domingo, maio 22, 2016

Ajuste total terá que chegar a R$ 340 bilhões para estabilizar a dívida pública

 Alvaro Gribel
O Globo

A previsão de déficit de R$ 170 bilhões este ano mostra apenas a metade do esforço que terá que ser feito pelo governo para interromper o crescimento da dívida bruta. Isso porque não basta zerar o déficit, mas também gerar superávits primários para o pagamento dos juros.

Pelas contas do economista-chefe e sócio do Mauá Investimentos, Alexandre de Ázara, o governo precisará de mais R$ 170 bilhões de superávit para conseguir estabilizar a dívida, ou 3% do PIB.

- Estaremos com um déficit de cerca de 3% do PIB este ano e vamos precisar chegar a um superávit de 3% do PIB para que a dívida pare de crescer. Então estamos falando de um ajuste total que chegará a 6 pontos percentuais. Será um esforço enorme, levará anos, e a nova equipe econômica precisará mostrar ao Congresso a gravidade da situação - disse Ázara.

Na visão do economista, o mercado financeiro não teve uma reação forte à troca de governo porque o Congresso continua sendo o mesmo. Durante o ajuste fiscal proposto pelo governo Dilma, houve a aprovação de projetos que aumentaram gastos.

- O que vai contar a partir de agora é o encaminhamento do ajuste, mas principalmente como o Congresso vai aprovar. A Previdência é importante para o longo prazo, mas temos que ver o que será feito para conseguir sair do déficit e chegar a esse superávit - explicou.

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