domingo, abril 17, 2016

O Banco Central mostra a gravidade das pedaladas

Ludmilla Amaral
Revista ISTOÉ

Relatório prova que manobras do governo forjaram uma economia fictícia para ajudar a reeleger Dilma e aprofundaram a crise

Na quarta-feira 6, um relatório do Banco Central mostrou que, se a presidente Dilma Rousseff participasse de uma competição de pedaladas, ela venceria os adversários por goleada. Segundo o BC, Dilma pedalou (palavra usada para designar o ato de atrasar, de forma proposital, o repasse de dinheiro para bancos públicos e privados a fim de melhorar artificialmente as contas federais) para valer nos dois mandatos presidenciais. Em 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, o Tesouro devia para bancos federais cerca de R$ 950 milhões. Em dezembro de 2015, sob Dilma, a dívida era de R$ 60 bilhões. Entre os governos FHC e o primeiro mandato de Lula, o impacto das pedaladas na dívida pública variou de 0,03% a 0,11% do produto interno bruto (PIB). Com a atual presidente, o valor equivale a 1% de toda a riqueza produzida no País. “O relatório do Banco Central é uma sinalização clara de que Dilma usou dinheiro do Tesouro para fins indevidos”, diz Otto Nogami, professor de economia do Insper. “O simples fato de ter mudado a política de metas demonstra sua irresponsabilidade fiscal.”


CRISE
Tombini, presidente do Banco Central: 
documento compromete o governo

As informações do Banco Central, presidido por Alexandre Tombini desde 2011, são graves por diversos motivos. Em primeiro lugar, elam desmontam a farsa criada pelo governo que trata as manobras fiscais – que, é bom lembrar, embasam o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional – como um mero deslize contábil. Considerar R$ 60 bilhões (montante oito vezes maior do que todo o lucro da Caixa Econômica Federal em 2015) um deslize é uma afronta à inteligência dos brasileiros. O segundo motivo diz respeito a algo ainda mais grave. O governo petista criou um cenário artificial para a economia brasileira, maquiando as contas públicas com recursos que deveriam ter outro destino.



O expediente se intensificou a partir de 2009, ainda na gestão Lula. Para se proteger da crise internacional, Lula aumentou os gastos federais, iniciativa que mais tarde seria repetida por sua sucessora. Como uma empresa que forja seu balanço, Dilma usou dinheiro dos bancos federais em programas de responsabilidade do Tesouro Nacional. O Tribunal de Contas da União, que rejeitou as contas de 2014 da presidente, considerou ter ocorrido empréstimos dos bancos estatais ao Tesouro, crime previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. O terceiro motivo que escancara a gravidade das pedaladas pode ser classificado como apropriação imprópria do dinheiro de milhões de brasileiros. Até recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foram utilizados nas manobras criativas do governo de Dilma Rousseff.

FOTO: Sergio Lima/Folhapress 

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