quinta-feira, maio 26, 2016

Para driblar crise, empresas decidem investir fora do Brasil

Exame.com
Fabiola Moura, Bloomberg

Germano Lüders/EXAME 
Fábrica da Weg em Santa Catarina: a fabricante de motores WEG 
disse que 75% de seus investimentos neste ano serão destinados a operações fora do país

As empresas brasileiras descobriram onde investir em meio à crise política e à instabilidade econômica: em qualquer lugar, menos no Brasil.

A fabricante de motores WEG disse que 75 por cento de seus investimentos neste ano serão destinados a operações fora do País. A proporção se compara com 80 por cento do total de investimentos no Brasil há três anos.

Nos últimos dois meses, a empresa com sede em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, abriu sua terceira fábrica na China, aumentou a capacidade no México e anunciou a aquisição de uma fabricante de motores elétricos em Indiana, nos EUA.

As crises política e econômica do Brasil são as principais razões da relutância das empresas em investir domesticamente. Em uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas com 670 empresas, 81 por cento dos participantes disseram que o ambiente político era a principal influência negativa sobre as decisões, seguido pelo ambiente macroeconômico, com 71 por cento. A demanda externa foi percebida como a maior influência positiva, com 32 por cento.

Enquanto a receita da empresa de produtos de beleza Natura Cosméticos fora do Brasil aumentou 42 por cento no primeiro trimestre, as vendas domésticas caíram quase 10 por cento. O CEO Roberto Oliveira de Lima atribuiu a culpa à piora do cenário político e à carga tributária.

A Natura, com sede em São Paulo, está se concentrando por enquanto na expansão internacional, disse Lima no mês passado em uma teleconferência com investidores. A empresa está conquistando participação no mercado de outros países latino-americanos e iniciando uma operação online na França, através da qual também poderá vender para clientes em outros países da Europa.

“No Brasil, esse ano vai ser para a gente focar nos processos estruturais, para que, quando o país recuperar seu crescimento, estejamos bem posicionados para competir”, disse ele.

Questão cambial
Uma grande limitação para as empresas que buscam investir fora do país é a queda de 43 por cento do real frente ao dólar nos últimos três anos, incluindo a recuperação de 11 por cento no ano até agora.

Isso significa que elas precisam gastar mais para crescer no exterior. Por outro lado, lucram mais quando repatriam a receita externa, obtida em moedas mais fortes.

As empresas brasileiras na realidade estão reduzindo os investimentos em geral.

Das companhias consultadas pela FGV, 44 por cento disseram que pretendem investir menos durante os próximos 12 meses, o nível mais baixo de intenção de investimentos desde pelo menos 2012.

No primeiro trimestre do ano passado, cerca de 28 por cento disseram que estavam diminuindo os investimentos.

Há sinais, no entanto, de que as perspectivas empresariais podem estar mudando com o novo governo interino.

A confiança industrial deu o maior salto neste mês, quando o vice-presidente Michel Temer assumiu temporariamente a presidência, desde que o indicador começou a ser monitorado, em 2010. A alta foi de 36,8 em abril para 41,3 em maio, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Consultando o arquivo do blog, vai-se se verificar que este processo já vem ocorrendo desde o 2° mandato do governo Lula. O Brasil se tornou hostil para o empreendedorismo.  Temos um dos piores ambientes para negócios do mundo.

Não pensem que a recessão brasileira deriva apenas de uma causa, ou, como querem os petistas, por razões externas associadas à Lava Jato.

Em 13 anos de poder, os governos petistas não foram capazes de aproveitar os bons ventos da economia mundial para aprofundar as reformas e remover os gargalos que nos impedem de crescer de forma sustentável. Pelo contrário. Tornaram o que já era ruim em coisa pior, com suas feitiçarias, suas intervenções atabalhoadas, marcos regulatórios em desfavor da iniciativa privada, permanente insegurança jurídica, com multiplicidade de medidas protecionistas e contrárias aos princípios mais elementares  da boa gestão econômica.Confundiram “Estado Forte” com “Estado Eficiente”. Neste caso, tamanho nunca foi garantia de coisa alguma. 

Remover todo este entulho não nem uma tarefa fácil tampouco aalgo possível de se realizar no curto prazo. 

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