sexta-feira, março 18, 2016

Ameaçada a imagem de vestal de Dilma

Ricardo Noblat

 Arte: Antônio Lucena


Responda, Dilma: que interesse público pode sustentar a nomeação para ministro de Estado de um cidadão investigado pela Justiça sob a suspeita de corrupção e de ocultação de patrimônio?

Bons tempos aqueles onde Dilma fazia questão de mandar embora do governo quem lhe parecesse suspeito de ter praticado algum malfeito.

No primeiro ano do primeiro mandato dela, Dilma fantasiou-se de Faxineira Ética e mandou embora sete ministros.

Mis tarde, aconselhada por Lula, resgatou os sete e os devolveu ao governo, a eles ou a representantes deles.

Agora, ameaçada pelo impeachment, Dilma manda para o governo quem precisa de proteção para escapar da Justiça.

O Palácio do Planalto está virando um bunker para esconder suspeitos de crime. Dilma, em breve, poderá, oficialmente, virar uma suspeita.

Ela escapou, sem máculas, do episódio do mensalão. Sua biografia corre o risco de ser maculada pelo petrolão. Haveria motivos de sobra para isso.

Um deles: a compra superfaturada da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, quando Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras.

Outro: a responsabilidade de Dilma pela nomeação de diretores da Petrobras que ajudaram a roubar a empresa.

Outro ainda: a nomeação de um juiz para o Superior Tribunal de Justiça com a missão de, ali, libertar empresários presos pela Lava-Jato.

Mais um: o cambalacho promovido por Aloizio Mercadante, ministro da Educação, que tentou convencer o senador Delcídio a não delatar.

Não existe – ou não existia – ministro mais ligado a Dilma, mais obediente às suas ordens, mais leal a ela do que Mercadante. Pois é.

Esses e outros motivos deverão dar ensejo a um pedido da Procuradoria da República para que Dilma seja investigada, e não somente ela.

Em que país decente um cidadão em apuros com a Justiça dá um golpe no presidente da República e assume, na prática, o lugar dele?

Diante da História, Dilma, um dia, também responderá por isso.

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