quinta-feira, março 03, 2016

‘Se vier com metade da história, não tem acordo’, diz procurador sobre delação

Thiago Herdy
O Globo

Léo Pinheiro e José Carlos Bumlai também estariam dispostos a fazer acordos

Geraldo Bubniak / Agência O Globo 19/06/2015
Carlos Fernando dos Santos Lima: “Eles podem até querer falar”

CURITIBA — Um dos coordenadores da força-tarefa da Operação Lava-Jato e negociador de colaborações premiadas, o procurador federal Carlos Fernando dos Santos Lima disse ontem considerar pouco factível a hipótese do que classificou como uma “delação pela metade” por parte de executivos da Odebrecht, com aval de Marcelo Odebrecht.

A possibilidade de delação foi mencionada em notas publicadas nos últimos dias. Por meio de sua assessoria, a Odebrecht nega a estratégia e diz se tratar de hipótese divergente da linha de defesa jurídica escolhida pela empresa.

— Acordo parcial, onde o executivo só entrega parte dos fatos que sabe, talvez esteja só na imaginação das pessoas. Não é assim que as coisas funcionam. Eles podem até querer falar. Mas não será feito de acordo com beneplácito da empresa. Se vier com metade da história, não tem acordo. Para a delação ocorrer, ela tem que vir com sinceridade — disse Carlos Fernando.

Para a força-tarefa, as colaborações só ocorrem quando o delator confirma fatos já apurados com base em provas colhidas pela Lava-Jato, e ainda apresenta fatos novos. Assim, para aceitar a delação de um executivo da Odebrecht, um dos primeiros passos seria que eles estejam dispostos a admitir crimes de corrupção, inclusive com participação de Marcelo Odebrecht. Para a Lava-Jato, ele sabia dos pagamentos de propina.

— Depois que Camargo Corrêa e outras grandes empresas fecharam acordos, ficou mais difícil ocorrerem novas colaborações. Os fatos estão esclarecidos. Talvez já esteja na hora de punir algumas pessoas pelos crimes que cometeram — afirmou o procurador.

De acordo com o jornalista Ricardo Noblat, Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, já condenado pela Lava-Jato, reuniu parte da família na semana passada e comunicou que decidiu fazer delação. Condenado a 16 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, Pinheiro foi solto, mas usa tornozeleira eletrônica. Se for condenado pela 2ª instância, voltará a ser preso. Ele enfrenta sérios problemas de saúde.

De acordo com o blog de Lauro Jardim, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, deu início às conversas com o MPF para fazer delação premiada. Um dos pontos que interessam aos procuradores é que Bumlai dê detalhes sobre os supostos R$ 2 milhões que o lobista Fernando Baiano disse ter repassado a pedido dele para nora de Lula.

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:
A declaração do procurador tranquiliza. Ontem, circulava a informação de que Léo Pinheiro, em sua delação, usaria D. Marisa Letícia, esposa de Lula, como "laranja" para aliviar a barra de Lula, o que seria verdadeiro absurdo. 

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