segunda-feira, maio 02, 2016

Desemprego é o maior da história e ainda não chegou no fundo do poço, diz Rosenberg


Weruska Goeking
O Financista

Consultoria prevê pico da taxa de desocupação no 1º trimestre de 2017
 
(Edson Lopes Jr/A2AD )
11,1 milhões de pessoas estão em busca de um trabalho 

SÃO PAULO – O nível de desemprego no Brasil atingiu valor recorde no primeiro trimestre, mas o país ainda não atingiu o fundo do poço, segundo a Rosenberg Associados.

“As perspectivas para o mercado de trabalho em 2016 não são nada animadoras. Temos um forte desaquecimento da produção, que se traduz em queda do nível de ocupação e aumento da busca por trabalho, com redução da renda real”, afirma a consultoria em relatório assinado pela economista-chefe Thaís Zara.

De acordo com Zara, o pico da taxa de desocupação deverá ser atingido em algum momento no primeiro semestre de 2017, ainda que ocorra alguma recuperação da economia antes disso, uma vez que o mercado de trabalho reage com grandes defasagens.

Patamar recorde
 A taxa de desemprego brasileira subiu para 10,9% no trimestre encerrado em março, somando 11,1 milhões de pessoas em busca de um trabalho, segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado é o maior patamar da série histórica, iniciada em 2012.

No trimestre anterior, encerrado em fevereiro, a taxa de desocupação era de 10,2%. No período de outubro a dezembro, a taxa ficou em 9%.

“Esta deterioração já era esperada, com a tendência de aumento do desemprego acentuada pela sazonalidade típica de aumento da taxa de desocupação observada no primeiro trimestre do ano”, avalia Zara.

De acordo com a economista, o aumento da taxa de desocupação reflete também o aumento da taxa de participação (número de pessoas dispostas a trabalhar dentre os que têm mais de 14 anos), indicador que voltou a crescer no trimestre encerrado em março.

“O achatamento da renda disponível familiar força mais pessoas dentro de uma mesma família a buscar uma fonte de renda, ao mesmo tempo em que a redução da disponibilização de instrumentos de financiamento do ensino superior traz de volta ao mercado mais pessoas”, explica Zara.


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