quinta-feira, março 03, 2016

Pedalinhos em sítio de Atibaia foram comprados por assessor da Presidência

o ex-presidente
Luiza Souto
O Globo

Equipamentos custaram R$ 5.600 e foram adquiridos em 2013

Nota fiscal de compra dos pedalinhos


SÃO PAULO — Os dois pedalinhos que estão no lago do sítio de Atibaia (SP) e que possuem capa com os nomes de dois netos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram comprados por um assessor especial da Presidência da República. O trabalho do subtenente Edson Antonio Moura Pinto, de 48 anos, é "apoio a ex-presidentes da República".

Os brinquedos, em forma de cisne branco, têm capas pretas com os nomes de Pedro e Arthur, e apareceram em uma imagem aérea exibida na edição desta segunda-feira do “Jornal Nacional”.

De acordo com nota fiscal emitida pela Ipê Fibras, em São Lourenço (MG), os equipamentos foram comprados e pagos por Moura Pinto em 2013, pelo valor de R$ 5.600.

— Ele nos achou na internet e nos ligou. Não chegou a vir aqui e também não disse para quem seria os pedalinhos. Até falei que tinha loja em Atibaia, mas ele preferiu comprar conosco. Ainda dei desconto de R$ 48 - explica o dono da loja, José Reinaldo Ferreira da Silva, de 60 anos.

No dia seguinte à data de emissão da nota, em 19 de dezembro de 2013, Moura Pinto esteve no sítio, onde permaneceu até o dia 22 do mesmo mês. Ele não foi localizado para comentar a compra.

Alvo da Lava-Jato por envolvimento em desvios na Petrobras, a construtora Odebrecht teria realizado obras de reforma no sítio, usado pelo ex-presidente e seus parentes. Lula admitiu que frequenta o sítio, mas alega que o local pertence a “amigos da família”.

Amigo de Lula, o pecuarista preso na Lava-Jato José Carlos Bumlai teria pagado parte da reforma do imóvel, segundo documentos apreendidos pela PF. Desde 2012, Lula e a família viajaram 111 vezes ao local. Logo após deixar a Presidência, Lula enviou seus pertences e de seus familiares ao sítio. Entre os itens transportados, havia 200 caixas - 37 delas com bebidas.

Na segunda-feira, os advogados do ex-presidente Lula e de sua mulher, Marisa Letícia, apresentaram por escrito as explicações sobre o sítio de Atibaia, na investigação movida pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo eles, o sítio foi prospectado pelo sindicalista Jacó Bittar em 2010, que tinha a intenção de oferecer a Lula um local para que pudesse guardar os objetos que ganhou durante o período em que permaneceu na Presidência da República. Como ficou doente, Bittar teria dado o dinheiro para que seu filho, Fernando Bittar, fechasse o negócio. O valor, no entanto, teria sido insuficiente, o que levou Fernando a chamar Jonas Suassuna para entrar como sócio na propriedade.

Reprodução
Pedalinhos estacionados em lago de sítio em Atibaia



******* COMENTANDO A NOTÍCIA:
Seria interessante que o Ministério Público fizesse uma apuração sobre a origem do dinheiro empregado para a compra dos equipamentos. Sendo assessor da Presidência, provavelmente Moura Pinto tenha cartão corporativo e pode tê-lo usado para sacar o dinheiro em espécie, o que caracterizaria uma tremenda ilegalidade já que se usou dinheiro público para benefício privado. Porque é difícil acreditar que este simples assessor tenha resolvido, a exemplo de algum figurões, presentear o ex-presidente em exercício com o próprio bolso.

Nenhum comentário: