, o narcoestado de Evo Morales traficou dezenas de toneladas de cocaína escondidas em contêineres despachados por membros de seu governo

(Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
 O ex-presidente Lula recebe presente do vice-presidente boliviano Álvaro García Linera
 durante seminário no Instituto Lula, em São Paulo. O político boliviano está na mira
 da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos

O que define um narcoestado é a forma como o aparato estatal é usado para acobertar e, sobretudo, fomentar os negócios associados ao tráfico de drogas. Nenhum país produtor de cocaína - são apenas três - tem a máquina estatal tão atrelada ao tráfico como a Bolívia. No mês passado, a revelação de uma ação judicial movida nos Estados Unidos por Carlos Toro, ex-informante da DEA (a agência americana antidrogas), revelou que a Justiça Americana tem sob a mira uma série de autoridades do círculo próximo do presidente Evo Morales. A mais importante delas é o seu vice-presidente Álvaro García Linera.

Há dois meses, o Brasil aprovou uma lei com potencial para aumentar de forma exponencial a capacidade do narcoestado boliviano de traficar cocaína. O Congresso brasileiro autorizou o país vizinho a abrir um Depósito Franco no Porto de Paranaguá. Com isso, a Bolívia poderá usar as instalações do porto paranaense para o envio e recebimento de suas cargas. A medida foi apresentada ao Congresso pelo governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007 para agradar o colega Evo Molares, que havia sido eleito um ano antes.

Os bolivianos já possuem duas "saídas" para o mar por meio dos portos chilenos de Arica e Iquique. O histórico das atividades criminosas de agentes do estado boliviano nos dois terminais acende o sinal vermelho para o Brasil. Em 2011, o então chefe de operações antidrogas da Bolívia, Rene Sanabria, foi preso em flagrante no Panamá, depois que uma investigação identificou que uma quadrilha de traficantes controlada por ele despachou toneladas de drogas escondidas em contêineres de cargas por meio dos portos chilenos. Somente entre os meses de janeiro e fevereiro de 2010, o militar enviou 4,7 toneladas de cocaína para oito países de destino.

(Arquivo/AP)
General Rene Sanabria, ex-chefe do Departamento Antidrogas da Bolívia. 
Ele cumpre pena nos Estados Unidos pelo envio de toneladas de 
cocaína escondidas em contêineres 

Sanabria valia-se de uma regra que também será aplicada no Brasil. Assim como no caso que possibilitou o tráfico a partir dos portos chilenos, os contêineres que atravessarão o território brasileiro serão lacrados na Bolívia e terão esses lacres verificados em Paranaguá. Como na maioria dos contêineres que saem do país, serão despachados sem nenhum tipo de inspeção interna. Operadores portuários ouvidos por VEJA estimam que menos de 5% das exportações são submetidas a algum tipo de verificação.

A fiscalização será mais intensa na entrada, como já é feita pelos fiscais da Receita que atuam em Paranaguá, onde o Paraguai já possui um Depósito Franco. Segundo um auditor da Receita que já trabalhou no terminal, desde que os contêineres que chegavam com destino ao Paraguai passaram a ser escaneados, o movimento de importação caiu mais de 90%. "Sabemos que, no caso da Bolívia, a fiscalização deverá se concentrar na exportação, mas uma bomba relógio está prestes a ser armada", alerta o auditor.

Está prevista para ser votada esta semana uma lei que muda as regras para abertura de portos secos no Brasil. Atualmente, concedidos por meio de licitações públicas, essas áreas alfandegadas que são utilizadas para o despacho e recepção de cargas passariam a ser abertas mediante autorização. O PL 374/2011, de autoria da senadora Ana Amélia (PP-RS), tem a boa intensão de desafogar os terminais portuários brasileiros, mas a falta de infraestrutura e de pessoal por parte da Receita pode acabar por favorecer criminosos como os do narcoestado boliviano. Com a profusão de Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros, como são oficialmente chamados os portos secos, o despacho alfandegário poderá ser feito nessas instalações e os contêineres bolivianos chegarão prontos para o embarque em Paranaguá. Carregados com o quê, dificilmente se saberá.

******** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Com as fronteiras liberadas, o Brasil foi transformado em avenida liberada para o narcotráfico, tragédia que vitima as famílias brasileiras e colabora diretamente para a escalada da violência. 
Com 
Lula, através de um acordo criminoso, transformou o Brasil em entreposto do narcotráfico. E este cafajeste estufa o peito para criticar as pessoas decentes do país. 

Delator diz que Lula reuniu-se com Bumlai e presidente da Sete Brasil por contratos de navios-sonda

 Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo E Mateus Coutinho
O Estado de São Paulo

Fernando Baiano revelou que ex-presidente recebeu pecuarista pelo menos duas vezes no Instituto Lula, em 2011, para discutir contratos que teriam resultado em pagamentos cerca de R$ 2 milhões para sua nora

O pecuarista José Carlos Bumlai com o ex-presidente Lula

O operador de propinas do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, afirmou em sua delação premiada que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003/2010) se reuniu pelo menos duas vezes com o pecuarista José Carlos Bumlai e com João Carlos Ferraz, então presidente da Sete Brasil – companhia criada pela Petrobrás para construção de um pacote de 28 navios-sondas com conteúdo nacional -, para tratar de negócios intermediados por ele, em nome do grupo OSX – do empresário Eike Batista.

Segundo Fernando Baiano, os encontros ocorreram no Instituto Lula, em São Paulo, no primeiro semestre de 2011, e antecederam a cobrança de R$ 3 milhões por Bumlai para supostamente pagar uma dívida de imóvel de uma nora do ex-presidente.

“Essa reunião foi efetivamente realizada em São Paulo no final do primeiro semestre de 2011”, afirmou Fernando Baiano, em seu termo de delação premiada fechado com a força-tarefa da Lava Jato. “Antes dessa reunião, o depoente encontrou João Carlos Ferraz e Bumlai. Esse encontro ocorreu em um restaurante italiano embaixo de um flat, onde almoçaram”.

Segundo o delator, o local do encontro foi o Restaurante Tatini, no Jardim Paulista. “Bumlai orientou José Carlos Ferraz sobre o que falar a Lula”, revelou baiano. “Depois José Carlos Ferraz e Bumlai foram para a reunião com Lula; que essa reunião ocorreu no Instituto Lula”, afirmou Fernando Baiano.

Ferraz era ex-funcionário da Petrobrás. Foi o primeiro presidente da Sete Brasil, empresa criada pela Petrobrás com bancos e fundos de pensão, para contratação de 28 navios-sonda pelo valor de US$ 22 bilhões.

Ferraz e outro ex-executivo da Sete Brasil, Eduardo Musa, confessaram em delação premiada que que esses contratos envolveram propina de 1%. Parte abasteceu os cofres do PT, contou o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco.

‘Mais velocidade’. 
“Ferraz disse que a reunião com Bumlai e Lula tinha sido muito boa, que Ferraz teria feito uma boa exposição ao ex-presidente sobre a Sete Brasil, sobre a importância da empresa para a indústria naval brasileira e sobre as dificuldades enfrentadas para colocar os projetos para frente”

Fernando Baiano contou que segundo relatos do ex-presidente da Sete Brasil, Lula teria falado em “dar mais velocidade” nos assuntos da empresa. “Ferraz disse que Lula foi bastante amável com ele e teria assumido o compromisso de ajudar a dar mais velocidade nos assuntos da Sete Brasil, para viabilizar uma consolidação mais rápida da indústria naval brasileira.”

Segundo o delator, Ferraz disse que, inclusive, em decorrência da reunião com Lula, teria sido agendada e realizada uma outra reunião, no Instituto Lula, com a participação do presidente “do Sindicato da Indústria Naval, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Naval ou algo do tipo”.

‘Peso maior’. 
Fernando Baiano relatou em seu termo de delação que as negociações começaram em 2011, depois dele procurar Bumlai para ajudar a OSX a participar do pacote de contratos da Sete Brasil que estava sendo fechado no início do governo Dilma Rousseff. Fernando Baiano afirmou que em determinado momento, ainda em 2011, comentou com Bumlai “que achava que estavam existindo empecilhos ao fechamento do negócio” da OSX e que “achava que era necessária uma Providência mais incisiva para concretização da negociação”.

