quinta-feira, maio 26, 2016

ENQUANTO ISSO...

Cardozo e Dilma dizem que impeachment quis frear Lava-Jato


Por Eduardo Barretto
O Globo

Pela quinta vez, presidente afastada convoca ex-ministros para atacar o governo

Roberto Stuckert Filho/Divulgação 
A presidente afastada, Dilma Rousseff, 
e o ex-ministro José Eduardo Cardoso 

BRASÍLIA — A presidente afastada Dilma Rousseff e o ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo disseram que o objetivo do impeachment era frear a Operação Lava-Jato e que a conversa do ex-ministro do Planejamento e senador Romero Jucá (PMDB-RR) deixa isso “muito claro”. Nesta quarta-feira, o advogado de Dilma no impeachment e a presidente afastada respondem a internautas no Facebook. É a quinta vez que Dilma convoca ex-ministros para atacar o governo interino e defender a gestão afastada — só nesta quarta-feira é a segunda vez.

“Desde o início, temos alegado que este processo de impeachment foi realizado com desvio de poder, ou seja, buscando-se finalidades totalmente estranhas à lei. Agora, com estas gravações, isto fica ainda mais claro. Se pretendeu o impeachment para impedir que as investigações da operação Lava Jato prosseguissem normalmente. Queriam, com um novo governo, eliminar o combate à corrupção que foi feito durante todo o meu governo”, escreveram Dilma e Cardozo.

Na última segunda-feira, o jornal "Folha de S. Paulo" divulgou conversas em que o então ministro do Planejamento Romero Jucá sugeria impedir avanços de investigações da Lava-Jato. No mesmo dia, ele deixou a pasta e voltou ao Senado. Dilma atacou o episódio no mesmo dia em redes sociais e em um discurso a trabalhadores do campo.

“A gravação da conversa mantida pelo Senador Romero Jucá com o ex-senador Sérgio Machado deixa isto muito claro (impeachment para obstruir a Lava-Jato). Por esta razão, vamos usar sim na nossa defesa”, disseram. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) já disse que o áudio será peça central na defesa.


ENQUANTO ISSO...


Diretor da PF diz que não há pressão para barrar Lava-Jato


Catarina Alencastro e Eduardo Barretto 
O Globo

Leandro Daiello participou de reunião com Temer sobre controle de fronteiras

Givaldo Barbosa / Agência O Globo 25/05/2016
 O Diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello 

BRASÍLIA - Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, disse nesta quarta-feira que não há pressão na corporação para que a Operação Lava-Jato seja contida. Ele foi perguntado sobre essa possibilidade devido ao vazamento de áudio de uma conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá sobre um acordo para barrar as investigações depois que o presidente interino Michel Temer assumisse.

— A Polícia Federal tem uma estrutura de polícia legalista. Cumprimos a lei. Usamos instrumentos que a lei nos permite e não há forma ou maneira de se fazer pressão. Não falamos em pressão. Falamos em: a Polícia Federal continua trabalhando nos padrões legais do direito penal e processual brasileiro — disse Daiello.

O diretor da PF participou de uma reunião com Temer e os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil), José Serra (Relações Exteriores), Alexandre de Moraes (Justiça) e Raul Jungmann (Defesa) sobre a criação de um comitê executivo de coordenação e controle de fronteiras. O governo anunciou a deflagração de uma operação de combate ao tráfico de drogas e contrabando de armas e mercadorias. Intitulada Operação Ágata, a ação vai envolver a Receita, as Forças Armadas e um total de 20 agências. Será iniciada nos próximos dias, custará R$ 9 milhões e contará com oito navios, 15 aeronaves, 15 mil homens e 80 lanchas.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Eis aí: é o próprio diretor geral da Polícia Federal quem desmente a vigarice que Dilma e seus cúmplices tentam emplacar. 

A esta altura, a operação Lava Jato tornou-se um ente com existência própria.

Aliás, se alguém materializou ações para barrar a Lava Jato e aliviar os “amigos chegados”, este alguém foi Dilma, Lula e Cardozo, mancomunados com “assessores” com assento no Planalto.  

Há uma reportagem nesta edição detalhando as três ocasiões em que Dilma tentou melar as investigações. 

A presidente afastada precisa saber de uma coisa: seu discurso caiu de podre. Este papo furado vigarista não cola mais, até porque o povo brasileiro, em sua grande maioria, quer é mais vê-la longe da presidência.  

Como se dissemos em outros textos, se nossas instituições foram tão amadurecidas quanto se propala, a comprovação deste “amadurecimento”, principalmente de parte do Judiciário,  se completará com Dilma e Lula na cadeia. Eles liberaram o caminho, ao longo de 13 anos, para o assalto bilionário que se praticou nos cofres públicos.  

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