sexta-feira, junho 17, 2016

Para Janot, Temer montou ministério para barrar Lava Jato. Senhor Procurador, não seja leviano!!!

Exame.com
Com informações Estadão Conteúdo

Reuters/Adriano Machado 
Michel Temer: para Janot, as nomeações de Jucá para o Ministério do
 Planejamento, do filho de Sarney para o Ministério do Meio Ambiente, 
e de Fabiano Silveira, ligado a Renan, para o ministério que substituiu 
a CGU, tiveram esse objetivo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diz acreditar que o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) montou o seu ministério com o objetivo de colocar um freio nas investigações da Operação Lava Jato.

Trechos do pedido de prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) enviado por Janot ao Supremo Tribunal Federal demonstram essa interpretação.

Na peça, o procurador-geral da República afirma que as conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado com os peemedebistas demonstram que um "acórdão" seria colocado em prática após a chamada "solução Michel", isto é, com a aprovação do afastamento de Dilma Rousseff no Senado e a chegada de Temer à Presidência.

Para Janot, as nomeações de Jucá para o Ministério do Planejamento, do filho de Sarney, Zequinha Sarney, para o Ministério do Meio Ambiente, e de Fabiano Silveira, ligado a Renan, para o ministério que substituiu a Controladoria-Geral da União, tiveram esse objetivo. Também entraria nessa estratégia a distribuição de cargos para o PSDB.

Para o PGR, a intenção dos peemedebistas era "construir uma ampla base de apoio político" para conseguir aprovar pelo menos três projetos no Congresso, um para enfraquecer o instrumento da delação premiada, outro para reverter a decisão do STF de permitir a prisão após a segunda instância e um terceiro para mudar a lei sobre acordos de leniência.

"Essas três medidas seriam implementadas no bojo de um amplo acordo político - tratar-se-ia do propalado e temido 'acordão' - que envolveria o próprio Supremo Tribunal Federal", afirma Janot.

Apesar dos apontamentos do PGR, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, negou o pedido de prisão dos três peemedebistas. Para o magistrado, apenas a presunção de "força política" dos investigados para tentar obstruir a maior operação já desencadeada contra a corrupção não é elemento suficiente para mandar prendê-los.

Procurada, a assessoria de imprensa de Temer não retornou ao questionamento da reportagem. O presidente em exercício, porém, já repetiu inúmeras vezes que apoia as investigações da Lava Jato.

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Procedimento muito estranho do senhor Rodrigo Janot. Basta ver quantos enrolados foram demitidos no governo Dilma e quantos enrolados foram demitidos no governo Temer. Só para lembrar: praticamente todo o ministério de Dilma responde a algum processo ou investigação. E ela não demitiu nenhum deles.

Além disso, procure informar-se no Congresso de que partido foram encaminhados projetos de lei com o propósito de frear a ação da Lava Jato. E qual foi a presidente que fez nomeação no Judiciário para, em troca, facilitar habeas-corpus em favor de empreiteiro preso.  

E, se tudo isso não bastasse quem, além de Delcídio ofereceu vantagens para evitar delações, ofertas devidamente gravadas. Para encerrar, volte no tempo e descubra qual o ministro da Justiça e de qual governo fez ameaças à Polícia Federal e costurava um plano de substituir o Delegado Geral da própria PF. 

Tudo o que não deve fazer um procurador geral é se dedicar a afirmações levianas com base em coisa alguma. Menos, senhor Janot, menos!

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