quarta-feira, maio 04, 2016

Dilma despede-se das ruas com mentiras e falsidades

Ricardo Noblat

Como ela, responsável pela recessão que desempregou 11 milhões de brasileiros, nada teve a ver com nada e quer sair de cena com fama de boazinha

(Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo)
 Presidente Dilma Rousseff em ato pelo Dia do Trabalhador, em São Paulo 

A 10 dias de ser afastada do cargo por decisão a ser tomada pelo Senado, Dilma participou, ontem, em São Paulo daquele que poderá ter sido seu último encontro com uma multidão ainda na condição de presidente da República com plenos poderes.

Foi uma despedida melancólica. Ela repetiu o que vem dizendo desde que o processo de impeachment começou a tramitar na Câmara dos Deputados. Anunciou medidas que dificilmente serão cumpridas por falta de dinheiro. E não pôde posar para fotos ao lado de Lula como queria.

O fotógrafo e dois assessores de Lula o esperaram no ato do 1º de Maio até a chegada de Dilma no palanque montado pela Central Única dos Trabalhadores. Lula justificou sua ausência alegando que estava rouco e cansado. Precisava preservar-se para futuras manifestações.

Então a grande atração do ato, que reuniu cerca de 50 mil pessoas, passou a ser Dilma, uma oradora que não empolga e que costuma se enrolar com as palavras. E o que ela fez, ao longo de quase 28 minutos de discurso, foi tentar reescrever a história e meter medo nos que a escutavam.

Crise econômica? Sim, ela existe segundo Dilma. Mas a culpa é da oposição que a impediu de tomar medidas para detê-la:

- O mais grave de tudo o que fizeram é não permitir que o Brasil combatesse o aumento do desemprego e a crise econômica.

- Eles vão aprofundar a crise e vão rasgar a Constituição. A oposição é responsável pela grave crise econômica.

O que o governo Temer fará depois que assumir? Dilma disse:

- Vão acabar com o Bolsa Família para 36 milhões de brasileiros e brasileiras, que vão ser entregues às livres forças do mercado para se virar.

- A primeira vítima será o pré-sal.

- [A legislação trabalhista] será transformada em letra morta.

- Querem acabar com os movimentos de moradia.

Como ela, responsável pela recessão que desempregou 11 milhões de brasileiros, nada teve a ver com nada e quer sair de cena com fama de boazinha, anunciou um reajuste de 9% no benefício médio do Bolsa Família e a correção de 5% na tabela do imposto de renda.

Para variar, bateu no deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem apontou como o maior responsável por seu impeachment. E retomou o discurso do golpe, empenhada em provocar a reação de uma plateia que a aplaudiu sem entusiasmo:

- Se eles praticam (impeachment) contra mim, o que vão praticar contra o povo trabalhador? Quando você rompe a democracia, rompe para todos. Se permitirmos esse golpe, permitiremos que a democracia seja ferida.

Sim, em tempo: Dilma lembrou sua luta contra a ditadura militar de 64, quando foi presa e torturada.

Pano rápido.

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