segunda-feira, maio 02, 2016

CANALHICE: PT decide não fazer transição com Temer e deixar vice 'à míngua'

Vera Rosa 
O Estado De S. Paulo

Ordem no Planalto é não repassar informações sobre a gestão e acelerar programas enquanto Dilma permanecer no cargo; petistas dizem ter desistido da proposta de novas eleições

BRASÍLIA - Em reunião nesta quarta-feira, 27, com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, deputados federais do PT traçaram uma estratégia de reação a uma eventual gestão de Michel Temer e decidiram que não farão qualquer tipo de transição de governo. A ordem do Palácio do Planalto é deixar o vice-presidente “à míngua”, sem informações sobre a gestão, e acelerar os programas em andamento pela presidente Dilma Rousseff.

Com a certeza de que Dilma será afastada por até 180 dias no primeiro julgamento no plenário do Senado, que deve ocorrer em 11 de maio, o governo e o próprio PT já preparam os próximos passos do divórcio litigioso. Deputados disseram ao Estado, porém, que o PT desistiu de encampar agora a proposta de antecipação das eleições presidenciais - avaliam que não pode partir da legenda a ideia de que é preciso encurtar o mandato de Dilma.

Ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini

Um dos participantes da reunião desta quarta-feira – que contou com a presença de 45 dos 57 deputados petistas e ocorreu na sede do PT – afirmou que não haverá transição de governo, procedimento para transmissão de informações sobre cada pasta e sobre andamento das políticas públicas. “Transição é quando há um governo eleito, com legitimidade. Não é este o caso”, argumentou o parlamentar.

No encontro, comandado pelo presidente do PT, Rui Falcão, deputados disseram que a ideia de propor a antecipação das eleições presidenciais deve partir da própria Dilma, como já afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula também conversou sobre esse cenário, nesta quarta-feira, com senadores contrários e favoráveis ao impeachment. Na lista estavam Lídice da Mata (PSB-BA), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e João Capiberibe (PSB-AP), que votam para salvar Dilma, além de Wellington Fagundes (PR-MT), um dos vice-líderes do governo, que agora se posicionou a favor do afastamento da petista.

Na terça, Lula havia se reunido com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Apesar de apoiar novas eleições, Renan avalia que é muito difícil aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre isso no Congresso, neste momento. Em conversas reservadas, ele sugere um plebiscito em outubro, quando ocorrerão disputas para prefeitos, para que a população decida se quer antecipar as eleições.

Uma proposta de emenda constitucional precisa ser votada em dois turnos em cada Casa do Congresso e só é aprovada se obtiver três quintos dos votos dos deputados (308) e dos senadores (49).

Na reunião de ontem com Berzoini e Falcão, deputados petistas disseram que será quase impossível aprovar um plano assim na Câmara presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A portas fechadas, houve críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não se posicionou sobre o pedido da Procuradoria Geral da República para afastar Cunha do cargo. O presidente da Câmara é réu em ação autorizada pelo Supremo, acusado de desviar recursos no esquema de corrupção da Petrobrás, e enfrenta processo de cassação do mandato no Conselho de Ética.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

É impressionante como os petistas adoram agir contra o Brasil. Enquanto oposição, sabotaram todos os governos que os antecederam, inclusive se negaram em assinar a constituição de 1988. Protocolaram mais de 50 pedidos de impeachment antes de chegarem ao poder. Agora, acusam que o impeachment de Dilma é golpe, esquecendo que tiveram amplo direito de defesa, que o rito foi aprovado pelo STF e que deputados e senadores encarregados de acolherem o pedido foram eleitos democraticamente, inclusive o vice Michel Temer, reeleito junto com Dilma Rousseff. 

Negar-se em abrir os arquivos e fornecer os dados sobre as contas públicas e o andamento dos programas de governo, chega a ser um acinte. Em 2002, tão logo Lula foi declarado vencedor, o governo FHC disponibilizou todas as informações necessárias, de livre e espontânea vontade, para que o petista pudesse assumir sem sustos. 

Negar-se agora em retribuir as mesmas gentilezas recebidas lá atrás, é uma demonstração inequívoca de que se trata de um partido que não reconhece a democracia, que adora sabotar os governos alheios, que não tem sequer um pingo de respeito para   com o país, chegando ao cúmulo da senhora Rousseff pedir que o Mercosul, caso ela venha a ser impedida, suspenda o Brasil. Aliás, se tal “desaforo” se consumar, talvez venha ser este o único gesto que esta senhora tenha tomado favorável ao Brasil. O Mercosul faliu há muito tempo, tornou-se um clubinho de cafajestes de esquerda dedicados a impor o receituário totalitário cuja consequência é possível perceber pelo estado falimentar da Venezuela. 

Creio que Lula, se tiver ainda um mínimo de caráter, deveria aconselhar a senhora Rousseff para deixar de ser  uma governante de quinta categoria. Se tiver de sair, que o faça pela porta da frente. O que está em jogo não é o governante que a sucederá e, sim, o interesse maior do pais e o obrigatório respeito às suas instituições. 

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