segunda-feira, maio 02, 2016

Delação eleva pressão sobre Dilma

Pedro Marcondes de Moura
Revista ISTOÉ

Depoimentos da dona da agência Pepper, revelados por ISTOÉ, complicam ainda mais a situação da presidente

Faltando semanas para a votação de seu afastamento, a presidente Dilma Rousseff sofre novo desgaste no Congresso. Senadores, responsáveis por julgar o impeachment, repercutiram a delação premiada de Danielle Fonteles. ISTOÉ revelou na última edição, com exclusividade, que a dona da agência de publicidade Pepper admitiu à Justiça ter feito parte de uma engrenagem para repassar recursos ilegais às campanhas da petista de 2010 e de 2014. As acusações de Danielle são as que mais aproximam Dilma dos malfeitos até agora. Segundo a publicitária, o esquema foi idealizado por Giles Azevedo, assessor especial do Planalto e homem de confiança da petista. “Até agora as investigações de uso de dinheiro ilícito em campanhas passavam ao lado de Dilma. Isto mudou. Chegaram ao gabinete dela”, diz o senador José Agripino Maia (DEM). “Giles é alguém a quem se recorria para marcar reuniões com ela. Entrava no gabinete dela sem pedir licença”, complementa. Segundo a publicitária, por meio destas operações, a Andrade Gutierrez, a Queiroz Galvão, a OAS e a Odebrecht - empreiteiras denunciadas no Petrolão – abasteceram o caixa dois do PT. Valores que superam os R$ 58 milhões.

ESCUDEIRO 
Giles Azevedo, assessor e homem de confiança da petista, 
é acusado de criar engrenagem criminosa

Não foram só construtoras que contribuíram ilegalmente para a campanha de Dilma via agência Pepper. Na delação, Danielle acusa outros fornecedores do governo. A agência de publicidade Propeg, dona das contas da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde, teria contribuído. Chamou a atenção de procuradores o destino do dinheiro que circulava pela Pepper. Parte dos recursos remunerou blogs, celebridades e jornalistas alinhados com o PT. A Pepper, por exemplo, pagou cerca de R$ 20 mil mensais ao criador do perfil “Dilma Bolada”, Jefferson Monteiro.

REVELAÇÕES
Reportagem de ISTOÉ trouxe à tona delação que acusa 
campanhas de Dilma de se beneficiarem de caixa 2

Procurada por ISTOÉ, a Propeg nega as irregularidades. Em tempo algum houve, diz a agência, demanda da Propeg por prestação de serviços da Pepper sem a observância dos ritos processuais normais no relacionamento entre duas empresas. Entre os anos de 2011 e 2012, afirma, foram realizados trabalhos de marketing online pela Pepper para o Ministério das Cidades, que era cliente da Propeg, e um trabalho para a SECOM da Presidência da República, ainda cliente da Propeg. “Os pagamentos relativos a esse período (que somam R$ 272 mil) foram os únicos desembolsos efetuados pela Propeg em favor da Pepper. De 2013 até hoje não ocorreu mais nenhuma contratação de serviços entre as agências.” Giles Azevedo, assessor do Planalto, também tem negado envolvimento em qualquer crime. A empreiteira Queiroz Galvão afirmou que “não se pronunciará sobre a e delação, pois não tem não conhecimento do conteúdo dela.” Mas diz que todas as suas doações seguem a lei eleitoral. Odebrecht e Andrade Gutierrez não quiseram se pronunciar e a OAS não se manifestou.

FOTO: Adriano Machado 

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