quinta-feira, março 03, 2016

PIB do Brasil deve voltar a níveis pré-recessão só em 2019, diz Reuters

O Globo
Com informações Agência Reuters

Pesquisa da agência indica que economia deve ter encolhido 3,8% em 2015


BRASÍLIA - A forte contração econômica do Brasil deve acabar no fim deste ano, mas a economia não conseguirá voltar ao nível pré-recessão antes de 2019, segundo pesquisa da Reuters publicada nesta segunda-feira. De acordo com sondagem da agência, a economia do Brasil provavelmente teve em 2015 a maior queda anual em 25 anos, de 3,5%. e a forte baixa no quarto trimestre reforça a impressão de que a recessão ainda não chegou ao final. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica os números sobre o ano passado na quinta-feira.

Com as perspectivas de recuperação bastante frágil, o desemprego deve continuar alto por vários anos e a escalada da dívida exigirá da presidente Dilma Rousseff e seus sucessores ainda mais austeridade para estabilizar as contas do país.

O superávit primário - economia feita para pagamento de juros da dívida - necessário para estabilizar a dívida brasileira já aumentou para 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a mediana das projeções de economistas na pesquisa, sobre 2% nas contas do governo ano passado. Atualmente, em 12 meses, o país tem déficit primário de 1,75% do PIB.

— Acabou aquele modelo de crescimento baseado na expansão do crédito ao consumo. E há a necessidade de gerar superávit fiscal elevado — disse o economista do BBVA, Enestor dos Santos. — O risco é que a gente tenha uma situação de crise fiscal mais forte, de crise de dívida.

A crise econômica tem sido um choque de realidade para o Brasil após anos de forte crescimento econômico. Mesmo com os vastos recursos naturais e um dos maiores mercados consumidores do mundo, o Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, voltou a ser considerado um lugar de alto risco para investimentos e vê a ameaça do velho fantasma da inflação.

O legado da pior recessão em mais de um século no Brasil deve manter instável o fragmentado sistema político do país, sugerem os resultados da pesquisa, como se o país estivesse apenas voltando ao seu normal após um breve período de forte expansão liderada pela China.

VOLTA TÍMIDA
A economia brasileira, em queda livre desde o começo de 2015, provavelmente vai voltar a crescer no último trimestre deste ano, segundo a mediana das projeções de 15 economistas. A recuperação será apenas modesta, porém, com o PIB retornando ao seu tamanho de antes da recessão, em 2014, somente em 2019.

O baixo crescimento, junto com os altos juros, aumenta o custo da dívida do país. A dívida bruta, atualmente em 67% do PIB, deve superar 80% nos próximos anos, segundo a pesquisa. Ela pode estabilizar entre 2018 e 2022, mas para isso o Brasil precisa superar as expectativas de economistas e aprovar medidas no Congresso que diminuam o crescimento dos gastos e aumentem a receita com impostos.

Por enquanto, a maioria dos economistas na pesquisa espera apenas duas medidas neste ano: o fim da obrigatoriedade da participação da Petrobras nos campos do pré-sal e a renegociação da dívida dos Estados com a União. Apenas um acredita na aprovação da idade mínima para aposentadoria e na volta da CPMF, e cerca de metade aposta na aprovação de limites automáticos para os gastos federais.

Mesmo que o Brasil consiga ajustar as contas, a dívida alta e a austeridade necessária para mantê-la sob controle devem limitar o crescimento do PIB, segundo economistas. O desemprego deve subir até 12%, segundo a mediana das estimativas, sobre 9 por cento atualmente.

QUEDA DE 3,8% EM 2015
O PIB do Brasil provavelmente caiu 3,8% em 2015, segundo a mediana de 38 estimativas em pesquisa da Reuters. Essa seria a pior performance entre as principais economias do mundo no ano passado, segundo o Fundo Monetário Internacional. Em 2014, o PIB cresceu 0,1%.

No quarto trimestre, o PIB deve ter recuado 1,5% na comparação com o terceiro trimestre, e contraído 6% na comparação com o quarto trimestre de 2014, segundo a mediana das estimativas na pesquisa. No terceiro trimestre, o PIB havia recuado 1,7% e 4,5%, respectivamente. 

Economistas estimam que tanto os investimentos como o consumo devem ter caído no quarto trimestre, com analistas do UBS projetando um recuo de 9,1% na formação bruta de capital fixo ante o terceiro trimestre. O setor externo deve ter aliviado apenas uma parte do recuo, com as importações em queda após a forte alta do dólar.

A forte queda do PIB em 2015 deve gerar um carregamento estatístico de cerca de -2,6% para o PIB de 2016. Como a expectativa é de que a economia continue a cair nos primeiros trimestres do ano, a projeção de economistas é de que a atividade recue 3,45%, segundo a mediana das expectativas na pesquisa Focus do Banco Central.

“Dada a fraqueza dos preços das commodities e a falta de progresso nas políticas, as projeções de médio prazo para o crescimento continuam ruins", disse o economista do Société Générale Dev Ashish em relatório.

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