“O depoente considerava indispensável ‘um peso maior’ para que o negócio fosse ultimado”, registrou a força-tarefa da Lava Jato. Teria sido ai então que Bumlai “ficou de acertar uma reunião entre João Carlos Ferraz e o ex-presidente Lula.”

Fernando Baiano afirma que Bumlai receberia metade da propina paga pela OSX. “Que todo o desenrolar das negociações era repassado pelo depoente para Bumlai”, explicou Fernando Baiano. “Havia um acerto” com Bumlai “no sentido da divisão da ‘comissão’ devida em razão do negócio”, disse o delator. “(Fernando Baiano) ficaria com metade e Bumlai com a outra metade da ‘comissão’.”
‘Nora’. Fernando Baiano afirmou que foi no decorrer dessas negociações da OSX com a Sete Brasil, intermediadas por Bumlai em contatos diretos com Lula, que “em uma das visitas” do pecuarista ele teria indagado “sobre a possibilidade de ser obtido um adiantamento da parte de Bumlai na comissão que seria paga pela OSX.

“Nessa reunião Bumlai afirmou que precisava do dinheiro porque estava sendo pressionado para resolver um problema”, contou Fernando Baiano, que disse ter questionado o pecuarista sobre detalhes da situação, “para ver se poderia ajudar”.

“Bumlai disse que estava sendo cobrado por uma nora do ex-presidente Lula para pagar uma dívida ou uma parcela de um imóvel”, revelou Fernando Baiano. Bumlai teria dito que “tinha ficado de resolver esse problema” e falou em uma dívida de R$ 3 milhões.

O delator afirmou que disse pessoalmente a Bumlai que “não poderia ajudar com R$ 3 milhões, mas que poderia contribuir com R$ 2 milhões para resolver o problema”. O valor, segundo ele, foi repassado para o pecuarista, por meio de uma empresa de locação de equipamentos, de nome São Fernando, por meio da emissão de uma nota fiscal por serviços não prestados. “O valor pago não foi o valor exato de R$ 2 milhões, tendo sido provavelmente uma quantia um pouco menor”, revelou Baiano.

COM A PALAVRA, O INSTITUTO LULA
“O ex-presidente não comenta supostos trechos de documentos que estão sob sigilo judicial. Reiteramos que o ex-presidente Lula nunca atuou como intermediário de empresas em contratos, antes, durante ou depois de seu governo. Jamais autorizou que o sr. José Carlos Bumlai ou qualquer pessoa utilizasse seu nome em qualquer espécie de lobby. Não existe a dívida de 2 milhões supostamente mencionada na delação.”

Próximos meses serão decisivos para rating do Brasil

Exame.com
Com informações Agência Reuters

Brendan McDermid/Reuters 
Sede da Fitch Ratings: a Fitch já espera que o Brasil registre déficit primário
 neste ano, mas vai observar de perto o cenário fiscal para 2016 e 2017 
antes de decidir sobre a nota do país

São Paulo - A Fitch terá nos próximos meses mais condições de avaliar o ambiente político no Brasil, elemento chave para sua decisão de tirar ou não o grau de investimento do país, disse a analista sênior da agência Shelly Shetty.

Em teleconferência, Shelly disse que o impacto do aumento da crise política será negativo para a nota do Brasil. A Fitch rebaixou a classificação do país na quinta-feira para "BBB-", o menor patamar dentro do grau de investimento, com perspectiva negativa.

O risco de um impeachment contra a presidente Dilma Rousseff aumentou recentemente, avaliou Shetty, mas a agência acredita que ela permanecerá no cargo.

A Fitch já espera que o Brasil registre déficit primário neste ano, mas vai observar de perto o cenário fiscal para 2016 e 2017 antes de decidir sobre a nota do país.

O governo brasileiro deve desistir da meta de superávit primário equivalente a 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no orçamento deste ano e reconhecer que as contas serão deficitárias, em meio às dificuldades para aprovar medidas para aumentar as receitas federais, informaram à Reuters quatro fontes do governo.

A aprovação da CPMF é improvável, mas a Fitch vai ficar de olho nas alternativas que o governo apresenta para melhorar as finanças, completou Shetty.

Estamos caminhando para a destruição de nossa economia

Wagner Pires
Tribuna da Internet

O caminho que estamos trilhando agora nos levará à perda das reservas cambiais, à hiperinflação e, por fim, à destruição do Real, com a consequente descaracterização do Banco Central como guardião da nossa moeda. O descontrole da política monetária trará de volta todas as características dos anos 80 superadas com a implantação do real.

Todo o esforço da sociedade para adquirir o equilíbrio monetário na época de Itamar e FHC será perdido. O PT e a guerra política que estamos vivendo jogarão o país no limbo, e toda a sociedade pagará o imposto inflacionário que o governo cobrará pela emissão descontrolada da moeda que está por vir para financiar o descontrole fiscal. Todos pagaremos pelo retorno da hiperinflação.

Esta é a verdadeira desgraça que está em curso e foi o PT que jogou toda a economia no buraco em função da política.

OS CULPADOS
Se hoje o país se encontra travado economicamente por conta da política,não há outro culpado disso que não sejam a Dilma e o PT, que usaram toda a estrutura econômica do país para dar sustentação política à sua agremiação.

Vê-se assim que o país inteiro se tornou um mero instrumento de dominação política do partido dos trabalhadores.

A única coisa que separa a frágil democracia do país de uma ditadura petista é a guerra política estrelada agora entre o PT e o PMDB.

Se não fosse o forte compromisso de Joaquim Levy com o banco que lhe ordenou assumir o papel de Ministro da Fazenda, ele já teria abandonado o cargo há muito tempo, quando se viu isolado e escanteado no governo de Dilma.

Não sei se Levy continuará sustentando esta situação com as investidas de Lula com intenção de sua queda e substituição.

VOLTA DA CENSURA: Câmara aprova lei para inibir publicação de denúncias contra políticos

Redação
Diário do Poder


Pela lei, o juiz da 'ofensa' é o próprio suposto 'ofendido'


O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira, 20, o projeto de lei que regulamenta o exercício do direito de resposta aos que se sentirem ofendidos por matérias jornalísticas veiculadas nos meios de comunicação. O texto volta agora à apreciação dos senadores.

O projeto, de autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR), prevê que o cidadão que se sentir ofendido em sua honra, reputação, imagem ou intimidade, pode exigir a retificação da informação em espaço proporcional à notícia divulgada. O projeto regulamenta o artigo 5º da Constituição e é o primeiro do gênero desde a revogação da Lei de Imprensa em 2009.

Na votação, os deputados retiraram do texto original a possibilidade de o ofendido exercer pessoalmente o direito de resposta, a chamada retificação pessoal, nos casos de conteúdo televisivo ou radiofônico. Outra mudança foi a inclusão de um artigo que isenta o acusado de punição caso se retrate, pelos mesmos meios, antes da sentença em ações de calúnia e difamação.

A última vez que a proposta foi colocada em pauta foi no ano passado, mas o tema não avançou em plenário. O tema volta à tona no momento em que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ganhou destaque no noticiário como um dos principais investigados da Operação Lava Jato. 

"O projeto acaba com o jornalismo investigativo", concluiu o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). Apenas PPS, DEM e PSDB votaram contra o projeto. 

O projeto dá ao ofendido a possibilidade de reivindicar o direito de resposta diretamente ao veículo de comunicação. A partir da data de publicação da notícia, o cidadão tem até 60 dias para exigir esse direito. O ofendido pode exigir que o direito de resposta seja publicado em mesmo espaço semelhante ao conteúdo publicado contra ele, no mesmo dia da semana e horário do agravo. 

Mesmo havendo retratação espontânea do veículo, se o cidadão se sentir insatisfeito com o tratamento, poderá recorrer à Justiça, em primeira instância. Caso a empresa não faça a retratação em sete dias - contando a partir da data do recebimento do pedido de direito de resposta -, o ofendido poderá procurar instâncias judiciais superiores. Ao receber a ação, o magistrado dará 24 horas para que o responsável seja citado e três dias para a contestação. Ao total, o juiz terá 30 dias para deliberar sobre a ação. 

