domingo, maio 22, 2016

Salta de 6 para 17 número de estados com desemprego de dois dígitos

Daiane Costa
O Globo

Maiores taxas estão na Bahia (15,5%), Rio Grande do Norte (14,3%) e Amapá (14,3%), diz IBGE

Custódio Coimbra / Agência O Globo
 Candidatos em busca de emprego em agência de recrutamento e seleção 

RIO - Na passagem do último trimestre de 2015 para o primeiro deste ano, saltou de 6 para 17 o número de estados com desemprego de dois dígitos, mais o Distrito Federal. As maiores taxas no 1º trimestre de 2016 foram observadas na Bahia (15,5%), Rio Grande do Norte (14,3%) e Amapá (14,3%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral para Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação. Dos 17 estados com desemprego de dois dígitos, 10 têm taxas maiores do que a média nacional para o mesmo período, que ficou em 10,9% - a maior da série histórica, iniciada em 2012 -, atingindo 11,1 milhões de pessoas. Todos os 26 estados registraram aumento do desemprego na passagem de trimestre. Na passagem de um ano, houve alta em 24.

- Houve um aumento expressivo e generalizado em todo o território nacional do desemprego, causado pela perda de postos de trabalho, principalmente pela perda de postos com carteira de trabalho - resumiu Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Ele pondera que na passagem de ano sempre há um aumento da taxa em razão do desligamentos dos temporários, mas a crise intensificou essa alta.

Por região, a taxa de desemprego do Nordeste atingiu 12,8% no primeiro trimestre de 2016 é a maior do país. A taxa é 1,9 ponto percentual maior do que a média nacional para o período. A segunda maior taxa de desemprego está no Sudeste (11,4%), que também ficou acima da média nacional, seguida pelo Norte (10,5%), Centro-Oeste (9,7%) e Sul (7,3%), única região onde todos os estados têm desemprego inferior aos dois dígitos. De acordo com o IBGE, o desemprego cresceu em todas as cinco regiões tanto na comparação com o trimestre anterior, encerrado em dezembro de 2015, quanto com o mesmo período do ano passado.

Historicamente, explica Azeredo, Norte e Nordeste têm taxas de desemprego maiores do que o Sul em razão das características bastante antagônicas dos dois mercados:

- No Nordeste você tem uma população mais jovem, portanto menos experiente, um desenvolvimento econômico e industrial bem inferior ao observado nas outras regiões, menor nível de escolaridade e mais informalidade. Já no Sul você tem um processo completamente diferenciado. Até a informalidade, que é menor, é mais organizada. Você tem ainda um processo de desenvolvimento econômico diferenciado, maior nível de escolaridade.

Com relação aos salários, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou acima da média do Brasil, que foi de R$1.966, nas regiões Sudeste (R$ 2.299), Centro-Oeste (R$ 2.200) e Sul (R$ 2.098), enquanto Norte (R$ 1.481) e Nordeste (R$ 1.323) ficaram abaixo da média. Na análise por estados, o Distrito Federal apresentou o maior rendimento (R$ 3.598), seguido por São Paulo (R$ 2.588) e Rio de Janeiro (R$ 2.263). Os menores rendimentos foram registrados no Maranhão (R$ 1.032), Piauí (R$ 1.263) e Ceará (R$ 1.285).

A soma dos salários de toda a população empregada, a massa de rendimento médio real habitual dos ocupadas, ficou em R$ 90,6 bilhões na região Sudeste, R$ 29,5 bilhões no Sul, R$ 27,6 bilhões no Nordeste, R$ 15,7 bilhões no Centro-Oeste e R$ 9,8 bilhões no Norte.

A Pnad Contínua referente ao ano de 2015 mostrou que contingente de desocupados passou de 6,7 milhões de pessoas em 2014 para 8,6 milhões, quase 2 milhões de desempregados a mais. A taxa média de desemprego ficou em 8,5% no ano passado e foi a maior da série histórica do estudo.

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