sexta-feira, junho 03, 2016

Lei pode obrigar bancos a torrar R$ 3 bilhões em São Paulo. Prá quê? Prá nada!

Leo Branco 
Revista EXAME 

Agência bancária em São Paulo: 
os vereadores querem trocar detectores de metal por escâneres

São Paulo – Se depender da Câmara Municipal de São Paulo, em breve as 3.240 agências bancárias da cidade deverão trocar os detectores de metal das portas giratórias por escâneres corporais, tecnologia adotada em aeroportos nos Estados Unidos contra ataques terroristas com armas químicas.
Um sistema desse tipo pode custar 900.000 reais e tem efeito similar ao dos atuais detectores de metal para prevenir assaltos a mão armada. A troca, inócua, faria os bancos gastar 3 bilhões de reais na capital paulista. Se fosse adotada na rede de 23.000 agências bancárias Brasil afora, a conta poderia chegar a 20 bilhões de reais.

Essa é apenas uma consequência da sanha legislativa sobre o setor financeiro. Dos 48.000 projetos de lei em tramitação em estados e municípios, 5.500 dizem respeito à atividade bancária, segundo a Febraban, associação dos bancos. Por ano, são 200 novas propostas de lei — uma por dia útil. Alguns textos em vigor mostram a disposição dos legisladores em regular a atividade no detalhe.

Em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, as agências são obrigadas a ter música ambiente. A 527 quilômetros dali, em Novo Hamburgo, pagar uma conta também é uma chance de visitar uma galeria: uma lei municipal obriga a exibição de obras de arte nas dependências das agências bancárias locais.

“Em nome de boas intenções, os legisladores promovem ingerências desnecessárias”, diz Leandro Vilain, diretor de operações da Febraban, que tem 15 especialistas para rastrear novas regras. Pelo visto, trabalho não vai faltar.

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