quinta-feira, maio 26, 2016

Querem mulheres no governo? Janaína Paschoal no Ministério da Justiça!

Priscila Chammas Dáu.  

Ex-professor de faculdade falando mal de mim no Facebook. Que feio... bom, se é pra ser covarde, também sei. Tanto que vou responder aqui pelo meu perfil, pra garantir o quórum a favor. Seguinte, querido professor: onde tá escrito que a proporção de mulheres na população precisa ser igual à de mulheres nos ministérios?

Não vou defender o ministério de Temer, pois concordo que ele tem muitos erros e pessoas nomeadas por critérios duvidosos. Mas a falta de mulheres está muito longe de me afligir. Já te passou pela cabeça que a proporção de mulheres na política, especialmente nos partidos que não são de esquerda, é infinitamente inferior ao percentual de mulheres na população? Que esse número é tão ínfimo, que os partidos muitas vezes nem conseguem cumprir a cota de 30%?

Já te passou pela cabeça que talvez as mulheres não se interessem em ser políticas, tanto quanto os homens? Existem várias teorias para explicar o fato, mas não vou entrar nisso porque seria especulação. Falo com conhecimento de causa, pois estou na política, sou liberal, e sou a exceção das exceções. O número de mulheres é baixo, não porque os partidos são sexistas, misóginos e todo esse mimimi que vocês gostam de falar. Em todos os grupos que faço parte, tenho sido muito bem tratada e nenhum macho opressor me assediou ainda.

As mulheres não estão na política porque elas não querem. Vou repetir, pra fixar: ELAS NÃO QUEREM SER POLÍTICAS!! Isso não é achismo. É estatística. Qual é a solução? Obrigá-las?

O governo Temer (queira Deus) está tentando dar uma guinada liberal na economia, e a amostra de mulheres liberais na política é ainda mais baixa que a amostra de mulheres na política em geral. Por quê? Tenho minhas teorias, mas não cabe apresentá-las agora.

Voltando a Temer, sabemos que ele tentou chamar algumas mulheres, que por um motivo ou outro, não aceitaram. E aí? O que sugere, professor? Se pra você, o que o ministro tem entre as pernas, com quem ele se deita ou a quantidade de melanina que tem na pele são o que importa, a mim interessa o resultado prático de suas ações (nem nas intenções eu estou interessada).

Não costumo dividir as pessoas entre homens, mulheres, brancos, negros, homossexuais mulatos, índios, gordos, etc. Se organizar direitinho, dá pra todo mundo se enquadrar em alguma minoria. Pra mim, são todos indivíduos e isso é suficiente para serem respeitados.

Uma mulher não me representaria, necessariamente, melhor que um homem. Eu não preciso pensar igual a todas as mulheres. Não existe cérebro coletivo. Que bom! Adoro ser diferentona.

***Se esse texto não te convencer, começo hoje mesmo uma campanha pra pôr Janaína Paschoal no ministério da Justiça.

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