quinta-feira, março 03, 2016

Uma queda histórica que ainda não chegou ao fim

Míriam Leitão
O Globo

O desconforto da vida real que os brasileiros sentiram em 2015 está medido agora pelo PIB. A economia encolheu 3,8% no ano passado, com recuo em todos os trimestres do ano. Entre outubro e dezembro, a queda foi de 1,4%. O Brasil, que raramente registra retração no PIB anual, provavelmente está no meio da pior recessão já registrada por aqui.

A situação é muito difícil e são poucos os precedentes. Na História do país, foram raros os anos em que a economia não cresceu. A situação atual é singular mesmo se comparada com outras épocas de recessão.

O PIB encolheu no começo da década de 1930, na crise mundial; no começo dos anos 1980, com as desvalorizações feitas pelo ministro Delfim Netto; e no governo Collor, no início dos 1990. Fora isso, houve períodos recessivos curtos, mas o PIB se recuperava para terminar o ano no campo positivo.

A economia brasileira se destaca por se recuperar rapidamente, mas agora é diferente. Neste ano, os indicadores antecedentes continuam no campo negativo. As projeções dos especialistas apontam para outro recuo do PIB em 2016. Alguns analistas estimam uma nova queda de até 4%. Um período de dois anos de recessão tão forte pode se transformar no pior biênio da história, pior até mesmo do que 1930-1931, quando a economia encolheu 2,1% e 3,3%. É, até agora, a única vez que a economia encolheu por dois anos.

A gente espera que o país retome logo sua tradição, de economia se recuperando rapidamente de períodos recessivos.

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