domingo, maio 22, 2016

Na OEA, EUA e Argentina rejeitam tese de que impeachment é golpe

Henrique Gomes Batista, Correspondente 
O Globo

Representante norte-americano diz que processo é legal e respeita democracia

André Coelho / Agência O Globo / 6-5-2016 
A presidente Dilma Rousseff em cerimônia do programa
 Minha Casa Minha Vida no Palácio do Planalto 

WASHINGTON — Representantes dos Estados Unidos, pela primeira vez, defenderam a legalidade do processo de impeachment, que levou ao afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em um debate na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nesta quarta-feira, Michael Fitzpatrick disse que não nada parecido sequer com um “golpe brando” no Brasil.

— O que está ocorrendo no Brasil foi feito seguindo o processo legal e respeitando a democracia — disse Fitzpatrick, que, para destacar a normalidade do impeachment, lembrou que o próprio Estados Unidos já viveram dois processos semelhantes.

O representante americano defendeu, em entrevista à agência EFE, que foi seguido todo o processo legal constitucional:

— Não acredito que há um golpe de Estado brando ou de outro tipo. O que ocorreu no Brasil foi feito seguindo o processo legal constitucional e respeitando completamente à democracia — disse Michael Fitzpatrick, segundo publicado no jornal espanhol La Vanguardia.

Segundo o embaixador brasileiro na OEA, José Luiz Machado e Costa, tudo ocorreu quando o Paraguai leu seu posicionamento em favor da normalidade do afastamento de Dilma da presidência. Na sequência, representantes da Venezuela, de Honduras e da Bolívia pediram a palavra e informaram que havia um golpe contra a democracia. Então, o embaixador brasileiro defendeu a normalidade do processo, algo que foi feito na sequência pelos representantes da Argentina e dos Estados Unidos.

— O representante americano chegou a fazer sátira, dizendo que a Venezuela não pode afirmar que há um golpe no Brasil no mesmo dia em que seu governo lança gás lacrimogênio em manifestantes da oposição — contou o embaixador.

Para Machado e Costa, o posicionamento dos países “bolivarianos”, de esquerda, contra o impeachment mostra que há uma interferência absurda em assuntos internos do Brasil, um tipo de interferência que estes países não aceitariam. Ele também disse que isso mostra um certo desespero destes países, que estão, com a mudança de governo, perdendo um importante aliado. Ele destacou que o reconhecimento os Estados Unidos à normalidade do impeachment é importante para o Brasil:

— Isso é positivo pois é o pais que é o principal ator no cenário internacional reconhecendo a legitimidade do processo de impeachment brasileiro — disse.

COMISSÃO FALA EM "RETROCESSO"
Mais cedo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgou um comunicado que expressa preocupação com “retrocessos” na “proteção e na promoção dos direitos humanos” no Brasil sob o governo de Michel Temer. A composição do novo governo, sem mulheres ou negros, mostra que “mais da metade do país não está representada”, diz o órgão.

“A última vez que o Brasil tinha um gabinete sem mulheres ministras foi durante a ditadura militar. A este respeito, o chefe da equipe de Michel Temer, Eliseu Padilha, disse aos jornalistas: ‘Em várias funções nós tentamos buscar mulheres, mas por razões que não vêm ao caso aqui nós discutirmos, não foi possível’”, diz a nota.

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