domingo, maio 22, 2016

Dilma Rousseff não está recebendo o tratamento adequado e pode piorar

Ednei Freitas
Tribuna da Internet



Estado de saúde Dilma é grave e exige cuidados especiais

Que se trata de uma psicose grave, nós já havíamos advertido aqui logo após a reportagem da revista IstoÉ. Que as únicas indicações clínicas para o uso de Olanzapina são a mania furiosa, ou a esquizofrenia, também já havíamos dito. Também a Quetiapina só é indicada para os mesmos fins, embora seja menos eficaz do que a Olanzapina, mas pode ser tentada em casos que a Olanzapina não está surtindo o devido efeito.

Ocorre que não basta utilizar antipsicóticos, que aliás precisam ser bem dosados pessoa a pessoa. É necessária a intervenção ao menos semanal de um psiquiatra para acompanhar a evolução e mostrar, na medida do possível, através do diálogo, a realidade para um paciente que está delirante. Em muitos casos, quando não respondem bem a esses cuidados, só mesmo a internação com cuidados intensivos de equipe multiprofissional, até porque há risco do paciente em doença franca cometer atos impensados que põem em risco a própria vida e a de terceiros, além de atitudes vexatórias, que acabam derrubando mais a autoestima do paciente, que apesar de doente, sempre está lúcido.

REMÉDIO PERIGOSO
Mais grave disso tudo é a indicação de Midazolan para a presidente Dilma. Midazolan é um medicamento derivado do grupo do Diazepam, mas é um medicamento extremamente perigoso porque provoca dependência (como todos os medicamentos do grupo do Diazepam). Também causa tolerância, o que significa que há sempre necessidade de aumentar a dose para fazer efeito, podendo chegar à intoxicação ou provocar, dado sua vida curta, mesmo em pacientes que tomam altas doses, uma síndrome de abstinência, com convulsões incessantes, perda da consciência, necessidade de cuidados neurológicos em CTI.

E, se recuperado o paciente, terá esse a maior dificuldade de usar outro medicamento do grupo para que faça efeito porque os demais medicamentos são muito mais fracos na indução do sono.

CONTRAINDICAÇÃO
O pior é que, em tratamento de psicose, que é o caso, os medicamentos benzodiazepínicos (derivados do diazepam) não são indicados para induzir o sono, porque têm eficácia duvidosa em psicóticos, podem provocar delírios.

Os medicamentos para induzir o sono em psicóticos são os derivados fenotiazínicos, o mais comum e pioneiro é a Clorpromazina (Amplictil), em doses que variam de 50 a 150 mg. tomados à noite, e outros dos seus derivados, como a Levomepromazina (Neozine),

Pipotiazina (Piportil), Tioridazina, que é excelente (Melleril), em doses de 50 a 200 mg. por dia tomados à noite, entre outros do mesmo grupo. Jamais o Midazolan (Dormonid).

Para que os tribunários tenham uma compreensão de quão perigoso é o Dormonid, eu tenho na praça e pode ser comprado pela internet, três edições do meu livro “Psicofarmacologia Aplicada à Clínica”. As livrarias oferecem à venda tanto a segunda edição quanto a terceira, que foi publicada em 2000 – o que fica sem sentido comprar a segunda edição.

Pois bem. O Dormonid (Midazolan) é tão perigoso que resolvi, apesar de esgotar o estudo de todas as drogas psiquiátricas em meu livro, suprimir qualquer informação sobre o Midazolan (Dormonid). Simplesmente bani este medicamento de meu livro. Escrevi como se o Dormonid (Midazolan) não existisse, para evitar que psiquiatras meus leitores receitem este perigoso e até mortal medicamento.

SONAMBULISMO
O Midazolan pode provocar, e é muito comum, um tipo de sonambulismo, onde o indivíduo levanta da cama, come coisas bizarras que acordado ele repudiaria, sai de casa para beber bebidas alcoólicas e volta para a cama e no outro dia não se lembra de nada, e há caso na literatura de uma senhora, usuária de Dormonid (Midazolan), amorosa com seu esposo e dona de casa exemplar, com o uso de Dormonid (Midazolan) tinha estes episódios similares ao sonambulismo e levantava à noite, com a consciência entorpecida, e passava a manter relações sexuais com vaqueiros, empregados de seu marido, do que não se lembrava de ter feito pela manhã ao acordar. Foi com o auxílio de alguém que uma vez presenciou o fato que estes atos foram descobertos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O Dr. Ednei Freitas é um dos mais notáveis psiquiatras/psicanalistas do país, com diversas obras publicadas, inclusive pesquisas de alcance internacional, notadamente seus estudos sobre a chamada “segunda memória”. (C.N.)

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