O projeto não se aplica aos comentários feitos por usuários de internet nas páginas eletrônicas dos veículos de comunicação.

A lei do Direito de Reposta prevê que o juiz poderá impor multa diária ao réu, independentemente da solicitação do autor da ação "bem como modificar-lhe o valor ou a periodicidade, caso verifique-se que se tornou insuficiente ou excessiva." Foi mantido na lei a possibilidade de efeito suspensivo da decisão de primeira instância, desde que seja por colegiado.

Moody's diz que Petrobrás impõe risco para nota do Brasil

Danielle Chaves 
O Estado De S. Paulo

Entre os riscos das companhias de petróleo, a agência de rating citou os choques no preço da commodity, perdas graduais mas persistentes e riscos de governança corporativa


A Moody's destaca que a Petrobrás é uma companhia integrada cujo rating
 reflete um alto nível de suporte implícito dos respectivos governos

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Moody's publicou relatório em que afirma que companhias de petróleo nacionais com altos níveis de dívida e reduzida capacidade financeira impõem riscos para os ratings soberanos. Entre essas companhias, a Moody's destacou a Petrobrás.

Segundo a agência, entre os países latino-americanos nos quais as companhias de petróleo nacionais apresentam o maior risco estão o Brasil, com a Petrobrás, e o México, com a Pemex. A Moody's destaca no relatório que tanto a Petrobrás quanto a Pemex são "companhias integradas cujos ratings refletem um alto nível de suporte implícito dos respectivos governos".

No começo do mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também alertou para a situação da estatal brasileira. Em documento. o FMI afirmou que oendividamento da Petrobrás pode comprometer nota do Brasil.

Em agosto, a Moody's rebaixou a nota brasileira, mas manteve o grau de investimento do País. Na semana passada, foi a vez da Fitch diminuir o rating brasileiro. 

Petróleo.
"Três fatores principais podem prejudicar a capacidade de uma companhia de petróleo nacional pagar o serviço de suas dívidas e podem levar à materialização de obrigações contingentes para o soberano: choques no preço do petróleo, perdas graduais mas persistentes ou riscos de governança corporativa", afirmou o vice-presidente e analista sênior da Moody's, Jaime Reusche. "As companhias que impõem o maior risco têm uma combinação de robustez financeira relativamente baixa e níveis de dívida relativamente altos", acrescentou.

O relatório também menciona a Petrotrin, de Trinidad & Tobago, e a PdVSA, da Venezuela. "Na América Latina, das oito companhias que acompanhamos, o maior aumento na dívida relativa ao tamanho da economia durante os últimos cinco anos ocorreu na PdVSA. Essa companhia em particular enfrenta riscos soberanos maiores entre todos os seus pares e tem o rating mais baixo", afirmou Reusche.

A Moody's citou ainda a KazMunayGas, do Casaquistão e a Companhia Estatal de Petróleo da República do Azerbaijão. 

Preço atual do petróleo inviabiliza pré-sal, diz PPSA

Marta Nogueira
Agência Reuters



RIO DE JANEIRO (Reuters) - As áreas do pré-sal em produção precisam que os preços do petróleo sejam superiores a 55 dólares o barril para serem economicamente viáveis, disse nesta terça-feira o presidente da Petróleo Pré-Sal SA (PPSA), Oswaldo Pedrosa, indicando que algumas áreas podem estar operando com perdas no momento, considerando o mercado atual.

A produção de óleo e gás natural operada pela Petrobras na camada pré-sal em setembro ficou na média de 1,028 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boed), ou cerca de um terço de toda a produção brasileira.

O preço do petróleo Brent era negociado nesta terça-feira próximo de 49 dólares o barril, com o mercado global sendo atingido por uma grande oferta e preocupações econômicas, especialmente com o crescimento mais lento da China.

Pedrosa, executivo da estatal criada para gerir o pré-sal, fez o comentário ao falar sobre o preço de equilíbrio (valor mínimo do barril a partir do qual a produção é economicamente viável) para a reserva petrolífera gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

"Então Libra hoje opera em prejuízo? Não, porque ela ainda não entrou em operação", afirmou Pedrosa durante palestra no Rio de Janeiro.

Em entrevista a jornalistas, após a sua fala, Pedrosa confirmou o "break even" para o pré-sal de 55 dólares e reiterou que o valor já estava descrito no plano de negócios da Petrobras.

Pedrosa ponderou ainda que existe uma expectativa de recuperação dos preços do petróleo até o fim desta década, dando tempo para a produção em Libra se tornar viável, assim como para outras áreas do pré-sal.

"Hoje os preços estão baixos e há uma tendência de recuperação dos preços de forma mais prolongada, talvez em patamares inferiores do que a gente via anteriormente, mas que até o fim da década, com certeza, não teremos esses preços (atuais) do petróleo." 

Ele disse ainda que as companhias ainda podem reduzir o chamado "break even" à medida que aumentam seus conhecimentos sobre as áreas petrolíferas.

A Petrobras, que está à frente da maior parte das áreas do pré-sal do Brasil, indicou no início do ano um preço de equilíbrio para a áreas do pré-sal um pouco abaixo da cotação citada por Pedrosa.

A empresa falou em nota que o preço de equilíbrio planejado no momento em que foram aprovados os projetos do pré-sal situava-se a cerca de 45 dólares o barril, incluída a tributação e sem considerar os gastos com infraestrutura de escoamento de gás --ao considerar essas despesas, o valor pode aumentar entre 5 e 7 dólares o barril.

A estatal disse ainda, anteriormente, que o "break even" previsto levava em consideração uma vazão de poços entre 15 e 25 mil barris por dia, e que atualmente alguns poços têm vazão superior a 30 mil barris de óleo por dia, "com efeito positivo na economicidade dos projetos".

Procurada nesta terça-feira, a Petrobras não se manifestou imediatamente sobre o assunto.

PLANOS PARA LIBRA
A Petrobras é a operadora da mega reserva petrolífera de Libra, considerada a maior do Brasil, com 40 por cento de participação, em parceria com a Shell e a Total, ambas com fatia de 20 por cento, além das chinesas CNPC e CNOOC, as duas com 10 por cento cada.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estimou anteriormente que Libra contenha de 8 bilhões a 12 bilhões de barris recuperáveis. 

Pedrosa explicou ainda que Libra deverá receber uma segunda plataforma de petróleo entre 2021 e 2022, que deverá ter as mesmas características da primeira, que está prevista para entrar em operação em 2019.

Um Teste de Longa Duração (TLD) em Libra está previsto para iniciar a operação no início de 2017, após a entrega da plataforma marcada para o fim de 2016, segundo Pedrosa.

A previsão inicial é que Libra tenha um total de 12 plataformas de produção de petróleo, mas esse número poderá sofrer alterações com o tempo.

A PPSA prevê que a primeira plataforma reinjete todo o gás produzido de volta pelos poços para o campo, como forma de aumentar a produção de petróleo.

Entretanto, um comitê especial foi criado dentro de Libra para buscar alternativas para o aproveitamento de gás a partir da próxima década.

"Efeito Viagra" ameaça previdência no Brasil, diz NYT

João Pedro Caleiro
EXAME.com 

Marcos Santos /USP Imagens 
Idosos usam caixa eletrônico: 
previdência está sujeita a novas pressões

São Paulo - O sistema de previdência no Brasil está fugindo do controle e agrava inclusive a crise política, de acordo com uma reportagem publicada hoje no jornal americano The New York Times.

"A explosiva crise de pensões no Brasil, maior país da América Latina, está causando estrago nas finanças públicas, intensificando uma batalha política sobre a economia que já deixa a presidente lutando por sobrevivência", diz o texto.

O jornal cita como fatores para a crise a idade média de aposentadoria de 54 anos, a mudança no perfil demográfico do país (menos jovens para sustentar mais idosos) e a recessão, que faz diminuir o nível de contribuições.

Outro problema são as brechas que permitem o "efeito Viagra": servidores aposentados que casam com mulheres mais jovens que acabam recolhendo suas pensões por anos depois que eles já morreram.

O NYT diz que apesar de ajudar a aliviar a pobreza em alguns casos, como dos trabalhadores rurais, o sistema dá pensões integrais e vitalícias para grupos privilegiados como filhas de militares (o que acabou em 2000, mas só para novos entrantes).

Especialistas ouvidos pelo jornal alertam que nosso problema é como o da Grécia, só que em maior escala, e que as soluções possíveis - aumentar contribuições, elevar a idade mínima de aposentadoria ou diminuir benefícios - são impopulares.

A crise econômica já dói no bolso dos executivos

Aline Scherer
Revista EXAME 

Alexandre Battibugli/Exame 
Lojas Marisa: estoques cheios, quedas consecutivas 
nos lucros e nada de bônus aos executivos

São Paulo — A estratégia de expansão acelerada adotada pelos executivos da varejista de moda Lojas Marisa teve fôlego curto. Entre 2010 e 2014, a empresa abriu quase 200 novas lojas — uma expansão de 83% em sua rede. Nos três primeiros anos, tudo parecia dar certo — e o faturamento cresceu num ritmo anual médio acima de 10%.

O primeiro revés apareceu no balanço de 2013, quando o lucro líquido caiu 37% em relação ao ano anterior. Em 2014, mais uma queda, dessa vez de 61%. Naquele ano, as vendas também encolheram — queda de 2,6%. Segundo EXAME apurou, na tentativa de recuperar o crescimento, a companhia passou a lançar mais peças a preços baixos, o que fez cair ainda mais as margens de lucro.

A retração econômica ajudou a compor o cenário ruim para as finanças da companhia, comandada pelo empresário Márcio Goldfarb. Resultado: nada de bônus para os executivos. Os quatro diretores que embolsaram juntos uma bolada de 2,7 milhões de reais de incentivos de curto prazo em 2014 ficaram a ver navios neste ano, segundo relatório publicado pela Lojas Marisa.

Procurada, a companhia não deu entrevista. De acordo com a pesquisa EXAME/Hay Group com 4 131 executivos de 326 empresas — a mais abrangente sondagem da remuneração de altos executivos no Brasil, publicada pelo oitavo ano consecutivo —, 57% dos executivos não levaram bônus cheio neste ano. O bônus médio pago foi 8% menor em relação ao de 2014.

E 10% dos executivos não receberam um único centavo como incentivo de curto prazo, o pior índice dos últimos cinco anos (veja quadro ao lado). No caso dos presidentes, o índice dos sem-bônus é maior — chegou a 14%. Além dos executivos da Lojas Marisa, estão nesse time executivos de empresas como a de energia Cemig, a rede de laboratórios de diagnóstico Fleury e a siderúrgica Gerdau.

A pesquisa também mostra que ninguém teve aumento real. O salário-base dos ocupantes dos mesmos cargos nas mesmas empresas empatou com a inflação do período. “A expectativa já não era boa, com os primeiros sinais de recessão econômica”, diz Fabrizio Forti, responsável pela pesquisa da consultoria de recursos humanos Hay Group. “A realidade, porém, foi pior.”

É um baque para uma série histórica ascendente. Os executivos brasileiros tiveram um aumento acumulado de 161% na remuneração total desde 2007. Em 2011, o bônus médio pago para os executivos brasileiros ficou acima da meta — e chegou ao patamar de 103% da bolada prevista caso tivessem apenas batido o objetivo traçado.

Os dados deste ano, no entanto, não deixam dúvida. Os anos de bonança, definitivamente, ficaram para trás. Entre os casos mais críticos estão os setores de transportes e logística e de material de construção, nos quais que 66% dos executivos não bateram suas metas. Entre as siderúrgicas, 55% dos diretores ficaram aquém do esperado.

Na Gerdau, embora a receita líquida tenha subido 6,7%, o lucro líquido caiu 12,2% em 2014 em relação ao ano anterior. O maior golpe, no caso da empresa, foi a desaceleração da construção civil. “Os principais problemas da Gerdau têm sido a concorrência com os chineses e a desaceleração do setor industrial brasileiro”, diz Rafael Ohmachi, analista da corretora Guide Investimentos.

