sexta-feira, junho 24, 2016

IIF: Impacto da saída do Reino Unido da UE será ‘perturbador no curto prazo’

O Globo

Presidente da entidade, Tim Adams, afirma que extensão total no mercado financeiro não é clara

 Qilai Shen / Bloomberg
Tim Adams, presidente do Instituto de Finanças Internacionais 

RIO - Antes mesmo do fim da apuração do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia – que resultou na saída do bloco –, o Instituto de Finanças Internacionais já declarava a saída do país do bloco econômico. O presidente da entidade, Tim Adams, afirmou que o impacto da decisão do povo britânico será incerto por um tempo. Segundo ele, agora começa uma “difícil tarefa de desenhar” a saída da UE.

 “A extensão total do mercado financeiro e do impacto econômico da Brexit não será claro por algum tempo, mas é certeza de ser muito perturbador no curto prazo e um entrave ao crescimento econômico e do emprego a longo prazo, especialmente para o próprio Reino Unido”, afirmou Adams em comunicado.

Segundo ele, legisladores tanto do Reino Unido quanto europeus terão agora “uma responsabilidade de esclarecer rapidamente a relação de longo prazo entre as duas partes para minimizar a incerteza e promover o investimento e o emprego”.

A libra esterlina chegou a cair ao menor nível frente ao dólar desde 1985, sendo negociada a US$ 1,330 – um recuo de 12%.

Com 32,5 milhões de votos apurados e 374 distritos contabilizados (dos 382 em jogo), 51,8% dos eleitores votavam pela saída, contra 48,2% a favor da permanência. Isto levou meios de comunicação como Sky News, BBC e ITV a projetarem o Brexit (abreviação de British Exit, que significa “Saída Britânica” em inglês) como vencedor.

Durante as primeiras horas, a opção Leave ("sair") tomou dianteira sobre o permanecer. Depois, o Remain ("permanecer") chegou a ter vantagens intermitentes, mas os resultados voltaram a se inverter. Os apoiadores do chamado Brexit deram indicações de provável derrota em discursos, mas acabaram voltando atrás.


Saiba como o Brexit pode afetar a economia

União Europeia
A União Europeia é um mercado único com 28 países-membros, com livre circulação de mercadorias e de pessoas, inclusive trabalhadores. No caso de uma saída do Reino Unido do bloco, o chamado Brexit, o país fica de fora deste mercado único e muitos aspectos econômicos podem ser afetados.

Comércio
Quase metade das exportações britânicas tem como destino a União Europeia. Assim, se beneficiam de um mercado com 28 países-membros, sem barreiras, tarifas ou cotas comerciais.

Novos acordos comerciais
Se deixar a União Europeia, terá que negociar novas condições para o comércio com as demais 27 nações e também com outros 52 países que a União Europeia tem acordos preferenciais. O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio de Investimento (TTIP), por exemplo, é negociado entre Estados Unidos e União Europeia. O Reino Unido ficaria de fora.

Custo das contribuições à União Europeia
A campanha do Leave (de "sair") diz que o Reino Unido manda para a UE £ 350 milhões por semana. Dados oficiais mostram que a contribuição foi de £ 19,1 bilhões em 2014, ou £ 367 milhões. Só que o país recebe uma parte de volta, tanto por negociação feita por Margaret Thatcher em 1984 quanto em recursos por setores como agricultura e universidades.

Valor real das contribuições
Considerando essas questões, a contribuição líquida é de £ 9,9 bilhões por ano, ou £ 190 milhões por semana. O montante corresponde a cerca de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido e 1,3% do orçamento anual do país.

Crescimento da economia
Há estimativas de que o Brexit pode representar uma redução de até 30% do crescimento PIB do Reino Unido a curto prazo. Economistas a favor do Brexit, no entanto, apontam que a economia pode ficar mais forte se o país tiver controle sobre sua política comercial.

Prosperidade
O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Reino Unido passou a ser o maior entre os países do G-7 (países mais ricos) desde que passou a integrar a União Europeia. Antes da adesão, era o último da lista.

Moeda
O Reino Unido não aderiu ao euro - moeda única hoje usada por 19 países - e manteve sua própria moeda, a libra. Estimativas apontam que a libra pode cair até 20% no caso de Brexit, o que pressionaria a inflação e exigiria ações do Banco da Inglaterra (banco central inglês).

Mercado financeiro
Analistas esperam turbulência no mercado financeiro no caso de um Brexit, não apenas com desvalorização da libra, mas também por decisão de investidores de realocar seus recursos em ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro dos EUA e ouro. O choque pode afetar todo o mundo.


Nenhum comentário: