domingo, junho 26, 2016

Em dia de operação contra PT, Teori fala em administrar 'remédio amargo'

Gustavo Uribe e Aguirre Talento
Folha de São Paulo

Alan Marques/Folhapress
O ministro Teori Zavascki 

No dia em que a sede nacional do PT sofre operação de busca e apreensão da Polícia Federal, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, fez um discurso duro nesta quinta-feira (23) sobre a necessidade da prevalência dos padrões éticos que a sociedade brasileira exige.

Em evento no Palácio do Planalto, o ministro da Suprema Corte avaliou que é preciso ter coragem para administrar "remédios amargos", uma vez que "o país está enfermo". Segundo ele, é preciso "acertar as contas com o passado", mas tendo também um "olhar para o futuro".

"Nós estamos passando no Brasil momentos de grandes dificuldades. O país está enfermo, às voltas com graves crises de natureza econômica, politica e ética. Sem dúvida, é preciso que as enfermidades sejam tratadas como estão sendo e tenhamos a coragem de administrar os remédios amargos para quando for necessário", disse.

Zanone Fraissat/Folhapress


Na presença do presidente interino, Michel Temer, o ministro ressaltou ainda que é preciso empenho para formar os alicerces do reencontro com a "prosperidade econômica" e com a "prevalência dos padrões éticos" que, segundo ele, "a nação exige".

"Nesse aspecto, o segundo pacto republicano é um paradigma de alento e esperança e seu sucesso nos mostra que a convergência de esforços entre os poderes do estado é o caminho virtuoso para a construção do país que queremos", afirmou.

O ministro participou nesta quinta-feira de cerimônia de sanção do projeto de lei que regulamenta o processo e o julgamento do chamado mandado de injunção, dispositivo legal que permite ao cidadão reclamar efetividade de direitos constitucionais.

A proposta delimita a validade de uma decisão judicial tomada com base em um mandado de injunção até a publicação de uma regulamentação sobre o tema e permite que ela se estenda também para grupos ou categorias, como no caso, por exemplo, de greves no setor público ou concessão de aposentadoria especial.

Em seu discurso na cerimônia, o presidente interino leu um trecho de um livro de sua autoria que falava sobre mandado de injunção e elogiou a proposta.

"Vamos saudar, portanto, esse remédio doce que o STF acabou de produzir", disse.

Nesta quinta, a Polícia Federal deflagrou operação que investiga um esquema de corrupção supostamente usado para abastecer o caixa do PT.

Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, foi preso preventivamente, suspeito de receber até R$ 7 milhões em propina.

Ele foi detido em Brasília, no apartamento funcional onde estava com a mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). A casa dos dois em Curitiba também foi alvo de buscas.

O petista deve ser levado à sede da PF em São Paulo, que centraliza a investigação, um desdobramento da Lava Jato.

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