quinta-feira, março 03, 2016

Lula, o corajoso covarde

Ricardo Noblat

Com medo de depor, com medo de ser surpreendido por perguntas para as quais não teria respostas prontas, Lula preferiu não encarar o procurador que o havia intimado



Admirável a capacidade de líderes políticos do PT de manipularem fatos na tentativa de transformar uma coisa que lhes é desfavorável em outra que possa beneficiá-los – ou ao seu chefe. Não é de hoje.

Lula negou-se a comparecer para depor pessoalmente ao Ministério Público de S. Paulo que investiga o caso do tríplex do Guarujá, reformado de graça pela OAS para abrigá-lo e à sua família.

Preferiu depor por escrito, respondendo a perguntas que lhe seriam feitas. Lula não era obrigado a comparecer. O Ministério Público deu-se por satisfeito com as respostas que ele lhe enviou.

Naturalmente, isso não quer dizer que tenha acreditado nelas.

Que versão para o fato o PT se empenha em oferecer? Que Lula trombou com o Ministério Público. Que o desafiou. Que o afrontou na condição de líder político perseguido.

Foi o contrário. Com medo de depor, com medo de ser surpreendido por perguntas para as quais não teria respostas prontas, Lula preferiu não encarar o procurador que o havia intimado.

Não foi um gesto de coragem, mas de covardia.

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