Os executivos sentiram o golpe no bolso, já que 60% da remuneração variável está vinculada diretamente aos resultados do negócio, e o restante ao desempenho individual. O principal indicador financeiro utilizado para mensurar o atingimento das metas é o Ebitda (lucro antes de juros, imposto de renda e contribuição social, depreciações e amortizações), que encolheu 10,9% na operação brasileira.

Toda a diretoria não recebeu nada como recompensa de curto prazo. No ano passado, seis diretores ganharam, juntos, 319 080 reais de bônus e 1,3 milhão de reais em ações. As exceções estão em setores como o de saúde e o de tecnologia, que demoraram mais para sentir os efeitos da crise econômica.

No segmento de serviços de saúde, os bônus foram os mais generosos entre todo o universo do levantamento do Hay Group — 60% dos executivos superaram as metas e levaram uma bolada acima do alvo. Na corretora de planos de saúde Qualicorp, três diretores embolsaram, juntos, 5 milhões de reais em bônus — além dos 11,5 milhões de reais da remuneração baseada em ações, como incentivo de longo prazo.

A recompensa foi cinco vezes melhor do que a paga em 2014. Na regra da meritocracia, os profissionais fizeram jus à bolada. A Qualicorp saltou 98 posições na lista das 1 000 maiores do país em vendas do anuário Melhores e Maiores, publicado por EXAME — e chegou ao 707o lugar em 2015. Num ano difícil, no qual as maiores empresas cresceram, em média, apenas 2%, o faturamento da Qualicorp aumentou 26%.

Procurada, a empresa enviou nota dizendo que o pagamento de bônus segue as melhores práticas do mercado. Um dado do estudo evidencia uma contradição: enquanto a média dos diretores financeiros foi penalizada — a remuneração total caiu 5% —, os diretores comerciais saíram ganhando, com crescimento de 12% no valor embolsado.

“Isso indica uma aparente desconexão entre o planejamento de cada departamento”, afirma Forti. Para evitar esse tipo de descompasso, a CPFL Energia, presidida pelo executivo Wilson Ferreira Júnior, criou há três anos um comitê responsável por garantir que as metas propostas em cada área da empresa sejam mensuráveis, igualmente desafiadoras e não entrem em conflito entre si.

No primeiro ano da iniciativa, o grupo formado por 11 funcionários dos departamentos de finanças, recursos humanos e planejamento estratégico da companhia limitava-se a sugerir mudanças. Agora o comitê tem poder de vetar as metas propostas por todas as diretorias. Entre os resultados está a redução dos custos gerenciais.

“O novo processo serve para evitar que, por exemplo, a área de engenharia defina uma meta agressiva de novas construções e investimentos, enquanto a área financeira tenha proposto a redução do endividamento e da estrutura de capital”, afirma Gustavo Estrella, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da CPFL Energia.

Das 22 empresas do setor elétrico que participaram da pesquisa, 14 não atingiram os resultados esperados — pagando, em média, 79% do bônus-alvo no ano passado. Na CPFL Energia, no entanto, o bônus chegou a 121%. Apesar das dificuldades do setor, as receitas da CPFL cresceram 2,6% e o ¬Ebitda avançou 6% em 2014.

“Esse tipo de grupo de trabalho para alinhar metas entre os departamentos não é comum, mas tem ganhado importância à medida que as empresas passam a adotar ferramentas de governança”, diz Alberto Mariani, sócio da consultoria paulista de governança corporativa Mesa. 

Para 2016, as perspectivas não são nada animadoras.

Numa sondagem sobre as tendências para 2015 realizada pelo Hay Group, 68% das empresas disseram que esperam resultados piores para este ano. É provável que a crise acentue uma tendência — nos últimos três anos, metade das empresas da amostra mudou de presidente.

Nessas trocas em 2014, 52% dos novos ocupantes foram promovidos internamente por um salário 13% menor. Definitivamente, a fase do Brasil não anda mesmo das melhores.