quarta-feira, junho 29, 2016

Oposição pressiona por sanções diplomáticas a governo de Maduro

O Globo
Com informações Agências Internacionais

Políticos venezuelanos encontram diplomatas na véspera de reunião decisiva da OEA


CARLOS GARCIA RAWLINS / REUTERS 
Presidente Venezuelano, Nicolás Maduro, 
faz discurso a seus apoiadores em comício de Caracas 

CARACAS — Na véspera de uma sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a crise na Venezuela, a oposição do país pressiona nesta quarta-feira pela aplicação de sanções diplomáticas ao governo de Nicolás Maduro. De Caracas, uma comissão de deputados viajou a Washington para pedir que o organismo aplique a Carta Democrática Interamericana sobre a Venezuela. No mesmo dia, o líder opositor Henrique Capriles recebeu o diplomata americano Thomas Shannon para denunciar a ausência de diálogo político em Caracas.

Liderada pelo presidente da Assembleia Nacional opositora, Henry Ramos Allup, a delegação de seis parlamentares viajou para apelar em favor das sanções previstas em caso de ruptura constitucional pela Carta Democrática Interamericana. Se ao menos 18 nações votarem a favor da aplicação do documento, a OEA poderia tomar medidas diplomáticas para estabilizar a situação na Venezuela — o que poderia incluir a suspensão do país do organismo.

“Foi quebrada a ordem constitucional por parte do governo de Nicolás Maduro e não existem avanços de diálogo, o que pede com urgência que a OEA atue frente à crise institucional e humanitária”, disse o parlamentar Luis Florido, que faz parte da comissão, em nota.

Na sessão de quinta-feira, o chefe da OEA, Luis Almagro, apresentará um informe sobre a crise política e de direitos humanos na Venezuela a embaixadores dos 34 países-membros da organização.

‘NÃO HÁ DIÁLOGO’
Também nesta quarta-feira, Capriles e Shannon se reuniram na capital venezuelana. Mais tarde, o diplomata foi ao encontro de Maduro para reiniciar as conversas entre Washington e Caracas.

O governador do estado de Miranda denunciou a ausência de diálogo político no país ao diplomata dos EUA, pedindo que novos mediadores internacionais sejam designados na resolução da crise.

— É o governo que não permite que haja um processo de diálogo no país. O diálogo na Venezuela não pode ser para uma foto, não pode ser para perder tempo, porque os venezuelanos estão em uma situação de emergência — disse Capriles, segundo o “El Universal”.

No encontro, o líder opositor também criticou o ex-presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, por não ter mencionado o processo para convocação de um referendo revogatório contra Maduro, conduzido pela oposição, em seu discurso de terça-feira na OEA.

— O ex-presidente Rodríguez Zapatero tem que revisar muito bem como será sua posição, porque o que hoje escutamos são generalidades e os venezuelanos não estão para generalidades — complementou.

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