quinta-feira, maio 26, 2016

Ministro do STF diz não ter visto tentativa de interferir na Lava Jato

Redação
Diário do Poder 

Gilmar não viu plano de obstruir a justiça na gravação de Jucá

FOTO: STF 
Ministro do STF disse que jucá fez "análise do cenário" político. 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta terça-feira, 24, que não entendeu a conversa entre o ex-ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado como uma tentativa de interferir na Operação Lava Jato. "Não vi isso. É uma conversa entre pessoas que têm alguma convivência e estão fazendo análise do cenário numa posição não muito confortável", afirmou.

O peemedebista deixou o cargo no governo do presidente em exercício Michel Temer nesta segunda-feira, 23, após virem à tona áudios em que ele sugere um pacto para deter as investigações. Tanto Jucá quanto Machado são alvos da Lava Jato, que apura o esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Gilmar, no entanto, admitiu que causou "incômodo" o fato de Jucá ter dito que havia conversado com ministros do Supremo sobre o caso, mas afirmou não ter sido procurado pelo senador. "Sou uma pessoa que tem bom relacionamento com o Jucá desde o governo Fernando Henrique e ele nunca me procurou sobre isso. Parece que isso é o tom de conversa geral", disse.

O ministro defendeu ainda que as reiteradas menções que políticos fazem em relação a ter acesso a integrantes da Corte virou um "mantra", mas não condizem com a realidade. "Sempre vem essa história: já falei com os juízes ou coisa do tipo. Isso virou um mantra, um enredo que se repete", disse.

Para ele, não há por que a sociedade suspeitar do STF no que diz respeito à condução dos processos ligados à Lava Jato. "O Tribunal tem agido com muita tranquilidade, com muita seriedade, muita imparcialidade, a mim me parece que não há nada que possa mudar o curso (das investigações)."

Temer
Gilmar afirmou ainda não acreditar que a saída de Jucá do ministério do Planejamento vá prejudica o governo Temer, que iniciou há pouco mais de dez dias. "São problemas da realidade política, com os quais se tem que lidar. Da noite para o dia, às vezes por uma fala, por uma revelação, se encerra um mandato até exitoso", disse.

O ministro também defendeu que o caso de Jucá era diferente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi impedido de assumir a Casa Civil no governo da presidente Dilma Rousseff. Para Gilmar, que foi o responsável pela decisão no STF sobre o caso, a nomeação de Lula ficou caracterizada como obstrução de Justiça porque o ex-presidente teria sido nomeado para ganhar foro privilegiado e não ser mais investigado pelo juiz Sérgio Moro, da primeira instância em Curitiba.

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Interessante a reação dos petistas em relação as conversas gravada por Sérgio Machado tendo por interlocutores Jucá, Renan e Sarney, os três senadores do PMDB. Em relação a Jucá quer usar o diálogo para anulara o processo de impeachment. Já com relação à Renan e Sarney, os petistas não reagiram da mesma forma. Eles não veem crime algum nos diálogo.  

De fato, a posição de Renan em relação à delação premiada o senador já havia externado publicamente em diferentes ocasiões, e se trata de uma posição com a qual os petistas compartilham. 

Em relação à José Sarney, fica claro o pensamento do senador: a delação da Odebrecht compromete sobremaneira a situação de Dilma Rousseff. 

No fundo, juntando-se as três conversas,  não se encontra nada incriminador ou o estabelecimento de uma tramoia para obstaculizar o andamento das investigações. São opiniões sobre o quadro político do país.  

Claro que os petistas farão o alarido a que se habituaram quando flagrados em crimes contra o Estado: tentam abafar suas culpas na base da gritaria histérica. Acham que o barulho é suficiente para inocentá-los. Em outras épocas, talvez até lograssem êxito. Hoje, muitos deles já perceberam que esta estratégia tornou-se inútil.  

É bom observar que Sérgio Machado é quem conduz, como se seguisse um roteiro pré-determinado e combinado sabe-se lá com quem. Se Dilma e sua turma não quiserem servir de chacota no Judiciário, é bom tentarem outra artimanha. Os diálogos não passam de conversas de comadres! 

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