quarta-feira, maio 04, 2016

Lava Jato aprofunda apuração do escândalo da refinaria de Pasadena

Tribuna da Internet
Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo, O Estado de São Paulo


Gabrielli escapou até agora, mas logo será apanhado

A força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, está aprofundando as investigações sobre a corrupção e a lavagem de dinheiro na compra e reforma da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos – caso emblemático da organização criminosa instalada na Petrobrás, que seria gerado prejuízo de US$ 792 milhões segundo o Tribunal de Contas da União.

Perícias criminais, análises no material apreendido na 20ª fase – batizada de Operação Corrosão -, e o recebimento da delação do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), ex-líder do governo, são elementos que servirão para apontamento de que a organização criminosa, já condenada em contratos de obras de refinarias no Brasil, também seja imputada por crimes crimes praticados no exterior, como a aquisição de Pasadena, nos Texas, em 2006.

Ex-executivo da Petrobrás e membro do PT, na época dos fatos, Delcídio admitiu em sua delação premiada que a compra da refinaria envolveu corrupção. Diz ter recebido US$ 1 milhão de propina, referente ao negócio, para pagar dívidas de campanha feitas em 2006.

DELAÇÃO Nº 18
“De fato, recebeu US$ 1 milhão”, afirmou Delcídio, em seu termo de delação número 12. “Soube, posteriormente, que a origem desses recursos teria advindo de propinas pagas a partir da compra da Refinaria de Pasadena, no valor global de US$ 15 milhões.”

Delcídio diz que solicitou o dinheiro para os ex-diretores da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional) e Renato Duque (Serviços). E que a operação contou ainda com a participação do operador de propinas Fernando “Baiano” Soares e de um amigo.

A primeira investigação da Lava Jato no caso Pasadena aconteceu em em novembro de 2015, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Corrosão, em referência à ferrugem gerada pela corrosão nos equipamentos da refinaria na época da compra e em alusão à deterioração das relações de negócios da Petrobrás.

INVESTIGADOS
Além da prisão do ex-gerente-executivo da área internacional da Petrobrás Roberto Gonçalves, integram o rol de investigados Rafael Mauro Comino (ex-gerente de Inteligência de Mercado da área Internacional), Luis Carlos Moreira da Silva (ex-gerente executivo de Desenvolvimento de Negócios da Internacional) e Agosthilde Mônaco de Carvalho, que foi homem de confiança de Cerveró na diretoria.

O engenheiro também fez delação premiada e disse à força-tarefa do Ministério Público Federal que o ex-diretor lhe disse que a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, poderia ‘honrar compromissos políticos’ do então presidente da estatal José Sérgio Gabrielli.

“De acordo com as informações fornecidas por Nestor Cerveró, este negócio atenderia ao interesse de Gabrielli em realizar o Revamp (Renovação do Parque de Refino) e ao interesse da área internacional em adquirir a Refinaria”, declarou Mônaco.

SEMPRE A ODEBRECHT
Segundo o delator, Cerveró afirmou que antes mesmo do fechamento do contrato de compra de Pasadena, “o presidente Gabrielli já havia indicado a Construtora Norberto Odebrecht para realizar o Revamp para 200.000 barris/dia”.

“O diretor Nestor, em tom de desabafo, disse ao depoente que o presidente Gabrielli estava muito interessado em resolver o assunto e dar a obra do Revamp para a Odebrecht”, relatou.

Na ocasião, a Odebrecht informou, via assessoria de imprensa, que foi procurada em 2006 pela Petrobrás “sobre interesse em ser uma das empresas responsáveis pela modernização da planta localizada nos EUA”. A empresa diz ter manifestado “interesse em prestar o serviço preferencialmente em consórcio com outra empresa do setor, como é de praxe e autorizado pela Petrobrás”.

O Revamp não foi efetivado nem a contratação de empresas para o serviço. Procurado pela reportagem, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli não respondeu aos e-mails.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Gabrielli alega que foi um bom negócio e a refinaria ira ser adaptada para óleo pesado. É tudo conversa fiada. A Petrobras não tem uma só refinaria para óleo pesado, embora seja este o tipo de petróleo predominante no Brasil. Naquela região da América Norte ocorre o contrário, o óleo geralmente é leve. Tudo o que Grabrielli alega para justificar a compra de Pasadena é mentira, mas nada acontece a ele. É muito estranho. (C.N.)

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